Nome do Projeto
Desigualdades na ocorrência de cárie dentária durante a adolescência: três décadas de monitoramento nas coortes de nascimentos de Pelotas
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
21/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Reconhecida como a doença crônica de maior prevalência no cenário global, a cárie
dentária destaca-se por ser uma condição prevenível cuja ocorrência e distribuição
refletem profundas desigualdades sociais. Suas repercussões vão além da cavidade
bucal e comprometem de maneira importante a qualidade de vida. Este trabalho terá
como objetivo descrever e monitorar as desigualdades na ocorrência de cárie dentária
durante a adolescência ao longo de três décadas nas coortes de nascimentos de
Pelotas, considerando dimensões socioeconômicas, raciais e de sexo. Desde 1982,
novas coortes são iniciadas a cada 11 anos na cidade, com o objetivo de acompanhar
todos os nascidos nos respectivos anos. Para este estudo, serão utilizados dados dos
acompanhamentos de saúde bucal realizados aos 15 anos na coorte de 1982 (1997),
aos 11-12 anos na coorte de 1993 (2004-05), aos 12-13 anos na coorte de 2004 (2017)
e aos 11 anos na coorte de 2015 (2025-26). Em cada uma das coortes, a cárie dentária
foi avaliada por cirurgiões-dentistas treinados e calibrados, sendo nas três primeiras
coortes através de exames clínicos realizados no domicílio dos participantes e, na
última, por meio do escaneamento intraoral. A análise contemplará medidas de
desigualdade simples e/ou complexas para cada dimensão em cada coorte, bem
como o monitoramento das mudanças nas desigualdades ao longo do tempo com
base em modelos de regressão. A hipótese é de que haverá uma redução na
prevalência da cárie dentária ao longo dos acompanhamentos, com acentuação das
desigualdades existentes em sua distribuição. Por se tratar de um período crucial para
a consolidação de hábitos e comportamentos em saúde, a adolescência representa
uma oportunidade estratégica para identificação de grupos vulneráveis e o
direcionamento de estratégias eficazes que perdurem ao longo do curso da vida.
Objetivo Geral
Investigar as desigualdades na ocorrência de cárie dentária durante a
adolescência, ao longo de três décadas, nas coortes de nascimentos de Pelotas,
buscando identificar padrões de persistência ou mudança no tempo.
adolescência, ao longo de três décadas, nas coortes de nascimentos de Pelotas,
buscando identificar padrões de persistência ou mudança no tempo.
Justificativa
A adolescência é a fase da vida caracterizada pelo rápido desenvolvimento e
crescente autonomia, fatores que a tornam importante para a consolidação de hábitos
e comportamentos em saúde. Trata-se de um momento estratégico para identificação
de grupos vulneráveis e intervenções direcionadas, de forma a assegurar melhorias
equitativas em saúde e que perdurem ao longo da vida. Esse enfoque está alinhado
à ideia de “triplo dividendo” proposta pela Comissão da Lancet de saúde e bem-estar
do adolescente, onde os pesquisadores apontam que intervenções direcionadas a
esta população são capazes de gerar três tipos de retornos: o primeiro, imediato, para
os próprios adolescentes; o segundo, a longo prazo, para os adultos que eles irão se
tornar; e o último, intergeracional, para os filhos que eles irão criar (BAIRD et al.,
2025).
Dentre os estudos incluídos na revisão, nenhum apresentou delineamento
longitudinal que permitisse a avaliação de forma prospectiva do impacto de
características sociais no início da vida sobre a ocorrência da cárie dentária na
adolescência. Além disso, quando consideramos a análise de tendência temporal,
observamos duas lacunas importantes. A primeira refere-se ao fato de que o último
estudo brasileiro incluído nesta revisão foi publicado em 2015, utilizando dados de
2003 e 2010, ou seja, há mais de dez anos. Enquanto a segunda diz respeito à
ausência de investigações que tenham avaliado um período tão extenso quanto três
décadas. Mesmo que muito se estude sobre as desigualdades de maneira pontual,
poucos são os trabalhos que se dedicam ao acompanhamento ao longo do tempo. O
monitoramento de desigualdades é fundamental para a compreensão de padrões
temporais, para a identificação de problemas como emergentes ou persistentes e para
o subsídio de estratégias mais eficazes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013).
