Nome do Projeto
Reciclagem e requalificação de espaço industrial para implantação de Museus Inclusivos
Ênfase
ENSINO
Data inicial - Data final
20/12/2013 - 31/12/2014
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas - Arquitetura e Urbanismo
Resumo
O projeto de ensino que se apresenta origina-se no programa de extensão O Museu do Conhecimento para todos: inclusão cultural para portadores de necessidades especiais, código do COCEPE 53008042, iniciado em março de 2012 e contemplado no Edital de Extensão Proext 2011. O Programa em questão objetiva a constituição de museu universitário inclusivo, capaz de propor e abrigar ações para o desenvolvimento de técnica, tecnologia e formação de recursos humanos voltados para inclusão e acessibilidade. Desenvolve-se em três ações concomitantes que se desdobram em diferentes metas por ano. A primeira busca estabelecer parcerias com entidades que atuem com pessoas com deficiências para a promoção de iniciativas inclusivas em museus. Esta ação está em curso com a Escola e com o Centro de Reabilitação Louis Braille. A segunda ação busca aplicar o conceito de museu inclusivo universitário voltado para a inclusão cultural e universitária por meio de iniciativas que constituam o espaço para a musealização do patrimônio científico e tecnológico da instituição. A terceira ação busca formar grupos de universitários aptos para propor soluções de acessibilidade em espaços expositivos e museais em conjunto com atividades relacionadas à recepção, mediação, divulgação e formação de pessoas para museus inclusivos. A proposta deste projeto origina-se na intersecção dessas três ações por entender que o escopo do museu inclusivo é apenas tangenciado nos cursos que formam os profissionais que podem agir na proposição desses espaços museais. Assim, o conceito de desenho universal apresenta-se como uma alternativa na qualificação destes profissionais. Assim, o projeto objetiva preparar o aluno para a compreensão das possibilidades desta ferramenta projetual no desenvolvimento de um projeto arquitetônico e conceitual com esta finalidade, ambientado na reciclagem de um dos prédios industriais adquiridos pela UFPel. A experiência desta formação, resultante da convergência das ações do referido Programa, permitirá ao grupo de alunos a vivência de uma proposta essencialmente interdisciplinar e permitirá que o ambiente proposto venha a ser executado de fato, com soluções que devem, necessariamente, atender uma proposta inclusiva.

Objetivo Geral

Preparar grupo de alunos de quatro cursos de graduação diversos para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de reciclagem e requalificação do espaço industrial da antiga fábrica Laneira Brasileira S.A., hoje propriedade da Universidade Federal de Pelotas, com vistas à implantação do conjunto de museus de ciência, tecnologia e memória desta Universidade reunidos em uma proposta integralmente acessível, voltada para a comunicação, pesquisa e ensino por meio de recursos assistivos e inclusivos, com base nos princípios postulados pelo Desenho Universal, ampliando e convergindo conteúdos referentes a cada curso.

Justificativa

São três os contextos nos quais se insere o trabalho e que o justificam. O primeiro diz respeito aos preceitos enunciados na Lei 10098/2000, no Decreto 5296/2004 e no Estatuto dos Museus – Lei 11094/2009, bem como no conceito vigente de museu universitário. Entende-se que o museu universitário, em especial aquele inserido e gerido pela instituição pública, demanda que o seu projeto seja capaz de assegurar tanto a viabilidade da missão de um ambiente investigativo, como que possa ser implantado e mantido dentro de uma estrutura administrativa própria, em consonância com o projeto pedagógico da instituição e anelado aos princípios da inclusão social e, no caso deste projeto, inclusão universitária e cultural.
O segundo contexto, mais amplo, é o que se define pela atual lei brasileira que versa sobre a inclusão de pessoas deficientes que se expressa na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/LDBEN nº. 9.394/96, afirmativa do direito das pessoas portadoras de deficiência a uma educação de qualidade, na qual os aspectos de estrutura física e habilitação dos profissionais para o atendimento específico às necessidades dos deficientes estão amplamente previstos e no Decreto Nº 914, de 6 de setembro de 1993, capítulo I, art. 1° que define a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, como “(...) o conjunto de orientações normativas, que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência.” Sobretudo, no
no capítulo II, art. 4°, encontra-se o compromisso que atinge a Universidade ao implicar-se inelutável o “(...) desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade civil, de modo a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência no contexto sócio-econômico e cultural”. A lei nº 10.098 de 2000 especificou os mecanismos de inclusão ao tratar das eliminações de barreiras arquitetônicas e outros obstáculos ao trânsito de pessoas com deficiências e da acessibilidade nos transportes e na comunicação. Na continuidade, o Decreto nº 5.296 de 2004 instituiu-se como um instrumento normativo que alargou o conceito de acessibilidade e relacionou-o ao de inclusão propiciando a emergência do Decreto Nº 6.949 de 25 de agosto de 2009, no qual se enunciou que “a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas”. Contemporaneamente, o foco da deficiência não esta mais localizado na pessoa, mas no ambiente que não disponibiliza acessibilidade para participação equitativa e sinérgica entre todos. compete reconhecer que a legislação brasileira acompanhou, com atualidade, os principais documentos internacionais, adequando-se, progressivamente, a um novo conceito de inclusão e reconhecendo a acessibilidade como o conjunto de instrumentos capazes de promovê-la.
O terceiro contexto, específico da Universidade Federal de Pelotas, diz respeito ao compromisso que a Instituição assumiu com a memória da cidade ao adquirir importantes conjuntos de prédios de antigas fábricas locais. Ao fazê-lo, assumiu o desafio e o desiderato de transformá-los em ambientes universitários qualificados, adaptados e, ainda assim, enunciadores da memória social remanescente nestes lugares.
O museu contemporâneo, por ser uma instituição com possibilidades experimentais, oferece disposição para trabalhar com públicos diversos em um ambiente de caráter inclusivo. O museu é capaz de transpor o conceito de deficiência como uma condição patológica, impeditiva para o indivíduo e que o destitui do convívio social pleno para o conceito de deficiência como diferença a ser contemplada pela sociedade. Assim, o museu apresenta-se habilitado a compor um ambiente inclusivo que trate do indivíduo com necessidades especiais como público do seu espaço e ações. Tratando-se de um museu universitário, essas habilidades advém da própria missão da instituição que segundo o Artigo 2º do capítulo 1 do Regimento da UFPel, tem como finalidade desenvolver educação, ensino e pesquisa em base orgânica, social e comunitária “(...) pondo-se a serviço do desenvolvimento econômico-social; contribuindo para o estabelecimento de condições de convivência, segundo os princípios de liberdade, de justiça e de respeito aos direitos e demais valores humanos”. De tal modo, a Universidade é capaz; e pode, pelo compromisso social incluso em sua própria existência, operar ações contributivas para promover dignidade e propiciar pleno desenvolvimento aos portadores de deficiências sensoriais, motoras e múltiplas, assim como ações mais amplas que propiciem a integração entre grupos deficientes e não deficientes.
Assim, a inclusão cultural de pessoas com deficiências e a expansão do conceito de patrimônio são temas convergentes, contemporâneos e especializados que precisam se constituir em matéria de ação das universidades públicas para que essas cumpram com mais essa finalidade social.
Observa-se que o conhecimento do arquiteto para a acessibilidade vem sendo pautado pelo cumprimento das exigências da Norma Brasileira número 50. No entanto, não há um conteúdo que faça este profissional transcender o prescrito na norma para pensar em soluções universais. Por outro lado, o designer gráfico vê-se sem respaldo na sua formação para atuar com os recursos próprios da sua área em uma comunicação visual inclusiva e ao museólogo e conservador, cujo práxis atende a função social do museu, tanto os conteúdos de arquitetura de interiores e design lhe parecem dissociados dos resultados inclusivos que compete a todo museu buscar.Por fim, a terapia ocupacional tem sido área fundamental para as discussões sobre acesso e comunicação com pessoas com deficiência. Sendo assim, entendendo-se que o conteúdo proposto neste projeto só pode ser contemplado em um grupo interdisciplinar, focado para o desenvolvimento prático de um proposta integradora, na qual cada recurso assistivo reflete a meta do museu inclusivo.

