Nome do Projeto
Obesidade ao longo do ciclo vital e as relações com a saúde mental em Coortes de Nascimentos de Pelotas
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
03/03/2026 - 28/02/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A obesidade tem apresentado crescimento expressivo nas últimas décadas,
acompanhada pela elevação nas prevalências de transtornos mentais como
ansiedade e depressão, configurando um cenário de dupla carga para a saúde
pública global. No Brasil, a rápida transição nutricional, as desigualdades sociais,
o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e as transformações
socioambientais contribuem diretamente para esse aumento, tornando
fundamental compreender a evolução da obesidade ao longo do tempo, bem
como, os seus efeitos para a saúde mental. Apesar de evidências crescentes,
ainda predominam estudos com medidas pontuais de IMC, concentrados em
países de alta renda e com pouca integração entre trajetória de peso, contexto
familiar e desfechos psicológicos. Portanto, este projeto busca preencher essas
lacunas ao investigar, em três coortes de nascimento de décadas diferentes, a
evolução temporal do excesso de peso, o impacto das trajetórias de IMC sobre o
risco de transtornos de ansiedade na idade adulta, e o papel da saúde mental
parental – ansiedade e depressão – como fator determinante do excesso de peso
nos filhos. A análise longitudinal permitirá identificar padrões de longitudinais de
IMC e sua relação com desfechos psiquiátricos, além de explorar mecanismos
intergeracionais associados a ambiente emocional, práticas familiares e
vulnerabilidades psicossociais. Neste sentido, o objetivo geral deste projeto de
pesquisa é investigar as trajetórias de IMC ao longo do curso de vida utilizando
dados de três Coortes de Nascimentos de Pelotas de 1982, 1993 e 2004, analisar
as relações entre as trajetórias de obesidade da adolescência à idade adulta
jovem e ansiedade nos participantes da Coorte de 1993 e, ainda, a influência
intergeracional da saúde mental parental no estado nutricional da prole (Segunda
Geração de 1993).
Objetivo Geral
Investigar a evolução da obesidade ao longo do curso de vida utilizando
dados de três Coortes de Nascimentos de Pelotas (1982, 1993 e 2004) e analisar
as relações entre as trajetórias de obesidade da adolescência à idade adulta
jovem e TAG nos participantes da Coorte de 1993 e, ainda, a influência
intergeracional da saúde mental parental no estado nutricional da prole (segunda
geração de 1993).
dados de três Coortes de Nascimentos de Pelotas (1982, 1993 e 2004) e analisar
as relações entre as trajetórias de obesidade da adolescência à idade adulta
jovem e TAG nos participantes da Coorte de 1993 e, ainda, a influência
intergeracional da saúde mental parental no estado nutricional da prole (segunda
geração de 1993).
Justificativa
A obesidade, bem como transtornos de ansiedade e depressão, configura-
se como problemas centrais de saúde pública, com crescimento expressivo e
impacto crescente sobre incapacidade, morbidade, mortalidade e demanda
assistencial (World Health Organization, 2025b, 2025a). O aumento simultâneo
desses agravos, especialmente entre crianças e adolescentes, sugere que o
curso de vida desempenha papel fundamental na determinação de riscos
cumulativos em saúde física e mental.
O uso de coortes de nascimento de diferentes décadas permite examinar
como mudanças históricas, econômicas, alimentares e ambientais moldam o risco
de obesidade ao longo das gerações, especialmente em países de renda média
com rápidas transições nutricionais, como o Brasil. Essa estratégia possibilita
captar efeitos de coorte, compreender a evolução temporal e interpretar o
fenômeno em contexto. Gerações distintas foram expostas a diferentes ambientes
alimentares, níveis de proteção social e acesso à saúde (Schott et al., 2019),
maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados, transformações urbanas e
mudanças socioculturais relacionadas ao corpo e à alimentação. Por exemplo, a
partir da década de 1990 ocorreu a regulamentação e implementação gradual do
Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 1990), sendo um marco nas políticas de
saúde pública no país.
A adolescência constitui janela crítica para o desenvolvimento, em que
ocorrem mudanças aceleradas em comportamento, hábitos alimentares, relações
sociais e vulnerabilidade emocional. Trajetórias de IMC persistentes, ascendentes
ou flutuantes podem ter repercussões para a vida adulta — e há crescente
evidência de que o padrão longitudinal de excesso de peso importa mais do que a
medida isolada (Gallagher et al., 2023b; Jebeile et al., 2019). No entanto, a
maioria dos estudos examina obesidade apenas em medidas pontuais, limitando
a compreensão da dinâmica do ganho/mudanças de peso e suas consequências
em saúde mental.