O presente trabalho, ao analisar as desigualdades na ocorrência da cárie
dentária no início da adolescência ao longo de três décadas, possibilitará a
identificação de fatores importantes para a doença em diferentes períodos, avaliando
padrões de distribuição e possíveis mudanças nesse cenário. Isso se torna
particularmente relevante quando consideramos as transformações ocorridas no
sistema público de saúde bucal nesse intervalo, como a implementação, em 2004, do
Brasil Sorridente, programa voltado à ampliação do acesso aos serviços
odontológicos, sejam eles preventivos ou reabilitadores, com o propósito de reduzir
desigualdades nesse cuidado (BRASIL, 2025). Essas políticas acabam tendo como
foco grupos socialmente vulneráveis, ou seja, justamente aqueles que, em virtude de
seus determinantes sociais e condições de vida, concentram maior carga da doença.
Assim, analisar como as desigualdades moldam a prevalência e a distribuição da cárie
dentária ao longo do tempo é também compreender a estrutura social que determina
essa condição e o papel das políticas públicas implementadas no período como
potenciais agentes transformadores.
crescente autonomia, fatores que a tornam importante para a consolidação de hábitos
e comportamentos em saúde. Trata-se de um momento estratégico para identificação
de grupos vulneráveis e intervenções direcionadas, de forma a assegurar melhorias
equitativas em saúde e que perdurem ao longo da vida. Esse enfoque está alinhado
à ideia de “triplo dividendo” proposta pela Comissão da Lancet de saúde e bem-estar
do adolescente, onde os pesquisadores apontam que intervenções direcionadas a
esta população são capazes de gerar três tipos de retornos: o primeiro, imediato, para
os próprios adolescentes; o segundo, a longo prazo, para os adultos que eles irão se
tornar; e o último, intergeracional, para os filhos que eles irão criar (BAIRD et al.,
2025).
Dentre os estudos incluídos na revisão, nenhum apresentou delineamento
longitudinal que permitisse a avaliação de forma prospectiva do impacto de
características sociais no início da vida sobre a ocorrência da cárie dentária na
adolescência. Além disso, quando consideramos a análise de tendência temporal,
observamos duas lacunas importantes. A primeira refere-se ao fato de que o último
estudo brasileiro incluído nesta revisão foi publicado em 2015, utilizando dados de
2003 e 2010, ou seja, há mais de dez anos. Enquanto a segunda diz respeito à
ausência de investigações que tenham avaliado um período tão extenso quanto três
décadas. Mesmo que muito se estude sobre as desigualdades de maneira pontual,
poucos são os trabalhos que se dedicam ao acompanhamento ao longo do tempo. O
monitoramento de desigualdades é fundamental para a compreensão de padrões
temporais, para a identificação de problemas como emergentes ou persistentes e para
o subsídio de estratégias mais eficazes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013).
O presente trabalho, ao analisar as desigualdades na ocorrência da cárie
dentária no início da adolescência ao longo de três décadas, possibilitará a
identificação de fatores importantes para a doença em diferentes períodos, avaliando
padrões de distribuição e possíveis mudanças nesse cenário. Isso se torna
particularmente relevante quando consideramos as transformações ocorridas no
sistema público de saúde bucal nesse intervalo, como a implementação, em 2004, do
Brasil Sorridente, programa voltado à ampliação do acesso aos serviços
odontológicos, sejam eles preventivos ou reabilitadores, com o propósito de reduzir
desigualdades nesse cuidado (BRASIL, 2025). Essas políticas acabam tendo como
foco grupos socialmente vulneráveis, ou seja, justamente aqueles que, em virtude de
seus determinantes sociais e condições de vida, concentram maior carga da doença.
Assim, analisar como as desigualdades moldam a prevalência e a distribuição da cárie
dentária ao longo do tempo é também compreender a estrutura social que determina
essa condição e o papel das políticas públicas implementadas no período como
potenciais agentes transformadores.
Metodologia
Este será um estudo longitudinal que utilizará dados provenientes das quatro
coortes de nascimentos de Pelotas. Para cada coorte, será investigada a presença de
desigualdades na ocorrência de cárie dentária, considerando dimensões
socioeconômicas, raciais e de sexo coletadas no início da vida e o desfecho durante
o início da adolescência, avaliado aos 15 anos na coorte de 1982, 11-12 anos na
coorte de 1993, aos 12-13 anos na coorte de 2004 e 11 anos na coorte de 2015. A
partir das análises longitudinais individuais de cada coorte, será realizado o
monitoramento das desigualdades para avaliar se e como elas se modificam ao longo
das três décadas.
