Nome do Projeto
Avaliação do papel da leptina na depressão: perfil bioquímico e molecular em humanos e em modelo animal
Ênfase
PESQUISA
Data inicial - Data final
01/05/2013 - 02/05/2015
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Biológicas - Farmacologia - Farmacologia Bioquimica e Molecular
Resumo
Os transtornos do humor (TH) compreendem um conjunto de doenças psiquiátricas que acometem cerca de 12,8% da população mundial, e são classificados em transtornos unipolares (transtornos depressivos) e transtornos bipolares (transtorno maníaco depressivo) (Tadic et al, 2011). A depressão é caracterizada por humor deprimido e perda de interesse ou prazer nas atividades diárias, geralmente acompanhadas de mudança de peso, distúrbios do sono, fadiga, deficiência física e capacidade diminuída de concentração. O transtorno bipolar (TB), por sua vez, caracteriza-se clinicamente pela alternância entre estados de humor depressivo e de humor maníaco (tipo I) ou hipomaníaco (tipo II). O TB tipo I tem uma prevalência de cerca de 1% na população, enquanto o TB tipo II afeta cerca de 5% da população total (Tadic et al., 2011). Os critérios para o diagnóstico dos transtornos de humor são subjetivos e consistem basicamente na observação clínica dos sintomas, altamente variáveis e muitas vezes contrastantes. Assim, dificuldades no diagnóstico e tratamento estão principalmente relacionadas à ausência de um melhor conhecimento das bases biológicas e etiologia destas doenças, associada a uma ausência de marcadores biológicos com valor preditivo ou diagnóstico (Branchi e Schmidt, 2001). Nas ultimas décadas a obesidade tornou-se um grave problema de saúde pública, afetando mais de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a prevalência de obesidade chega a 10%, e, conforme projetado pela Organização Mundial da Saúde poderá alcançar 25% da população no ano 2025 (Kopelman, 2000). A obesidade ocorre por uma combinação de múltiplos fatores genéticos e ambientais, contudo, dietas altamente energéticas representam o principal fator epidemiológico de predisposição a esta doença (Galgani e Ravussin, 2008). Enquanto as complicações metabólicas e cardiovasculares decorrentes da obesidade estão bastante elucidadas, seu efeito na predisposição a distúrbios psiquiátricos permanece pouco estudado. A associação positiva entre depressão e obesidade tem sido demonstrada, entretanto, os mecanismos envolvidos ainda não estão estabelecidos (Markowitz et al., 2008). Atualmente, hormônios secretados pelo tecido adiposo têm sido relacionados como os principais elos entre alterações metabólicas e a predisposição aos transtornos de humor. Evidências sugerem que vários hormônios peptídeos envolvidos no controle do apetite e metabolismo também são capazes de modular processos emocionais (Olszanecka-Glinianowicz et Al., 2009; Trayhurn et al., 2005a,b). A leptina, hormônio secretado pelo tecido adiposo, liga-se a receptores hipotalâmicos específicos atuando principalmente no controle da saciedade e aumento da taxa metabólica corporal. Dados da literatura têm revelado que variações nos níveis séricos de leptina ou a resistência ao hormônio podem contribuir para a vulnerabilidade à depressão (Gecici et al., 2005; Jow et al., 2005; Kraus et al.; 2001; Pasco et al., 2008). Estudos em modelos animais demonstraram ainda, que ratos expostos ao estresse crônico apresentam redução nos níveis de leptina e alterações comportamentais compatíveis ao quadro depressivo, os quais foram revertidos pela administração intraperitoneal de leptina (Lu et al., 2006). Do ponto de vista epidemiológico, o papel da leptina nos TH ainda não está claro, ocorrendo estudos onde a depressão está associada a níveis elevados deste hormônio, outros demonstrando uma redução ou mesmo falta de associação entre os níveis de leptina e os sintomas psiquiátricos (Esel et al., 2005; Taylor et al., 2010). A leptina possui um papel fundamental na comunicação bidirecional entre o tecido adiposo, o eixo hipotálamo-hipofise-adrenal (HPA) e o sistema límbico. A hiperatividade prolongada do eixo HPA, presente em um grande número de pacientes deprimidos, está implicada na redução dos níveis plasmáticos de leptina. Além disso, tanto a insuficiência de leptina quanto a resistência ao hormônio parecem contribuir para alterações do humor, embora seu mecanismo ainda seja desconhecido (Yamada et al., 2011). Evidências têm apontado para um papel da leptina na depressão associada à obesidade devido a um possível quadro de resistência à leptina, prejuízo no seu transporte através da barreira hematoencefálica ou ainda função reduzida dos seus receptores (Liu et al., 2010; Lu, 2007; Münzberg e Myersi, 2005; Yamada et al., 2011). Nesta perspectiva, embora os dados sejam ainda controversos, a leptina parece desempenhar um papel importante na fisiopatologia dos TH, podendo representar o elo de ligação entre distúrbios metabólicos e psiquiátricos. Assim, o presente trabalho tem como objetivo investigar a relação entre a leptina e os TH com uma abordagem clinica e pré-clinica, utilizando pacientes com depressão e transtorno bipolar e um modelo animal de depressão induzida por uma dieta rica em gorduras. Assim, a comparação dos resultados obtidos através destas duas estratégias busca contribuir para o avanço no conhecimento dos mecanismos envolvidos na etiologia dos TH associados à obesidade, neuropatologias com alta incidência e prevalência no Brasil e no mundo. Esse conhecimento proporcionará uma busca de estratégias na modulação do sistema nervoso central, quer seja por prevenção e/ou por abordagens farmacológicas para novos tratamentos que auxiliem na melhora dos sintomas.

Objetivo Geral

O presente projeto tem como objetivo conectar o metabolismo periférico ao sistema nervoso central, buscando investigar o envolvimento do hormônio secretado pelo tecido adiposo, leptina, nos transtornos de humor em modelos clínicos e pré-clínicos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
05
10
10
10

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
CAPESR$ 2.000,00

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