Nome do Projeto
Influência do glide path na performance da Reciproc Blue em molares inferiores: um estudo randomizado
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/05/2026 - 31/12/2029
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A endodontia tem evoluído significativamente com o desenvolvimento de novas técnicas e instrumentos, dentre os quais o glide path se consolidou como etapa tradicionalmente associada à segurança da instrumentação rotatória. Entretanto, sistemas reciprocantes de lima única, como a Reciproc Blue, apresentam desempenho promissor mesmo na ausência dessa etapa prévia, mas ainda persistem lacunas quanto à sua real necessidade em molares inferiores com periodontite apical assintomática. O presente estudo tem como objetivo avaliar a influência do glide path mecanizado com a lima R-Pilot previamente à instrumentação com Reciproc Blue, em um ensaio clínico randomizado paralelo. O desfecho primário será a capacidade de atingir o comprimento de trabalho previamente estipulado, e os desfechos secundários incluem o tempo de preparo, a dor pós-operatória e a incidência de fratura de instrumentos. A amostra será composta por 116 canais radiculares, alocados aleatoriamente em dois grupos experimentais (n=58) - G1: Reciproc Blue com glide path; G2: Reciproc Blue sem glide path. O cálculo amostral considerou desfecho binário (atingir ou não o comprimento de trabalho), com hipótese de não-inferioridade, margem absoluta de 10 pontos percentuais (Δ=0,10), nível de significância unilateral de 2,5% e poder de 80%, resultando em 52 canais por grupo, acrescidos de 10% para perdas. Os procedimentos clínicos seguirão protocolo padronizado e os dados serão analisados estatisticamente no software SPSS, adotando-se nível de significância de 5%. Este estudo busca fornecer evidências clínicas que auxiliem na tomada de decisão do cirurgião-dentista, contribuindo para maior previsibilidade e segurança nos protocolos endodônticos.

Objetivo Geral

Avaliar a influência do glide path mecanizado com a lima R-pilot previamente à instrumentação com a Reciproc Blue em molares inferiores com periodontite apical assintomática, com desfecho primário de chegada ou não ao comprimento de trabalho, e desfechos secundários de tempo de preparo, dor pós-operatória e incidência de fratura de instrumentos.

Justificativa

A endodontia tem vivenciado, nas últimas décadas, um crescimento exponencial no desenvolvimento de novas tecnologias, técnicas e materiais, todos voltados a facilitar e aprimorar a prática clínica dos profissionais da área. Nesse contexto de constante evolução, destaca-se o glide path, uma etapa amplamente utilizada no preparo e modelagem do canal radicular (DE DEUS et al., 2025).
Essa técnica foi introduzida no início dos anos 2000 por John West (WEST, 2010), diante da necessidade clínica de reduzir a ocorrência de fraturas em instrumentos rotatórios — uma complicação cuja incidência varia entre 2% e 26% (INAN; GONULOL, 2009; PATINO et al., 2005). Esses índices são significativamente mais altos do que os registrados com o uso de instrumentos reciprocantes (CUNHA et al., 2014; BUENO et al., 2020) que reportam entre 0,13% e 0,42%, a comparar, respectivamente, por canal ou dente tratado. Com o avanço das pesquisas e o acúmulo de evidências científicas, o glide path passou a ser considerado uma etapa obrigatória quando se opta pela utilização de instrumentos rotatórios, em virtude da segurança adicional que proporciona e da consequente redução no risco de fraturas (DE DEUS et al., 2025).
Tradicionalmente, o glide path é definido como um trajeto contínuo e suave que se estende desde o orifício de entrada do canal até o seu limite apical (WEST, 2010). Em outras palavras, o glide path pode ser associado a uma etapa intimamente relacionada às dimensões geométricas do canal radicular (DE DEUS et al., 2025), estabelecida quando uma lima de pequeno calibre consegue percorrer o conduto desde a entrada até o ápice de forma suave, repetitiva e previsível. De modo geral, considera-se adequado um glide path no qual uma lima tipo K tamanho 10 deslize de forma folgada pelo canal, ou uma lima tipo K tamanho 15 esteja levemente solta no seu interior (WEST, 2010; YARED, 2008).
O principal objetivo da técnica de glide path é garantir um espaço suficiente para que os instrumentos mecanizados possam operar com segurança (WEST, 2010; RUDDLE; MACHTOU; WEST, 2014). No entanto, é importante, nesse sentido, diferenciar os conceitos de exploração do canal e o glide path propriamente dito: enquanto a exploração é uma manobra passiva voltada a localizar o ápice, o glide path envolve o corte dentinário ativo e a ampliação controlada do espaço do canal.

