Nome do Projeto
Avaliação in vitro através de micro-CT dos fatores preditivos à fratura de instrumentos reciprocantes
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/07/2026 - 30/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O objetivo deste estudo será avaliar, in vitro, por meio de microtomografia computadorizada (micro-CT), os fatores anatômicos preditivos à fratura do instrumento reciprocante Reciproc R25 durante o preparo de canais radiculares de molares extraídos. Serão selecionados 300 molares humanos extraídos, superiores e inferiores, com formação radicular completa e canais compatíveis com o uso da lima R25. Após a realização do acesso coronário, os canais serão preparados por operador experiente utilizando o sistema reciprocante Reciproc, sem confecção prévia de glide path. Durante os procedimentos, serão registrados os casos de feedback do instrumento, deformação e fratura das limas. Os espécimes associados a essas ocorrências serão submetidos à análise em micro-CT para avaliação de características anatômicas do sistema de canais radiculares, incluindo curvatura, proporção apical da raiz, presença de istmos, canais acessórios, calcificações pulpares e ramificações apicais. Os dados obtidos serão submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, utilizando regressão logística binária para identificação dos fatores preditivos associados à fratura dos instrumentos. Espera-se que canais radiculares com maior complexidade anatômica apresentem maior ocorrência de feedback do instrumento e maior risco de fratura durante o preparo reciprocante sem glide path prévio. Os resultados poderão contribuir para o aprimoramento do planejamento endodôntico e para a redução da incidência de separação de instrumentos durante o tratamento de canais radiculares.
Objetivo Geral
Objetivo geral
Avaliar in vitro, através de microtomografia (micro-CT), os fatores preditivos à fratura do instrumento reciprocante R25 em canais de molares
Objetivos específicos
● Determinar a frequência da ocorrência de feedback do instrumento R25 quando utilizado em molares extraídos;
● Determinar a incidência de fratura de limas R25 em canais radiculares de molares extraídos;
● Avaliar em micro-CT as características anatômicas do sistema de canais radiculares associadas à ocorrência de feedback do instrumento R25 em molares extraídos;
● Avaliar em micro-CT as características anatômicas do sistema de canais radiculares associadas à ocorrência de fratura do instrumento R25 em molares extraídos.
Avaliar in vitro, através de microtomografia (micro-CT), os fatores preditivos à fratura do instrumento reciprocante R25 em canais de molares
Objetivos específicos
● Determinar a frequência da ocorrência de feedback do instrumento R25 quando utilizado em molares extraídos;
● Determinar a incidência de fratura de limas R25 em canais radiculares de molares extraídos;
● Avaliar em micro-CT as características anatômicas do sistema de canais radiculares associadas à ocorrência de feedback do instrumento R25 em molares extraídos;
● Avaliar em micro-CT as características anatômicas do sistema de canais radiculares associadas à ocorrência de fratura do instrumento R25 em molares extraídos.
Justificativa
O objetivo do tratamento endodôntico é promover adequada modelagem e limpeza do sistema de canais radiculares, seguida da obturação do espaço criado, de modo a possibilitar o reparo apical e o consequente sucesso do tratamento (de Deus et al., 2022; Schilder, 1974). Com o uso de instrumentos manuais de aço inoxidável, observa-se maior risco de eventos indesejáveis, como desvios, perfurações e formação de zips. Esses acidentes estão, em parte, relacionados à menor flexibilidade desses instrumentos, especialmente nos de maior diâmetro.
Na endodontia contemporânea, uma das principais revoluções foi a disseminação das técnicas de preparo automatizado, com o uso de sistemas que empregam limas rotatórias ou reciprocantes. Com o avanço tecnológico e metalúrgico, foram desenvolvidos sistemas com limas de níquel-titânio acionadas por motor, utilizando movimento de rotação contínua. Essa tecnologia representou um importante avanço, pois permite maior centralização do preparo no canal radicular, menor risco de transporte apical e redução do tempo operatório. Tais benefícios estão diretamente relacionados às propriedades da liga de níquel-titânio, que apresenta elevada flexibilidade, elasticidade e maior resistência à deformação plástica (Plotino et al., 2009).
