Nome do Projeto
Avaliação da eficácia do tratamento clínico na dioctofimatose canina:Monitoramento ultrassonográfico e análise pós-nefrectomia
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
03/02/2026 - 22/12/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
A dioctofimatose é uma doença zoonótica de distribuição mundial causada pelo nematoide Dioctophyme renale, popularmente conhecido como “verme gigante do rim”, pois possui prefeência por parasitar o rim, além de poder chegar até 100 cm de comprimento (MILECH et al., 2022). O ciclo da doença se dá através da ingestão do hospedeiro intermediário, o anelídeo Lumbriculus variegatus, presente em ambientes aquáticos contaminados, ou pela ingestão de hospedeiros paratênicos, que podem incluir rãs, sapos ou peixes (PEDRASSANI, 2009). Após a ingestão, o parasito segue o fluxo do sistema digestório até o duodeno, onde geralmente realiza migração até o rim direito, mas também pode se apresentar de maneira ectópica, afetando também rim esquerdo, fígado, bexiga, uretra, ovários, testículos, tecido subcutâneo, tecido muscular e até mesmo permanecer solto na cavidade abdominal (NAKAGAWA et al., 2007, MONTEIRO, 2014; CAYE et al., 2015). Após chegar ao rim direito, o parasito se desenvolve conforme realiza a destruição do parênquima renal, sendo capaz haver apenas um helminto ou até mesmo alta intensidade de infestação (CAYE et al., 2020). Embora todas as espécies de mamíferos possam ser afetadas, a espécie canina é aquela que recebe o diagnóstico com maior frequência (KOMMERS et al., 1999, BRUNNER et al., 2022), muito provavelmente devido a hábitos hídricos e alimentares pouco seletivos da espécie, principalmente no que se refere aos cães errantes ou semi-domiciliados. No Brasil, a região sul do Rio Grande do Sul se destaca em relação à casuística da dioctofimatose quando comparada a outras áreas do país (BRUNNER et al., 2022; CAYE et al., 2020). Essa maior ocorrência pode estar relacionada à ampla cobertura da bacia hidrográfica local, presença de áreas alagadiças e ao elevado número de animais errantes, que favorecem a manutenção do ciclo do parasito. A sintomatologia é bastante inespecífica ou até mesmo ausente, caracterizando a dioctofimatose como uma doença silenciosa. O diagnóstico da parasitose em é muitas vezes realizado de forma acidental durante exames complementares realizados por outras razões, geralmente em investigações clínicas. Entre os métodos de diagnóstico definitivo, a ultrassonografia abdominal se destaca por possibilitar a visualização de estruturas tubulares no interior do rim, sugestivas da presença do parasito (BENITEZ & BUTTI, 2021). O tratamento de eleição é cirúrgico, através da remoção do parasito , sendo realizados procedimentos de nefrectomia ou nefrotomia nos casos de parasitoses renais, laparotomia exploratória ou outras técnicas em casos ectópicos, variando conforme a localização dos parasitos (CAYE et al., 2022). A ausência de tratamento adequado, contribuindo para a permanência dos cães infectados no ambiente e, consequentemente, para a manutenção do ciclo do parasito. Assim, diante da importância da dioctofimatose, o objetivo do presente trabalho é avaliar a eficácia da moxidectina injetável para tratamento clínico da dioctofimatose, objetivando a morte dos parasitos com a utilização do fármaco. Visando assim, encontrar um tratamento eficiente, mais acessível e menos invasivo. Os cães selecionados serão aqueles naturalmente infectados e provenientes de famílias cadastradas no Ambulatório Veterinário Ceval – UFPel, atendidos na rotina do HCV encaminhados da Prefeitura de Pelotas ou ainda animais resgatados pela ECOSUL e trazidos ao HCV-UFPel. Além de ser realizada busca ativa através de ultrassonografia focal em região endêmica para diagnosticar animais positivos.

Objetivo Geral

Avaliar a eficácia de tratamento clínico para
Dioctophyme renale em cães naturalmente infectados.