Ou seja, o canal precisa, primeiro, ser explorado para, então, possibilitar a realização do glide path (DE DEUS et al., 2025).
Apesar de sua importância na instrumentação rotatória, o glide path apresenta algumas limitações clínicas. Trata-se de uma etapa com elevada demanda técnica, considerada por muitos profissionais como trabalhosa, desafiadora e, por vezes, demorada. Quando não executada com o devido cuidado, essa manobra pode, paradoxalmente, aumentar o risco de fraturas de instrumentos, justamente a complicação que busca evitar (DE DEUS et al., 2025).
Ainda segundo West, cerca de 50% dos canais já apresentam, naturalmente, trajetos com dimensões compatíveis com o uso seguro do primeiro instrumento rotatório de escolha, tornando dispensável a criação ativa de um glide path. Nesses casos, a instrumentação mecanizada pode ser iniciada logo após a exploração inicial e a obtenção da patência apical (WEST, 2010; DE DEUS et al., 2025).
Nesse cenário de evolução constante, os estudos mais recentes sobre o preparo dos canais radiculares com instrumentos mecanizados impulsionaram a introdução das técnicas de instrumentação reciprocante com lima única (YARED, 2008). Diferentemente dos sistemas rotatórios convencionais, essas técnicas se destacam por possibilitar a instrumentação eficaz do canal sem a exigência prévia do glide path. Um exemplo marcante é o das primeiras limas reciprocantes Reciproc (VDW, Munique, Alemanha), lançadas em 2011, cuja bula não estabelece essa etapa como obrigatória (VDW, 2011).
A capacidade das das limas Reciproc em alcançar o comprimento real do dente sem o uso de glide path foi demonstrada em um estudo clínico envolvendo 673 canais radiculares, no qual se observou uma taxa de sucesso de 96,28%, com apenas três fraturas de instrumento registradas (RODRIGUES et al., 2016). Resultados ainda mais favoráveis foram encontrados em canais de maior volume: em canais médios instrumentados com a lima R40, a taxa de sucesso foi de 98,51%, enquanto nos canais largos, tratados com a R50, o índice atingiu 97,62% (RODRIGUES et al., 2016). Esses achados sinalizam a viabilidade do uso clínico das limas Reciproc mesmo na ausência de um glide path prévio.
Com o avanço da tecnologia, foi introduzida, em 2016, a Reciproc Blue, um instrumento com tratamento térmico aprimorado que confere maior flexibilidade e resistência à fadiga cíclica. Essa evolução parece proporcionar ainda mais segurança na utilização sem o glide path prévio, ampliando as possibilidades clínicas e reduzindo a complexidade operatória (DE DEUS et al., 2019; VDW, 2025).
Fabricada com liga de NiTi azul, a Reciproc Blue é fruto de um tratamento térmico inovador que envolve ciclos controlados de aquecimento e resfriamento. Esse processo regula as temperaturas de transição de fase do material, resultando em uma superfície com a característica coloração azul, devido à formação de uma camada de óxido de titânio (DE DEUS et al., 2017). Em comparação com sua antecessora, a Reciproc convencional, a Reciproc Blue apresenta maior flexibilidade proporcionada justamente por esse tratamento térmico, o que pode influenciar positivamente na capacidade de corte e na modelagem do canal radicular (DE DEUS et al., 2017).
Apesar dos avanços observados, a consolidação dessa abordagem requer o suporte de estudos clínicos mais aprofundados, sobretudo quanto à utilização do sistema Reciproc Blue. Embora esse instrumento apresente desempenho promissor em protocolos com lima única, ainda há incertezas sobre a real necessidade da etapa de glide path em sua aplicação clínica, especialmente em casos de molares com periodontite apical assintomática. Tradicionalmente empregado antes da instrumentação e ampliação do canal radicular, o glide path tem sido associado à maior segurança operatória, redução da fadiga dos instrumentos e menor risco de fraturas, no entanto, persistem lacunas na literatura quanto à efetiva obrigatoriedade dessa etapa em sistemas reciprocantes.
Sendo assim, torna-se plausível avaliar clinicamente a real necessidade da utilização do glide path mecanizado na capacidade de atingir o comprimento real de trabalho, na dor pós-operatória, na incidência de fratura de instrumentos, e no tempo de trabalho, comparando-o com a instrumentação direta com a Reciproc Blue. O estudo em questão busca, a partir dessa comparação, fornecer dados clínicos que possam auxiliar o cirurgião-dentista em sua tomada de decisão, com o intuito de otimizar o protocolo clínico e garantir previsibilidade, segurança e conforto ao paciente

