Nome do Projeto
COLETIVO DE AÇÃO E PESQUISA EM PERFORMANCE, EDUCAÇÃO E CURRÍCULO (CAPPEC)
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
16/03/2026 - 20/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Eixo Temático (Principal - Afim)
Educação / Cultura
Linha de Extensão
Metodologias e estratégias de ensino/aprendizagem
Resumo
Por meio do COLETIVO DE AÇÂO E PESQUISA EM PERFORMANCE, EDUCAÇÃO E CURRÍCULO (CAPPEC) proponho a realização de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão. Tais ações serão norteadas pelas Diretrizes Nacionais Curriculares Para Educação Étnico-racial, partindo da seguinte questão: como criar repertórios, tornar corpo, os arquivos que orientam para uma educação etnico-racial? A noção de arquivo e repertório referida no projeto em tela tem como base os estudos de Diana Taylor (2013). A autora descreve arquivo como algo composto por materiais hipoteticamente duráveis e não mediados, seriam, por exemplo: documentos, textos, edifícios, objetos, ossos. O repertório, por sua vez, considerado efêmero e sujeito ao agenciamento, constitui-se de “[...] práticas/conhecimentos incorporados (isto é, língua falada, dança, esportes, ritual)” (TAYLOR, 2013, p. 48). Na perspectiva da autora e da performance cultural poder-se-ia dizer que os saberes culturais são corporificados e apreendidos por meio das relações dos corpos. Por essa razão, alude-se à importância de tornar corpo tais documentos que visam mudanças e avanços nas relações étnico-raciais em nosso país. Entende-se que tanto as aulas de teatro quanto as ações cênicas nas escolas são um território profícuo para corporificar novos modos de existir.

Objetivo Geral

- Contribuir na formação dos discentes do curso para pesquisa de campo;
- Estimular os discentes a prática da escrita acadêmica por meio da articulação teorica com as reflexões da prática;
- Oportunizar a formação de pessoas externas à universidade;
- Divulgar a produção acadêmica;
- Fortalecer práticas de ensino antirracista;
- Valorizar saberes não acadêmicos e a interlocução entre eles e a academia;
- Fortalecer as relações entre Escolas públicas e a universidade;
- Estimular criações cênicas relacionadas à educação étnico-racial.

Justificativa

A elaboração do presente projeto tem como disparador minha pesquisa junto à Rede Internacional Infâncias Protagonistas, visto que a grande maioria dos casos de xenofobia relatados por professoras, estudantes e pesquisadoras da Rede remetem às performances culturais que pautam as relações étnico-raciais no Brasil, evidenciando que não são somente casos de xenofobia, mas tratam-se do que, no campo, vem se nomeando como xenofobia racializada. Ou seja, a aversão ao outro não ocorre somente por ele ser estrangeiro, mas por sua cor de pele, seu país de origem, sua religião, seu biotipo. A racialização da xenofobia é:
[...]expressa pela “desumanização” e “demonização” distinta dos estrangeiros que não se resume à aporofobia e/ou formação profissional, mas sim pela manutenção atualizada do velho crivo racial anti-negro (e anti-indígena, em alguns casos) que, mesmo em um contexto de franca abertura fronteiriça para trabalhadores de origens diversas – qualificados ou não –, oferece condições desiguais de acomodação (Faustino; Oliveira, 2021, p. 204).
Os autores argumentam que isso ocorre no Brasil, devido a nossa constituição colonial e escravista. Afirmam ainda que muitos imigrantes oriundos de países do continente Africano, são surpreendidos ao serem socialmente reconhecidos como negros, Gebrim (2018)
[...] fala do sofrimento psíquico vivido por imigrantes africanos ao chegarem ao Brasil e se descobrirem negros – e, portanto, bestializados – aos olhos brasileiros. No mesmo caminho, Carneiro (2018) e Oliveira (2019) evidenciam o quanto a cor da pele do imigrante exerce influência sobre o tratamento dispensado a estudantes de origem africana, caribenha ou andina (Faustino; Oliveira, 2021, p. 204).
Relevante ressaltar que o termo negro foi cunhado pelos senhores para reportarem-se de modo pejorativo aos homens, mulheres e crianças escravizados. Por essa razão o sofrimento vivido pelos imigrantes de países africanos, pois percebem aqui a herança social de um longo processo de desumanização da imensa população escravizada. Se o racismo em nossa sociedade é estrutural, ele está presente em todos os espaços sociais, não seria diferente na escola. Desse modo, uma primeira análise me leva crer que se grande parte dos casos de xenofobia nas escolas brasileiras são racializados, sofridas por estudantes do Haiti, Venezuela e Congo, é possível que por meio de práticas pedagógicas antirracistas possamos construir caminhos para qualificar a integração das crianças e adolescentes migrantes e refugiados nas escolas brasileiras. Posto que é necessário modificar as relações étnico-raciais nas performances culturais dos brasileiros brancos e não brancos. É preciso valorizar a cultura da população afrodescendente e indígena, reconhecer a contribuição efetiva dessas populações, de modo a reverter a desqualificação dos seus saberes, produzida ao longo de anos, com o propósito de justificar uma suposta superioridade branca.
Essa é uma luta de muitos anos, sobretudo do movimento negro brasileiro em suas diversas representatividades, e que já oferece ferramentas e caminhos para mudanças. A aprovação da Lei 10.639 incorporada pela LDB, na qual consta como Artigo 26-A e 79-B é um marco em ações de reparação histórica com a população afrodescendente e indígena. A partir da aprovação da Lei 10.639 foi possível elaborar documentos como as Diretrizes Curriculares para Educação Étnico-racial (2004) e as Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais (2006). Por meio das mudanças na abordagem dos conteúdos e inserção de novos saberes nos currículos, pretende-se construir uma prática pedagógica para a educação das relações étnico-racial. Assim, vale pensar que se a xenofobia em nosso país é racializada, cada vez mais devemos fortalecer as políticas públicas antirracistas e penso que nós a fortalecemos fazendo com que os documentos (arquivos) se tornem corpo (repertório). É necessário corporificar tais diretrizes, orientações por meio de vivências, e o espaço escolar é central para o processo de criação de novas performances culturais. Acredito que o teatro, a performance cultural e a performance arte nos oferecem práticas para tornar corpo os documentos já produzidos e fruto de pesquisa e trabalho de profissionais militantes de uma cultura antirracista.
Nesse sentido, minha proposta visa investigar práticas pedagógico-teatrais com grupos de estudantes e professores, pautadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais. Esse documento propõe a reparação histórica, atendendo às demandas da população afrodescendente, por meio da luta de anos dos Movimentos Antirracistas do país. Ele visa a
[...]divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial – descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos, igualmente, tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada (MEC, 2004, p.10).
O documento sugere também que os afrodescendentes sintam sua identidade valorizada e que os brancos de hoje, embora não sejam responsáveis, percebam as heranças do período escravista, bem como os privilégios que possuem apenas pela cor da sua pele. A Educação Étnico-racial destina-se a todos. Pretendo ao longo de dois anos atuar em 3 frentes interdependentes entre si. Quais sejam: Grupo de estudos teórico-prático, Práticas artístico-pedagógicas em Escolas Públicas e Ação de Formação Continuada de Professores da Rede Pública. Nosso processo de construção destas três ações será norteado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, bem como os valores civilizatórios afro-brasileiros: circularidade, musicalidade, oralidade, corporeidade, memória, comunitarismo/cooperativismo, Axé/Energia Vital, religiosidade, ancestralidade e ludicidade.

