Nome do Projeto
Grupos focais_versão LIBRAS
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
04/05/2026 - 31/12/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Saúde / Educação
Linha de Extensão
Saúde humana
Resumo
Programa de promoção de saúde que contribui com melhora na qualidade de vida, direcionado a aposentados, a profissionais e/ou estudantes de saúde/educação/assistência da comunidade geral.

Objetivo Geral

Este projeto visa a implementação de grupos focais com surdos, para levantamento de demandas e adaptação do programa para LIBRAS.

Justificativa

A surdez em adultos pode gerar significativos impactos psicológicos e emocionais. Estudos indicam que a perda auditiva adquirida está frequentemente associada a sentimentos de solidão, ansiedade e depressão, especialmente quando há dificuldades na comunicação e na adaptação social. Por exemplo, uma pesquisa qualitativa revelou que indivíduos com surdez adquirida frequentemente experienciam tensões emocionais e um clima afetivo de depressão, o que tende a afetar negativamente sua qualidade de vida (Yamada, 2012). Além disso, a falta de suporte psicológico adequado e de estratégias de enfrentamento pode agravar esses sintomas, tornando essencial a implementação de intervenções que considerem a promoção de saúde dessa população.
Além dos desafios para a saúde mental, as pessoas surdas enfrentam diversas barreiras sociais que limitam seu acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, por isso, a inclusão é pauta tão importante nesse fenômeno. Um estudo sobre a assistência à pessoa surda na área da saúde evidenciou que a falta de comunicação eficaz entre profissionais e pacientes surdos pode comprometer significativamente a qualidade do atendimento e, consequentemente, a inclusão social (Chaveiro, 2005). Além da barreira comunicacional, a ausência de profissionais capacitados em Libras e a escassez de materiais e recursos adaptados configuram obstáculos importantes para o acesso equitativo de surdos aos serviços de saúde. Esses fatores revelam a persistência de práticas excludentes e reforçam a urgência de políticas públicas e formações profissionais que contemplem a diversidade linguística e promovam a acessibilidade comunicacional, condição indispensável para a inclusão plena das pessoas surdas e demais pessoas com deficiência na sociedade. Esses dados evidenciam a relevância social do tema e apontam para a necessidade de serviços e políticas públicas voltadas à inclusão e ao acesso de pessoas surdas em diferentes contextos, especialmente quanto à promoção de saúde.
Promoção de saúde, segundo Czeresnia (1999), refere-se a um processo que visa ampliar a autonomia dos indivíduos e das coletividades na condução de suas vidas, considerando que a saúde resulta da interação entre fatores sociais, culturais, ambientais, econômicos e biológicos. A perspectiva de promover saúde difere da prevenção de doenças, cujo foco está na redução de riscos específicos e na diminuição da incidência de enfermidades. Enquanto a prevenção atua de forma mais pontual e direcionada, a promoção de saúde baseia-se em ações amplas, voltadas para a criação de condições que favoreçam o bem-estar e o desenvolvimento humano. Tal distinção é fundamental para compreender como as políticas de saúde podem e devem responder às necessidades específicas da população.
Ao considerar pessoas surdas, especificamente, torna-se indispensável reconhecer que a promoção de saúde não pode se limitar à provisão de serviços generalizados, mas deve garantir acessibilidade comunicacional e participação plena nos processos de cuidado. De acordo com o Decreto nº 5.626/2005 (Brasil, 2005), Libras é reconhecida como a língua natural das comunidades surdas, devendo ser assegurada nos serviços de saúde como forma de eliminar barreiras comunicacionais. Essa perspectiva se alinha ao Modelo Social da Deficiência, que desloca o foco da deficiência do corpo individual para as barreiras sociais, culturais e políticas que impedem a participação plena do indivíduo na sociedade. No caso das pessoas surdas, tais barreiras se manifestam principalmente na comunicação, nos atendimentos clínicos e no acesso às informações e promoção de saúde.
Estudos demonstram que a maior dificuldade enfrentada por pessoas surdas nos serviços de saúde é a ausência de profissionais capazes de se comunicar em Libras. Chaveiro, Porto e Barbosa (2009), em uma revisão integrativa, observaram que profissionais de saúde frequentemente não compreendem as necessidades linguísticas e culturais das pessoas surdas, o que compromete o estabelecimento de vínculo, a compreensão de diagnósticos, a adesão ao tratamento e a segurança do paciente. Esses desafios também foram apontados por Franco e Militão (2022), ao analisarem o contexto da pandemia de COVID-19 e destacarem que medidas acessíveis de comunicação em saúde foram implementadas de forma tardia e insuficiente, deixando a população surda em situação de vulnerabilidade informacional.
Outro ponto crítico é a insuficiência de materiais informativos adaptados em Libras. A maioria dos conteúdos de educação em saúde é produzida exclusivamente em português oral ou escrito, sem tradução para Libras e sem adequação aos aspectos visuais que fazem parte da experiência comunicacional e cultural das comunidades surdas (Chaveiro et al., 2009). A falta de vídeos acessíveis, atendimentos bilíngues, intérpretes e tecnologias assistivas impede o exercício do direito à saúde e reforça desigualdades historicamente construídas. Nesse sentido, a acessibilidade, garantida pela Lei Brasileira de Inclusão (Brasil, 2015), não é um recurso complementar, mas um elemento estruturante da promoção de saúde de pessoas surdas.
A promoção de saúde nesse contexto exige, portanto, abordagem que vá além do ensino de Libras a profissionais, envolvendo mudanças estruturais e culturais na forma de se pensar e promover saúde. A Organização Mundial da Saúde enfatiza que a perda auditiva e a surdez afetam mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo e que barreiras sociais e comunicacionais são os principais fatores que impedem o acesso equitativo aos serviços (WHO, 2021). Destaca ainda que políticas de saúde inclusivas devem considerar oferta de informações acessíveis, formação profissional contínua, estratégias específicas para populações culturalmente diversas, participação ativa das comunidades surdas na elaboração das políticas, integração da acessibilidade como componente essencial dos serviços.
Assim, promover saúde para pessoas surdas significa assegurar que ações, políticas e programas contemplem a diversidade linguística e cultural desse grupo. Isso envolve reconhecer as necessidades e especificidades, dando voz às pessoas surdas no processo de construção de serviços, ter Libras como língua oficial, valorizar a identidade surda e compreender que a comunicação é determinante social da saúde. Sem acessibilidade não há cuidado integral, e sem inclusão linguística, não há promoção de saúde. Portanto, a promoção de saúde de pessoas surdas deve integrar princípios do Modelo Social da Deficiência, da inclusão e dos direitos linguísticos, articulando práticas que reduzam desigualdades e promovam a participação ativa dessa população. Tais práticas não apenas podem aprimorar a eficácia e eficiência de intervenções em saúde, mas também fortalecerem a autonomia, o protagonismo e a cidadania das pessoas surdas na sociedade.
Nesse sentido, Intervenções Psicológicas Positivas (IPPs) vêm sendo desenvolvidas e utilizadas como recursos para promoção de saúde e prevenção de doenças em todos os níveis, apresentando eficácia para melhoras em bem-estar subjetivo, psicológico, redução em sintomas de depressão, ansiedade e estresse (HENDRIKS et al., 2020), incremento em emoções positivas e repercussões em saúde (MOSKOWITZ et al., 2020), redução de dor crônica (HAUSMANN et al., 2018) e maior adesão a tratamentos de saúde (DUQUE et al., 2019).
No Brasil, a primeira IPP desenvolvida, implementada e avaliada, com foco nas forças Valores e Autocuidado/Prudência, Otimismo, Empatia, Gratidão, Perdão e Significado de Vida e Trabalho, em formato grupal, presencial e sessões de duas horas de duração, resultou em um protocolo manualizado. O manual de implementação presencial do programa foi publicado para a promoção de saúde de aposentados saudáveis ou com transtornos de saúde (DURGANTE; DELLAGLIO, 2019a). O Programa Vem Ser, em sua versão original, foi implementado presencialmente e avaliado em estudos empíricos desde o ano de 2016, passando por estudo piloto, estudo de viabilidade (DURGANTE; NAVEIRE; DELL’AGLIO, 2019) e ensaio de eficácia (DURGANTE, H.; DELL’AGLIO, 2019b) para mais de uma centena de aposentados. Resultados indicaram melhoras em satisfação com a vida, resiliência, sintomas de estresse percebido, depressão e ansiedade no grupo interventivo, além de efeitos de interação para melhoras no otimismo, empatia, sintomas de depressão e ansiedade no grupo experimental quando comparado ao grupo controle. Os efeitos e impactos em satisfação com a vida, sintomas de depressão e ansiedade se mantiveram três meses após o término do programa (DURGANTE, et al., 2020).
Este projeto se configura como braço para dar continuidade a uma pesquisa maior, em colaboração com grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), e da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH). O projeto está cadastrado via Plataforma Brasil, foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer n.1.899.368/CAAE: 61997516.5.0000.5334; Emenda n.4.143.219 /CAAE: 61997516.5.0000.5334), registrado na plataforma nacional de Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (REBEC), registro RBR-106989ym, número do UTN: U111-1262-7726, e representa esforço científico fundamental com relevância social diante do panorama pandêmico e necessidade de adaptação de serviços em saúde. Trata-se de uma nova proposta após período pandêmico.

