Nome do Projeto
O MODELO CONTEMPORÂNEO DE ÉTICA DAS VIRTUDES DE ROSALIND HURSTHOUSE
Ênfase
PESQUISA
Data inicial - Data final
02/05/2013 - 03/05/2015
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas - Filosofia - Ética
Resumo
A partir da segunda metade do século XX, é possível identificar a retomada de uma abordagem em filosofia moral que foi proeminente no mundo antigo, sobretudo em Aristóteles, mas também em Platão e nos estoicos, e que foi largamente ignorada na modernidade pelas éticas peculiares desse período, seja a deontologia, seja o utilitarismo. Trata-se do que em nossos dias é designada por “ética das virtudes”. O texto inaugural do renovado interesse por uma ética baseada nas virtudes é o artigo de Elizabeth Anscombe (1958), “Moral modern philosophy”. Em seu artigo, Anscombe coloca duras críticas às duas tradições éticas advindas da filosofia moral moderna e faz um chamado para a retomada à tradição grega, sobretudo a Platão e Aristóteles, particularmente enfatizando conceitos como, caráter, virtude, florescimento e felicidade, fornecidos por essa tradição. Ademais, enfatizou a importância das emoções e da compreensão da psicologia moral. O diagnóstico e a critica de Anscombe, bem como seu apelo em resgatar uma abordagem em ética centrada nas virtudes, contribuíram para modificar o cenário das discussões em filosofia moral e impulsionaram o interesse pela ética das virtudes. O apelo produzido por Anscombe repercutiu em inúmeros filósofos aderiram uma abordagem baseada nas virtudes. O primeiro impacto é registrado através das obras de autores, tais como: MacIntyre (1984), Foot (1978), McDowell (1979), Baier (1985), Annas (1993) e muitos outros, que contribuíram de alguma maneira para expansão e o reconhecimento da ética das virtudes. Muitos desses nomes constituem o que denomino a “a primeira etapa” de eticistas das virtudes. No curso de seu desenvolvimento, “segunda etapa”, a ética das virtudes incorpora uma extensa literatura de eticistas das virtudes, tais como: Hursthouse (1999), Slote (1992 e 2001), Swanton (2003), Hurka (2001), Driver (2001), Hooft (2006) entre outros. Nesta etapa o objetivo central é consolidar a ética das virtudes como uma teoria suficientemente capaz de figurar e rivalizar com as outras duas grandes abordagens (utilitarismo e deontologia). No entanto, assim como o utilitarismo e a deontologia, a ética das virtudes não guarda uma unidade no campo, ao contrário, contém distintas e variadas versões. Por um lado, há aproximações de cunho genuinamente neo-aristotélico., como é o caso de Rosalind Hursthouse. Por outro lado, temos abordagens não neo-aristotélicas cujas inspirações podem ser encontradas em Platão, Hume e Nietzsche, entre outros. Este é o caso, por exemplo, das versões propostas por Michael Slote (2001) – baseada no agente; e Christine Swanton (2003) – visão pluralista. Dentre as diferentes tipologias de ética das virtudes o presente projeto toma como objeto de análise modelo eudaimonista proposto por Rosalind Hursthouse principalmente, mas não exclusivamente, em sua obra On Virtue Ethics. Na primeira parte da obra Hursthouse sustenta que a ética das virtudes constitui-se, com plenos direitos, em uma teoria normativa suficientemente potente para ser uma rival genuína do utilitarismo e da deontologia. Ela deve, então, responder como a ética das virtudes pode fornecer um guia de ação (action-guidance) tal como fazem o utilitarismo e a deontologia. Além disso, precisa tratar do problema da “não codificabilidade” (uncodifiability) e do “problema do conflito” que pesam contra a ética das virtudes. Na segunda parte da obra, a autora aborda as noções de “emoção” e “motivação moral”, e deve responder a questão: o que está envolvido em fazer alguma coisa porque é correto? Por fim, na terceira parte, Hursthouse trata acerca do naturalismo que envolve a ética das virtudes e de como a objetividade da Ética é abordada na ética das virtudes. E, necessita dar conta de se as virtudes éticas têm recursos para determinar objetivamente o que são as virtudes humanas.

Objetivo Geral

Objetivo Geral:
Analisar o modelo eudaimonista de ética das virtudes proposto por Rosalind Hursthouse principalmente, mas não exclusivamente, na obra On Virtue Ethics com a intenção de verificar seu potencial para ser uma teoria normativa genuinamente rival ao utilitarismo e a deontologia e suas possíveis contribuições para a retomada contemporânea de uma ética baseada nas virtudes.
Objetivos Específicos:
- revisar as fontes teóricas cuja contribuição é relevante para o debate contemporâneo acerca da ética das virtudes, tais como Aristóteles, Anscombe, MacIntyre, Foot, Slote, Hurka, Swanton;
- identificar a estrutura que caracteriza o modelo eudaimonista de Hursthouse;
- analisar as noções relevantes utilizadas pela autora, tais como, virtude, florescimento, felicidade, motivação, educação moral, entre outras;
- indicar quais as contribuições da obra de Hursthouse tanto para a consolidação da ética das virtudes quanto para as objeções que pesam contra as éticas baseadas na s virtudes.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final

Página gerada em 27/10/2020 03:53:11 (consulta levou 0.108716s)