Nome do Projeto
Associação entre a prática de atividade física e mortalidade em idosos: evidências de 10 anos de acompanhamento do Estudo “COMO VAI?”
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
22/01/2026 - 28/02/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
O envelhecimento populacional em ritmo acelerado reforça a importância de
compreender fatores que influenciam a saúde da população idosa. A atividade física
(AF) destaca-se nesse contexto, uma vez que evidências da literatura demostram sua
associação com a redução do risco de mortalidade. Apesar disso, ainda persistem
lacunas que limitam a compreensão completa desse efeito. Grande parte das
evidências disponíveis provêm de países de alta renda, cujos padrões de mortalidade
e contextos de prática de AF diferem substancialmente daqueles observados em
países de baixa e média renda, o que dificulta a generalização direta dos resultados.
Na América Latina, predominam estudos baseados apenas no autorrelato da AF, sem
a distinção entre causas de mortalidade. Além disso, permanece pouco claro se o
efeito protetor da AF varia conforme o nível socioeconômico. Assim, o presente estudo
tem como objetivo verificar a associação entre a AF, considerando diferentes
intensidades e contextos de prática, e a mortalidade por todas as causas e por grupos
de causas na população idosa ao longo de 10 anos, bem como analisar se o efeito da
AF na mortalidade por todas as causas difere de acordo com fatores socioeconômicos.
Será conduzido um estudo com o delineamento de coorte prospectivo, que utilizará
dados do estudo “COMO VAI?: Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso”, o qual
acompanha pessoas idosas, não institucionalizadas, residentes na zona urbana de
Pelotas (RS). A exposição principal será a AF, avaliada em 2014 por acelerômetros e
por autorrelato através das seções de lazer e deslocamento do questionário
International Physical Activity Questionnaire (IPAQ), versão longa, contemplando
respectivamente variáveis de AF objetivas (AF total, AF em intensidade leve, e AF em
intensidade moderada a vigorosa) e subjetivas. Os desfechos incluem a mortalidade
por todas as causas e por grupos de causa(s), considerando os óbitos identificados
até março de 2025. Serão utilizadas regressões de Cox para analisar a associação
entre as variáveis de AF e a mortalidade por todas as causas, sendo incluído um termo
de interação pelo nível socioeconômico. Para a análise da mortalidade por grupos de
causas será aplicado o método Fine-Gray.
Objetivo Geral
Verificar a associação entre AF e a mortalidade em idosos moradores da zona
urbana de Pelotas ao longo de aproximadamente 10 anos.
urbana de Pelotas ao longo de aproximadamente 10 anos.
Justificativa
O atual cenário de envelhecimento populacional, que ocorre em um ritmo
acelerado, impõe diversos desafios aos sistemas de saúde (Wong; Carvalho, 2006),
sendo necessário a implementação de estratégias eficazes para ampliar a expectativa
de vida saudável da população idosa. Nesse contexto, a prática de AF destaca-se
como uma importante ferramenta, pois está associada a diversos benefícios à saúde
do idoso, incluindo a redução do risco de multimorbidade (Delpino et al., 2022), a
melhora da capacidade funcional (Dipietro et al., 2019) e melhor qualidade de vida
(Huang et al., 2024). Além disso, diversos estudos vêm demonstrando que idosos
fisicamente ativos apresentam menor risco de mortalidade (Fukushima et al., 2024).
Entretanto, a maior parte das evidências acerca da relação entre a prática de
AF e a mortalidade na população idosa provém do norte global, geralmente de países
de alta renda (Fukushima et al., 2024), o que limita a generalização dos achados para
países de baixa e média renda, devidos às diferenças contextuais, tanto da prática de
AF, quanto das condições relacionadas ao envelhecimento. No Brasil, os estudos
restringem-se à investigação da mortalidade por todas as causas, sem explorar
grupos específicos de causas de mortalidade. Além disso, a AF é predominantemente
mensurada exclusivamente por autorrelato e em intensidade moderada a vigorosa,
sem a distinção dos domínios de prática, dificultando a definição de políticas públicas
eficazes, considerando que o efeito da AF pode variar substancialmente conforme o
contexto e as intensidades das atividades.
