Nome do Projeto
Determinação da concentração inibitória mínima, bactericida e período de exposição do iodo, cloro e clorexidina frente a bactérias causadoras de mastite.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
20/04/2026 - 20/04/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária, fundamentalmente de origem infecciosa. Uma ferramenta que auxilia no controle é o uso de antissépticos na superfície dos tetos. O objetivo deste estudo é avaliar a eficácia de três antissépticos (Iodo, cloro e clorexidina), sobre 10 cepas de 5 espécies de bactérias causadoras de mastite. Para isso serão isoladas as bactérias de úberes com mastite e testadas frente a esses três antissépticos, utilizando a diluição em meio líquido em microplacas de poliestireno. Com isso se obterá o Concentração Inibitória mínima e a Concentração Bactericida Mínima de cada antisséptico para cada cepa bacteriana isolada.

Objetivo Geral

Avaliar a eficácia dos antissépticos iodo, cloro e clorexidina contra cepas bacterianas causadoras de mastite bovina.

Justificativa

A mastite é um processo inflamatório da glândula mamária, podendo ser de origem fisiológica, traumática, alérgica, metabólica e/ou infecciosa. É uma doença de caráter complexo e multifatorial envolvendo diversos patógenos e fatores inerentes ao animal. (Lopes et al., 2018)
Ela pode se apresentar como clínica ou subclínica, “A mastite clínica caracteriza-se pelo aparecimento de edemas, aumento de temperatura, endurecimento e dor na glândula mamária tendo aparecimento de grumos, pus entre outras alterações das características do leite” (Fonseca & Santos, 2001). Já na mastite subclínica, os sinais não são evidentes, podendo apenas ter uma diminuição da produção de leite, tendo alterações na composição do leite, como o aumento da Contagem de Células Somáticas (CCS) e dos teores de cloro e sódio, além da redução nos níveis de caseína, lactose e gordura (Costa et al., 2015).
A transmissão de agentes causadores de mastite bovina para seres humanos pode ocorrer principalmente por meio do consumo de leite cru ou mal pasteurizado, além do contato direto com animais infectados, e falhas sanitárias. Alguns dos agentes causadores da mastite possuem potencial zoonótico como as bactérias; Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Escherichia coli e Mycoplasma spp. (Sharun et al., 2021).
Do ponto de vista da saúde pública, existe a preocupação das bactérias zoonóticas causadoras de mastite. Costa et al. (1998) destacaram que o uso adequado dos desinfetantes é essencial para o controle da mastite, visto que a presença de matéria orgânica reduz de forma significativa sua eficiência. Uma das principais estratégias para prevenir a contaminação e evitar a mastite é a correta higienização e antissepsia dos tetos. Nesse contexto, torna-se necessário avaliar tanto as vantagens quanto às limitações de cada antisséptico, já que o uso inadequado ou em concentrações insuficientes de agentes antimicrobianos pode favorecer a seleção natural de cepas resistentes dentro da população microbiana (Margatho; 2014)
Assim, a utilização correta das concentrações e o tempo adequado de exposição dos antissépticos são fatores primordiais para garantir resultados eficazes frente às bactérias causadoras de mastite. Além de contribuir para a qualidade do leite, essa prática tem relevância direta para a Saúde Única, pois reduz a disseminação de microrganismos resistentes, protege a saúde animal, aumenta a segurança alimentar e, consequentemente, preserva a saúde humana e ambiental.

Metodologia

Amostras

Bactérias
As amostras bacterianas a serem testadas foram isoladas e identificadas
a partir do leite de tanques refrigeradores de leite em propriedades leiteiras de
municípios localizados na região sul do Estado do Rio Grande do Sul.
Serão avaliadas a capacidade bactericida do iodo, clorexidina e cloro frente a:
- 10 cepas de Staphylococcus aureus.
- 10 cepas de Streptococcus agalactiae.
- 10 cepas de enterococcus faecalis.
- 10 cepas de Escherichia coli.

Preparo das suspensões bacterianas

As cepas a serem testadas, armazenadas sob temperatura inferior a -10ºC serão semeadas em meio de cultura Agar Sangue e incubadas em estufa bacteriológica a 37ºC.
Após 24 horas estas colônias serão adicionadas em tubos estéreis com água destilada estéril, na concentração 0,5 da escala de Mc Farland, corresponde a uma suspensão de turbidez que equivale a aproximadamente 1,5 x 10⁸ células bacterianas por mililitro de suspensão.

Testes da CIM do Iodo, Cloro e Clorexidina e tempo de exposição.
Para determinar o efeito antimicrobiano dos antissépticos, estes serão diluídos sucessivamente em tubos contendo água destilada estéril em diferentes concentrações. Para o crescimento bacteriano, será preparado o caldo BHI duplo.
Culturas puras de bactérias, previamente cultivadas em Ágar sangue, serão diluídas em água destilada estéril até atingirem turbidez equivalente a 0,5 na escala de McFarland. Todas as cepas bacterianas serão testadas em duplicata.
Em microplacas de poliestireno, serão adicionados 100 µL de BHI duplo, 100 µL dos antissépticos nas diferentes concentrações e 10 µL da suspensão bacteriana. Cada microplaca conterá cinco cepas bacterianas distintas para a determinação da concentração inibitória mínima (CIM).
As microplacas serão incubadas por 24 e 48 horas. Após cada período, as alíquotas das amostras serão replicadas em Ágar sangue para verificação da CIM, observando-se a presença ou ausência de crescimento bacteriano (Karlowsky et al., Richter, 2015).
Para a análise de exposição de tempo serão preparadas 1,2 mL suspensões bacterianas homogêneas em tubos estéreis com água destilada estéril, na concentração 0,1 da escala de Mc Farland,0,2 ml de leite estéril como fonte da matéria orgânica e será adicionado 0,8 mL dos antissépticos em diferentes concentrações e cronometrando os tempos (15, 30, 60, 300 segundos) de exposição para então realizar o repique em caldo Brain Heart Infusion (BHI). A mistura será incubada a 37°C durante 24 h para observação da turvação do meio . Após a incubação, a suspensão será repicada em Ágar sangue para confirmação da presença ou ausência do microrganismo testado. a ausência do crescimento
bacteriano nas placas indicará a eficácia do produto em questão (Costa 1998), (Brasil, 1993).

Indicadores, Metas e Resultados

Determinar a eficácia dos antissépticos iodo, cloro e clorexidina, estipulando suas concentrações mínimas inibitórias e bactericidas, bem como o tempo de exposição necessário para garantir ação efetiva contra cepas bacterianas associadas à mastite bovina.
A mastite é uma das principais enfermidades que comprometem a produtividade leiteira, gerando prejuízos econômicos significativos e representando um desafio constante para a saúde pública veterinária. A correta definição de parâmetros de uso contribuirá para protocolos de higiene mais consistentes, reduzindo a ocorrência de infecções e melhorando a qualidade microbiológica do leite.
O impacto deste trabalho ultrapassa os limites da produção animal, pois ao promover o uso racional de antisépticos e reduzir o risco de seleção de cepas resistentes, contribui para o fortalecimento de práticas sustentáveis, assegurando maior segurança alimentar e proteção à saúde coletiva.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
GABRIEL DA SILVA ZANI
GABRIELA CAROLINE DUARTE
JOAO LUIZ ZANI10
VIVIANE ULGUIM MORALES

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