Apesar dos avanços proporcionados pelos instrumentos rotatórios, como a redução do tempo de preparo e da incidência de desvios da trajetória original do canal, a ocorrência de fraturas instrumentais (separação do instrumento) permanece um problema relevante (Inan. 2009; McGuigan et al., 2013). Esse fator pode dificultar ou até comprometer o prognóstico do tratamento, dependendo de variáveis clínicas específicas. Além disso, as deformações acumuladas após o uso não são facilmente detectáveis por inspeção visual, tornando difícil prever a separação intracanal durante a prática clínica (Sattapan et al., 2000).
Com o objetivo de reduzir a incidência de fraturas, passou-se a indicar a criação de um glide path, definido como um trajeto livre e contínuo desde o orifício de entrada do canal até o forame apical, reduzindo o risco de fratura por torção dos instrumentos rotatórios (Madarati et al., 2008). Inicialmente, esse procedimento era realizado exclusivamente com instrumentos manuais de aço inoxidável e dependia da habilidade do operador, além de exigir mais tempo clínico. Atualmente, existem instrumentos mecanizados específicos para essa finalidade (Kirchhoff et al., 2015).
Com o desenvolvimento dos sistemas reciprocantes, um novo conceito foi introduzido no tratamento endodôntico, permitindo a realização do preparo com um único instrumento e, potencialmente, dispensando a etapa de glide path (De-Deus et al. 2013; Rodrigues et al. 2016). A instrumentação reciprocante foi inicialmente proposta com o uso de uma única lima rotatória (Protaper #F2, Dentsply Maillerfer, Ballaigues, Switzerland) acoplada a um motor com movimento reciprocante (Yared, 2008). Posteriormente, foi introduzida a liga M-Wire, submetida a tratamento térmico, que confere maior resistência à fadiga cíclica devido ao seu processo de fabricação (Shen et al., 2011).
Em 2011, foi lançado um sistema mecanizado baseado em movimento reciprocante assimétrico, inspirado no conceito de forças balanceadas de Roane. A lima Reciproc® (VDW dental, Munich, Germany), de níquel-titânio, apresenta cinemática de 150° no sentido anti-horário e 30° no sentido horário, com secção transversal em “S” e corte no sentido anti-horário. Nesse sistema, o fabricante não recomenda a realização prévia de glide path, diferentemente do que era amplamente indicado para sistemas rotatórios (De Deus et al. 2022).
A partir disso, diversos estudos avaliaram, tanto in vitro (DE DEUS et al., 2013, 2019) quanto in vivo (Bartols et al., 2017; Rodrigues et al., 2016; Zuolo et al., 2015), a possibilidade de preparo completo dos canais radiculares com instrumentos reciprocantes sem a confecção prévia do glide path. Os resultados foram, em certa medida, surpreendentes, demonstrando desempenho satisfatório e, em alguns casos, superior ao preparo com glide path manual para atingir o comprimento de trabalho, especialmente em canais como o MV2. Esses achados sugerem uma alternativa interessante para estudantes e clínicos menos experientes (Zuolo et al., 2015).
Diversos estudos têm investigado os índices de fratura em sistemas reciprocantes, indicando que sua ocorrência pode estar associada a fatores como anatomia do canal, grupo dentário, tipo de instrumento, número de usos e habilidade do operador (Gomes et al., 2021).
Mais recentemente, com base em relatos de clínicos experientes que utilizam o sistema Reciproc (VDW Dental, Munich, Germany), tem sido discutido o conceito de “feedback do instrumento R25”. O termo “feedback” refere-se à resposta a um determinado processo ou evento e, nesse contexto, descreve a capacidade do instrumento R25 de fornecer, em tempo real, informações ao operador sobre as condições do canal radicular. Em condições ideais, o instrumento avança progressivamente em direção ao ápice de forma suave e contínua até atingir o forame principal. No entanto, a interrupção desse avanço em determinado ponto do canal constitui um sinal de alerta que deve ser reconhecido pelo operador (DE DEUS et al., 2022).
