Nome do Projeto
Saúde ambiental e saúde única na avaliação de enteroparasitos zoonóticos na areia da Praia do Laranjal - Pelotas/RS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
30/03/2026 - 28/02/2030
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
Atualmente, as doenças parasitárias possuem um efeito nocivo na saúde dos humanos, resultando em uma redução dos anos de vida saudável, como também a morte. Assim, o objetivo desse estudo é avaliar a prevalência de enteroparasitos zoonóticos na areia da Praia do Laranjal na cidade Pelotas/RS. O projeto compreenderá o estudo da areia da orla da Praia do Laranjal da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, através da coleta de amostras de areia, para posterior investigação da presença de parasitos nas mesmas por análises laboratoriais. Ainda, serão coletadas fezes de animais da orla da praia para realização de exame coproparasitológico. Portanto, o projeto será realizado em duas etapas, a primeira compreendendo a coleta das amostras a campo, e a segunda o processamento laboratorial. Com o conhecimento perante a existência ou não desses parasitas no solo, bem como se encontrados quais parasitas são, auxilia a gestão pública a tomar decisões referente a políticas voltadas para saneamento e higiene para com a sua população, assim como ajuda também a difundir o conhecimento sobre essas possíveis infecções parasitárias e meio de transmissão que muitos desconhecem.

Objetivo Geral

Avaliar a prevalência de enteroparasitos zoonóticos na areia da Praia do Laranjal na cidade Pelotas/RS.

Justificativa

Atualmente, as doenças parasitárias possuem um efeito nocivo na saúde dos humanos, resultando em uma redução dos anos de vida saudável, como também a morte. As infecções parasitárias intestinais se encontram no meio das infecções mais comuns no mundo, tendo uma estimativa de que um quarto da população mundial se apresenta infectada, sendo as crianças a faixa etária mais afetada (Kaminsky et al., 2025). É um assunto também de grande relevância na medicina veterinária, especialmente em cães e gatos, porque nos dias de hoje, animais de companhia são considerados integrantes da família, sendo o vínculo entre animal de estimação e tutor muito próximo, havendo maior exposição humana a agentes causadores de zoonoses parasitárias (Ferraz et al., 2022). Essa é uma preocupação importante no nosso país, visto que o Brasil, é o terceiro maior país em população de animais de estimação, com 55,9 milhões de cães e 25,6 milhões de gatos. (ABINPET, 2019).
Com o aumento da população canina e felina como animais de companhia, houve também um aumento da presença deles em áreas públicas, como as praias, pois são lugares frequentados em razão de lazer e recreação, atraindo crianças, jovens, adultos e idosos. Isso é um fator preocupante, pois esses animais podem contaminar o solo com várias formas parasitárias, assim como a areia pode ser um habitat favorável para a proliferação de parasitas em razão da alta atividade de água e temperatura mesófila (Rosa et al., 2018). Como fator agravante, a grande presença de animais errantes aumenta a possibilidade de contaminação do solo, devido à falta de controle parasitário nesse grupo específico e à falta de controle do acesso aos ambientes que eles frequentam, pois eles possuem contato com diversas áreas públicas (Villela et al., 2009).
A contaminação do solo é ocasionada pelo contato com dejetos de animais e humanos, e ausência de correto destino deles, que ocorre mais facilmente em regiões que possuem biossegurança higiênica e sanitária prejudicadas. Há uma forte associação da contaminação de pessoas e animais nesses locais, pois considera-se que as praias são lugares facilitadores dessa transmissão, sendo a via de transmissão mais habitual a fecal-oral de forma passiva (Graciliano Neto et al., 2017).
Logo, a areia das praias é uma importante fonte de contaminação, que trará riscos à saúde das pessoas, principalmente para as crianças que brincam em contato com o solo e às vezes possuem distúrbios de perversão de apetite, como geofagia, podendo, através desse contato, acabar se infectando (Capuano et al., 2006). Animais por sua vez, como os cães, podem ser afetados também, pelos seus hábitos e porque muitos deles não possuem acompanhamento veterinário e os tutores não possuem conhecimento em relação à educação sanitária, levando ao agravamento das doenças (Ferraz et al., 2022).
Parasitoses intestinais tem apresentações clínicas variadas, normalmente associadas à diarreia crônica, desconforto, dor, desnutrição e prejuízos ao desenvolvimento físico e cognitivo, tanto de humanos como de animais (Ludwing et al., 1999; KAMINSKY et al., 2025). Em humanos, algumas larvas podem migrar para o tecido subcutâneo ou visceral e causar infecções, como a Larva Migrans Cutânea e a Larva Migrans Visceral, causadas respectivamente, por larvas infectantes do gênero Ancylostoma spp. e ovos larvados de Toxocara spp. (Graciliano Neto et al., 2017).
Em virtude disso, estudos nesse contexto são relevantes, visto o aumento do contato entre animais de companhia e humanos, e a importância de estimar a presença de formas parasitárias com capacidade zoonótica em áreas populares, pois infecções parasitárias são um problema de saúde pública atualmente. Assim, o objetivo desse estudo é avaliar a prevalência de parasitos com potencial zoonótico na areia da Praia do Laranjal, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Considerando que as infecções parasitárias são doenças negligenciadas, sendo os hospedeiros parasitados de maneira silenciosa e podendo permanecer assim por muitos anos, dados referentes as enteroparasitoses são importantes porque interferem em decisões que precisam ser tomadas pela gestão pública em relação à biossegurança higiênica e sanitária, além da implementação de políticas públicas educativas envolvendo a participação da comunidade (Ludwing et al., 1999; Ferraz et al., 2018).

