Nome do Projeto
Avaliação da eletroquimioterapia com bleomicina e com cálcio no tratamento de neoplasias: estudo in vivo em medicina veterinária
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
31/10/2025 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
As neoplasias figuram entre as principais causas de morbidade e mortalidade em pequenos animais, sendo a cirurgia o tratamento de escolha na maioria dos casos. Contudo, em tumores irressecáveis ou de difícil acesso cirúrgico, abordagens terapêuticas alternativas tornam-se necessárias. A eletroquimioterapia (EQT) é uma técnica que associa a aplicação de pulsos elétricos de alta voltagem à administração de quimioterápicos, como a bleomicina, promovendo a permeabilização da membrana celular por eletroporação e aumentando a eficácia citotóxica local. Essa técnica tem se mostrado promissora por ser minimamente invasiva, apresentar baixa toxicidade sistêmica e permitir preservação dos tecidos adjacentes. Recentemente, estudos na medicina humana têm explorado a substituição do quimioterápico por cloreto de cálcio, procedimento conhecido como eletroporação com cálcio (CaEP), que se destaca por seu baixo custo, fácil acesso e toxicidade mínima, mantendo resultados terapêuticos comparáveis aos da EQT convencional. O presente projeto tem como objetivo comparar a eficácia da eletroquimioterapia com bleomicina e da eletroporação com cálcio no tratamento de neoplasias cutâneas espontâneas de cães. Serão incluídos 40 animais atendidos pelo Serviço de Oncologia do Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas, diagnosticados histopatologicamente com tumores sólidos de até 3 cm de diâmetro e cuja indicação terapêutica seja a eletroporação. Os cães serão distribuídos aleatoriamente em dois grupos: o Grupo EQT (n=20), tratado com bleomicina intravenosa (15.000 UI/m²), e o Grupo CaEP (n=20), tratado com cloreto de cálcio intratumoral (168 mM, 0,5 mL/cm³). Em ambos os grupos, a eletroporação será realizada sob anestesia geral, com aplicação de pulsos elétricos de 600 V e 5 Hz, utilizando probe de seis agulhas. A resposta tumoral será avaliada nos dias 0, 30 e 60 após o procedimento, utilizando o critério RECIST (Response Evaluation Criteria In Solid Tumors), e os efeitos adversos locais e sistêmicos serão monitorados. O delineamento experimental foi definido como um ensaio clínico prospectivo e randomizado, com cálculo amostral baseado em diferença esperada de 33% na taxa de resposta entre os grupos, nível de significância de 5% e poder de 80%. A justificativa do estudo baseia-se na necessidade de terapias inovadoras e acessíveis para tumores cutâneos em cães, especialmente quando a cirurgia não é viável. A CaEP representa uma abordagem promissora, segura e de baixo custo, capaz de reduzir a morbidade e ampliar o acesso a tratamentos oncológicos eficazes. Embora já existam evidências consistentes de sua eficácia na medicina humana, há escassez de estudos comparativos em medicina veterinária, o que reforça a relevância científica e clínica desta pesquisa. Espera-se que os resultados obtenham evidências sobre a segurança, a resposta clínica e a aplicabilidade da CaEP na rotina da oncologia veterinária. Caso demonstrada eficácia equivalente à EQT tradicional, a eletroporação com cálcio poderá se consolidar como uma alternativa terapêutica viável para tumores cutâneos de pequeno porte, oferecendo uma opção de tratamento menos tóxica, de menor custo e com potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus tutores.

Objetivo Geral

Comparar a eficácia da eletroquimioterapia utilizando bleomicina com a eletroporação utilizando cloreto de cálcio no tratamento de neoplasias cutâneas espontâneas em cães, avaliando a resposta clínica, os efeitos adversos e a viabilidade da eletroporação com cálcio como alternativa terapêutica segura, eficaz e economicamente acessível para a rotina da oncologia veterinária.

Justificativa

As neoplasias cutâneas representam uma das principais causas de atendimento e mortalidade em pequenos animais, e embora a cirurgia seja o tratamento de escolha, nem sempre é possível realizá-la devido à localização anatômica do tumor, ao tamanho da lesão ou às condições clínicas do paciente. Diante dessas limitações, torna-se essencial o desenvolvimento de terapias alternativas que sejam eficazes, seguras e acessíveis.

