Nome do Projeto
O conteúdo da sociologia na rede pública de Pelotas: o que está sendo trabalhado com os jovens no ensino médio
Ênfase
ENSINO
Data inicial - Data final
06/05/2015 - 28/09/2015
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Humanas - Educação
Resumo
A lei 9.394/96 estabelece como uma das finalidades centrais do Ensino Médio a construção da cidadania do educando. Dessa forma, torna-se necessário abordar os conhecimentos sociológicos para a formação de um sujeito investigativo, que seja capaz de identificar e explicar os fatos relacionados à vida em sociedade. Nesse sentido, o educando de posse das teorias e conceitos das ciências sociais, poderá desenvolver uma compreensão da dinâmica complexa da sociedade em que vive. Assim sendo, a proposta que alicerça o presente projeto se apresenta como uma investigação dos conteúdos presentes nos planos de estudos da disciplina de sociologia, no ensino médio, nas escolas públicas, urbanas do município de Pelotas.

Objetivo Geral

Melhorar a compreensão da realidade do ensino da sociologia e das ciências sociais na região e no estado do Rio Grande do Sul, contribuindo para o debate e a formulação de políticas educacionais destinadas a melhorar a formação dos professores e a qualidade do ensino, sobretudo, o da sociologia.
Desenvolver atividades específicas de pesquisa junto às escolas da rede pública que possuem a sociologia como componente curricular para o diagnóstico e análise do conteúdo presente no plano de estudos da disciplina de sociologia no ensino médio.