Metodologia

Neste projeto, as ações previstas para o atingimento dos objetivos e desenvolvimento das metas organizam-se nos seguintes métodos e recursos:
1. Estudo do conceito de Desenho Universal e dos seus princípios.
2. Aplicação do estudo no desenvolvimento do Programa de Necessidades dos Museus
2. Zoneamento do espaço e estudo das áreas compartilhadas a partir dos princípios do desenho universal.
3. Aplicação dos princípios aos elementos comunicativos dos espaços museais.
4. Desenvolvimento do projeto de zoneamento aplicando os princípios do desenho universal
5. Desenvolvimento do projeto de zoneamento aplicando os princípios do desenho universal
6. Apresentação do projeto à comunidade envolvida e debate sobre os resultados propostos.

Resultados Esperados

1. Espera-se que o melhor resultado deste projeto seja preparar o grupo de alunos envolvido para a compreensão das possibilidades do desenho universal como ferramenta para o desenvolvimento de um conceito de museu capaz de cumprir com a sua função inclusiva.
2. Almeja-se atingir e disseminar o interesse de alunos de diferentes cursos de graduação pelo tema museus inclusivos.
3. Espera-se que o projeto consiga propor, através do estudo dos alunos com a presença dos professores e de um arquiteto qualificado para o trabalho com reciclagem de edifícios históricos um projeto de reciclagem de um prédio industrial, factível e passível de ser executado.
4. Espera-se gerar um projeto de requalificação para o prédio da antiga fábrica Laneira que possa afirmar os princípios do Desenho Universal como ferramenta para a constituição de ambientes culturais inclusivos.

Indicadores, Metas e Resultados

Embora apresentado como ensino, este projeto tanto origina-se em outros, um de extensão e um de pesquisa, como congrerá em seus resultados a possibilidade de uma experiência essencialmente interdisciplinar e coletiva. O projeto também oportunizará a Universidade desenvolver uma proposta inovadora do ponto de vista da gestão de museus, uma vez que as soluções para ocupação do espaço também estão voltadas para o melhor aproveitamento de recursos, tanto materiais como humanos. Como o projeto busca ter o acompanhamento de um arquiteto projetista, envolvido com patrimõnio cultural, também se estará oportunizando a um grupo de alunos a consciência sobre necessidades que a sociedade demanda e que só um profissional com possibilidades interdisciplinares e compromisso com o coletivo pode atender.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CAMILA DAMASCENO GARCIA2020/12/201331/12/2014
CELINA MARIA BRITTO CORREA1220/12/201331/12/2014
DESIRÉE NOBRE SALASAR420/12/201331/12/2014
FRANCISCA FERREIRA MICHELON220/12/201331/12/2014
JOSSANA PEIL COELHO420/12/201331/12/2014
NORIS MARA PACHECO MARTINS LEAL127/01/201415/12/2014
PEDRO CAETANO ALVES2020/12/201331/12/2014
RENAN YOKEMURA MARQUES2020/12/201331/12/2014
RICARDO LUIS SAMPAIO PINTADO403/03/201415/12/2014
TABATA AFONSO DA COSTA2020/12/201331/12/2014
VIVIANE CAROLINA DE OLIVEIRA PACHECO2020/12/201331/12/2014

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