Nome do Projeto
Relação entre parentalidade e atividade física: resultados da Coorte de Nascimentos de 1993 de Pelotas
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A parentalidade reconfigura a rotina de adultos e tende a reduzir o tempo
disponível de atividade física (AF) de lazer, sobretudo entre mulheres, em um
contexto de fortes desigualdades de gênero e carga desigual de trabalho
doméstico e de cuidado, como o do Brasil. Evidências sugerem queda da
atividade física moderada a vigorosa (AFMV) e da AF de lazer após o nascimento
de filhos, com possível substituição por atividades mais leves, porém não foram
encontradas evidências obtidas em países de média renda. O objetivo deste
projeto é investigar a associação entre parentalidade e prática de AF e as
diferenças de gênero nessa associação, utilizando dados da Coorte de
Nascimento de 1993 de Pelotas. Trata-se de estudo longitudinal de base
populacional, com participantes acompanhados desde o nascimento, que
tiveram sua AF avaliada aos 18, 22 e 30 anos por meio de acelerômetros (AFMV
e AF total) e questionários (AF de lazer). As principais exposições serão ter ou
não filho(s), número de filhos, idade do filho mais novo, morar ou não com
companheiro(a) e situação socioeconômica entre participantes com filhos. Serão
descritos os níveis e as mudanças intraindividuais de AF antes e após o
nascimento do primeiro filho, bem como estimadas associações entre
características da parentalidade e a AFMV, AF total e AF de lazer aos 30 anos,
por meio de modelos de regressão ajustados para potenciais fatores de
confusão. Todas as análises serão estratificadas por sexo. Espera-se identificar
em que medida a maternidade e a paternidade impactam a AFMV, a AF total e a
AF de lazer, e se esses impactos são mais intensos entre mulheres, gerando
evidências para orientar políticas e programas de apoio à parentalidade e
promoção de AF em adultos jovens.
Objetivo Geral
Investigar a associação entre parentalidade e prática de AF e as
desigualdades de gênero nessa associação, utilizando dados da Coorte de
Nascimento de 1993 de Pelotas.
desigualdades de gênero nessa associação, utilizando dados da Coorte de
Nascimento de 1993 de Pelotas.
Justificativa
A parentalidade é uma transição marcante na vida adulta, capaz de
reorganizar de forma intensa o uso do tempo, o trabalho e o cuidado. A
manutenção de níveis suficientes de AF no período da maternidade/paternidade
é fundamental para a saúde física e mental e integra as recomendações globais
para adultos (WHO, 2020). Alguns estudos apontam que a transição para a
parentalidade costuma reduzir minutos de AF moderada a vigorosa e deslocar o
tempo para atividades mais leves, efeito observado sobretudo entre mulheres
(Bellows-Riecken; Rhodes, 2008).
No Brasil, essas mudanças ocorrem em um contexto de desigualdades na
distribuição do trabalho doméstico e de cuidado, que reduzem especialmente o
tempo disponível das mulheres para o lazer ativo (IBGE, 2023), decorrentes do
machismo estrutural da nossa sociedade. Os dados do Censo 2022 mostram
que a categoria de mulheres sem cônjuge e com filhos representa 13,5% dos
arranjos familiares (cerca de 7,8 milhões de famílias), a taxa de fecundidade total
foi 2,01 filhos por mulher entre aquelas sem instrução ou com fundamental
incompleto, contra 1,19 entre mulheres com superior completo. Além disso, a
gravidez tendeu a acontecer mais cedo nos estratos menos escolarizados (26,7
anos de idade média da fecundidade) e mais tarde entre as de maior
escolaridade (30,7 anos) (IBGE, 2022). Dessa forma, analisar desigualdades de
gênero, e explorar a associação da AF com as características relacionadas à
maternidade e paternidade, como número de filhos, idade do filho mais novo,
presença de companheiro(a) no domicílio, é essencial para compreender
desigualdades na prática de AF associadas à parentalidade, sobretudo no
cenário brasileiro, onde não foi encontrado estudos com esse objetivo.
