Nome do Projeto
O LABEQ como espaço para formação de professores de Química
Ênfase
ENSINO
Data inicial - Data final
08/02/2016 - 08/01/2017
Unidade de Origem
Área CNPq
Multidisciplinar - Ensino - Ensino de Ciências e Matemática
Resumo
Há, na formação de professores de Química e ciências, reiteradamente, a recorrência de dois extremos de racionalidade: um com ênfase na formação para a pesquisa técnica e outro na formação pedagógica (Mazzotti, 1993; Schnetzler, 2002; Silva e Ferreira, 2006). Sabendo que o objetivo do Programa de Bolsas Acadêmicas, no que tange à modalidade de Projetos de Ensino, está em objetivar “a reflexão sobre o universo do Projeto Pedagógico de Curso (PPC), no intuito de contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de ensino-aprendizagem” (UFPEL, 2015, p.1), este projeto problematiza essas lógicas extremas de formação e visa integrar educação técnica e pedagógica na formação em Licenciatura em Química da UFPel, consoante com o PPC do curso (UFPEL, 2013). Nesse sentido, este projeto propõe inserir os licenciandos em Química no contexto de um laboratório (Laboratório de Ensino de Química - LABEQ). As atividades desenvolvidas objetivarão integrar o conhecimento químico-conceitual com o conhecimento docente. Enquanto o primeiro se caracteriza por uma formação técnica, necessária e produzida no planejamento e preparação de práticas laboratoriais, recuperação de resíduos de outros laboratórios, proposição de investigações e pesquisas laboratoriais, etc., o segundo traz a questão da formação pedagógica da Química, presente na recontextualização didática de práticas laboratoriais de pesquisa para a Escola Básica ou ensino de graduação, na proposição de processos de experimentação investigativa de temas de ensino, na produção de material didático para aulas de Química, dentre outros. Para tal, este projeto de ensino, desenvolvido no LABEQ, vincula-se a outros laboratórios do Centro de Ciências Químicas, Farmacêuticas e de Alimentos (CCQFA) da UFPel para dar conta de mais uma faceta da proposta de formação do curso de licenciatura em Química, expressa em seu PPC, bem como para qualificar e possibilitar a reflexão acerca da docência e atuação em Química por parte dos estudantes.

Objetivo Geral

Proporcionar, aos licenciandos em Química da UFPel, espaço e tempo diferenciados de reflexão e qualificação de sua formação, articulando aspectos técnicos e pedagógicos no conhecimento, planejamento e realização de práticas laboratoriais para fins didáticos a partir da cooperação e colaboração com outros laboratórios do CCQFA.

