Nome do Projeto
Desigualdades interseccionais na prevalência de depressão e ansiedade em duas Coortes de Nascimentos
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Depressão e ansiedade são os transtornos mentais mais prevalentes no mundo
e no Brasil, com distribuição populacional vinculada a acesso desigual a
direitos e condições sociais, econômicas e demográficas interconectadas.
Evidências mostram que múltiplos marcadores sociais da desigualdade,
especialmente relacionados à gênero, raça e nível socioeconômico (NSE)
estruturam vulnerabilidades diferenciais em saúde mental. Contudo, poucos
estudos longitudinais examinaram a interseccionalidade desses marcadores,
especialmente no Brasil, avaliando sua influência nos transtornos de depressão
e ansiedade. Assim, o objetivo deste projeto é investigar desigualdades
interseccionais na prevalência de depressão e de ansiedade em diferentes
idades: na Coorte de Nascimentos de Pelotas de 1993 aos 18, 22 e 30 anos e
na Coorte de 1982 aos 30 anos, realizando também uma comparação entre as
duas Coortes aos 30 anos. Trata-se de um estudo longitudinal de base
populacional, com participantes acompanhados desde o nascimento que
tiveram sua saúde mental avaliada por meio de entrevista estruturada
utilizando o Mini International Neuropsychiatric Interview. Os dois desfechos
deste estudo serão os diagnósticos de transtorno depressivo maior e transtorno
de ansiedade generalizada. As exposições serão sexo (feminino e masculino),
raça/cor (branca e negra) da pele, NSE (tercis de riqueza) e suas combinações
interseccionais, sendo avaliadas 12 categorias interseccionais. Serão descritas
as prevalências de depressão e ansiedade segundo estratos interseccionais e
estimadas as associações entre esses estratos e os desfechos em saúde
mental por meio de regressão de Poisson com variância robusta. Ainda, serão
calculadas as diferenças absolutas e relativas das prevalências entre os grupos
interseccionais extremos (mulheres negras pobres versus homens brancos
ricos) e comparadas entre as diferentes idades avaliadas e entre as coortes.
Espera-se identificar em que medida a interseccionalidade de sexo, raça/cor e
NSE impacta a prevalência de depressão e de ansiedade em adultos jovens
em diferentes idades, gerando evidências para orientar políticas e programas
de promoção de saúde mental e redução de iniquidades em populações
historicamente marginalizadas.
Objetivo Geral
Avaliar as desigualdades interseccionais na ocorrência de depressão e
de ansiedade na Coorte de Nascimentos de 1993 de Pelotas, aos 18, 22 e 30
anos e aos 30 anos na Coorte de Nascimentos de 1982 de Pelotas.
de ansiedade na Coorte de Nascimentos de 1993 de Pelotas, aos 18, 22 e 30
anos e aos 30 anos na Coorte de Nascimentos de 1982 de Pelotas.
Justificativa
Os transtornos depressivos e de ansiedade estão entre as principais
causas mundiais de anos vividos ajustados por incapacidade (DALYs),
evidenciando seu impacto significativo tanto no bem-estar individual quanto na
produtividade e funcionamento social (OMS, 2024). Contudo, a distribuição
desses transtornos na população é profundamente marcada por desigualdades
estruturais, afetando desproporcionalmente pessoas em posições socialmente
marginalizadas por diferentes formas de discriminação, como o racismo, o
patriarcado e a opressão de classe (Hempeler et al., 2024).
No Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, esse cenário é
ainda mais urgente. De acordo com a OMS (2017), o Brasil apresenta a maior
prevalência global de transtornos de ansiedade (9,3%) e ocupa quinto lugar em
depressão (5,8%). O adoecimento ocorre num contexto socioeconômico onde,
apesar de serem responsáveis por 52% dos domicílios brasileiros, as mulheres
apresentam as maiores taxas de desemprego, os menores salários, além de
acumularem historicamente mais tarefas domésticas do que os homens
(DIEESE, 2025). Na intersecção entre raça e gênero, as mulheres negras são
ainda mais desfavorecidas, recebendo, em média, 20,3% a menos do que
mulheres brancas (DIEESE, 2025).