Justificativa

A expansão do sistema escolar em todos os seus níveis (fundamental, médio e superior), a recente obrigatoriedade da sociologia no ensino médio, bem como a cristalização, durante os últimos sessenta anos, de um desenvolvimento econômico e industrial profundamente desigual em termos sociais e geográficos e de um processo de urbanização selvagem, impõem aos futuros professores de sociologia a definição de novos compromissos e responsabilidades. Não se trata mais de formar uma elite, mas de tornar as ciências sociais uma ferramenta eficiente e eficaz na constituição de uma sociedade mais equilibrada e justa socialmente, capaz de promover universalmente a cidadania e democratizar a produção e o acesso aos bens materiais e culturais produzidos coletivamente. A “consciência sociológica” tem, pois, um papel fundamental nesse processo de superação das mais diversas formas de exclusão, exploração e dominação.
Nesse sentido, a produção do conhecimento sociológico e, portanto, a realização da pesquisa social, continua sendo uma finalidade essencial e um dos núcleos da formação dos cientistas sociais. No entanto, tal finalidade tornou-se insuficiente, sendo urgente enfrentar mais diretamente o dilema dos “fins” dessa formação e dessa atividade profissional de pesquisa, colocando explicitamente o problema da aplicação desse conhecimento, das condições sociais de sua produção e das formas de diálogo com a sociedade.
Observa-se, hoje, um enorme contraste entre os projetos pedagógicos dos Cursos de Ciências Sociais e a formação profissional real. A profissionalização dos cientistas sociais tem se pautado, nas universidades brasileiras, pela formação de pesquisadores em um formato de tipo tradicional, de tal forma que os mesmos sejam capazes de levar adiante o processo de construção de conhecimento sobre a realidade social, sem uma preocupação prioritária com a ação e a intervenção, sem enfrentar a necessidade do diálogo com a sociedade. Este modelo, que, aliás, possui seus méritos, torna os Cursos de Ciências Sociais, em nível de graduação, uma espécie de formação inicial para a pós-graduação (mestrado e doutorado). Os egressos que não continuam sua formação de pesquisadores na pós-graduação não encontram oportunidades de trabalho, o que torna a formação um mero acessório, complemento ou diferencial “competitivo” na formação geral destes indivíduos que enfrentam um mercado de trabalho saturado de exigências em termos de “qualificação”.
As licenciaturas, por sua vez, ficaram, historicamente, em uma situação totalmente periférica, dado o fato de que o ensino da sociologia e das ciências sociais no ensino básico sempre ter sido restrito. Durante muito tempo, regimes autoritários baniram dos currículos escolares o ensino da sociologia e da filosofia. Tal fato bloqueou o processo de construção e apropriação do saber sociológico como instrumento de compreensão e intervenção sobre o mundo. Mais do que isso, tal processo freou o diálogo entre os cientistas sociais e a sociedade – aí compreendida a escola – inibindo as condições de uma comunicação livre e de um diálogo rico e proveitoso.
Além do mais, os cursos de ciências sociais como, aliás, a formação universitária de uma maneira geral e, sobretudo, humanística, tem tido dificuldade de romper com um modelo tradicional de educação e pedagogia que Paulo Freire definiu como uma “educação bancária”. Neste modelo, incapaz de centrar-se na pesquisa e na ação sobre o mundo como princípio pedagógico fundamental, o desafio é a transferência de informações do professor para o aluno, o que implica a reprodução de um modelo pedagógico autoritário, unilateral, baseado na dependência e na ausência de iniciativa e autonomia do aluno.
O fracasso desse modelo de formação é evidente aos olhos de todos, por uma série de razões que podem ser assim resumidas. O bom desempenho dos alunos depende muito mais de suas disposições intelectuais e culturais previamente adquiridas (boa formação no ensino básico, hábito de leitura, motivação ideológica e política) do que das condições de formação propriamente ditas. Estas exigem, em geral, um ”habitus” intelectual e de classe, nos termos definidos por Bourdieu, que a maior parte dos alunos não possui, tendo em vista a baixa qualidade do ensino humanista no ensino básico e a dificuldade da escola em estimular e desenvolver a reflexão crítica, a autonomia intelectual, a iniciativa, a pesquisa, a curiosidade, qualidades essenciais nas ciências sociais. Tais condições refletem-se também na formação dos licenciados que têm dificuldade de construir um modelo profissional alternativo para trabalhar os conteúdos das ciências sociais na escola, um modelo que não seja autoritário e que estimule a criatividade, o espírito crítico, a capacidade de iniciativa, a abertura à interdisciplinaridade, enfim, a autonomia na busca do conhecimento, sem perda de qualidade no tratamento dos conteúdos.
A constituição desse outro modelo exige que se desloque o processo pedagógico e a formação, atualmente centrados nos “conteúdos” - freqüentemente muito abstratos - para os “sujeitos” do conhecimento (os professores, os alunos) e seus contextos sociais e culturais. Trata-se, enfim, de valorizar as experiências de mundo dos sujeitos sociais para, a partir delas, colocar-se o problema da construção do conhecimento. Tais desafios estão colocados hoje através dos Parâmetros Curriculares Nacionais e das Diretrizes Curriculares das formações de cientistas sociais (bacharéis e licenciados).
Neste sentido, a partir dos princípios acima levantados e enunciados no projeto pedagógico do Curso de Ciências Sociais, este projeto pretende construir novas alternativas de formação e qualificação dos licenciados em ciências sociais, identificando e implementando novas práticas pedagógicas e políticas no interior da universidade e na relação com a escola e com a sociedade. Sem abandonar e mesmo reforçando o compromisso da Universidade Pública de articulação entre ensino, pesquisa e extensão, pretende-se colocar o aluno no centro do processo pedagógico, de tal forma que a pesquisa e a ação sobre a realidade possam constituir-se como princípios fundamentais a partir dos quais o trabalho docente se constrói e se desenvolve. Nestes termos, o trabalho de ensino-aprendizagem apresenta-se como atividade de produção cultural e de produção de novos conhecimentos a partir de um processo de problematização da realidade social e, no caso da ciências sociais, de relação com os atores sociais concretos (instituições, movimentos, grupos sociais e culturais, políticas públicas, etc.) e seus dilemas sociais e culturais.
As ações deste subprojeto serão realizadas e construídas na relação com quatro escolas da rede pública estadual de ensino médio, já integradas ao projeto PIBID da UFPel desde o ano passado, conforme especificado no item 5 deste subprojeto. Essas ações podem ser divididas em três tipos: 1) As Ações Gerais e 2) As Ações Interdisciplinares, já especificadas no projeto geral, e 3) As Ações Específicas, detalhadas neste subprojeto.
Estas ações estarão centradas na qualificação da formação dos professores de sociologia, segundo os princípios enunciados acima. Para atingir tal finalidade, os alunos bolsistas participarão ativamente das Ações Gerais e das Ações Interdisciplinares, contribuindo para as mesmas a partir do aporte das ciências sociais. Neste sentido, estarão compondo o projeto tanto atividades de estudo, leitura e formação dos bolsistas, como atividades de pesquisa da realidade escolar e do processo de ensino-aprendizagem e atividades de produção de materiais pedagógicos e de produção cultural. Todas estas atividades serão conduzidas visando à integração de alunos e professores das escolas e dialogando com as demais áreas que compõem este projeto. Os alunos bolsistas da área de ciências sociais que compõem este projeto trabalharão de forma integrada com os demais bolsistas das outras áreas de conhecimento nas quatro escolas, em grupos que poderão ser alternados, de tal forma que consigam construir uma relação orgânica com a vida e o espaço escolar e com as pessoas que o compõem. O espaço escolar é, pois, um “locus” fundamental da formação desses futuros professores.

Metodologia

O desenvolvimento desse projeto de ensino será por meio da análise de documento "o plano de estudos da disciplina de sociologia", a ser desenvolvido nos meses de abril a setembro de 2015. Os envolvidos no projeto deverão cruzar as informações presentes no plano de estudos com as orientações que constam nos documentos oficiais que servem de parâmetro para o planejamento do projeto político pedagógico escolar.