Esse obstáculo pode indicar uma dificuldade técnica que aumenta o risco de separação do instrumento. Em outras palavras, o R25 estaria “sinalizando” a necessidade de intervenção adicional, como a criação de um glide path. Esse mecanismo de feedback é particularmente relevante, considerando que os instrumentos mecanizados de NiTi reduziram significativamente a sensibilidade tátil em comparação aos instrumentos manuais. Em situações de dificuldade no avanço apical, a alta velocidade de rotação pode impedir que o operador perceba, em tempo hábil, o risco de fratura e adote estratégias alternativas (DE DEUS et al., 2022).
Diante do exposto, o objetivo deste estudo é avaliar, por meio de microtomografia computadorizada (micro-CT), se existe um padrão anatômico do sistema de canais radiculares associado à ocorrência de feedback do instrumento R25 e a uma maior incidência de fratura desses instrumentos.
Este estudo se justifica pela possibilidade de predizer o risco aumentado de fratura de instrumentos reciprocantes a partir de características anatômicas identificadas previamente por tomografia, exame cada vez mais indicado em casos com maior complexidade anatômica.
Na endodontia contemporânea, uma das principais revoluções foi a disseminação das técnicas de preparo automatizado, com o uso de sistemas que empregam limas rotatórias ou reciprocantes. Com o avanço tecnológico e metalúrgico, foram desenvolvidos sistemas com limas de níquel-titânio acionadas por motor, utilizando movimento de rotação contínua. Essa tecnologia representou um importante avanço, pois permite maior centralização do preparo no canal radicular, menor risco de transporte apical e redução do tempo operatório. Tais benefícios estão diretamente relacionados às propriedades da liga de níquel-titânio, que apresenta elevada flexibilidade, elasticidade e maior resistência à deformação plástica (Plotino et al., 2009).
Apesar dos avanços proporcionados pelos instrumentos rotatórios, como a redução do tempo de preparo e da incidência de desvios da trajetória original do canal, a ocorrência de fraturas instrumentais (separação do instrumento) permanece um problema relevante (Inan. 2009; McGuigan et al., 2013). Esse fator pode dificultar ou até comprometer o prognóstico do tratamento, dependendo de variáveis clínicas específicas. Além disso, as deformações acumuladas após o uso não são facilmente detectáveis por inspeção visual, tornando difícil prever a separação intracanal durante a prática clínica (Sattapan et al., 2000).
Com o objetivo de reduzir a incidência de fraturas, passou-se a indicar a criação de um glide path, definido como um trajeto livre e contínuo desde o orifício de entrada do canal até o forame apical, reduzindo o risco de fratura por torção dos instrumentos rotatórios (Madarati et al., 2008). Inicialmente, esse procedimento era realizado exclusivamente com instrumentos manuais de aço inoxidável e dependia da habilidade do operador, além de exigir mais tempo clínico. Atualmente, existem instrumentos mecanizados específicos para essa finalidade (Kirchhoff et al., 2015).
Com o desenvolvimento dos sistemas reciprocantes, um novo conceito foi introduzido no tratamento endodôntico, permitindo a realização do preparo com um único instrumento e, potencialmente, dispensando a etapa de glide path (De-Deus et al. 2013; Rodrigues et al. 2016). A instrumentação reciprocante foi inicialmente proposta com o uso de uma única lima rotatória (Protaper #F2, Dentsply Maillerfer, Ballaigues, Switzerland) acoplada a um motor com movimento reciprocante (Yared, 2008). Posteriormente, foi introduzida a liga M-Wire, submetida a tratamento térmico, que confere maior resistência à fadiga cíclica devido ao seu processo de fabricação (Shen et al., 2011).
Em 2011, foi lançado um sistema mecanizado baseado em movimento reciprocante assimétrico, inspirado no conceito de forças balanceadas de Roane. A lima Reciproc® (VDW dental, Munich, Germany), de níquel-titânio, apresenta cinemática de 150° no sentido anti-horário e 30° no sentido horário, com secção transversal em “S” e corte no sentido anti-horário. Nesse sistema, o fabricante não recomenda a realização prévia de glide path, diferentemente do que era amplamente indicado para sistemas rotatórios (De Deus et al. 2022).