Metodologia

O Plano de trabalho em tela pretende trabalhar ensino, pesquisa e extensão de forma interconectada. Ou seja, as ações propostas pressupõem a atuação conjunta com discentes do curso de Licenciatura em Teatro da UFPEL, bem como a participação de estudantes da educação básica e professores da rede de ensino pública da cidade de Pelotas, além de promover espaços de debates abertos a todos interessados, por meio de eventos online. Trata-se de uma proposta teórico-prática que trabalha na intersecção entre performance, teatro, educação e relações étnico-raciais. Além das ações nas escolas, a pesquisa teórica fará levantamento de bibliografia, teses e dissertações, bem como redes de pesquisa que já desenvolvem estudos na área da educação éticno-racial quanto em migração, refúgio e educação.

Indicadores, Metas e Resultados

1.Foco: Corporificação das DCNERER e Práticas Antirracistas (Meta Global)
objetivos gerais meta global 1
Corporificar as DCNERER (Lei 10.639/03) no repertório de estudantes da graduação, estudantes da Educação Básica e professores da rede pública por meio de práticas artístico-pedagógicas.
Indicadores: Número de práticas/oficinas concluídas e avaliadas. Percentual de participantes que relatam maior compreensão e internalização dos valores das DCNERER (medido por questionários pré e pós-intervenção).
resultados esperados: maior engajamento e aplicação prática das DCNERER nas escolas, diminuindo a xenofobia racializada e o racismo estrutural no ambiente escolar, e fortalecendo práticas de ensino antirracista.

2.Foco: Ensino e Formação na Universidade (Discentes de Teatro)
Objetivos gerais
1.Formação Teórico-Prática. Promover a formação teórico-prática dos discentes de Licenciatura em Teatro sobre Performance, Teatro, Educação Étnico-Racial e Xenofobia Racializada.
Indicadores: número de reuniões/encontros do Grupo de Estudos Teórico-Prático (mínimo de 6 encontros/semestre). Número de discentes envolvidos ativamente no projeto (mínimo de 08 alunos/ano).
Resultados esperados: contribuir na formação dos discentes com expertise na intersecção entre arte, performance e relações étnico-raciais, estimulando criações cênicas e pesquisa aplicada na área.
2. Produção Acadêmica
Estimular a escrita e a pesquisa acadêmica dos discentes a partir da articulação teoria-prática.
Indicadores: número de relatórios de pesquisa produzidos e revisados. Número de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e/ou Artigos de discentes relacionados ao tema do projeto.
Resultado esperado: estimular a prática da escrita acadêmica por meio da articulação teoria com as reflexões da prática, qualificando a produção de conhecimento na área.

3Foco: Pesquisa (Produção e facilitação ao acesso de Conhecimento)

Diagnóstico e Bibliografia
Objetivos gerais
1. Realizar o levantamento bibliográfico e de redes de pesquisa sobre educação étnico-racial, migração, refúgio e performance cultural.
Indicadores: relatório final de levantamento bibliográfico (e-book, página web, etc.) com a consolidação do material teórico (arquivos).
Resultados esperados: sistematização de um corpus teórico robusto para subsidiar as práticas e futuras pesquisas (Pesquisa Qualificada).

Acesso/compartilhamento dos Conhecimentos
Divulgar a produção acadêmica do projeto para a comunidade científica e para a sociedade.
Indicadores: número de apresentações de trabalho em eventos científicos (congressos, seminários). Número de publicações (artigos, capítulos de livro) oriundas do projeto. Número de eventos online realizados.
Resultados esperados: divulgar a produção acadêmica, fortalecendo a visibilidade do tema e da pesquisa na UFPEL e na área.





Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREI DE OLIVEIRA SANCHES
LUCIANA ATHAYDE PAZ6

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