Metodologia

Desenho experimental
Será conduzido um ensaio clínico randomizado (ECR), controlado e com grupos paralelos, desenvolvido de acordo com as diretrizes do SPIRIT Statement (Standard Protocol Items: Recommendations for Interventional Trials) e submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas. Após aprovação, o estudo será delineado e reportado conforme as recomendações do Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT).
Serão incluídos no estudo pacientes que necessitem de tratamento endodôntico primário e que atendam aos critérios de elegibilidade previamente definidos. O desfecho primário será a capacidade dos instrumentos de cada grupo em alcançar o comprimento de trabalho (CT) previamente estabelecido antes do início da instrumentação.
As intervenções serão realizadas em molares inferiores com diagnóstico de periodontite apical assintomática. O objetivo será avaliar o impacto do glide path mecanizado prévio sobre a capacidade de atingir o CT utilizando instrumentação reciprocante. No grupo experimental, o glide path será realizado com a lima R-Pilot (VDW, Munique, Alemanha), em cinemática reciprocante (150° no sentido anti-horário e 30° no sentido horário), antes da utilização do instrumento Reciproc Blue (VDW, Munique, Alemanha), selecionado conforme o diâmetro do conduto, seguindo as instruções do fabricante. Já no grupo controle, o glide path não será realizado, sendo a instrumentação realizada apenas com Reciproc Blue, após a exploração inicial.
Como desfechos secundários, serão avaliados: o tempo total de instrumentação, a intensidade da dor pós-operatória e a incidência de fratura de instrumentos. Todos os operadores envolvidos nos procedimentos clínicos passarão por treinamento prévio.

Aspectos éticos
O projeto será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (FO-UFPEL), de acordo com a resolução nº. 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa. Todos os pacientes elegíveis serão informados dos objetivos do estudo, assim como dos benefícios e dos eventuais riscos associados às etapas clínicas a serem realizadas. Os pacientes que aceitarem participar do estudo terão o dever de assinar um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os pacientes que não aceitarem participar do estudo não terão de forma alguma a negativa de atendimento, sendo assim, serão encaminhados para atendimento nas clínicas de Endodontia (Intra-Muros II ou Endodontia Clínica) da FO-UFPEL.
Seleção de pacientes
Os pacientes serão originados do serviço geral de triagem da FO-UFPEL, sendo selecionados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão pré-estabelecidos. Após condução de uma anamnese detalhada, os pacientes serão submetidos aos exames clínicos e radiográficos a serem realizados por examinadores calibrados, para posteriormente serem alocados aleatoriamente em um dos grupos de intervenção definidos.

Randomização
A randomização dos procedimentos será realizada por meio de uma tabela de números aleatórios gerada eletronicamente, utilizando a plataforma Random.org. Para garantir a alocação oculta, serão utilizados envelopes opacos, invioláveis e numerados sequencialmente, sob a responsabilidade de um pesquisador que não participará diretamente da condução clínica do estudo. O nome do grupo correspondente será escrito em um papel branco e inserido no respectivo envelope numerado. A randomização será conduzida de forma estratificada por operador, sendo este cirurgião-dentista especialista em endodontia e previamente treinado na técnica de instrumentação reciprocante com o sistema Reciproc (VDW, Munique, Alemanha). A alocação do paciente ao grupo só será conhecida pelo operador no momento da intervenção, com a abertura do envelope correspondente.
Cálculo amostral
O cálculo amostral baseou-se no desfecho primário binário (atingir o comprimento de trabalho, sim/não) em ensaio clínico randomizado paralelo (1:1). Adotou-se hipótese de não-inferioridade do protocolo sem glide path em relação ao com glide path, com margem absoluta de 10 pontos percentuais (Δ=0,10), α=0,025 (unilateral) e poder de 80%. Assumiu-se p=0,95 em ambos os grupos para planejamento. Foi utilizada a seguinte fórmula:

O cálculo indicou a necessidade de um total de n=52 por grupo (104 total), sendo n = canais tratados; com 10% de perdas, 58 por grupo (116 total). Em cenário alternativo com poder de 90%, seriam n=69 canais por grupo (138 total); com perdas, 77 por grupo (154 total). A fratura de instrumentos será analisada como desfecho de segurança/exploratório devido à baixa incidência esperada.