A partir disso, diversos estudos avaliaram, tanto in vitro (DE DEUS et al., 2013, 2019) quanto in vivo (Bartols et al., 2017; Rodrigues et al., 2016; Zuolo et al., 2015), a possibilidade de preparo completo dos canais radiculares com instrumentos reciprocantes sem a confecção prévia do glide path. Os resultados foram, em certa medida, surpreendentes, demonstrando desempenho satisfatório e, em alguns casos, superior ao preparo com glide path manual para atingir o comprimento de trabalho, especialmente em canais como o MV2. Esses achados sugerem uma alternativa interessante para estudantes e clínicos menos experientes (Zuolo et al., 2015).
Diversos estudos têm investigado os índices de fratura em sistemas reciprocantes, indicando que sua ocorrência pode estar associada a fatores como anatomia do canal, grupo dentário, tipo de instrumento, número de usos e habilidade do operador (Gomes et al., 2021).
Mais recentemente, com base em relatos de clínicos experientes que utilizam o sistema Reciproc (VDW Dental, Munich, Germany), tem sido discutido o conceito de “feedback do instrumento R25”. O termo “feedback” refere-se à resposta a um determinado processo ou evento e, nesse contexto, descreve a capacidade do instrumento R25 de fornecer, em tempo real, informações ao operador sobre as condições do canal radicular. Em condições ideais, o instrumento avança progressivamente em direção ao ápice de forma suave e contínua até atingir o forame principal. No entanto, a interrupção desse avanço em determinado ponto do canal constitui um sinal de alerta que deve ser reconhecido pelo operador (DE DEUS et al., 2022).
Esse obstáculo pode indicar uma dificuldade técnica que aumenta o risco de separação do instrumento. Em outras palavras, o R25 estaria “sinalizando” a necessidade de intervenção adicional, como a criação de um glide path. Esse mecanismo de feedback é particularmente relevante, considerando que os instrumentos mecanizados de NiTi reduziram significativamente a sensibilidade tátil em comparação aos instrumentos manuais. Em situações de dificuldade no avanço apical, a alta velocidade de rotação pode impedir que o operador perceba, em tempo hábil, o risco de fratura e adote estratégias alternativas (DE DEUS et al., 2022).
Diante do exposto, o objetivo deste estudo é avaliar, por meio de microtomografia computadorizada (micro-CT), se existe um padrão anatômico do sistema de canais radiculares associado à ocorrência de feedback do instrumento R25 e a uma maior incidência de fratura desses instrumentos.
Este estudo se justifica pela possibilidade de predizer o risco aumentado de fratura de instrumentos reciprocantes a partir de características anatômicas identificadas previamente por tomografia, exame cada vez mais indicado em casos com maior complexidade anatômica.
Metodologia
Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pelotas, serão coletados dentes molares superiores e inferiores extraídos. Para inclusão no estudo, os dentes serão radiografados nos sentidos mésio-distal, com auxílio de um sensor de radiografia digital (Schick CDR digital radiographic system; Dentsply Sirona, Charlotte, NC), e armazenados em solução de timol a 5% a 5 °C até o momento do experimento.
Como critérios de inclusão, os dentes deverão apresentar formação radicular completa, sem restrição quanto ao grau de curvatura, e possuir pelo menos um canal radicular com diâmetro compatível para o preparo endodôntico com o instrumento Reciproc R25. Essa seleção será realizada de acordo com as recomendações do fabricante, que orienta a escolha da lima com base em uma radiografia pré-operatória de boa qualidade. Quando a luz do canal apresentar-se parcial ou totalmente invisível na radiografia, o canal será considerado atrésico, sendo indicada a utilização da lima Reciproc R25.
Serão excluídos do estudo dentes com ápices abertos, previamente tratados endodonticamente, com presença de reabsorção interna ou externa, fraturas radiculares ou completamente calcificados.
A abertura coronária e o acesso aos canais radiculares serão realizados com pontas diamantadas esféricas 1016 e 1014 HL (KG Sorensen – Brasil) para acesso à câmara pulpar, e com broca Endo-Z (Dentsply/Maillefer – Ballaigues, Suíça) para o desgaste compensatório e refinamento do acesso. Após a abertura completa, a câmara pulpar será irrigada com 5 mL de hipoclorito de sódio a 2,5%.