A eletroquimioterapia (EQT) vem se destacando como uma técnica promissora nesse contexto, pois combina a aplicação de pulsos elétricos com o uso de fármacos citotóxicos, como a bleomicina, promovendo a permeabilização das células tumorais por eletroporação. Essa técnica potencializa a ação do quimioterápico de forma localizada, reduzindo os efeitos colaterais sistêmicos e preservando os tecidos adjacentes. Diversos estudos demonstram altas taxas de resposta tumoral e boa tolerância ao procedimento, tornando a EQT uma alternativa relevante para tumores inoperáveis ou como tratamento adjuvante.

Mais recentemente, a eletroporação com cálcio (CaEP) tem surgido como uma inovação terapêutica de grande potencial. Essa técnica utiliza cloreto de cálcio em substituição ao quimioterápico, induzindo necrose celular por sobrecarga de cálcio intracelular. Estudos em medicina humana indicam que a CaEP apresenta resultados antitumorais semelhantes aos da EQT, mas com vantagens importantes, como menor toxicidade, maior segurança para o paciente e custo significativamente reduzido.

Apesar do avanço dos estudos em humanos, há escassez de pesquisas na medicina veterinária que comparem diretamente as duas abordagens em pacientes com tumores espontâneos. Assim, este projeto se justifica pela necessidade de investigar, de forma científica e aplicada, a eficácia e a segurança da eletroporação com cálcio em comparação com a eletroquimioterapia convencional.

Os resultados esperados poderão fornecer subsídios importantes para a incorporação da CaEP na rotina clínica veterinária, ampliando as opções terapêuticas para casos em que a cirurgia não é indicada. Além de promover inovação científica, a técnica apresenta potencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos e reduzir os custos dos tratamentos, beneficiando tutores e profissionais da área.

Metodologia

O estudo será conduzido no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal de Pelotas (HCV-UFPel) e terá caráter clínico, prospectivo e randomizado. Serão incluídos 40 cães atendidos pelo serviço de oncologia, diagnosticados com neoplasias cutâneas sólidas de até 3 cm de diâmetro, confirmadas por exame histopatológico e que apresentem indicação de eletroporação como tratamento de eleição.

Os pacientes serão avaliados clinicamente e, após consentimento dos tutores, distribuídos aleatoriamente em dois grupos experimentais:

Grupo EQT (n=20): receberá eletroquimioterapia com bleomicina, administrada por via intravenosa na dose de 15.000 UI/m². Após cinco minutos, será realizada a aplicação dos pulsos elétricos diretamente no tumor, com frequência de 5 Hz e intensidade de 600 V, utilizando probe de seis agulhas em pulso duplo, cobrindo toda a área tumoral e suas margens.

Grupo CaEP (n=20): será submetido à eletroporação com cálcio, recebendo cloreto de cálcio intratumoral na concentração de 168 mM e volume de 0,5 mL/cm³ de tumor. Após cinco minutos, os mesmos parâmetros elétricos serão aplicados (5 Hz, 600 V, pulso duplo).

Todos os procedimentos serão realizados sob anestesia geral, com protocolo definido por médico veterinário anestesista de acordo com a necessidade individual de cada paciente. Serão utilizados fármacos como metadona (0,3 mg/kg IM) na medicação pré-anestésica, propofol (0,2–0,6 mg/kg/min IV) para indução e isofluorano (1,5–2,5%) para manutenção, além de lidocaína 2% (4 mg/kg) para analgesia local.

O acompanhamento clínico dos animais será feito nos dias 0, 30 e 60 após o tratamento, com mensuração das lesões utilizando paquímetro digital. A resposta tumoral será avaliada segundo os critérios RECIST (Response Evaluation Criteria in Solid Tumors), classificando como remissão completa, parcial, estável ou progressiva. Serão observados e registrados também efeitos adversos locais e sistêmicos, além da evolução clínica geral dos pacientes.

O cálculo amostral foi baseado em estudos prévios (Falk et al., 2018), considerando uma diferença esperada de 33% entre os grupos, nível de significância de 5% (p<0,05) e poder estatístico de 80%, resultando em 20 animais por grupo.