São escassos os trabalhos que apresentem uma abordagem
interseccional de gênero, raça e classe, especialmente com dados quantitativos
e no contexto brasileiro (Alghamdi et al., 2023). Constante, Bastos & Ruiz
(2023) encontraram que mulheres negras com baixa escolaridade tiveram
maior chance de ter sintomas depressivos (RO: 3,11 IC 95% 2.61–3.71) do que
homens brancos com alta escolaridade. Na mesma direção, Almeida-Filho et
al., 2004 encontraram que mulheres negras pobres apresentaram 6,58 vezes
mais chance do que “homens brancos e morenos” de NSE alto de ter
diagnóstico de depressão (IC95% 1,66–56,90). Entretanto, esses estudos não
incluem a ansiedade e a avaliação longitudinal dessas desigualdades. Embora
estudos com uma abordagem interseccional, que avaliem ansiedade como um
desfecho, sejam escassos na literatura, os estudos indicam que as populações
mais vulneráveis são semelhantes para ambos os transtornos (Costa et al.,
2019; Klose; Jacobi, 2004).
Além da lacuna sobre estudos com uma abordagem interseccional na
análise dos transtornos de ansiedade e depressão, também são escassos
estudos longitudinais que abordem a complexidade temporal de como essas
desigualdades variam ao longo do ciclo vital e em diferentes momentos
históricos, especialmente no contexto brasileiro (Evans; Erickson, 2019; Meng
et al., 2025). A maior parte das pesquisas concentra-se em delineamentos
transversais, foca em determinantes isolados ou não inclui raça entre os
marcadores sociais – parte indissociável dos estudos interseccionais – o que
limita a compreensão das interações entre gênero, raça e NSE na
determinação de transtornos mentais (Anand; Esposito; Villaseñor, 2018;
Carpena et al., 2019; Fleiz Bautista et al., 2012).
Sabe-se que as prevalências dos transtornos de depressão e ansiedade
variam, a nível global, ao longo do ciclo vital. Os transtornos de ansiedade
atingem o seu pico entre 20 e 30 anos e os de depressão entre 50 e 69 anos
(IHME, 2024). Entretanto, nas últimas décadas, as prevalências têm
aumentado em todas as idades, com destaque para os adultos mais jovens,
com idade entre 20 e 29 anos, que apresentaram os maiores aumentos de
transtornos mentais entre 2011 e 2021 (OMS, 2025). Contudo, considerando os
poucos estudos longitudinais que abordam as desigualdades desde uma
perspectiva interseccional, a utilização dos dados das Coortes de Nascimentos
de Pelotas (1982 e 1993) oferece a oportunidade de analisar
comparativamente padrões de desigualdade interseccional em diferentes
idades e contextos históricos, contribuindo para o entendimento dos efeitos das
transformações sociais sobre a saúde mental ao longo do ciclo vital (Bohren et
al., 2024).
Assim, este estudo busca preencher essas lacunas, fornecendo
evidências ainda pouco exploradas sobre a dinâmica temporal das
desigualdades interseccionais na ocorrência de ansiedade e de depressão no
sul do Brasil, com potencial para subsidiar políticas públicas mais equitativas e
sensíveis às múltiplas dimensões da vulnerabilidade social.
causas mundiais de anos vividos ajustados por incapacidade (DALYs),
evidenciando seu impacto significativo tanto no bem-estar individual quanto na
produtividade e funcionamento social (OMS, 2024). Contudo, a distribuição
desses transtornos na população é profundamente marcada por desigualdades
estruturais, afetando desproporcionalmente pessoas em posições socialmente
marginalizadas por diferentes formas de discriminação, como o racismo, o
patriarcado e a opressão de classe (Hempeler et al., 2024).
No Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, esse cenário é
ainda mais urgente. De acordo com a OMS (2017), o Brasil apresenta a maior
prevalência global de transtornos de ansiedade (9,3%) e ocupa quinto lugar em
depressão (5,8%). O adoecimento ocorre num contexto socioeconômico onde,
apesar de serem responsáveis por 52% dos domicílios brasileiros, as mulheres
apresentam as maiores taxas de desemprego, os menores salários, além de
acumularem historicamente mais tarefas domésticas do que os homens
(DIEESE, 2025). Na intersecção entre raça e gênero, as mulheres negras são
ainda mais desfavorecidas, recebendo, em média, 20,3% a menos do que
mulheres brancas (DIEESE, 2025).