Etapas inerentes a ambos os grupos (prévias à instrumentação)
O operador será previamente treinado por meio de uma aula expositiva ministrada por professor especialista, doutor em endodontia. Todos os atendimentos clínicos serão realizados sob supervisão direta de professores doutores na área, garantindo a padronização e segurança dos procedimentos. Nenhum procedimento será cobrado dos pacientes, e a liberação após cada etapa ocorrerá apenas mediante o aval do professor supervisor.
Inicialmente, será realizado um exame clínico para avaliação das condições de saúde bucal do paciente. Em seguida, será aplicado o teste de sensibilidade pulpar ao frio, utilizando isolamento relativo com roletes de algodão. Uma bolinha de algodão embebida em spray refrigerante (Endo-Frost, Coltene-Whaledent, Langenau, Alemanha) será posicionada no terço médio da face vestibular do dente. A ausência de resposta após 10 segundos será considerada indicativa de necrose pulpar. O teste será repetido duas vezes para minimizar a ocorrência de falsos negativos.
A radiografia periapical inicial, assim como todas as demais necessárias ao longo do tratamento, será realizada utilizando sensor digital intraoral WIM Vitor (DMM, Bandeirantes, PR), com o auxílio de posicionadores radiográficos específicos. Todos os exames radiográficos seguirão rigorosamente os protocolos de biossegurança, assegurando a proteção tanto do paciente quanto do operador.
Uma vez confirmado o diagnóstico de necrose pulpar, será realizada a radiografia inicial com o objetivo de avaliar a presença de lesão periapical, considerando-se elegíveis os casos com pontuação ≥ 3 no Periapical Index (PAI). Em seguida, os pacientes receberão anestesia infiltrativa e bloqueio do nervo alveolar inferior com lidocaína 2% associada à epinefrina 1:100.000 (Alphacaine 100, DFL, Rio de Janeiro, RJ). Após anestesia, todo o tecido cariado e/ou material restaurador previamente existente será removido, seguido pelo isolamento absoluto com lençol de borracha e localização da embocadura dos canais radiculares.
Localizados os canais, será realizada a remoção do teto da câmara pulpar com brocas diamantadas de ponta inativa, garantindo acesso sem interferências para as limas de exploração inicial tipo K tamanho #6 e #8 Kendo (VDW, Munique, Alemanha) serem introduzidas, conforme a anatomia do canal. A solução irrigadora de escolha será o hipoclorito de sódio (NaOCl) a 2,5% (Asfer, São Caetano do Sul, São Paulo) em todos os dentes. Além disso, em todos os casos será utilizado um total de 20 ml de solução irrigadora por canal radicular.
Prévio à etapa de instrumentação, será realizado o sorteio que irá determinar o grupo no qual o tratamento será alocado (instrumentação reciprocante logo após a exploração inicial, ou glide path mecanizado prévio à instrumentação reciprocante). A partir disso, os procedimentos serão realizados conforme descrição abaixo, seguidos por restauração coronária provisória com resina composta.
Grupo 1 - Instrumentação logo após a exploração inicial
Após a exploração inicial do canal radicular de forma suave e passiva até o comprimento de trabalho provisório, será utilizado o localizador apical eletrônico Precision Airpex (Angelus, Londrina, Brasil) para determinar o comprimento real do conduto. Com base nessa medição, será selecionado o instrumento reciprocante mais adequado para a instrumentação. O instrumento Reciproc Blue selecionado será inserido no canal e ativado por meio de um motor elétrico E-Connect Pro (MK Life, Porto Alegre, Brasil). A instrumentação será realizada com movimentos de vai e vem curtos (bicadas) de aproximadamente 3mm de amplitude, aplicando-se leve pressão apical combinada com tração contra as paredes laterais do canal, conforme as recomendações do fabricante. A cada três movimentos de bicada, assim como a cada remoção do instrumento do canal, este será limpo com gaze estéril embebida em hipoclorito de sódio (NaOCl). O ciclo será repetido até que o instrumento atinja o comprimento de trabalho previamente determinado pelo localizador apical.
Seguindo as mesmas etapas iniciais do Grupo 1, incluindo a exploração passiva do canal e a determinação do comprimento de trabalho com o localizador apical, a principal diferença no Grupo 2 está na fase anterior à instrumentação com as limas Reciproc. Neste grupo, será realizado o glide path mecanizado utilizando o instrumento R-Pilot (VDW, Munique, Alemanha), com pressão leve e movimentos de bicada curtos, de forma que o instrumento chegue de forma passiva até o comprimento de trabalho previamente estabelecido, de acordo com as recomendações do fabricante. Após a sua utilização, a Reciproc Blue atua da mesma forma que no Grupo 1, chegando até o comprimento de trabalho estabelecido.





