Nome do Projeto
Trajetórias de sono nos primeiros anos de vida e desempenho cognitivo em idade escolar: uma análise com dados da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2015
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
13/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O sono é um processo biológico ativo e essencial para a regulação de múltiplas funções do organismo, desempenhando papel fundamental no crescimento, na consolidação da memória e na maturação cerebral (Kurth et al., 2015). Durante os primeiros anos de vida, quando o cérebro passa por rápidas transformações estruturais e funcionais, o sono adquire especial relevância por sustentar processos de plasticidade sináptica e integração de experiências cognitivas e emocionais (Astill et al., 2012). Além de fatores biológicos, variáveis contextuais como ambiente familiar, uso de telas, rotina e nível socioeconômico podem influenciar significativamente a qualidade do sono em crianças (Bernier et al., 2010; Janssen et al., 2020; Kirlic et al., 2021). Crianças expostas a rotinas irregulares, estímulos luminosos à noite ou privação crônica de sono tendem a apresentar menor desempenho cognitivo e dificuldades de autorregulação emocional (Kuula et al., 2015). Estudos em neurociência e desenvolvimento infantil apontam que o sono adequado está intimamente relacionado à consolidação da aprendizagem, ao controle atencional e à estabilidade emocional (Astill et al., 2012; Philbrook et al., 2017). Já padrões de sono alterados, caracterizados por curta duração, fragmentação ou irregularidade, têm sido associados a dificuldades cognitivas, comportamentais e escolares (Gruber et al., 2010). Esses achados reforçam o papel do sono não apenas como um comportamento fisiológico, mas como um determinante do desenvolvimento. O desempenho cognitivo, por sua vez, reflete habilidades mentais amplas e tem sido considerado um importante preditor de desfechos futuros, como escolaridade, renda e saúde (Ackerman, 1996; Stankov, 1999). Embora fatores genéticos e sociais exerçam influência substancial sobre o neurodesenvolvimento, há crescente evidência de que características do sono, como sua duração e eficiência, também contribuem para o desenvolvimento cognitivo (Paavonen et al., 2010; Sheridan et al., 2013). Sendo assim, a análise integrada entre padrões de sono e medidas cognitivas possibilita compreender de que forma experiências comportamentais precoces podem moldar o funcionamento intelectual ao longo da infância.

Objetivo Geral

Investigar a associação entre padrões do sono ao longo dos primeiros anos de
vida e o quociente de inteligência (QI) de crianças aos 6-7 anos, em participantes da
Coorte de Nascimentos de 2015 de Pelotas.