Justificativa

A formação de docentes apresenta uma pluralidade de conteúdos de ensino (conceituais, atitudinais, éticos, políticos, procedimentais, etc.). Nítido está, nos documentos oficiais (Brasil, 2006; 2002; 2000; dentre outros), que a formação de professores em geral, e de Química em particular, é complexa e requer a constante tensão entre conhecimentos disciplinares (químicos) e conhecimentos e saberes pedagógicos. Nesse processo, centrando-se na ciência Química, percebe-se a constante recorrência ao caráter experimental dessa área (Chrispino, 2010; Jesus, 2013) - constatação que, muitas vezes, no contexto da formação ou ação docente, é remetida a um caráter estritamente prático ou técnico, passando distanciada das questões pedagógicas e habitando um nível de extrema simplicidade e redução da potência produtiva das questões experimentais no ensino da Química (Benite e Benite, 2009; Galiazzi e Gonçalves, 2004; Suart e Marcondes, 2009).
Desse cenário, Simoni e Simoni (2011, p. 1818) apontam que
o laboratório de ensino pode ser um local apropriado para se desenvolver habilidades manuais e na resolução de problemas, na formação de conceitos e no desenvolvimento intelectual do estudante, no entanto, falha em alcançar todos esses objetivos conjuntamente.
Essa consideração vem ao encontro de outros trabalhos do campo do Ensino de Química, os quais problematizam a sistemática redução que ocorre da potência da atividade experimental dessa área ao considerar tal atividade restrita à motivação, ao despertar de interesse ou à simples estética (Francisco e Francisco Júnior, 2013; Giordan, 1999; Hodson, 1994; Motta et al., 2013). Assim, acreditando no rompimento dessa visão limitada do laboratório de Química e, ainda, assumindo a necessidade de ampliar tanto a formação disciplinar quanto a formação pedagógica dos licenciandos, este projeto de ensino promove a inserção desses estudantes num laboratório de ensino de Química. Nesse contexto, sobressai o desenvolvimento de práticas laboratoriais intensamente inseridas e perpassadas pelas discussões produzidas pela comunidade da Educação Química, assim como passa também pela realização de práticas básicas postas pela comunidade Química em geral. Tal articulação potencializa a reflexão, avaliação e promoção de modificações que os alunos têm em seus modos de compreender o trabalho experimental, seus efeitos sobre o ambiente, sobre a ciência, sobre os conceitos químicos e, assim, possam qualificar e aprimorar sua formação docente.
Para realizar essa proposta de complexificação e rompimento com os extremos de lógicas formativas (Mazzotti, 1993), este projeto de ensino conta com a parceria de outros laboratórios para além do LABEQ, a exemplo dos laboratórios de ensino de graduação e os de pesquisa, como o LabMeQui (Laboratório de Metrologia Química) LASIR (Laboratório de Sólidos Inorgânicos), LaCoPol (Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento de Compósitos e Materiais Poliméricos), LASOL (Laboratório de Síntese Orgânica Limpa). Por meio dessas parcerias, os alunos vinculados ao projeto poderão compreender algumas atividades desenvolvidas nesses laboratórios e cooperar no sentido de propor métodos de tratamento de resíduos ou de reaproveitamento de materiais e reagentes, bem como articular, integralmente, formação docente e formação Química.
Esse processo de conhecimento, proposição e realização de práticas de tratamento e reaproveitamento, não se restringindo ao caráter técnico, terá como elemento central a utilização dos produtos de recuperação e/ou reaproveitamento para o planejamento, organização e realização de práticas a serem desenvolvidas em disciplinas do curso de Licenciatura em Química, como o caso da Química Geral Experimental, Química Inorgânica Experimental 1 e 2, Estágios Curriculares Supervisionados, Instrumentação para o Ensino de Química, Didática da Química, dentre outras, da mesma maneira que também poderá colaborar com os demais projetos vinculados ao LABEQ, a exemplo do PIBID-Química ou das monitorias de Química.
Ressalta-se que este projeto de ensino, para além da possibilidade de fazer os licenciandos refletirem e problematizarem sua formação e seu curso, assim como desenvolver um novo modo de compreender a formação Química disciplinar, seus conceitos e técnica, tal qual a formação pedagógica e didática dos docentes, permite também o consumo, produção e descarte consciente de produtos químicos, princípio fundamental na atualidade (Alberguini, Silva e Resende, 2003; Amaral et al., 2001; Cardoso et al., 2015).
O CCQFA não possui uma central de processamento de resíduos químicos, de modo que todo e qualquer resíduo gerado é devidamente identificado e posteriormente encaminhado a uma empresa terceirizada que realiza os processos de tratamento necessários. Embora, por um lado, haja a preocupação com o descarte adequado, representada pela contratação da empresa, há, por outro, um nível significativo de materiais desperdiçados que poderiam, em alguns casos, serem tratados no próprio CCQFA e reutilizados (seja nos próprios laboratórios de pesquisa, seja nas práticas da graduação, seja em projetos de ensino como os citados). Além da problematização condizente à formação dos licenciados em Química, este projeto de ensino se legitima, logo, pela colaboração que proporcionará entre laboratórios diferentes e pela indispensável minimização do impacto financeiro e ecológico no uso dos materiais.
Todos esses argumentos são vistos, portanto, como fundamentais à formação dos atuais professores de Química, cuja sociedade exige um amplo conhecimento de sua área, na mesma medida em que requer conhecimentos didático-pedagógicos - passando, ambos, conforme aponta Santos (2011), pela questão de consciência cidadã e ambiental.