Metodologia

Serão conduzidos grupos focais (N=10 cada) com pessoas surdas da comunidade geral, para levantamento de demandas sobre temáticas, possíveis variáveis de interesse para promoção de saúde, características gerais da intervenção (tempo de duração, horário, dias da semana, periodicidade, carga horária total, demais tópicos de interesse do público-alvo). Estima-se a condução de pelo menos dois grupos focais, com duração de em torno de 2 horas cada, contando com a presença de observadores (alunos de graduação do curso de Psicologia/UFPEL) para registros de dados, e, de um intérprete de LIBRAS para tradução simultânea. Os grupos focais serão gravados para registros e posterior análise dos dados obtidos. Este projeto está vinculado a uma pesquisa maior em colaboração com pesquisadores da UFRGS, da FURG, do IFSUL campus Pelotas, e faz parte de uma pesquisa de mestrado da FURG, cuja coordenadora orienta a pesquisa.

Indicadores, Metas e Resultados

Levantamento de demandas sobre temáticas, possíveis variáveis de interesse para promoção de saúde, características gerais da intervenção - tempo de duração, horário, dias da semana, periodicidade, carga horária total, demais tópicos de interesse do público-alvo, além de variáveis emergentes.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
HELEN BEDINOTO DURGANTE4
JULIA BARCELOS GOULART
LUCIANE KASTER BARCELLOS
LUIZA BORBA PEREIRA
RAQUEL VIANNA

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