São escassos os trabalhos que apresentem uma abordagem
interseccional de gênero, raça e classe, especialmente com dados quantitativos
e no contexto brasileiro (Alghamdi et al., 2023). Constante, Bastos & Ruiz
(2023) encontraram que mulheres negras com baixa escolaridade tiveram
maior chance de ter sintomas depressivos (RO: 3,11 IC 95% 2.61–3.71) do que
homens brancos com alta escolaridade. Na mesma direção, Almeida-Filho et
al., 2004 encontraram que mulheres negras pobres apresentaram 6,58 vezes
mais chance do que “homens brancos e morenos” de NSE alto de ter
diagnóstico de depressão (IC95% 1,66–56,90). Entretanto, esses estudos não
incluem a ansiedade e a avaliação longitudinal dessas desigualdades. Embora
estudos com uma abordagem interseccional, que avaliem ansiedade como um
desfecho, sejam escassos na literatura, os estudos indicam que as populações
mais vulneráveis são semelhantes para ambos os transtornos (Costa et al.,
2019; Klose; Jacobi, 2004).
Além da lacuna sobre estudos com uma abordagem interseccional na
análise dos transtornos de ansiedade e depressão, também são escassos
estudos longitudinais que abordem a complexidade temporal de como essas
desigualdades variam ao longo do ciclo vital e em diferentes momentos
históricos, especialmente no contexto brasileiro (Evans; Erickson, 2019; Meng
et al., 2025). A maior parte das pesquisas concentra-se em delineamentos
transversais, foca em determinantes isolados ou não inclui raça entre os
marcadores sociais – parte indissociável dos estudos interseccionais – o que
limita a compreensão das interações entre gênero, raça e NSE na
determinação de transtornos mentais (Anand; Esposito; Villaseñor, 2018;
Carpena et al., 2019; Fleiz Bautista et al., 2012).
Sabe-se que as prevalências dos transtornos de depressão e ansiedade
variam, a nível global, ao longo do ciclo vital. Os transtornos de ansiedade
atingem o seu pico entre 20 e 30 anos e os de depressão entre 50 e 69 anos
(IHME, 2024). Entretanto, nas últimas décadas, as prevalências têm
aumentado em todas as idades, com destaque para os adultos mais jovens,
com idade entre 20 e 29 anos, que apresentaram os maiores aumentos de
transtornos mentais entre 2011 e 2021 (OMS, 2025). Contudo, considerando os
poucos estudos longitudinais que abordam as desigualdades desde uma
perspectiva interseccional, a utilização dos dados das Coortes de Nascimentos
de Pelotas (1982 e 1993) oferece a oportunidade de analisar
comparativamente padrões de desigualdade interseccional em diferentes
idades e contextos históricos, contribuindo para o entendimento dos efeitos das
transformações sociais sobre a saúde mental ao longo do ciclo vital (Bohren et
al., 2024).
Assim, este estudo busca preencher essas lacunas, fornecendo
evidências ainda pouco exploradas sobre a dinâmica temporal das
desigualdades interseccionais na ocorrência de ansiedade e de depressão no
sul do Brasil, com potencial para subsidiar políticas públicas mais equitativas e
sensíveis às múltiplas dimensões da vulnerabilidade social.
Metodologia
Será utilizado um delineamento longitudinal com dados das Coortes de
1982 e 1993. Optou-se pelo delineamento longitudinal, o qual permite analisar,
em diferentes momentos do ciclo vital, a prevalência dos transtornos de
depressão e de ansiedade e suas associações com marcadores sociais, além
de possibilitar comparações históricas entre contextos sociais distintos.
1982 e 1993. Optou-se pelo delineamento longitudinal, o qual permite analisar,
em diferentes momentos do ciclo vital, a prevalência dos transtornos de
depressão e de ansiedade e suas associações com marcadores sociais, além
de possibilitar comparações históricas entre contextos sociais distintos.
Indicadores, Metas e Resultados
Os resultados do presente estudo serão divulgados através do volume
final da dissertação, de trabalhos apresentados em congressos da área e pela
publicação de um artigo científico em periódico indexado. Ainda, será
elaborada uma nota para divulgação à imprensa local, por meio do Programa
de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel.
final da dissertação, de trabalhos apresentados em congressos da área e pela
publicação de um artigo científico em periódico indexado. Ainda, será
elaborada uma nota para divulgação à imprensa local, por meio do Programa
de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| BRUNA GONÇALVES CORDEIRO DA SILVA | 2 | ||
| ELIANA LEITE CORRÊA DA SILVA |