Nome do Projeto
GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS DO COMPLEXO GABRÓICO DO DOMÍNIO CANINDÉ, FAIXA SERGIPANA, SE.
Ênfase
PESQUISA
Data inicial - Data final
02/01/2012 - 02/01/2014
Unidade de Origem
Área CNPq
Ciências Exatas e da Terra - Geociências - Geologia
Resumo
Enfatizo que o plano de trabalho tem auxílio financeiro por fazer parte do Projeto aprovado pelo orientador no edital Universal, Processo: 484694/2011-1. Introdução A Faixa Sergipana, um cinturão de rochas dobradas que ocorre na porção sul da Província Borborema, foi formada pela colisão do Bloco Pernambuco-Alagoas (PEAL) com o Cráton São Francisco, durante a orogênese Brasiliana-Pan-Africana. A região é composta por domínios lito-estruturais, dentre os quais se destaca o Domínio Canindé, objeto deste estudo. O Domínio Canindé é constituído por rochas metavulcânicas e metavulcanossedimentares, intrudidas por um complexo gabróico e granitos diversos. O complexo gabróico é composto por rochas máficas-ultramáficas como gabros, gabronoritos, noritos, anortositos, troctolitos e peridotitos de modo maciço e acamadado. O principal objetivo deste trabalho envolve a cartografia e caracterização geoquímica do complexo gabróico através de mapeamento de campo, amostragem, análises petrográficas, litogeoquímicas e metalogenéticas. Os dados permitirão avançar no conhecimento sobre a evolução geológica regional, bem como sobre sua potencialidade econômica, visto que intrusões acamadadas são reconhecidas como hospedeiras de importantes depósitos de minérios metálicos como cobre, níquel e elementos do grupo da platina. Este potencial econômico é apoiado por exemplos de jazidas mundiais de contexto geológico similar ao “Complexo Canindé”, como Skaergaard (Groelândia - Toleiítico) e Pechenga (Rússia - contaminação crustal), além de depósitos nacionais como de Porto Nacional, na Província Tocantins e dos depósitos na Província Borborema de Barro Vermelho em Pajeú-Paraíba, e o depósito Serrote da Laje em Alagoas, próximo a área de estudo do projeto. Ia. Localização geográfica do município sede do projeto: Canindé de São Francisco, Estado de Sergipe. Localiza-se a 213 km da capital. Faz limite com os seguintes municípios: Poço Redondo em território sergipano. Delmiro Gouveia em território alagoano. Paulo Afonso, Santa Brígida e Pedro Alexandre em território baiano. Ib. CONTEXTO REGIONAL A Faixa Sergipana é uma das mais importantes unidades geotectônicas do nordeste do Brasil, sendo um orógeno chave para a reconstrução de parte da história da porção oeste do Supercontinente Gondwana (p.ex. Allard & Hurst, 1969; Brito Neves e colaboradores, 1978; Trompette, 1997), mas sua cronologia, duração, evolução geotectônica, correlação estratigráfica e mecanismos de amalgamação são ainda pouco entendidos. A denominada faixa sergipana é dividida em seis domínios litoestratigráficos Canindé, Poço Redondo, Marancó, Macururé, Vaza Barris e Estância (p.ex. Santos e Souza, 1988), sendo as três primeiras formadas predominantemente por rochas plutônicas, vulcânicas e sedimentares, enquanto as três últimas de rochas sedimentares (fig. 2). A evolução geotectônica da Faixa Sergipana foi interpretada, entre outras propostas, como uma colagem de domínios litoestratigráficos (Davison & Santos, 1989) ou como um cinturão dobrado Neoproterozóico produzido pela inversão de uma bacia de margem passiva a nordeste da antiga placa São Francisco (D’el-Rey Silva, 1999). Recentemente, congregando vários dados geocronológicos, litogeoquímicos e mapeamento estrutural, Oliveira e colaboradores (2010), sugerem uma evolução a partir de um arco continental Mesoproterozóico (~980 Ma) –orogênese Cariris Velho -, representado por gnaisses tonalíticos do Domínio Poço Redondo desenvolvido na margem do Bloco PEAL Paleoproterozóico. A partir desse arco continental segue-se: a) granitos crustais tipo A e rochas sedimentares asociadas na margem rifteada dos Domínios Poço Redondo-Maranco; b) sequência de rifte Canindé entre o PEAL e os Domínios Poço Redondo-Maranco; c) margem passiva no limite sul do PEAL em que sedimentos depositam-se após 900 Ma; d) uma segunda margem passiva na margem do Cráton São Francisco. A convergência do PEAL e CSF levaram a deformação das margens passivas e o alojamento de diversos corpos graníticos de idades neoproterozóicas. Logo após a exumação do PEAL e Domínios Canindé, Poço Redondo, Marancó e Macururé ao norte, foram depositados sedimentos clásticos dos domínios Estância e Vaza Barris ao sul. Ic. O DOMÍNIO CANINDÉ É o domínio mais setentrional da Faixa Sergipana, constituindo um cinturão de direção NW-SE, paralela ao rio São Francisco. O Domínio Canindé é separado do Domínio Poço Redondo pela zona de cisalhamento (zc) Mulungu-Alto Bonito (conforme Seixas e Moraes, 2000), a qual é uma extensão da zc Macururé no centro da Faixa Sergipana, deslocada em vários pontos por falhas transcorrentes sinistrais transversais, de direção NE-SW. O metamorfismo é de fácies xisto-verde a anfibolito (Santos e colaboradores, 2001). O Domínio Canindé é constituído pelas seguintes unidades litológicas, conforme Nascimento e colaboradores (2005): (1) unidade Novo Gosto-Mulungu composta por anfibolitos intercalados com pelitos, siltitos, cherts, grafita-xisto e mármores, intrudidos por diques máficos e félsicos, granitos e gabros ricos em Fe-Ti; (2) unidade Garrote representada por um granito fortemente deformado intrusivo na