Nome do Projeto
Gênero e Política nas Democracias da América Latin
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
30/05/2026 - 29/05/2029
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
O projeto tem como proposta contribuir para o debate sobre os limites e possibilidades da democracia na América Latina, através da discussão da tensa relação entre gênero e política na região. A proposta será efetivada em dois momentos: Compreender a emergência dos discursos anti-gênero no campo político e sua efetividade local em países da região; Investigar a agência política dos feminismos latino-americanos no enfrentamento aos discursos e práticas antidemocráticas de políticos e governos que defendem a criminalização dos movimentos sociais ao mesmo tempo que promovem uma agenda conservadora em termos de gênero.

Objetivo Geral

Objetivo:
O projeto tem como proposta contribuir para os debates sobre os limites e possibilidades da democracia na América Latina, através da discussão da tensa relação entre gênero e política em diferentes países da região.

Objetivos específicos:
- Compreender como se produziu a expansão de discursos anti-gênero do campo moral-religioso para o campo político institucional e quais seus efeitos para as democracias em diferentes países da região;
- Investigar a agência política dos feminismos latino-americanos no enfrentamento aos discursos e práticas antidemocráticas de políticos e governos que defendem a criminalização dos movimentos sociais ao mesmo tempo que promovem uma agenda conservadora em termos de gênero.

Justificativa

Nos países da América Latina duas conjunturas políticas recentes projetaram agendas antagônicas em termos de moralidade e colocaram o gênero no centro do debate político: a) agenda pró-gênero - o processo de expansão democrático vivenciado na região (Onda Rosa/Marea Rosa) que favoreceu a inserção das desigualdades e discriminações de gênero como problemas públicos e, em consequência, gerou políticas públicas efetivas; b) agenda anti-gênero - o processo de desdemocratização com o desmantelamento das políticas públicas existentes em prol de uma agenda conservadora em termos de gênero. Estudos recentes têm demonstrado que durante a Onda Rosa governos de esquerda/centro-esquerda foram mais reativos às pressões dos movimentos feministas do que propositivos em termos de políticas de igualdade de gênero e direitos reprodutivos. Acabam por mostrar que tais direitos não faziam parte das plataformas dos partidos políticos que ascenderam ao poder naquele período (BLOFIELD; EWIG; PISCOPO, 2017). Por outro lado, a literatura que trata da expansão dos discursos e práticas anti-gênero demonstra que os discursos foram enunciados no campo moral-religioso, baseados no slogan “ideologia de gênero” (BIROLI; MACHADO; VAGGIONE, 2020; BUTLER, 2024; CORRÊA, 2018; MISKOLCI, 2018). Esses discursos foram sendo apropriados por atores políticos e direcionados ao campo político, quando passaram a ser enunciados por candidatos/as, parlamentares e governantes situados na extrema direita, produzindo efeitos reais em termos de desmantelamento de políticas públicas, questionamento/recuo de direitos, criminalização de movimentos sociais com fortes impactos desdemocratizantes. Os movimentos feministas que atuaram intensamente para pressionar os governos para direcionar políticas públicas às mulheres durante a Onda Rosa, passaram a ser tratados como inimigos pelos governos antidemocráticos eleitos após o giro conservador. Este fenômeno pode ser observado em vários países da América Latina, em especial no Brasil com o giro conservador iniciado pelo governo de Michel Temer e aprofundado por Jair Bolsonaro e na Argentina com a eleição de Javier Milei para a Presidência da República. Desta forma, torna-se relevante compreender como esses discursos são enunciados em diferentes países da região e, sobretudo, quais as particularidades locais que são acionadas para que que cidadãos/as se sintam sujeitos desses discursos conservadores. Além disso, é fundamental investigar como os movimentos feministas têm atuado para enfrentar estes discursos e práticas políticas que utilizam-se de enunciados anti-gênero para questionar/retirar direitos e expandir práticas políticas antidemocráticas.

Metodologia

A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, articulando análise bibliográfica, documental e discursiva com estudos de caso em diferentes contextos latino-americanos;
Coleta de dados, materiais e informações sobre os discursos anti-gênero enunciados por lideranças políticas e governamentais;
Coleta de dados, materiais e informações sobre agência política dos feminismos latino-americanas, verificando as estratégias e os repertórios de ação utilizados nas diferentes manifestações;
As técnicas utilizadas serão: revisão das estratégias e repertórios utilizados pelos feminismos nas manifestações do 8M (08 de março - Dia Internacional da Mulher) e 25N (25 de novembro - Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher); observação participante das assembleias e/ou manifestações centrais nos países selecionados para investigação; entrevistas semi-estruturadas com atrizes relevantes.

Indicadores, Metas e Resultados

Análise crítica sobre a agência política das mulheres em diferentes contextos latino-americanos;
Destacar a relevância de abordagens das teorias feministas e interseccionais para os estudos na área de Ciência Política e Teoria Democrática;
Apresentação dos resultados parciais em Congressos nacionais e internacionais;
Produção de artigos e capítulos de livro em coautoria com pesquisadoras/es que debatem a temática e orientandas/os do PPGCPOL;
Desenvolvimento de dissertações, teses e trabalhos finais inspirados ou vinculados ao projeto;
Fortalecimento de redes de pesquisa latino-americanas sobre democracia, gênero e feminismos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DHAYANA CAROLINA FERNANDEZ MATOS3
GABRIELA DE MORAES KYRILLOS
LAURA BITENCOURT BANDEIRA RODRIGUES
ROSANGELA MARIONE SCHULZ8
TAIANE DA CRUZ ROLIM

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