Em seguida, os dentes serão montados em um aparato específico (IM Brasil; São Paulo, Brasil), que simula o alvéolo dentário. Esse dispositivo permite a utilização do localizador eletrônico foraminal (Root ZX; J. Morita USA Inc., Irvine, CA), aplicando-se leve pressão até atingir a marca “0.0”, a qual será considerada como o comprimento de trabalho, conforme ilustrado na Figura 1.
A modelagem do canal radicular será realizada por um especialista em Endodontia experiente, previamente treinado no uso do sistema Reciproc, utilizando o motor endodôntico Silver Reciproc VDW (VDW Dental, Munich, Germany), ajustado na configuração de fábrica “Reciproc ALL”. Cada instrumento será utilizado em apenas um dente e, posteriormente, descartado. Serão incluídos no estudo apenas os canais com diâmetro compatível com o uso da lima Reciproc R25.
Após irrigação inicial do canal radicular com 2 mL de hipoclorito de sódio (NaOCl) a 2,5%, o instrumento R25 será introduzido no canal até aproximadamente dois terços do comprimento do dente (avaliado radiograficamente), utilizando movimentos suaves de “bicada”, com amplitude máxima de 3 mm. Após três movimentos, o instrumento será removido, e suas espiras limpas com o auxílio de um tamborel. Na sequência, será realizada nova irrigação com 2 mL de NaOCl a 2,5% durante 1 minuto.
Posteriormente, será determinada a patência e o comprimento de trabalho com uma lima manual tipo K ISO #10, previamente pré-curvada, inserida no canal até atingir o comprimento de trabalho. Em seguida, o preparo será concluído com a lima reciprocante ao longo de toda a extensão de trabalho. A cada inserção do instrumento no canal, serão realizados procedimentos de irrigação e aspiração da solução irrigadora.
Ao final de cada preparo, o instrumento será inspecionado com auxílio de lupa estereoscópica, para identificação de possíveis deformações.
Para cada canal preparado, serão registrados os casos em que o operador identificar o feedback do instrumento R25. Também serão coletados dados referentes à ocorrência de deformação e fratura dos instrumentos.
Nos canais em que for identificado feedback do instrumento R25, bem como nos casos em que ocorrer deformação ou separação do instrumento (fratura), os espécimes serão armazenados e analisados por meio de microtomografia computadorizada de alta resolução (micro-CT, SkyScan 1173; Bruker micro-CT, Kontich, Belgium). A configuração radicular no terço apical será classificada por meio do valor da proporção (Filpo-Perez et al. 2015), obtido pela divisão entre o maior e o menor diâmetro da raiz. O valor correspondente aos 3 mm apicais será utilizado para classificar a configuração radicular em dois grupos (“< 2,00” e “≥ 2,00”), conforme Wu et al. (2000) (Figura 2).
Figura 2. Exemplos de proporções em seções transversais a 3 mm. Observa-se que a complexidade do sistema de canais radiculares apicais aumenta com o valor da relação de aspecto (Ordinola-Zapata et al. 2019).
Para cada raiz avaliada, serão selecionadas imagens perpendiculares ao longo eixo radicular, correspondentes a cortes axiais localizados a 1, 2, 3 e 4 mm do ápice anatômico.
Será registrada a presença de canais acessórios nessas secções, bem como a presença de istmos em cada corte. Os istmos, por definição, correspondem a comunicações estreitas, parciais ou completas, entre canais principais (Weller & Niemczyk 1995). Tanto os istmos quanto os canais acessórios serão classificados como presentes ou ausentes.
Calcificações pulpares serão identificadas quando o lúmen do canal estiver obliterado, apresentando densidade semelhante à dentina circundante nas secções transaxial e sagital. A frequência e a localização (terços cervical, médio ou apical) dessas calcificações serão registradas (Keles et al., 2022).
Adicionalmente, serão realizadas as seguintes mensurações: número de ramificações apicais do canal principal nos 0,5 mm apicais; comprimento radicular desde a junção amelocementária até o ápice anatômico; presença e localização de canais laterais (definidos como quaisquer canais adicionais com saída coronal aos 0,5 mm apicais); curvatura do canal radicular, mensurada pelo método de Pruett et al.; bem como a localização e a direção dessa curvatura.