Metodologia

O projeto compreenderá o estudo da areia da orla da Praia do Laranjal da cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, através da coleta de amostras de areia, para posterior investigação da presença de parasitos nas mesmas por análises laboratoriais. Ainda, serão coletadas fezes de animais da orla da praia para realização de exame coproparasitológico. Portanto, o projeto será realizado em duas etapas, a primeira compreendendo a coleta das amostras a campo, e a segunda o processamento laboratorial.

4.1 Dados demográficos da área de estudo

O projeto será desenvolvido na orla da Praia do Laranjal (Balneário Santo Antônio e Balneário Valverde) do município de Pelotas. A cidade possui uma população de 325.685 habitantes, sendo o quarto município mais populoso do Rio Grande do Sul (IBGE, 2023). A área selecionada foi escolhida em razão da frequência de pessoas, visto que é um ponto turístico da cidade.

Figura 1 – Localização de Pelotas no Estado do Rio Grande do Sul.

Fonte: Wikipedia

4.2 Coleta das amostras

As amostras de areia serão coletadas na orla da Praia do Laranjal, que compreende uma área de 2 km, sendo a coleta realizada nos quatro vértices e no centro de uma área de 25 m². Cada ponto de coleta terá 50 m de distância entre si, totalizando 200 amostras coletadas em cada coleta. Essas amostras serão colhidas através de raspagem da camada superficial do solo, coletando cinco porções de 125 g em cada ponto de coleta, com uma área estabelecida de 25 m², utilizando uma pá de jardim previamente embalada em saco plástico a fim de evitar contaminação entre amostras, sendo o saco plástico trocado para cada coleta (Farias et al., 2021; Ferraz et al., 2022). As amostras por fim serão armazenadas em sacos plásticos propriamente identificados, colocados em caixa de transporte térmica, contendo gelo retornável e posteriormente transportadas até o Laboratório de Doenças Parasitárias (LADOPAR) da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
As amostras fecais serão coletadas na areia da orla da Praia do Laranjal e armazenadas em sacos plásticos individuais, identificadas e conservadas em caixas isotérmicas contendo gelo retornável, para sequencialmente serem analisadas no LADOPAR da UFPel. Serão analisadas apenas as fezes recentes, sendo desconsideradas as fezes ressecadas (Ferraz et al., 2021).
Essas amostras serão coletadas uma vez por estação do ano em um período de 12 meses, totalizando 4 coletas. Iniciando-se em setembro de 2025 e finalizando em junho de 2026.