unidade Novo Gosto-Mulungu; (3) unidade Gentileza constituída de anfibolitos e dioritos intercalados com quartzo-monzonito e pequenos corpos gabróicos e doleritos; (4) Complexo gabróico Canindé composto por gabros maciços e acamadados com olivina-gabronorito, leucogabro, anortosito, troctolito, gabro pegmatítico, norito e peridotitos. Estas unidades são intrudidas por granitos, granodioritos e granitos rapakivi. O contexto geotectônico do Domínio Canindé é controverso desde a década de 70, quando Silva Filho (1976) interpretou o domínio como ofiolito. Posteriormente Jardim de Sá (1986) sugere um arco de ilha, enquanto Bezerra e colaboradores (1991), um arco magmático e Nascimento (2005) propõe uma evolução a partir de uma seqüência rifte continental de idade Neoproterozóica. Os dados geocronológicos até o momento indicam uma evolução do Domínio entre 963 Ma, pelo método Pb-Pb para mármores associados com anfibolitos da unidade Novo Gosto a 640 Ma do granito rapakivi da unidade Gentileza (U/Pb SHRIMP), conforme Nascimento (2005) e Oliveira e colaboradores (2010). Id. COMPLEXO GABRÓICO CANINDÉ: também denominado de Suíte intrusiva Canindé (Silva Filho e colaboradores, 1977), apresentam suas melhores exposições, segundo Santos e colaboradores (2001), ao longo das estradas Poço Redondo - Canindé do São Francisco e Poço Redondo-Curralinho, e ao longo do rio Jacaré e riacho Santa Maria. O complexo gabróico Canindé apresenta grande variedade composicional, onde são identificados gabros, noritos, micrograbos, olivina gabros, leucogabros, anortositos, troctolitos e rochas ultramáficas, por vezes com texturas de cumulus e intercumulus, indicativas de processos de diferenciação magmática (Silva Filho e colaboradores, 1977). As paragêneses dessas rochas indicam metamorfismo de fácies anfibolito, com retrometamorfismo localizado para a fácies xisto-verde. Os gabros, principalmente as variedades de granulação fina, ocorrem dominantemente na periferia do corpo principal, e os leucogabros de granulação grossa são mais freqüentes na região a noroeste de Poço Redondo, nos arredores do riacho Santa Maria. Também ocorrem leucogabros com olivina e augita ao longo da estrada Poço Redondo-Canindé do São Francisco, além de diques de gabro e diabásio, descritos na região de Curralinho, a nordeste de Bonsucesso (Santos e colaboradores, 2001). Os troctolitos ocorrem sob a forma de bolsões, intimamente relacionados aos leucogabros. Santos & Souza (1988) observaram as principais ocorrências de sulfetos de Cu e Ni que estão associadas a esses litotipos. Vale registrar, também, a presença de níveis de concentrações de Fe e Ti próximas ao contato sul do maciço principal. Ie. JUSTIFICATIVAS Então os pressupostos que justificam esse projeto são: 1. O conhecimento geológico da área é ainda incipiente, resultado de levantamentos regionais e integrações nas escalas 1:250.000 e 1:500.000, e algumas áreas objetos de dissertações e teses de mestrado e doutorado, com enfoque principal na evolução petrogenética de granitos brasilianos. 2. As principais unidades litoestratigráficas descritas na área são alvos de controvérsias quanto aos seus respectivos patrimônios litológicos, limites e evolução geológica. Trabalho de doutoramento (Nascimento, 2005) demonstrou a complexidade da área na cartografia das associações litológicas do domínio Canindé, assim como dos complexos gabróicos e graníticos intrusivos neoproterozóicos. 3. Em termos de potencial metalogenético, pode-se ressaltar que os complexos intrusivos acamadados são potenciais fontes de mineralizações de Cu-Ni, Elementos do Grupo da Platina (EGP), além dos gabros associados conter Fe-Ti-V. Este potencial econômico é apoiado por exemplos de jazidas mundiais como Skaergaard (Groelândia - Toleiítico) e Pechenga (Rússia - contaminação crustal), além do depósito de Porto Nacional, na Província Tocantins e dos depósitos na Província Borborema de Barro Vermelho em Pajeú-Paraíba, e o depósito Serrote da Laje em Alagoas, próximo a área de estudo do projeto. 4. Por fim, esse projeto compreenderá o treinamento de estudantes de iniciação científica (IC), encaminhando os futuros trabalhos de conclusão de curso de graduação, apresentação de trabalhos em eventos científicos e publicações em periódicos nacionais e internacionais. Todos os trabalhos científicos terão os nomes dos envolvidos no trabalho, desde o orientador ao aluno de IC, o que trará claros benefícios ao(s) professor (es), aluno (s) envolvido (s), e, consequentemente, Universidade e curso de Engenharia Geológica.

Objetivo Geral

 Dotar a área de uma cartografia atualizada, utilizando geotecnologias, com a escala proposta (1:100.000 em áreas-chave do Domínio Canindé e 1:25.000 em áreas alvo do complexo gabróico Canindé), caracterizando as unidades cartografadas;
 melhor entendimento da evolução geológica com a caracterização litogeoquímica especialmente do complexo intrusivo máfico-ultramáfico Canindé;
 Caracterização dos recursos minerais e contribuição do potencial metalogenético do complexo gabróico Canindé.
Outro ponto importante é o desenvolvimento do aprendizado de estudantes na área de pesquisa científica e prática do curso de Engenharia Geológica da UFPEL.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
WESLLEN MORAES VÖLZ1201/08/201331/07/2014

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
CNPqR$ 16.900,00

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