Justificativa

O aprofundamento dos estudos sobre Dioctophyme renale é de fundamental importância,
especialmente diante do aumento progressivo da casuística observado em diversas regiões,
como no Sul do Brasil. A baixa taxa de diagnóstico e de opções terapêuticas acessíveis contribuem
para a permanência de cães parasitados no ambiente, atuando como reservatórios e
disseminadores do parasito. Essa situação favorece a manutenção do ciclo biológico do helminto,
representando um risco não apenas para outros cães, mas também para gatos, sil vestres e seres
humanos, uma vez que a dioctofimatose se trata de uma zoonose.
Assim, a proposta de fornecer evidências preliminares sobre o uso clínico da Moxidectina no
tratamento da dioctofimatose em cães, pode representar uma alternativa ao manejo cirúrgico
imediato, o que pode parar a eliminação de ovos para o ambiente e deter a destruição renal feita
pelos parasitos. A pesquisa irá se concentrarem animais cuja ultrassonografia abdominal evidencia
ausência de parênquima renal no rim acometido, indicando segurança no tratamento clínico antes
do procedimento cirúrgico. Busca-se alcançar a cura clínica por meio da morte do parasito,
prevenindo a progressão da destruição tecidual para outros órgãos, bem como promover a redução
ou interrupção da eliminação de ovos na urina, contribuindo para o controle ambiental da
parasitose. A confirmação da eficácia do tratamento será realizada por meio de ultrassonografia
abdominal durante o tratamento e remoção cirúrgica subsequente do parasito,o que permitirá com
avaliação da viabilidade do helminto.
A viabilidade de um tratamento clínico eficaz para a dioctofimatose canina representaria um
avanço significativo, tanto do ponto de vista terapêutico quanto epidemiológico, ao possibilitar
o manejo de animais que não teriam acesso imediato ao tratamento cirúrgico. Estudos prévios
avaliaram o uso da ivermectina em quatis (Nasua nasua) parasitados, apresentando resultados
promissores (SANTOS, 2010). Em humanos, um relato de caso de parasitose bilateral renal em que a cirurgia foi inviabilizada, o tratamento com ivermectina também demonstrou sucesso
(IGNJATOVIC et al., 2003). Adicionalmente, foi descrito um caso de cura em lobo-guará com
dioctofimatose tratado com doramectina, outro composto da mesma classe farmacológica
(OLIVEIRA, 2021) , sugerindo a possibilidade de extrapolação para outras espécies.
A escolha da moxidectina para o tratamento clínico em cães baseou-se no fato de
que, embora pertença à mesma classe química e farmacológica da ivermectina, este fármaco
apresenta características desejáveis, como meia-vida mais prolongada, melhor perfil de
segurança na espécie canina e disponibilidade em formulações de liberação prolongada
(ProHeart), que foram testadas em doses até cinco vezes superiores à recomendada em
bula, sem a ocorrência de efeitos adversos relevantes (KRAUTMANN et al., 2019). Esses fatores
a tornam uma alternativa potencialmente promissora e eficaz para o manejo clínico da
dioctofimatose em cães.

Metodologia

Inicialmente, será realizada busca ativa de casos por meio de ultrassonografia focal, com ênfase
na busca de parasitos e avaliação renal. Animais com diagnóstico positivo para Dioctophyme renale
serão classificados conforme o achado ultrassonográfico: parasitos localizados na cavidade
abdominal ou no rim, com ou sem preservação da camada cortical. Nos casos com parasito em rim
sem camada cortical ou com parasitos livre em cavidade,será administrada moxidectina subcutânea
(1 mg/kg, dose única), seguida de acompanhamento clínico nos dias 15 e 21. Ao final, após 28 dias,
será realizada a remoção cirúrgica do parasito para avaliação morfológica e confirmação da eficácia
terapêutica. Animais com presença de camada cortical serão submetidos à nefrotomia com o uso de
dilatadores renais.

Indicadores, Metas e Resultados

- Diferença nos padrões ultrassonográficos durante o tratamento clínico
- Viabilidade dos parasitos avaliada após a intervenção cirúrgica
- Cura clínica dos pacientes
- Segurança do tratamento, não havendo intercorrências durante o mesmo
- Tratamento mais acessível
- Estabilização ou melhora da função renal .

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALESSANDRA AGUIAR DE ANDRADE
ANA RAQUEL MANO MEINERZ1
CLAUDIA GIORDANI2
DANIELE WEBER FERNANDES
EMMANUELE DO COUTO LIMA
FABRICIO DE VARGAS ARIGONY BRAGA1
FERNANDA HIROOKA DA SILVA
FRANCESCA LOPES ZIBETTI
GUILHERME ALBUQUERQUE DE OLIVEIRA CAVALCANTI4
JOSAINE CRISTINA DA SILVA RAPPETI4
LAURA APARECIDA MARTINS DE MORAES
LAÍS FORMIGA SILVA
LAÍS FORMIGA SILVA
MARLETE BRUM CLEFF8
MARTIELO IVAN GEHRCKE1
NATÁLIA BERNE PINHEIRO1
PATRICIA LEMKE
REBECA NOGUEIRA DE FARIA
Tatiana Champion
VITTÓRIA BASSI DAS NEVES
VITÓRIA RAMOS DE FREITAS
ÍTALO FERREIRA DE LEON

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
MEC - ProExt / Programa de Extensão Universitária - MECR$ 2.400,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 1.200,00
339018 - Auxílio Financeiro a EstudantesR$ 1.200,00

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