4.3 Técnicas de análise das amostras de areia

No laboratório, as amostras de areia serão pesadas e fracionadas para cada técnica laboratorial a ser realizada. Sendo, 50 g para a técnica de centrifugo-flutuação, 25 g para a técnica de Rugai e 50 g para a técnica de Hoffman. (Ferraz et al., 2022).
Na técnica de centrifugo-flutuação serão utilizados 50 g de cada amostra da areia, aos quais serão dispostas em beckers, onde serão adicionados 50 ml de água e detergente neutro, sendo homogeneizadas na sequência. Muda-se a solução para tubos e centrifuga-se a 2.000 rpm durante cinco minutos. Os sedimentos serão ressuspendidos com solução hipersaturada de açúcar (densidade de 1.230) para possibilitar a flutuação dos ovos. Para a formação de um menisco na borda do tubo, complementa-se o volume. Posteriormente a esta etapa, coloca-se uma lamínula, sobre o tubo, mantendo-a por 20 minutos. Finaliza-se com a remoção e transferência da lamínula para lâminas de microscopia, sendo realizada a leitura em microscopia ótica em aumento de 100x e 400x (Ferraz et al., 2022).
Para a técnica de Rugai, com modificações (Rugai et al., 1954), utiliza-se 25 g de cada amostra da areia em uma gaze dobrada e fecha-a com barbante ou elástico, formando um tipo de “trouxa”. Em seguida, essa gaze é colocada em uma peneira comum sobre um cálice de sedimentação e acrescenta-se água em uma temperatura de 45ºC até que entre em contato com a amostra. Passando-se em torno de 3 horas, o sobrenadante será descartado e o sedimento coletado e transferido para um tubo de ensaio e centrifugado a 2000 rpm por 2 minutos. Por fim, o sobrenadante do tubo será descartado e o sedimento posto entre lâmina e lamínula para visualização de ovos e larvas, utilizando-se corante lugol para melhor visualização (Carvalho et al, 2005; Ferraz et al., 2022).
Conforme a técnica de Hoffman (Hoffman et al., 1934) serão usados 50 g de cada amostra de areia em um pote plástico e acrescentados 50 ml de água para serem homogeneizadas na sequência. Transfere-se a solução para um cálice de sedimentação por meio de um coador, e o volume será completado com água. A solução permanecerá 20 minutos em repouso para facilitar a precipitação de resíduos. O líquido sobrenadante será descartado e substituído por água limpa favorecendo a ressuspensão do precipitado. Esse processo será repetido até o sobrenadante ficar claro. Por fim, através de uma pipeta de Pasteur realiza-se a coleta de uma alíquota do sedimento, a qual foi depositada em uma lâmina de microscopia e coberta com uma lamínula, sendo sequentemente analisada em microscopia ótica em aumento de 100 e 400x (Ferraz et al., 2022; Ramos et al, 2022).