O planejamento das ações prevê leitura e debate sobre os documentos oficiais: LDB, PCNs, bem como textos referentes a história da disciplina de sociologia na educação básica.

- A equipe deverá levantar o quantitativo de escolas, na área urbana, que possuem sociologia em seu currículo;

- Producão de relatórios sobre análise dos planos de estudos da disciplina de sociologia no ensino médio.

Resultados Esperados

A proposta pretende qualificar o processo de formação teórica e bibliográfica do envolvidos no projeto, ampliando o acesso à literatura e à legislação educacional pertinente.
O projeto visa contribuir para uma melhor compreensão da realidade do ensino de sociologia nas escolas, de forma que possibilite estabelecer o intercâmbio de experiências bem sucedidas entre as escolas investigadas. Nesse sentido, a meta é de contribuir para a construção de uma cultura da troca, da parceria da solidariedade entre as instituições de ensino e professores de sociologia. Os resultados esperados quanto a formação inicial, nos alunos da licenciatura, é de proporcionar estímulos a uma formação que dialogue com a realidade na qual estarão, em breve, se inserindo enquanto docentes.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXANDRE SILVEIRA VERGARA406/05/201528/09/2015
ANA CRISTINA PORTO FABRES406/05/201528/09/2015
ANDREZA GONÇALVES DOS SANTOS406/05/201528/09/2015
BRUNA DA ROSA BERWALDT406/05/201528/09/2015
BRUNA GABRIELE DOS ANJOS JARDIM406/05/201528/09/2015
CARLOS GUILHERME MADEIRA406/05/201528/09/2015
CARLOS WILLIAN SCHNAVANZ SALGADO406/05/201528/09/2015
CARMELITA DILLI DAVID406/05/201528/09/2015
DENER ANDRADE RAYMUNDO406/05/201528/09/2015
ELAINE AMARAL DA COSTA406/05/201528/09/2015
EMERSON OLIVEIRA RODRIGUES406/05/201528/09/2015
GABRIELA PEIXOTO DE OTERO406/05/201528/09/2015
GISÉLIA BARBOSA FERREIRA406/05/201528/09/2015
IGOR POLETTI406/05/201528/09/2015
IVONICE CARDOSO DOS ANJOS406/05/201528/09/2015
JESSICA PINTO BRAGA RIBEIRO406/05/201528/09/2015
JÚNIOR HENRIQUE SILVEIRA KERBER406/05/201528/09/2015
LEON MCLOUIS BORGES DE LUCAS406/05/201528/09/2015
LETICIA DE AVILA PEREIRA406/05/201528/09/2015
MARCUS VINICIUS BALESTRO406/05/201528/09/2015
MARIA ANGÉLICA XAVIER DIAS406/05/201528/09/2015
MARIA ANTONIETA CONCEIÇÃO GOMES406/05/201528/09/2015
MARIELE AFONSO DOMINGUES406/05/201528/09/2015
MARTA COIMBRA MULLER406/05/201528/09/2015
OLGA SALETE NEUTZLING406/05/201528/09/2015
PATRÍCIA FERREIRA DA SILVA406/05/201528/09/2015
RAFAELA CARDOSO DA FONSECA406/05/201528/09/2015
RENATA FERREIRA COELHO PEREIRA406/05/201528/09/2015
RENATA VIEIRA RODRIGUES SEVERO406/05/201528/09/2015
RODRIGO BOLDT FONSECA406/05/201528/09/2015
SAMIRA MARQUES DA SILVEIRA406/05/201528/09/2015
SANDRA MARIA SILVEIRA ECHEVERRY FEIJÓ406/05/201528/09/2015
SERGIO LUIZ TAVARES ACOSTA406/05/201528/09/2015
TAINÁ MELO SILVEIRA406/05/201528/09/2015
TAVANE DE MORAES KRAUSE406/05/201528/09/2015
THAIS TANHOTE DE FREITAS406/05/201528/09/2015
TIAGO DA LUZ DE ARAUJO406/05/201528/09/2015
Thales Pedroso Moraes406/05/201528/09/2015
VERA LUCIA DOS SANTOS SCHWARZ606/05/201528/09/2015
VERONICA FLOOR DAS NEVES406/05/201528/09/2015
VICTOR DE BEIJA GOSSLER406/05/201528/09/2015
VINICIUS OLIVEIRA FARINA406/05/201528/09/2015
VIRGINIA OLIVEIRA BORGES406/05/201528/09/2015
Vivian Pastorini Torchelsen406/05/201528/09/2015
WALESKA KAUL DE SOUZA406/05/201528/09/2015

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