Metodologia

Tendo por base um trabalho colaborativo e cooperativo entre equipe integrante deste projeto e laboratórios parceiros, será desenvolvido um plano de trabalho dos alunos vinculados, o qual priorizará ações como: articulação dos alunos com outros bolsistas envolvidos nas pesquisas dos laboratórios parceiros; estudo dos processos laboratoriais realizados pelo grupo parceiro e seus resíduos; ensaio de processos experimentais de tratamento e/ou reutilização dos resíduos em outras práticas; pesquisa, discussão e produção de elementos teórico-conceituais concernentes ao Ensino de Química e seus aspectos didáticos, pedagógicos e epistemológicos a partir das práticas laboratoriais investigadas ou elaboradas; estudo de roteiros experimentais destinados a aulas da graduação para sua problematização no âmbito do Ensino de Química; acompanhamento, auxílio e orientação de possibilidades de desenvolvimento de processos experimentais investigativos para os alunos cursantes das disciplinas de Estágio Curricular Supervisionado; acompanhamento e auxílio no planejamento e produção de práticas desenvolvidas por projetos parceiros (como PIBID, monitorias ou ações de extensão); dentre outros.
Além desses elementos, a metodologia empregada na realização deste projeto de ensino também prevê a sistematização das atividades realizadas, as quais possibilitarão tanto a publicização destas em eventos, artigos ou outros, quanto a realização, ao final do projeto, de uma avaliação de seu desenvolvimento e possível reconstrução da proposta para edições futuras.
Em função da presença de editais de concorrência de bolsa para projetos de ensino, estas serão solicitadas assim que possível para a efetivação do trabalho proposto. As bolsas requisitadas terão alunos vinculados a elas por meio de processo de seleção, o qual levará em conta o aproveitamento dos candidatos no curso de licenciatura em Química, seu desempenho e disponibilidade, bem como outros critérios a serem determinados ou pelo edital, ou pelo coordenador do presente projeto.

Resultados Esperados

Espera-se que os alunos participantes do projeto, bem como aqueles com os quais interajam, possam desenvolver um processo intenso de reflexão acerca de sua formação e ação docente no curso de Licenciatura em Química da UFPel. Essa proposta vem ao encontro dos objetivos dos projetos de ensino, os quais, não caracterizados nem como ações de pesquisa, nem de extensão, são imprescindíveis para a problematização da formação de professores que tem sido realizada pela UFPel e, por conseguinte, contribuem para a qualificação do Ensino Superior.
Igualmente, espera-se que a articulação entre laboratórios parceiros e o trabalho em torno do uso inteligente de materiais e resíduos qualifique a formação consciente e cidadã de docentes de Química.
Em termos de impactos, espera-se a possível clivagem da barreira e do distanciamento entre lógicas exclusivamente tecnicistas ou pedagógicas, articulando-as profundamente e as tornando integradas no exercício da docência em Química.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANE MEDEIROS NUNES108/02/201608/01/2017
ALINE JOANA ROLINA WOHLMUTH ALVES DOS SANTOS108/02/201608/01/2017
ALZIRA YAMASAKI108/02/201608/01/2017
ANDERSON SCHWINGEL RIBEIRO108/02/201608/01/2017
ANDRE RICARDO FAJARDO108/02/201608/01/2017
BRUNA JESKE GEHRKE2002/05/201631/12/2016
BRUNO DOS SANTOS PASTORIZA408/02/201608/01/2017
DANIELA BIANCHINI108/02/201608/01/2017
FABIO ANDRE SANGIOGO108/02/201608/01/2017
JULIANO ALEX ROEHRS1
MAIRA FERREIRA108/02/201608/01/2017
MARIANA ANTUNES VIEIRA108/02/201608/01/2017
RAQUEL GUIMARAES JACOB108/02/201608/01/2017
VANESSA GOULART MACHADO108/02/201608/01/2017

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