Todas as avaliações serão realizadas por um único operador com experiência em análise por microtomografia. A confiabilidade intraexaminador para a avaliação da obliteração completa do lúmen do canal radicular será verificada por meio do coeficiente kappa de Cohen, adotando-se nível de significância de 5%.
Como critérios de inclusão, os dentes deverão apresentar formação radicular completa, sem restrição quanto ao grau de curvatura, e possuir pelo menos um canal radicular com diâmetro compatível para o preparo endodôntico com o instrumento Reciproc R25. Essa seleção será realizada de acordo com as recomendações do fabricante, que orienta a escolha da lima com base em uma radiografia pré-operatória de boa qualidade. Quando a luz do canal apresentar-se parcial ou totalmente invisível na radiografia, o canal será considerado atrésico, sendo indicada a utilização da lima Reciproc R25.
Serão excluídos do estudo dentes com ápices abertos, previamente tratados endodonticamente, com presença de reabsorção interna ou externa, fraturas radiculares ou completamente calcificados.
A abertura coronária e o acesso aos canais radiculares serão realizados com pontas diamantadas esféricas 1016 e 1014 HL (KG Sorensen – Brasil) para acesso à câmara pulpar, e com broca Endo-Z (Dentsply/Maillefer – Ballaigues, Suíça) para o desgaste compensatório e refinamento do acesso. Após a abertura completa, a câmara pulpar será irrigada com 5 mL de hipoclorito de sódio a 2,5%.
Em seguida, os dentes serão montados em um aparato específico (IM Brasil; São Paulo, Brasil), que simula o alvéolo dentário. Esse dispositivo permite a utilização do localizador eletrônico foraminal (Root ZX; J. Morita USA Inc., Irvine, CA), aplicando-se leve pressão até atingir a marca “0.0”, a qual será considerada como o comprimento de trabalho, conforme ilustrado na Figura 1.
A modelagem do canal radicular será realizada por um especialista em Endodontia experiente, previamente treinado no uso do sistema Reciproc, utilizando o motor endodôntico Silver Reciproc VDW (VDW Dental, Munich, Germany), ajustado na configuração de fábrica “Reciproc ALL”. Cada instrumento será utilizado em apenas um dente e, posteriormente, descartado. Serão incluídos no estudo apenas os canais com diâmetro compatível com o uso da lima Reciproc R25.
Após irrigação inicial do canal radicular com 2 mL de hipoclorito de sódio (NaOCl) a 2,5%, o instrumento R25 será introduzido no canal até aproximadamente dois terços do comprimento do dente (avaliado radiograficamente), utilizando movimentos suaves de “bicada”, com amplitude máxima de 3 mm. Após três movimentos, o instrumento será removido, e suas espiras limpas com o auxílio de um tamborel. Na sequência, será realizada nova irrigação com 2 mL de NaOCl a 2,5% durante 1 minuto.
Posteriormente, será determinada a patência e o comprimento de trabalho com uma lima manual tipo K ISO #10, previamente pré-curvada, inserida no canal até atingir o comprimento de trabalho. Em seguida, o preparo será concluído com a lima reciprocante ao longo de toda a extensão de trabalho. A cada inserção do instrumento no canal, serão realizados procedimentos de irrigação e aspiração da solução irrigadora.
Ao final de cada preparo, o instrumento será inspecionado com auxílio de lupa estereoscópica, para identificação de possíveis deformações.
Para cada canal preparado, serão registrados os casos em que o operador identificar o feedback do instrumento R25. Também serão coletados dados referentes à ocorrência de deformação e fratura dos instrumentos.
Nos canais em que for identificado feedback do instrumento R25, bem como nos casos em que ocorrer deformação ou separação do instrumento (fratura), os espécimes serão armazenados e analisados por meio de microtomografia computadorizada de alta resolução (micro-CT, SkyScan 1173; Bruker micro-CT, Kontich, Belgium). A configuração radicular no terço apical será classificada por meio do valor da proporção (Filpo-Perez et al. 2015), obtido pela divisão entre o maior e o menor diâmetro da raiz. O valor correspondente aos 3 mm apicais será utilizado para classificar a configuração radicular em dois grupos (“< 2,00” e “≥ 2,00”), conforme Wu et al. (2000) (Figura 2).