Outro aspecto ainda pouco esclarecido na literatura diz respeito à interação
entre o efeito de proteção da AF sobre a mortalidade e aspectos socioeconômicos.
De acordo com a hipótese da vulnerabilidade, indivíduos socialmente vulneráveis
tendem a acumular riscos, e dispor de menos recursos para enfrentá-los, levando-os
a atingir maiores agravos à saúde, em comparação aos grupos socialmente
favorecidos, mesmo diante de níveis semelhantes de exposições prejudiciais (Pampel;
Rogers, 2004). Nesse sentido, o efeito de exposições benéficas, como a AF, também
pode ser potencializado ou atenuado em certos grupos populacionais (Dyke et al.,
2025; Lee et al., 2024; Paudel et al., 2023; Peng et al., 2024).
Nesse contexto, destaca-se o estudo de Bielemann et al. (2020), realizado no
âmbito da coorte de idosos do sul do Brasil “COMO VAI?”, o qual representou um
importante avanço ao combinar métodos objetivos e subjetivos de mensuração da AF.
Contudo, devido ao período de acompanhamento relativamente curto, o número de
óbitos observado foi limitado, resultando em alguns desafios às análises,
especialmente em termos de poder estatístico. Assim, o presente estudo, ao utilizar
dados provenientes do mesmo estudo longitudinal, propõe-se a avançar em relação à
publicação anterior ao considerar um tempo de acompanhamento mais longo, de
aproximadamente 10 anos, possibilitando a análise por grupos de causas de
mortalidade, além de explorar a interação da associação entre a AF e a mortalidade
por todas as causas segundo fatores socioeconômicos.
Espera-se, assim, fornecer evidências sobre a relação entre a prática de AF,
em diferentes domínios e intensidades, e o risco de mortalidade por todas as causas
e por grupos de causas, além de verificar seu efeito, segundo níveis socioeconômicos.
Com isso, além de contribuir com o enfrentamento das lacunas existentes na literatura,
o presente estudo também espera contribuir com a amplificação do debate sobre
políticas públicas de promoção da AF, especificamente na população idosa, em nível
local e nacional.
acelerado, impõe diversos desafios aos sistemas de saúde (Wong; Carvalho, 2006),
sendo necessário a implementação de estratégias eficazes para ampliar a expectativa
de vida saudável da população idosa. Nesse contexto, a prática de AF destaca-se
como uma importante ferramenta, pois está associada a diversos benefícios à saúde
do idoso, incluindo a redução do risco de multimorbidade (Delpino et al., 2022), a
melhora da capacidade funcional (Dipietro et al., 2019) e melhor qualidade de vida
(Huang et al., 2024). Além disso, diversos estudos vêm demonstrando que idosos
fisicamente ativos apresentam menor risco de mortalidade (Fukushima et al., 2024).
Entretanto, a maior parte das evidências acerca da relação entre a prática de
AF e a mortalidade na população idosa provém do norte global, geralmente de países
de alta renda (Fukushima et al., 2024), o que limita a generalização dos achados para
países de baixa e média renda, devidos às diferenças contextuais, tanto da prática de
AF, quanto das condições relacionadas ao envelhecimento. No Brasil, os estudos
restringem-se à investigação da mortalidade por todas as causas, sem explorar
grupos específicos de causas de mortalidade. Além disso, a AF é predominantemente
mensurada exclusivamente por autorrelato e em intensidade moderada a vigorosa,
sem a distinção dos domínios de prática, dificultando a definição de políticas públicas
eficazes, considerando que o efeito da AF pode variar substancialmente conforme o
contexto e as intensidades das atividades.
Outro aspecto ainda pouco esclarecido na literatura diz respeito à interação
entre o efeito de proteção da AF sobre a mortalidade e aspectos socioeconômicos.