Durante o ano de 1982, entre os dias 1º de janeiro e 31 de dezembro, as três
maternidades da cidade de Pelotas foram visitadas diariamente com o objetivo de
identificar e registrar os nascimentos ocorridos. Foram incluídas na coorte todas as
crianças nascidas vivas cujas mães residiam na zona urbana da cidade, totalizando
uma amostra de 5.914 bebês. Em 1997, aos 15 anos dos participantes, restrições
orçamentárias impossibilitaram o acompanhamento da totalidade da coorte. Assim,
apenas uma amostra da linha de base foi selecionada para a realização das
entrevistas e exames. Para isso, foi empregada uma amostragem sistemática, a qual
42
selecionou 70 setores censitários (27% do total), permitindo a entrevista de 1.076
adolescentes. Dentre esses, 900 foram selecionados aleatoriamente para participar
do subestudo de saúde bucal (PERES et al., 2011; VICTORA; BARROS, 2006).
Em 1993, as cinco maternidades de Pelotas foram novamente visitadas com o
mesmo objetivo de identificar os nascimentos ocorridos no município naquele ano. Os
critérios de elegibilidade foram os mesmos aplicados à coorte anterior, sendo incluídas
todas àquelas crianças nascidas vivas de mães residentes da zona urbana da cidade.
A linha de base foi composta por 5.249 nascidos vivos. No acompanhamento realizado
aos 4 anos de idade, 1.273 crianças foram avaliadas. A partir desse grupo, foi
selecionada uma subamostra correspondente a aproximadamente um quarto dos
participantes para compor o subestudo de saúde bucal, que teve início aos 6 anos de
idade. Entre as 400 crianças sorteadas, 359 participaram efetivamente da primeira
etapa de entrevistas e exames clínicos bucais. Esses mesmos 359 indivíduos foram
posteriormente considerados elegíveis para o acompanhamento de saúde bucal
realizado aos 11-12 anos (2004-2005) (PERES et al., 2010; VICTORA et al., 2006).
Em 2004, novamente, as cinco maternidades de Pelotas foram visitadas
diariamente. Os critérios de elegibilidade mantiveram-se os mesmos utilizados nas
coortes anteriores: nascidos vivos de partos hospitalares e de mães que residiam na
zona urbana de Pelotas. A amostra da linha de base foi composta por 4.231 bebês. O
subestudo de saúde bucal teve início em 2009, sendo considerados como elegíveis
os participantes do acompanhamento de 4 anos de idade que haviam nascido entre
os meses de setembro e dezembro, totalizando 1.303 crianças (PERES et al., 2014;
SANTOS et al., 2011). Os 1.129 participantes entrevistados e avaliados nesse
primeiro momento foram considerados elegíveis para o acompanhamento aos 12-13
anos (2017).
Embora a coorte de 2015 tenha iniciado ainda no período pré-natal, com o
acompanhamento das gestantes, foram mantidos os mesmos critérios de elegibilidade
das demais coortes. Assim, foram monitorados todos os nascimentos realizados entre
1º de janeiro e 31 de dezembro em cinco hospitais, incluindo aquelas crianças
nascidas vivas de mães residentes da zona urbana de Pelotas. Para fins de
comparabilidade, duas áreas específicas, uma vila de pescadores que atualmente é
considerada rural e uma área que passou a fazer parte de um município vizinho,
continuaram a ser incluídas na amostra. A linha de base foi composta por 4.275
crianças. O primeiro estudo de saúde bucal foi realizado no acompanhamento de 4
anos de idade das crianças. Pela primeira vez, foram examinadas todas as crianças
que compareceram ao respectivo acompanhamento, portanto não sendo necessário
a realização de cálculo amostral (HALLAL et al., 2018). O mesmo protocolo está sendo
adotado no acompanhamento de 2025-2026, quando as crianças se encontram com
11 ano.
coortes de nascimentos de Pelotas. Para cada coorte, será investigada a presença de
desigualdades na ocorrência de cárie dentária, considerando dimensões
socioeconômicas, raciais e de sexo coletadas no início da vida e o desfecho durante
o início da adolescência, avaliado aos 15 anos na coorte de 1982, 11-12 anos na
coorte de 1993, aos 12-13 anos na coorte de 2004 e 11 anos na coorte de 2015. A
partir das análises longitudinais individuais de cada coorte, será realizado o
monitoramento das desigualdades para avaliar se e como elas se modificam ao longo
das três décadas.
