Nome do Projeto
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E PRODUÇÃO DE ALIMENTOS: ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO E ADAPTAÇÃO DA AGRICULTURA FAMILIAR NO TERRITÓRIO ZONA SUL DO RIO GRANDE DO SUL
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
06/04/2026 - 31/12/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
As mudanças climáticas vêm provocando impactos significativos mundialmente, afetando especialmente grupos mais vulneráveis, como os agricultores familiares e sua segurança alimentar. O estado do Rio Grande do Sul, vivenciou entre os meses de abril e maio de 2024, um dos maiores eventos climáticos extremos das últimas décadas, causando impactos devastadores no campo e na cidade. Em relação ao meio rural, foram registradas perdas sociais, produtivas, ambientais e econômicas, afetando significativamente o público da agricultura familiar. Na região sul do estado, que foi fortemente afetada, Na região sul do estado, que foi fortemente afetada, os municípios de Pelotas e São Lourenço do Sul, por exemplo, decretaram situação de calamidade pública. Diante do exposto, esse projeto tem como objetivo analisar as estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas pela agricultura familiar e suas organizações coletivas no Território Zona Sul do Rio Grande do Sul na produção de alimentos. Em termos metodológicos, a pesquisa está assentada fundamentalmente em técnicas de pesquisa qualitativa, com análise documental, realização de entrevistas com atores locais que trabalham diretamente com a agricultura familiar e cooperativas agropecuárias da região estudada e o levantamento participativo de informações com comunidades e agricultores(as) familiares selecionados(as). Ao final da pesquisa, os resultados visam contemplar o conhecimento aprofundado sobre os sistemas produtivos familiares e sua vulnerabilidade frente a eventos climáticos extremos, bem como as estratégias que vêm sendo desenvolvidas pelos mesmos nesse contexto, contribuindo para a construção de ações locais e políticas públicas, contemplando a segurança alimentar e estratégias coletivas de enfrentamento às mudanças climáticas.

Objetivo Geral

Analisar as estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas pela agricultura familiar e suas organizações coletivas no Território Zona Sul do Rio Grande do Sul na produção de alimentos

Justificativa

O Território Zona Sul do Rio Grande do Sul, que contempla 25 municípios possui grande presença de estabelecimentos agropecuários do tipo familiar. Conforme dados do Censo Agropecuário de 2017, de um total de 26.079 estabelecimentos agropecuários, 71,4% são classificados como familiares (IBGE, 2017). Essa agricultura familiar é composta por uma diversidade étnica no Território, formada por imigrantes europeus, sobretudo alemães, poloneses, franceses, pomeranos, portugueses e espanhóis, assim como populações de remanescentes de quilombos e populações indígenas (Silva, 2009). Essa população dedica-se a atividades como a pecuária, sistemas de lavouras temporária e permanente, especialmente a fruticultura e também a pesca artesanal (IBGE, 2017).
No que toca o debate da produção de alimentos, face os eventos climáticos extremos e adversos, a organização coletiva em cooperativas e associações, bem como a adoção de tecnologias sociais, como as Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC, Sistemas Agroflorestais (SAF), conservação de sementes crioulas, entre outras, vêm se consolidando como uma importante estratégia para promoção da segurança e soberania alimentar. Por um lado, trazem inovações sobre novos potenciais produtivos de espécies, por outro, trazem à tona tecnologias sociais camponesas sobre o manejo e papel das comunidades enquanto guardiões de sementes e mudas, as quais são conservadas por gerações. Dessa forma, ao mobilizar este debate, é possível gerar aprendizados contínuos sobre como lidar com os desafios climáticos atuais e vindouros.
É nesta perspectiva, a fim de estimular um desenvolvimento equânime e sustentável, que surge o Fórum da Agricultura Familiar da região sul em 1994, que reúne os atores a fim de discutir, propor e direcionar recursos públicos e políticas públicas (Peroni, et al., 2018), sendo um espaço de interlocução importante para o cenário atual e para pensar alternativas de desenvolvimento frente ao contexto de mudanças climáticas. Dessa forma, acredita-se que seja a partir deste fórum que aconteça a intermediação com o público analisado no projeto.
Nesta perspectiva, algumas questões de pesquisa são propostas: a) quais são as principais vulnerabilidades da agricultura familiar do Território Zona Sul, diante de eventos climáticos extremos? Como os eventos climáticos recentes impactaram a produção de alimentos e a segurança alimentar dos agricultores familiares? Como os(as) agricultores(as) interpretam as mudanças climáticas e como essa percepção tem influenciado a produção de alimentos? Quais as estratégias de enfrentamento e adaptação que têm sido desenvolvidas pela agricultura familiar do Território Zona Sul frente ao cenário das mudanças climáticas para a produção de alimentos, para autoconsumo e comercialização? São identificadas tecnologias sociais e estratégias de organização coletiva? Estas e outras questões irão guiar os caminhos da presente proposta de pesquisa.