Justificativa

A infância é um período crucial para o desenvolvimento neurológico, cognitivo
e comportamental, sendo amplamente reconhecido que fatores ambientais e
biológicos interagem de maneira complexa nesse processo (Riggins et al., 2024).
Entre os diversos aspectos que influenciam o desenvolvimento infantil, o sono tem se
destacado como um componente essencial para a consolidação da memória, a
regulação emocional e o funcionamento cognitivo (Born; Wilhelm, 2012). Apesar
disso, a qualidade do sono em crianças ainda é frequentemente negligenciada em
práticas clínicas, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social (Hale et
al., 2009).
Durante a infância, o sono exerce um papel estruturante no amadurecimento
cerebral, influenciando diretamente processos como a neuroplasticidade, a
consolidação da memória, de aprendizagens e a organização dos ritmos circadianos
(Kurth et al., 2016). Estudos indicam que padrões inadequados de sono –
caracterizados por curta duração, má qualidade ou horários irregulares – podem
impactar negativamente o comportamento, a atenção, o controle emocional e o
desempenho cognitivo das crianças (Gruber et al., 2010; Paavonen et al., 2010;
Philbrook et al., 2017). Além disso, fatores como o ambiente familiar e o contexto
socioeconômico podem interferir na duração e na regularidade do sono infantil,
reforçando a importância de investigar esses padrões desde os primeiros anos de vida
(Buckhalt; El-Sheikh; Keller, 2007; Hoyniak et al., 2019; Philbrook et al., 2017).
O quociente de inteligência (QI) é uma medida amplamente utilizada como
marcador do desenvolvimento cognitivo e tem sido associada a diversos desfechos
ao longo da vida, tal como desempenho escolar e empregabilidade (Deary; Cox; Hill,
2022; Plomin; Von Stumm, 2018). Ainda que fatores genéticos e sociais exerçam
influência significativa sobre o QI, há crescente evidência de que aspectos
comportamentais, como os padrões de sono, também desempenham um papel
relevante (Gruber et al., 2010; Paavonen et al., 2010; Sternberg, 2021). No entanto,
as evidências ainda são limitadas em crianças brasileiras, especialmente em estudos
de base populacional com acompanhamento longitudinal.
Nesse sentido, investigar a associação entre os padrões de sono durante os
primeiros anos de vida e o QI infantil em uma coorte de nascimentos brasileira
representa um passo importante para compreender mecanismos precoces que
influenciam o desenvolvimento cognitivo. A identificação de padrões de sono poderá
oferecer subsídios para intervenções direcionadas desde os primeiros anos,
potencializando o desenvolvimento de habilidades cognitivas em uma janela crítica da
vida.
A Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2015 oferece uma excelente
oportunidade para investigar essa relação, pois reúne informações detalhadas sobre
o desenvolvimento infantil, hábitos de sono, fatores familiares e socioeconômicos,
além de uma avaliação do QI aos 6-7 anos de idade (Hallal et al., 2018; Murray et al.,
2024). Além disso, o estudo coletou dados de acelerometria aos 12, 24, 48 meses e
6-7 anos, fornecendo dados objetivos para o sono em diferentes fases da infância.
Nesse sentido, a análise da associação entre sono e desenvolvimento infantil poderá
não apenas contribuir para o avanço do conhecimento científico sobre os
determinantes do desenvolvimento cognitivo infantil, como também embasar políticas
de promoção da saúde do sono e apoio ao desenvolvimento infantil.

Metodologia

O presente estudo apresenta delineamento longitudinal, uma vez que utilizará
dados provenientes de diferentes acompanhamentos da Coorte de Nascimentos de
Pelotas de 2015. Esse tipo de delineamento permite acompanhar a evolução temporal
das variáveis de interesse, possibilitando avaliar como características precoces do
sono se relacionam com o desempenho cognitivo na idade escolar.
A natureza longitudinal do estudo é fundamental para investigar relações
temporais entre os padrões de sono e o desenvolvimento cognitivo, permitindo
estabelecer a precedência temporal da exposição em relação ao desfecho e, assim,
reduzir a possibilidade de causalidade reversa (Hernan; Robins, 2020; Rothman,
2008). Além disso, o uso de medidas repetidas de sono obtidas por acelerometria
possibilita examinar mudanças intraindividuais ao longo dos primeiros anos de vida,
fornecendo uma compreensão mais ampla do papel do sono no desenvolvimento
infantil.
A escolha desse delineamento justifica-se pelo potencial do estudo em avaliar
tanto a influência longitudinal quanto as associações transversais entre o sono e o
desempenho cognitivo infantil. Ademais, o delineamento da Coorte de 2015, com
elevada taxa de acompanhamento e medidas padronizadas de exposição e desfecho,
oferece robustez metodológica e ampla validade interna para investigar a hipótese
proposta

Indicadores, Metas e Resultados

Após a execução do presente projeto, os resultados serão divulgados por meio da
versão final da dissertação e da submissão de um artigo em periódico científico. Além
disso, será elaborado um resumo com os achados mais relevantes, destinado à
divulgação junto à imprensa. Essa estratégia busca promover a transferência do
conhecimento científico para além do meio acadêmico, garantindo que a informação
alcance a comunidade e contribua para o debate em saúde pública.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREA HOMSI DAMASO1
BÁRBARA PETER GONÇALVES
DANIELA DE OLIVEIRA NAVA
OTÁVIO AMARAL DE ANDRADE LEÃO

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