159
Persistem lacunas claras que justificam este estudo. Pode-se destacar a
predominância de estudos com IMC medido apenas em um momento, sem
análises de trajetória longitudinal. Poucos estudos associam trajetórias de
obesidade na adolescência com transtornos de ansiedade na vida adulta em
seguimentos longos. Estudos que integram simultaneamente saúde mental
parental e a evolução do peso infantil são escassos, especialmente que
considerem ambos os pais e os transtornos de ansiedade (Marco et al., 2020).
Além de baixa homogeneidade metodológica, pois instrumentos variados para
medir ansiedade e depressão. Portanto, este estudo se destaca por utilizar
entrevista diagnóstica estruturada para a identificação padronizada de transtornos
de ansiedade e depressão, com base em critérios do DSM e da CID, além de
empregar avaliação padronizada de peso e altura, o que confere maior robustez e
validade às medidas.
Além disso, mecanismos propostos (satisfação com a imagem corporal,
qualidade do sono e atividade física) raramente são testados em modelos
longitudinais completos. Assim como não está claro qual padrão de trajetória
apresenta maior risco para ansiedade adulta (Gallagher et al., 2023b). Somado a
isso, a maior parte das evidências provém de países de alta renda; poucos
estudos foram realizados em países de renda baixa ou média. As transições
nutricionais brasileiras — com desigualdade social, insegurança alimentar
simultânea à abundância de ultraprocessados — exigem modelos
contextualizados, não importados de realidades distintas. Uma vez que o contexto
socioeconômico individual e coletivo desempenha um papel importante na
determinação da obesidade e dos transtornos de ansiedade e depressão.
A proposta deste projeto busca preencher lacunas relevantes na literatura
ao: (1) comparar as trajetórias de IMC em três coortes de nascimento de décadas
diferentes, permitindo análise temporal, transgeracional e contextual; (2) analisar
como as trajetórias de IMC da adolescência a idade adulta jovem, ao invés de
usar apenas valores pontuais, se relacionam especificamente com o transtorno de
ansiedade na vida adulta (desfecho ainda pouco explorado); e (3) avaliar os
transtornos mentais parental (ansiedade e depressão) como determinante
intergeracional do excesso de peso dos filhos. Portanto, ao integrar epidemiologia
do curso de vida, saúde mental e contexto familiar, espera-se produzir evidências
inéditas e diretamente aplicáveis à realidade brasileira, auxiliando na formulação
de políticas preventivas e intervenções precoces mais eficazes.
se como problemas centrais de saúde pública, com crescimento expressivo e
impacto crescente sobre incapacidade, morbidade, mortalidade e demanda
assistencial (World Health Organization, 2025b, 2025a). O aumento simultâneo
desses agravos, especialmente entre crianças e adolescentes, sugere que o
curso de vida desempenha papel fundamental na determinação de riscos
cumulativos em saúde física e mental.
O uso de coortes de nascimento de diferentes décadas permite examinar
como mudanças históricas, econômicas, alimentares e ambientais moldam o risco
de obesidade ao longo das gerações, especialmente em países de renda média
com rápidas transições nutricionais, como o Brasil. Essa estratégia possibilita
captar efeitos de coorte, compreender a evolução temporal e interpretar o
fenômeno em contexto. Gerações distintas foram expostas a diferentes ambientes
alimentares, níveis de proteção social e acesso à saúde (Schott et al., 2019),
maior disponibilidade de alimentos ultraprocessados, transformações urbanas e
mudanças socioculturais relacionadas ao corpo e à alimentação. Por exemplo, a
partir da década de 1990 ocorreu a regulamentação e implementação gradual do
Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 1990), sendo um marco nas políticas de
saúde pública no país.
A adolescência constitui janela crítica para o desenvolvimento, em que
ocorrem mudanças aceleradas em comportamento, hábitos alimentares, relações
sociais e vulnerabilidade emocional. Trajetórias de IMC persistentes, ascendentes
ou flutuantes podem ter repercussões para a vida adulta — e há crescente
evidência de que o padrão longitudinal de excesso de peso importa mais do que a
medida isolada (Gallagher et al., 2023b; Jebeile et al., 2019). No entanto, a
maioria dos estudos examina obesidade apenas em medidas pontuais, limitando
a compreensão da dinâmica do ganho/mudanças de peso e suas consequências
em saúde mental.
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Persistem lacunas claras que justificam este estudo. Pode-se destacar a
predominância de estudos com IMC medido apenas em um momento, sem
análises de trajetória longitudinal. Poucos estudos associam trajetórias de
obesidade na adolescência com transtornos de ansiedade na vida adulta em
seguimentos longos. Estudos que integram simultaneamente saúde mental
parental e a evolução do peso infantil são escassos, especialmente que
considerem ambos os pais e os transtornos de ansiedade (Marco et al., 2020).
