Nome do Projeto
RELAÇÃO ENTRE O PLANEJAMENTO GESTACIONAL E A PERSISTÊNCIA DO DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO APÓS O PARTO NAS MÃES DA COORTE DE 2015 DE PELOTAS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
21/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A depressão pós-parto é um importante problema de saúde pública, com
prevalências que variam entre 10% e 20% mundialmente, alcançando valores
superiores a 25% em populações socialmente vulneráveis no Brasil. A persistência
dos sintomas depressivos após o primeiro ano pós-parto representa uma condição
ainda pouco investigada, associada a prejuízos funcionais maternos, dificuldades na
relação mãe-filho e efeitos adversos no desenvolvimento infantil. O planejamento
gestacional constitui um marcador relevante das condições sociais, emocionais e
reprodutivas que antecedem a maternidade, sendo estimado que mais de 50% das
gestações no Brasil não sejam planejadas. Evidências internacionais indicam
associação entre gravidez não planejada e maior risco de depressão pós-parto;
contudo, a maioria dos estudos limita-se ao primeiro ano após o parto, carecendo de
investigações sobre a persistência dos sintomas ao longo do tempo. Este estudo
tem como objetivo investigar a associação entre o planejamento gestacional e a
persistência dos sintomas depressivos no primeiro e segundo anos após o parto
entre as mães da Coorte de Nascimentos de 2015 de Pelotas. Trata-se de um
estudo de coorte prospectiva, de base populacional, com avaliação do planejamento
gestacional no período perinatal e mensuração da depressão pós-parto aos 3, 12 e
24 meses por meio da Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS, ponto de corte
≥13). Serão realizadas análises ajustadas para potenciais confundidores
sociodemográficos, obstétricos e psicossociais. Espera-se que mulheres com
gestações não planejadas apresentam maior persistência de sintomas depressivos
ao longo dos dois primeiros anos pós-parto. Os resultados poderão subsidiar
políticas públicas voltadas à saúde reprodutiva, ao planejamento familiar e à atenção
integral à saúde mental materna no âmbito da Atenção Primária à Saúde.
Objetivo Geral
Investigar a associação entre o planejamento da gestação e a persistência
dos sintomas depressivos no primeiro e segundo anos após o parto entre mães
participantes da coorte de nascimentos de 2015 de Pelotas.
dos sintomas depressivos no primeiro e segundo anos após o parto entre mães
participantes da coorte de nascimentos de 2015 de Pelotas.
Justificativa
O planejamento da gestação é entendido como a intenção da mulher (ou do casal)
em engravidar naquele momento da vida, considerando aspectos emocionais,
sociais, econômicos e relacionais (GIPSON et al., 2008). O planejamento
reprodutivo é um dos pilares das políticas públicas de saúde, sendo diretamente
relacionado à autonomia da mulher e à sua capacidade de tomar decisões
informadas sobre quando e como engravidar (WHO, 2014). No Brasil, dados da
Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) mostram que cerca de 55% das
gestações não são planejadas, especialmente entre mulheres jovens, com baixa
escolaridade ou em situações de vulnerabilidade socioeconômica (BERQUÓ; LAGO,
2009).
Mulheres que enfrentam maternidade não planejada frequentemente relatam menor
suporte social e maiores dificuldades econômicas, o que pode amplificar os efeitos
deletérios sobre sua saúde mental (HALL et al., 2017). Apesar da existência de
estudos que avaliam os efeitos do planejamento gestacional sobre a saúde mental
no período perinatal (ANTONIOU et al., 2021), há uma lacuna importante na
literatura em relação aos efeitos de longo prazo dessa exposição, especialmente em
contextos de média e baixa renda. Poucos estudos investigaram a persistência de
sintomas depressivos ao longo da infância dos filhos, e ainda menos consideraram a
perspectiva longitudinal com instrumentos validados e em coortes populacionais.
Dessa forma, esta pesquisa se propõe a contribuir para o conhecimento científico ao
investigar de forma inédita, em uma coorte de base populacional em uma cidade de
porte médio do sul do Brasil, se o planejamento da gestação influencia a saúde
mental materna até 24 meses após o parto, utilizando medidas padronizadas,
análises longitudinais e abordagem conceitual robusta. Os achados poderão
subsidiar políticas públicas em saúde reprodutiva, saúde mental perinatal e
estratégias de prevenção no nível da atenção primária, com potencial para informar
ações de planejamento familiar, apoio psicossocial e acompanhamento em
puericultura.
em engravidar naquele momento da vida, considerando aspectos emocionais,
sociais, econômicos e relacionais (GIPSON et al., 2008). O planejamento
reprodutivo é um dos pilares das políticas públicas de saúde, sendo diretamente
relacionado à autonomia da mulher e à sua capacidade de tomar decisões
informadas sobre quando e como engravidar (WHO, 2014). No Brasil, dados da
Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) mostram que cerca de 55% das
gestações não são planejadas, especialmente entre mulheres jovens, com baixa
escolaridade ou em situações de vulnerabilidade socioeconômica (BERQUÓ; LAGO,
2009).