Durante o ano de 1982, entre os dias 1º de janeiro e 31 de dezembro, as três
maternidades da cidade de Pelotas foram visitadas diariamente com o objetivo de
identificar e registrar os nascimentos ocorridos. Foram incluídas na coorte todas as
crianças nascidas vivas cujas mães residiam na zona urbana da cidade, totalizando
uma amostra de 5.914 bebês. Em 1997, aos 15 anos dos participantes, restrições
orçamentárias impossibilitaram o acompanhamento da totalidade da coorte. Assim,
apenas uma amostra da linha de base foi selecionada para a realização das
entrevistas e exames. Para isso, foi empregada uma amostragem sistemática, a qual
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selecionou 70 setores censitários (27% do total), permitindo a entrevista de 1.076
adolescentes. Dentre esses, 900 foram selecionados aleatoriamente para participar
do subestudo de saúde bucal (PERES et al., 2011; VICTORA; BARROS, 2006).
Em 1993, as cinco maternidades de Pelotas foram novamente visitadas com o
mesmo objetivo de identificar os nascimentos ocorridos no município naquele ano. Os
critérios de elegibilidade foram os mesmos aplicados à coorte anterior, sendo incluídas
todas àquelas crianças nascidas vivas de mães residentes da zona urbana da cidade.
A linha de base foi composta por 5.249 nascidos vivos. No acompanhamento realizado
aos 4 anos de idade, 1.273 crianças foram avaliadas. A partir desse grupo, foi
selecionada uma subamostra correspondente a aproximadamente um quarto dos
participantes para compor o subestudo de saúde bucal, que teve início aos 6 anos de
idade. Entre as 400 crianças sorteadas, 359 participaram efetivamente da primeira
etapa de entrevistas e exames clínicos bucais. Esses mesmos 359 indivíduos foram
posteriormente considerados elegíveis para o acompanhamento de saúde bucal
realizado aos 11-12 anos (2004-2005) (PERES et al., 2010; VICTORA et al., 2006).
Em 2004, novamente, as cinco maternidades de Pelotas foram visitadas
diariamente. Os critérios de elegibilidade mantiveram-se os mesmos utilizados nas
coortes anteriores: nascidos vivos de partos hospitalares e de mães que residiam na
zona urbana de Pelotas. A amostra da linha de base foi composta por 4.231 bebês. O
subestudo de saúde bucal teve início em 2009, sendo considerados como elegíveis
os participantes do acompanhamento de 4 anos de idade que haviam nascido entre
os meses de setembro e dezembro, totalizando 1.303 crianças (PERES et al., 2014;
SANTOS et al., 2011). Os 1.129 participantes entrevistados e avaliados nesse
primeiro momento foram considerados elegíveis para o acompanhamento aos 12-13
anos (2017).
Embora a coorte de 2015 tenha iniciado ainda no período pré-natal, com o
acompanhamento das gestantes, foram mantidos os mesmos critérios de elegibilidade
das demais coortes. Assim, foram monitorados todos os nascimentos realizados entre
1º de janeiro e 31 de dezembro em cinco hospitais, incluindo aquelas crianças
nascidas vivas de mães residentes da zona urbana de Pelotas. Para fins de
comparabilidade, duas áreas específicas, uma vila de pescadores que atualmente é
considerada rural e uma área que passou a fazer parte de um município vizinho,
continuaram a ser incluídas na amostra. A linha de base foi composta por 4.275
crianças. O primeiro estudo de saúde bucal foi realizado no acompanhamento de 4
anos de idade das crianças. Pela primeira vez, foram examinadas todas as crianças
que compareceram ao respectivo acompanhamento, portanto não sendo necessário
a realização de cálculo amostral (HALLAL et al., 2018). O mesmo protocolo está sendo
adotado no acompanhamento de 2025-2026, quando as crianças se encontram com
11 ano.
Indicadores, Metas e Resultados
Os resultados deste estudo serão divulgados através da apresentação em
congresso científico da área, defesa pública da dissertação, publicação do artigo em
periódico científico e veiculação de nota à imprensa, destacando os principais
achados de interesse à comunidade.
congresso científico da área, defesa pública da dissertação, publicação do artigo em
periódico científico e veiculação de nota à imprensa, destacando os principais
achados de interesse à comunidade.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| CINTHIA FONSECA ARAUJO | |||
| FLAVIO FERNANDO DEMARCO | 1 | ||
| HELENA SILVEIRA SCHUCH | |||
| MARINA DA COSTA ROCHA |