A literatura ainda é marcada por delineamentos predominantemente
transversais e forte dependência de medidas por autorrelato, porém a
combinação de ambas as abordagens permite um panorama mais robusto,
integrando aspectos subjetivos e objetivos, essencial para o desenvolvimento de
estratégias eficazes de promoção de saúde. Reforçando assim, a necessidade
de evidências longitudinais com avaliação também objetiva da AF para melhor
compreensão do contexto da prática (Corder et al., 2020).
O presente estudo avança sobre essas lacunas ao avaliar, de forma
longitudinal, com dados de uma coorte de base populacional, as mudanças nos
níveis de AF por meio de medidas objetivas e de autorrelato em três idades
distintas, permitindo comparações intraindivíduo entre períodos anterior e
posterior a transição para a parentalidade e a análise de AF moderada a
vigorosa, AF total e AF de lazer (Bellows-Riecken; Rhodes, 2008). Ademais, a
exploração de variáveis relacionadas as características dos filhos, estrutura
familiar e situação socioeconômica ampliarão a compreensão da relação entre
parentalidade e AF em diferentes contextos.
Assim, os resultados esperados poderão evidenciar desigualdades de
gênero nos impactos da parentalidade sobre a prática de AF e subsidiar
recomendações de intervenção em diferentes níveis, desde estratégias mais
específicas, como programas de promoção de AF voltados a mães e pais que
incluam a participação e/ou acolhimento dos filhos pequenos, até ações
ambientais e estruturais, como qualificar e ampliar espaços públicos de lazer,
reduzindo barreiras de tempo e segurança que afetam sobretudo mulheres e
famílias de menor renda. Em paralelo, ampliar a oferta e o acesso a creches
aparece como medida-chave de suporte à conciliação entre cuidado e
autocuidado, ao liberar tempo e reduzir a sobrecarga cotidiana, o que pode
favorecer a retomada de AF de lazer e AF moderada a vigorosa no período de
maior demanda parental (WHO, 2020; IBGE, 2023).
reorganizar de forma intensa o uso do tempo, o trabalho e o cuidado. A
manutenção de níveis suficientes de AF no período da maternidade/paternidade
é fundamental para a saúde física e mental e integra as recomendações globais
para adultos (WHO, 2020). Alguns estudos apontam que a transição para a
parentalidade costuma reduzir minutos de AF moderada a vigorosa e deslocar o
tempo para atividades mais leves, efeito observado sobretudo entre mulheres
(Bellows-Riecken; Rhodes, 2008).
No Brasil, essas mudanças ocorrem em um contexto de desigualdades na
distribuição do trabalho doméstico e de cuidado, que reduzem especialmente o
tempo disponível das mulheres para o lazer ativo (IBGE, 2023), decorrentes do
machismo estrutural da nossa sociedade. Os dados do Censo 2022 mostram
que a categoria de mulheres sem cônjuge e com filhos representa 13,5% dos
arranjos familiares (cerca de 7,8 milhões de famílias), a taxa de fecundidade total
foi 2,01 filhos por mulher entre aquelas sem instrução ou com fundamental
incompleto, contra 1,19 entre mulheres com superior completo. Além disso, a
gravidez tendeu a acontecer mais cedo nos estratos menos escolarizados (26,7
anos de idade média da fecundidade) e mais tarde entre as de maior
escolaridade (30,7 anos) (IBGE, 2022). Dessa forma, analisar desigualdades de
gênero, e explorar a associação da AF com as características relacionadas à
maternidade e paternidade, como número de filhos, idade do filho mais novo,
presença de companheiro(a) no domicílio, é essencial para compreender
desigualdades na prática de AF associadas à parentalidade, sobretudo no
cenário brasileiro, onde não foi encontrado estudos com esse objetivo.