Metodologia

Essa pesquisa se utilizará das técnicas de pesquisa documental, realização de entrevistas e metodologias participativas de levantamento de dados junto aos agricultores(as) familiares, a exemplo do Diagnóstico Rural Participativo (DRP) (Verdejo, 2006). O DRP é um conjunto de técnicas e ferramentas que permite que as comunidades sejam ativas, fazendo seu próprio diagnóstico, e a partir daí, tenham autonomia para autogerenciar seu planejamento e desenvolvimento.
Dentre os instrumentos e técnicas participativas disponíveis, nesta etapa, dependendo do trabalho com a comunidade, podem ser utilizadas técnicas como observação participante, entrevistas semi-estruturadas, travessia, construção de mapas e maquetes, construção de calendários, diagramas (árvore de problemas, diagrama de Veen, fluxograma de produção e comercialização), matrizes, análise de gênero, entre outras (Verdejo, 2006).
Etapas e Atividades da pesquisa:
Etapa 1
Atividades gerais do projeto
Seleção e formação da equipe do projeto
Reuniões regulares da equipe
Revisão de literatura sobre as temáticas da pesquisa
Etapa 2
Construção do banco de dados
Coleta de dados climáticos e registro de eventos climáticos extremos nos municípios do Território Zona Sul do RS
Coleta de dados secundários sobre elementos produtivos, econômicos, sociais e ambientais da agricultura familiar nos municípios do Território Zona Sul do RS
Sistematizar os principais alimentos produzidos pela agricultura familiar do território
Etapa 3
Mapeamento dos atores locais, comunidades e agricultores(as) familiares a serem entrevistados
Identificação e contato com os atores locais e agricultores(as) familiares que farão parte da pesquisa
Construção dos instrumentos de pesquisa de campo
Planejamento da pesquisa de campo
Etapa 4
Realização da pesquisa de campo
Realização das entrevistas com atores locais
Levantamento de informações junto aos(as) agricultores(as) familiares e suas organizações coletivas
Etapa 5
Sistematização e análise das informações, contemplando a produção de relatório, trabalhos científicos e planos de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas
Organização e sistematização dos dados da pesquisa
Análise dos dados
Elaboração do relatório da pesquisa
Construção de planos de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas
Construção e divulgação do policy brief
Construção e publicação de trabalhos científicos em eventos e em periódicos da área

Indicadores, Metas e Resultados

Esse projeto de pesquisa proporcionará resultados importantes para conhecimento sobre os sistemas produtivos familiares e sua vulnerabilidade frente a eventos climáticos extremos, contribuindo para a construção de políticas públicas no Rio Grande do Sul e para a própria atuação das Universidades nos seus projetos de pesquisa e extensão. Os resultados podem incentivar o desenvolvimento de outras pesquisas na área, dando maior visibilidade ao debate científico sobre mudanças climáticas e produção de alimentos por públicos considerados vulneráveis, como é o caso da agricultura familiar.
Da mesma forma, ao considerarmos as tecnologias sociais desenvolvidas pelo público estudado, como as PANC, SAFs, conservação de sementes crioulas, entre outras, também fortalecemos as pesquisas sobre resiliência, resistência e adaptação dos sistemas de cultivo. Ao considerarmos essas espécies, revelamos um contexto de agro sociobiodiversidade de fundamental relevância para o enfrentamento das mudanças climáticas. Isso porque possibilita uma interface entre o que há de vanguarda nas pesquisas sobre o tema com os saberes dos camponeses e comunidades tradicionais.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXANDER JOSE DE SENA
FREDERICO DE CASTRO MAYER
JAIME ROQUE MONTEIRO CARVALHO
JOSE LUCAS JOANOL MORAES
LETICIA ANDREA CHECHI
LUCIO ANDRE DE OLIVEIRA FERNANDES6
MARIA LAURA VICTÓRIA MARQUES
MARIELEN PRISCILA KAUFMANN2

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