Mulheres que enfrentam maternidade não planejada frequentemente relatam menor
suporte social e maiores dificuldades econômicas, o que pode amplificar os efeitos
deletérios sobre sua saúde mental (HALL et al., 2017). Apesar da existência de
estudos que avaliam os efeitos do planejamento gestacional sobre a saúde mental
no período perinatal (ANTONIOU et al., 2021), há uma lacuna importante na
literatura em relação aos efeitos de longo prazo dessa exposição, especialmente em
contextos de média e baixa renda. Poucos estudos investigaram a persistência de
sintomas depressivos ao longo da infância dos filhos, e ainda menos consideraram a
perspectiva longitudinal com instrumentos validados e em coortes populacionais.
Dessa forma, esta pesquisa se propõe a contribuir para o conhecimento científico ao
investigar de forma inédita, em uma coorte de base populacional em uma cidade de
porte médio do sul do Brasil, se o planejamento da gestação influencia a saúde
mental materna até 24 meses após o parto, utilizando medidas padronizadas,
análises longitudinais e abordagem conceitual robusta. Os achados poderão
subsidiar políticas públicas em saúde reprodutiva, saúde mental perinatal e
estratégias de prevenção no nível da atenção primária, com potencial para informar
ações de planejamento familiar, apoio psicossocial e acompanhamento em
puericultura.
Metodologia
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de delineamento do
tipo coorte prospectiva (Coorte de Nascimento de 2015 de Pelotas). Os
estudos de coorte são apropriados para investigações que se baseiam na
hipótese dos fatores de risco ou proteção que exercem influência acumulada
ao longo do ciclo vital. Esse delineamento permite o acompanhamento de um
grupo de indivíduos ao longo do tempo, possibilitando a identificação da
sequência temporal entre exposição e desfecho, o que fortalece a inferência
causal e reduz a possibilidade de viés de causalidade reversa (ROTHMAN;
GREENLAND; LASH, 2008).
Neste estudo, a exposição principal — o planejamento da gestação — foi
registrada ainda no período perinatal, permitindo maior acurácia e
minimizando o viés de memória. A avaliação do desfecho — sintomas
depressivos — foi avaliada nos acompanhamentos pós-natais de 3 meses;
12 meses e 24 meses, o que possibilita examinar associações de longo prazo
a partir de uma exposição precoce. Dessa forma, a opção pelo delineamento
de coorte é metodologicamente apropriada para investigar a relação entre
condições da gestação e desfechos posteriores no eixo da saúde mental
materna (CAMPBELL, 2006; SANTOS; 2011).
tipo coorte prospectiva (Coorte de Nascimento de 2015 de Pelotas). Os
estudos de coorte são apropriados para investigações que se baseiam na
hipótese dos fatores de risco ou proteção que exercem influência acumulada
ao longo do ciclo vital. Esse delineamento permite o acompanhamento de um
grupo de indivíduos ao longo do tempo, possibilitando a identificação da
sequência temporal entre exposição e desfecho, o que fortalece a inferência
causal e reduz a possibilidade de viés de causalidade reversa (ROTHMAN;
GREENLAND; LASH, 2008).
Neste estudo, a exposição principal — o planejamento da gestação — foi
registrada ainda no período perinatal, permitindo maior acurácia e
minimizando o viés de memória. A avaliação do desfecho — sintomas
depressivos — foi avaliada nos acompanhamentos pós-natais de 3 meses;
12 meses e 24 meses, o que possibilita examinar associações de longo prazo
a partir de uma exposição precoce. Dessa forma, a opção pelo delineamento
de coorte é metodologicamente apropriada para investigar a relação entre
condições da gestação e desfechos posteriores no eixo da saúde mental
materna (CAMPBELL, 2006; SANTOS; 2011).
Indicadores, Metas e Resultados
Os resultados deste estudo serão divulgados por meio da apresentação da
dissertação de mestrado, requisito para obtenção do título de Mestre em
Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas, bem como através da
publicação total ou parcial dos achados em periódicos científicos qualificados.
Uma nota à imprensa será elaborada com os principais resultados, visando ampliar
a divulgação científica para o público geral. Os achados do estudo também serão
utilizados para fomentar o diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde e outros
órgãos competentes, contribuindo com evidências para a formulação de ações
intersetoriais que promovam o planejamento reprodutivo, ampliem o acesso aos
serviços de saúde sexual e reprodutiva, e fortaleçam estratégias preventivas
voltadas ao bem-estar psíquico das mulheres no ciclo gravídico-puerperal.
dissertação de mestrado, requisito para obtenção do título de Mestre em
Epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas, bem como através da
publicação total ou parcial dos achados em periódicos científicos qualificados.
Uma nota à imprensa será elaborada com os principais resultados, visando ampliar
a divulgação científica para o público geral. Os achados do estudo também serão
utilizados para fomentar o diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde e outros
órgãos competentes, contribuindo com evidências para a formulação de ações
intersetoriais que promovam o planejamento reprodutivo, ampliem o acesso aos
serviços de saúde sexual e reprodutiva, e fortaleçam estratégias preventivas
voltadas ao bem-estar psíquico das mulheres no ciclo gravídico-puerperal.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| MARIANGELA FREITAS DA SILVEIRA | 1 | ||
| PEDRO HENRIQUE EVANGELISTA MARTINEZ | |||
| ROMINA BUFFARINI |