Indicadores, Metas e Resultados

Avaliação da chegada ao comprimento de trabalho
A chegada da Reciproc Blue ao comprimento de trabalho (CT) previamente estabelecido será verificada ao final da instrumentação, por meio da confirmação com o localizador apical. O instrumento será considerado como tendo alcançado o CT quando, ao final do preparo, coincidir a medida previamente determinada, sem impedimentos e sem ocorrência de fratura. A avaliação será realizada individualmente para cada canal finalizado com a lima Reciproc Blue R25.
Avaliação do tempo de preparo
O tempo de preparo será medido por meio da utilização de um cronômetro digital, por um avaliador treinado e cego quanto ao tratamento em questão, que acionará a contagem no momento em que o primeiro instrumento mecanizado for introduzido no canal radicular (Grupo 1: Reciproc Blue; Grupo 2: R-Pilot), e pausado ao término da instrumentação, quando o instrumento final alcançar o comprimento estabelecido e o canal for considerado suficientemente amplo. O tempo será registrado individualmente para cada canal instrumentado com a lima Reciproc Blue R25. Posteriormente, será calculada a média do tempo de instrumentação para cada grupo experimental, permitindo a comparação entre as abordagens quanto à eficiência operatória.
Avaliação da dor pós-operatória
A dor pós-operatória será avaliada por meio de uma escala de avaliação numérica da dor (EAND), composta de números de 0 a 10, sendo o zero a inexistência da dor, e o 10 a pior dor imaginável. O paciente será orientado a assinalar com um X apenas o número que melhor represente a intensidade de sua dor naquele momento, sendo os respectivos intervalos: 24h, 48h, 72h e 7 dias.
Os pacientes serão contatados por telefone, em horários previamente estabelecidos, para que informem o valor correspondente à sua dor em cada um dos intervalos estipulados, e serão também registrados, com consentimento prévio, dados de contato alternativos como redes sociais, e-mail e endereço residencial, a fim de evitar perdas de seguimento. Além disso, também será registrada a necessidade do uso de analgésicos no pós-operatório, bem como o fármaco, a dose utilizada e a frequência.
Com todos os dados obtidos, será possível realizar o cálculo da média da dor relatada para cada grupo experimental e em cada tempo de avaliação (24h, 48h, 72h e 7 dias), possibilitando, assim, a comparação estatística entre os grupos quanto à intensidade da dor pós-operatória ao longo do tempo.
Avaliação da incidência de fraturas de instrumentos
A incidência de fraturas de instrumentos será avaliada clínica e radiograficamente, sendo contabilizados os casos em que o instrumento utilizado no preparo do canal radicular não puder ser removido integralmente e, na medição com régua endodôntica, apresentar comprimento menor que o de fábrica (R-Pilot e Reciproc Blue R25: 25 mm). Nesses casos, será registrada a ocorrência da fratura, assim como a sua localização aproximada no interior do canal radicular. A análise será feita por canal preparado com a lima R25. Os pacientes serão orientados a retornar para acompanhamento radiográfico durante o período de seguimento do estudo, assegurando a detecção precoce de possíveis complicações.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CAROLINA CLASEN VIEIRA4
FERNANDA GERALDO PAPPEN6
FRANCINE CARDOZO MADRUGA4
PEDRO COUTINHO XAVIER

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