Os cães permanecerão hospitalizados apenas durante o período de recuperação anestésica, retornando ao convívio domiciliar após alta clínica. O bem-estar animal será garantido por protocolos de analgesia pós-operatória com dipirona (25 mg/kg VO, a cada 12 horas por cinco dias) e tramadol (3 mg/kg VO, a cada 8 horas por três dias).

Os dados serão tabulados e submetidos à análise estatística comparativa entre os grupos, utilizando testes adequados à distribuição das variáveis (como teste t ou Mann-Whitney para dados quantitativos e teste qui-quadrado para dados categóricos). O nível de significância adotado será de p < 0,05.

Este delineamento visa avaliar de forma sistemática e controlada a eficácia, segurança e aplicabilidade clínica da eletroporação com cálcio em comparação à eletroquimioterapia com bleomicina, fornecendo evidências experimentais e clínicas relevantes para a oncologia veterinária.

Indicadores, Metas e Resultados

Indicadores:
Os principais indicadores do estudo serão aqueles relacionados à resposta tumoral e à segurança dos protocolos testados. Serão avaliados:


Taxa de resposta clínica (remissão completa, remissão parcial, doença estável ou progressão) conforme os critérios RECIST.


Tempo médio de resposta tumoral, considerando os intervalos de avaliação (dias 0, 30 e 60).


Incidência e gravidade de efeitos adversos, tanto locais (edema, dor, necrose, ulceração) quanto sistêmicos (letargia, anorexia, alterações laboratoriais).


Taxa de sucesso terapêutico, definida como a proporção de casos com remissão total ou parcial satisfatória.


Custos e viabilidade clínica dos dois protocolos, avaliando a relação custo-benefício entre a eletroquimioterapia com bleomicina (EQT) e a eletroporação com cálcio (CaEP).


Bem-estar animal, mensurado por parâmetros clínicos (apetite, comportamento, cicatrização e conforto pós-procedimento).


Metas:


Tratar 40 cães com neoplasias cutâneas espontâneas, sendo 20 submetidos à EQT e 20 à CaEP, até o término do projeto.


Obter dados quantitativos e qualitativos que permitam comparar a eficácia das duas abordagens.


Demonstrar que a eletroporação com cálcio apresenta resposta terapêutica equivalente ou superior a 70%, com menor toxicidade sistêmica e baixo custo em relação à bleomicina.


Publicar os resultados em periódico científico da área de oncologia ou cirurgia veterinária e divulgar os achados em eventos acadêmicos.


Contribuir para a formação técnica e científica dos profissionais envolvidos, promovendo a disseminação do uso clínico seguro da CaEP.


Resultados Esperados:
Espera-se que o estudo comprove que a eletroporação com cálcio (CaEP) é uma alternativa eficaz, segura e economicamente viável à eletroquimioterapia com bleomicina (EQT) no tratamento de tumores cutâneos de pequeno porte em cães. A CaEP deve apresentar resultados antitumorais semelhantes aos da EQT, com a vantagem de causar menor toxicidade sistêmica, reduzir custos e simplificar a execução do procedimento, favorecendo sua adoção em clínicas veterinárias de rotina.
Prevê-se que ambos os protocolos resultem em taxas de remissão tumoral elevadas, porém com melhor tolerabilidade e acessibilidade na CaEP. O estudo também deverá gerar dados inéditos na medicina veterinária, contribuindo para preencher a lacuna existente na literatura sobre o uso comparativo dessas técnicas em pacientes oncológicos espontâneos.
Além disso, espera-se promover avanços no tratamento de tumores irressecáveis, ampliando o arsenal terapêutico disponível na oncologia veterinária. Caso a hipótese seja confirmada, a CaEP poderá ser incorporada como um método padrão alternativo, especialmente para pacientes em que o uso de quimioterápicos é contraindicado ou economicamente inviável.
Por fim, os resultados poderão impactar positivamente o bem-estar animal, oferecendo um tratamento menos invasivo, com boa recuperação e excelente relação custo-benefício, fortalecendo o compromisso da medicina veterinária com terapias inovadoras, seguras e acessíveis.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
EDUARDO SANTIAGO VENTURA DE AGUIAR2
LAURA APARECIDA MARTINS DE MORAES
SERGIO JORGE1
TAISE VENCATO ISQUIERDO
THAINA SAN MARTINS FERNANDEZ
THOMAS NORMANTON GUIM2

Página gerada em 28/02/2026 01:46:11 (consulta levou 0.175681s)