De acordo com a hipótese da vulnerabilidade, indivíduos socialmente vulneráveis
tendem a acumular riscos, e dispor de menos recursos para enfrentá-los, levando-os
a atingir maiores agravos à saúde, em comparação aos grupos socialmente
favorecidos, mesmo diante de níveis semelhantes de exposições prejudiciais (Pampel;
Rogers, 2004). Nesse sentido, o efeito de exposições benéficas, como a AF, também
pode ser potencializado ou atenuado em certos grupos populacionais (Dyke et al.,
2025; Lee et al., 2024; Paudel et al., 2023; Peng et al., 2024).
Nesse contexto, destaca-se o estudo de Bielemann et al. (2020), realizado no
âmbito da coorte de idosos do sul do Brasil “COMO VAI?”, o qual representou um
importante avanço ao combinar métodos objetivos e subjetivos de mensuração da AF.
Contudo, devido ao período de acompanhamento relativamente curto, o número de
óbitos observado foi limitado, resultando em alguns desafios às análises,
especialmente em termos de poder estatístico. Assim, o presente estudo, ao utilizar
dados provenientes do mesmo estudo longitudinal, propõe-se a avançar em relação à
publicação anterior ao considerar um tempo de acompanhamento mais longo, de
aproximadamente 10 anos, possibilitando a análise por grupos de causas de
mortalidade, além de explorar a interação da associação entre a AF e a mortalidade
por todas as causas segundo fatores socioeconômicos.
Espera-se, assim, fornecer evidências sobre a relação entre a prática de AF,
em diferentes domínios e intensidades, e o risco de mortalidade por todas as causas
e por grupos de causas, além de verificar seu efeito, segundo níveis socioeconômicos.
Com isso, além de contribuir com o enfrentamento das lacunas existentes na literatura,
o presente estudo também espera contribuir com a amplificação do debate sobre
políticas públicas de promoção da AF, especificamente na população idosa, em nível
local e nacional.
Metodologia
Trata-se de um estudo longitudinal, com o delineamento de Coorte prospectiva,
que utilizará dados dos acompanhamentos da linha de base (2014) e de 2024 do
estudo “COMO VAI? Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso”.
O delineamento de Coorte prospectiva é o mais adequado para responder à
pergunta de pesquisa do presente estudo, uma vez que ele é caracterizado pelo
acompanhamento de um grupo de pessoas com alguma característica em comum, ao
longo do tempo. Dessa forma, é possível observar o efeito de exposições que
ocorreram em um determinado momento do ciclo vital, como a AF, com desfechos
posteriores, como a mortalidade.
que utilizará dados dos acompanhamentos da linha de base (2014) e de 2024 do
estudo “COMO VAI? Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso”.
O delineamento de Coorte prospectiva é o mais adequado para responder à
pergunta de pesquisa do presente estudo, uma vez que ele é caracterizado pelo
acompanhamento de um grupo de pessoas com alguma característica em comum, ao
longo do tempo. Dessa forma, é possível observar o efeito de exposições que
ocorreram em um determinado momento do ciclo vital, como a AF, com desfechos
posteriores, como a mortalidade.
Indicadores, Metas e Resultados
Os resultados provenientes deste projeto serão divulgados à comunidade
científica através do volume final da dissertação de mestrado e da publicação de um
artigo em periódicos científicos de interesse da área de conhecimento. Além disso,
será elaborada uma nota à imprensa, sintetizando os principais resultados e suas
implicações, a fim de alcançar a comunidade em geral.
científica através do volume final da dissertação de mestrado e da publicação de um
artigo em periódicos científicos de interesse da área de conhecimento. Além disso,
será elaborada uma nota à imprensa, sintetizando os principais resultados e suas
implicações, a fim de alcançar a comunidade em geral.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| BIANCA DIEL CORRÊA | |||
| INÁCIO CROCHEMORE MOHNSAM DA SILVA | 1 |