4.4 Técnicas de análise das amostras de fezes

As amostras adquiridas de fezes, ao chegar no laboratório, serão armazenadas em refrigeradores, com temperatura em média de 4ºC, até no máximo 72h 24h após a coleta, sendo esse o tempo máximo ideal para a realização dos exames coproparasitológicos (Silva et al., 2023). As técnicas realizadas serão de Willis-Mollay, de Faust, de Hoffman, Pons e Janer (sedimentação espontânea) e de Rugai.
Na técnica de Willis-Mollay (Willis, 1921), irá pesar-se de 2 g a 5 g de fezes, coloca-se as fezes em um copo e acrescentará 20 ml de solução hipersaturada. Serão maceradas as fezes com um bastão para homogeneizar a suspensão fecal e depois filtrada essa suspensão através de um tamis para outro copo. Irá repassar a solução para um tubo de ensaio até formar um menisco nas bordas do tubo. Após, coloca-se uma lamínula sobre o tubo de ensaio para que entre em contato com o menisco convexo (não havendo bolhas de ar entre lamínula e superfície do líquido), deixa-se em repouso por 10 minutos, posteriormente remove-se a lamínula ligeiramente para evitar que a solução escorra. Por fim, irá colocar sobre a lâmina e observar no microscópio, em objetiva de 10x (Ramos et al., 2022).
A técnica de Faust será realizada com 1 g de fezes, a qual é homogeneizada em 10 ml de água destilada para em seguida ser filtrada com uma gaze dobrada em quatro em um copo. Após, centrifuga-se por 1 minuto a 2500 rpm e descarta-se o líquido sobrenadante. Posteriormente, será necessário ressuspender o sobrenadante e descartar (repete-se esta etapa até ser observada pouca coloração no sobrenadante), irá adicionar solução de sulfato de zinco, centrifugar novamente por 1 minuto e com o auxílio de uma alça de platina, serão retiradas três pequenas alíquotas da superfície do material e colocadas na lâmina seguido de 1 gota de lugol. Termina-se cobrindo a lamínula e observando no microscópio (D’antoni et al. 1938; Pereira et al., 1991).
A técnica de Hoffman, Pons e Janer (Hoffman et al., 1934) será utilizado de 2 g a 4 g de fezes onde elas serão homogeneizadas com água e filtradas em um cálice de sedimentação com fundo cônico com o volume do cálice sendo completado com água. Em seguida, o material permanecerá em repouso e o sobrenadante será descartado. Encerra-se coletando uma amostra do sedimento com uma pipeta de Pasteur e colocando-a em uma lâmina, coberta com lamínula e examinada em microscópio ótico (Ramos et al., 2022).
Na técnica de Rugai irá usar 5g de fezes em uma gaze dobrada e fecha-a com barbante ou elástico, formando um tipo de “trouxa”. Em seguida, essa gaze será colocada em uma peneira comum sobre um cálice de sedimentação e acrescenta-se água em uma temperatura de 45ºC até que entre em contato com a amostra. Passando-se em torno de 3 horas, o sobrenadante será descartado e o sedimento coletado e transferido para um tubo de ensaio e centrifugado a 2000 rpm por 2 minutos. Por fim, o sobrenadante do tubo será descartado e o sedimento posto entre lâmina e lamínula para visualização de larvas (Rugai et al., 1954; Carvalho et al., 2005).

Indicadores, Metas e Resultados

Esse estudo visa, que grande parte das amostras coletadas da areia da Praia do Laranjal, assim como as fezes coletadas da orla, estejam contaminadas com enteroparasitos. Entretanto, pode-se obter uma dificuldade na coleta de material em épocas de inverno e chuva, em decorrência de que com esse tempo, a areia acaba se tornando úmida e as fezes se desintegrarem, o que irá dificultar essas coletas de serem realizadas.
Esses dados são importantes de serem analisados, visto que é uma análise feita em local público e de grande turismo na cidade de Pelotas, entre pessoas e seus animais domésticos, assim como animais errantes, tornando possível a contaminação desse solo e a contaminação de pessoas e animais que nele permanecem realizando suas atividades. Com o conhecimento perante a existência ou não desses parasitas no solo, bem como se encontrados quais parasitas são, auxilia a gestão pública a tomar decisões referente a políticas voltadas para saneamento e higiene para com a sua população, assim como ajuda também a difundir o conhecimento sobre essas possíveis infecções parasitárias e meio de transmissão que muitos desconhecem.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXSANDER FERRAZ
ELLEN LOÍDE DAMASIO
FABIO RAPHAEL PASCOTI BRUHN2
LUCIÉLE PEREIRA DE MELO
MARINA MADRUGA PIRES
MARLETE BRUM CLEFF1
MAYSA SEIBERT DE LEÃO
VITTÓRIA BASSI DAS NEVES

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