Figura 2. Exemplos de proporções em seções transversais a 3 mm. Observa-se que a complexidade do sistema de canais radiculares apicais aumenta com o valor da relação de aspecto (Ordinola-Zapata et al. 2019).
Para cada raiz avaliada, serão selecionadas imagens perpendiculares ao longo eixo radicular, correspondentes a cortes axiais localizados a 1, 2, 3 e 4 mm do ápice anatômico.
Será registrada a presença de canais acessórios nessas secções, bem como a presença de istmos em cada corte. Os istmos, por definição, correspondem a comunicações estreitas, parciais ou completas, entre canais principais (Weller & Niemczyk 1995). Tanto os istmos quanto os canais acessórios serão classificados como presentes ou ausentes.
Calcificações pulpares serão identificadas quando o lúmen do canal estiver obliterado, apresentando densidade semelhante à dentina circundante nas secções transaxial e sagital. A frequência e a localização (terços cervical, médio ou apical) dessas calcificações serão registradas (Keles et al., 2022).
Adicionalmente, serão realizadas as seguintes mensurações: número de ramificações apicais do canal principal nos 0,5 mm apicais; comprimento radicular desde a junção amelocementária até o ápice anatômico; presença e localização de canais laterais (definidos como quaisquer canais adicionais com saída coronal aos 0,5 mm apicais); curvatura do canal radicular, mensurada pelo método de Pruett et al.; bem como a localização e a direção dessa curvatura.
Todas as avaliações serão realizadas por um único operador com experiência em análise por microtomografia. A confiabilidade intraexaminador para a avaliação da obliteração completa do lúmen do canal radicular será verificada por meio do coeficiente kappa de Cohen, adotando-se nível de significância de 5%.
Indicadores, Metas e Resultados
Indicadores: frequência de ocorrência de feedback do instrumento Reciproc R25 durante o preparo dos canais; incidência de deformação e fratura dos instrumentos; características anatômicas dos canais radiculares avaliadas por micro-CT (curvatura, proporção apical da raiz, presença de istmos, canais acessórios, calcificações pulpares e ramificações apicais); e associação estatística entre essas características e os eventos de feedback ou fratura.
Metas: avaliar aproximadamente 300 molares humanos extraídos, registrar sistematicamente os casos de feedback, deformação e fratura do instrumento R25, realizar análises microtomográficas dos espécimes associados a esses eventos e identificar, por meio de regressão logística, os principais fatores anatômicos preditivos de fratura dos instrumentos reciprocantes.
Resultados esperados: espera-se demonstrar que canais radiculares com maior complexidade anatômica apresentam maior ocorrência de feedback do instrumento e maior risco de fratura durante o preparo sem glide path prévio. Além disso, espera-se identificar características anatômicas específicas capazes de predizer esses eventos, contribuindo para o aprimoramento do planejamento endodôntico, aumento da segurança clínica e redução da incidência de separação de instrumentos durante o tratamento endodôntico.
Metas: avaliar aproximadamente 300 molares humanos extraídos, registrar sistematicamente os casos de feedback, deformação e fratura do instrumento R25, realizar análises microtomográficas dos espécimes associados a esses eventos e identificar, por meio de regressão logística, os principais fatores anatômicos preditivos de fratura dos instrumentos reciprocantes.
Resultados esperados: espera-se demonstrar que canais radiculares com maior complexidade anatômica apresentam maior ocorrência de feedback do instrumento e maior risco de fratura durante o preparo sem glide path prévio. Além disso, espera-se identificar características anatômicas específicas capazes de predizer esses eventos, contribuindo para o aprimoramento do planejamento endodôntico, aumento da segurança clínica e redução da incidência de separação de instrumentos durante o tratamento endodôntico.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| CAROLINA CLASEN VIEIRA | 1 | ||
| FERNANDA GERALDO PAPPEN | 2 | ||
| FRANCINE CARDOZO MADRUGA | 1 | ||
| PEDRO COUTINHO XAVIER |