A literatura ainda é marcada por delineamentos predominantemente
transversais e forte dependência de medidas por autorrelato, porém a
combinação de ambas as abordagens permite um panorama mais robusto,
integrando aspectos subjetivos e objetivos, essencial para o desenvolvimento de
estratégias eficazes de promoção de saúde. Reforçando assim, a necessidade
de evidências longitudinais com avaliação também objetiva da AF para melhor
compreensão do contexto da prática (Corder et al., 2020).
O presente estudo avança sobre essas lacunas ao avaliar, de forma
longitudinal, com dados de uma coorte de base populacional, as mudanças nos
níveis de AF por meio de medidas objetivas e de autorrelato em três idades
distintas, permitindo comparações intraindivíduo entre períodos anterior e
posterior a transição para a parentalidade e a análise de AF moderada a
vigorosa, AF total e AF de lazer (Bellows-Riecken; Rhodes, 2008). Ademais, a
exploração de variáveis relacionadas as características dos filhos, estrutura
familiar e situação socioeconômica ampliarão a compreensão da relação entre
parentalidade e AF em diferentes contextos.
Assim, os resultados esperados poderão evidenciar desigualdades de
gênero nos impactos da parentalidade sobre a prática de AF e subsidiar
recomendações de intervenção em diferentes níveis, desde estratégias mais
específicas, como programas de promoção de AF voltados a mães e pais que
incluam a participação e/ou acolhimento dos filhos pequenos, até ações
ambientais e estruturais, como qualificar e ampliar espaços públicos de lazer,
reduzindo barreiras de tempo e segurança que afetam sobretudo mulheres e
famílias de menor renda. Em paralelo, ampliar a oferta e o acesso a creches
aparece como medida-chave de suporte à conciliação entre cuidado e
autocuidado, ao liberar tempo e reduzir a sobrecarga cotidiana, o que pode
favorecer a retomada de AF de lazer e AF moderada a vigorosa no período de
maior demanda parental (WHO, 2020; IBGE, 2023).
Metodologia
Trata-se de um estudo longitudinal, com dados provenientes da Coorte de
Nascimentos de 1993 de Pelotas (RS, Brasil), escolhido por investigar processos
ao longo do ciclo vital. Esse tipo de estudo possibilita estudar a exposição antes
do desfecho estabelecendo a temporalidade da associação e reduzindo o viés
de causalidade reversa e, por utilizar o acompanhamento em pelo menos dois
momentos, evitamos o viés recordatório. Para o presente estudo, o delineamento
de coorte é apropriado pois nos permitirá avaliar as mudanças nos níveis de AF
antes e depois dos participantes tornarem-se pais.
Nascimentos de 1993 de Pelotas (RS, Brasil), escolhido por investigar processos
ao longo do ciclo vital. Esse tipo de estudo possibilita estudar a exposição antes
do desfecho estabelecendo a temporalidade da associação e reduzindo o viés
de causalidade reversa e, por utilizar o acompanhamento em pelo menos dois
momentos, evitamos o viés recordatório. Para o presente estudo, o delineamento
de coorte é apropriado pois nos permitirá avaliar as mudanças nos níveis de AF
antes e depois dos participantes tornarem-se pais.
Indicadores, Metas e Resultados
Os resultados deste estudo, primeiramente, integrarão o volume final da
dissertação. Em paralelo, será elaborado um artigo científico original para
submissão a periódico indexado nas áreas de Saúde Coletiva e apresentação
dos resultados em congressos da área. Para o público geral, será preparada
uma nota à imprensa destacando as principais descobertas, a ser veiculada nos
meios de comunicação e no site do Programa de Pós-Graduação em
Epidemiologia da UFPel.
dissertação. Em paralelo, será elaborado um artigo científico original para
submissão a periódico indexado nas áreas de Saúde Coletiva e apresentação
dos resultados em congressos da área. Para o público geral, será preparada
uma nota à imprensa destacando as principais descobertas, a ser veiculada nos
meios de comunicação e no site do Programa de Pós-Graduação em
Epidemiologia da UFPel.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| BRUNA GONÇALVES CORDEIRO DA SILVA | 2 | ||
| THOMAS BRUM CLEFF |