Além de baixa homogeneidade metodológica, pois instrumentos variados para
medir ansiedade e depressão. Portanto, este estudo se destaca por utilizar
entrevista diagnóstica estruturada para a identificação padronizada de transtornos
de ansiedade e depressão, com base em critérios do DSM e da CID, além de
empregar avaliação padronizada de peso e altura, o que confere maior robustez e
validade às medidas.
Além disso, mecanismos propostos (satisfação com a imagem corporal,
qualidade do sono e atividade física) raramente são testados em modelos
longitudinais completos. Assim como não está claro qual padrão de trajetória
apresenta maior risco para ansiedade adulta (Gallagher et al., 2023b). Somado a
isso, a maior parte das evidências provém de países de alta renda; poucos
estudos foram realizados em países de renda baixa ou média. As transições
nutricionais brasileiras — com desigualdade social, insegurança alimentar
simultânea à abundância de ultraprocessados — exigem modelos
contextualizados, não importados de realidades distintas. Uma vez que o contexto
socioeconômico individual e coletivo desempenha um papel importante na
determinação da obesidade e dos transtornos de ansiedade e depressão.
A proposta deste projeto busca preencher lacunas relevantes na literatura
ao: (1) comparar as trajetórias de IMC em três coortes de nascimento de décadas
diferentes, permitindo análise temporal, transgeracional e contextual; (2) analisar
como as trajetórias de IMC da adolescência a idade adulta jovem, ao invés de
usar apenas valores pontuais, se relacionam especificamente com o transtorno de
ansiedade na vida adulta (desfecho ainda pouco explorado); e (3) avaliar os
transtornos mentais parental (ansiedade e depressão) como determinante
intergeracional do excesso de peso dos filhos. Portanto, ao integrar epidemiologia
do curso de vida, saúde mental e contexto familiar, espera-se produzir evidências
inéditas e diretamente aplicáveis à realidade brasileira, auxiliando na formulação
de políticas preventivas e intervenções precoces mais eficazes.
Metodologia
Trata-se de um estudo longitudinal prospectivo, com estudo transversal
aninhado à uma coorte (Artigo III), que utilizará dados provenientes dos
seguimentos realizados com jovens participantes das Coortes de Nascimentos de
Pelotas de 1982, 1993 e 2004. Bem como, dados do acompanhamento dos filhos
dos membros da Coorte de 1993, avaliados quando seus pais tinham 30 anos de
idade.
aninhado à uma coorte (Artigo III), que utilizará dados provenientes dos
seguimentos realizados com jovens participantes das Coortes de Nascimentos de
Pelotas de 1982, 1993 e 2004. Bem como, dados do acompanhamento dos filhos
dos membros da Coorte de 1993, avaliados quando seus pais tinham 30 anos de
idade.
Indicadores, Metas e Resultados
ARTIGOS PLANEJADOS
Artigo I: Trajetórias de IMC em três Coortes de Nascimento do sul do
Brasil
-Investigar as trajetórias latentes do Índice de Massa Corporal ao longo
do nascimento a idade adulta jovem nas Coortes de Nascimentos de
Pelotas de 1982, 1993 e 2004.
Artigo II: As relações entre as trajetórias de IMC e o transtorno de
ansiedade em jovens adultos
-Analisar associação entre as trajetórias de IMC da adolescência à vida
adulta e o transtorno de ansiedade generalizada aos 30 anos entre os
participantes da Coorte de Nascimento de 1993.
Artigo III: A saúde mental dos pais impacta o estado nutricional dos filhos?
Um estudo intergeracional
-Avaliar a associação entre a saúde mental parental (transtornos de
ansiedade e depressão) – integrantes da Coorte de 1993 – e o estado
nutricional de seus filhos (Segunda Geração de 1993).
Artigo I: Trajetórias de IMC em três Coortes de Nascimento do sul do
Brasil
-Investigar as trajetórias latentes do Índice de Massa Corporal ao longo
do nascimento a idade adulta jovem nas Coortes de Nascimentos de
Pelotas de 1982, 1993 e 2004.
Artigo II: As relações entre as trajetórias de IMC e o transtorno de
ansiedade em jovens adultos
-Analisar associação entre as trajetórias de IMC da adolescência à vida
adulta e o transtorno de ansiedade generalizada aos 30 anos entre os
participantes da Coorte de Nascimento de 1993.
Artigo III: A saúde mental dos pais impacta o estado nutricional dos filhos?
Um estudo intergeracional
-Avaliar a associação entre a saúde mental parental (transtornos de
ansiedade e depressão) – integrantes da Coorte de 1993 – e o estado
nutricional de seus filhos (Segunda Geração de 1993).
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| ANTONIO ORLANDO FARIAS MARTINS FILHO | |||
| HELEN DENISE GONCALVES DA SILVA | 2 | ||
| JANAINA VIEIRA DOS SANTOS MOTTA | 1 |