Nome do Projeto
Prevalência de neoplasia de esôfago e de seus subtipos histológicos no Hospital Escola HE UFPEL EBSERH
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/02/2026 - 05/02/2028
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O câncer de esôfago, oitavo tumor maligno mais comum do mundo, é um dos cânceres mais desconhecidos e mortais, principalmente por sua natureza agressiva e pela baixa taxa de sobrevivência dos pacientes acometidos, sendo essa de 15 a 25% em 5 anos em todo o mundo (1). A agressividade desse tumor pode ser explicada pela carência de sintomas quando em seu estágio inicial, sendo, na maioria das vezes, assintomático nessa fase da doença. Quando os sintomas se manifestam, comumente o tumor já está em estágio avançado, o que dificulta o manejo curativo (2). Os dois principais subtipos histológicos evidenciados em neoplasias malignas de esôfago são o carcinoma espinocelular de esôfago e o adenocarcinoma, sendo esses, responsáveis por mais de 95% dos cânceres de esôfago (2). Embora o carcinoma espinocelular predomine em todo o mundo, em nações ocidentais, principalmente nos países desenvolvidos, há um aumento acentuado na incidência de adenocarcinoma de esôfago, o que é paralelo à epidemia de obesidade (3). Em relação aos fatores de risco para cada subtipo, o carcinoma espinocelular possui forte associação com tabagismo e álcool e moderada associação com ingestão de comidas e bebidas quentes. Além disso, o subtipo espinocelular possui moderada associação com periodontite, má higiene oral e perda dentária (2). Já o adenocarcinoma, possui menos associações bem estabelecidas, sendo Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e obesidade alguns dos principais fatores de risco para esse subtipo (4). Em relação aos fatores protetores, uma dieta rica em vegetais e frutas tem moderada associação inversa com carcinoma espinocelular (2). Apesar do prognóstico ruim, a detecção precoce de lesões precursoras pode aumentar as taxas de sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes diagnosticados. Sendo assim, a ênfase no rastreamento e tratamento precoces entre pacientes de alto risco com câncer de esôfago tem o potencial de produzir resultados mais favoráveis (5). Por isso, identificar o subtipo histológico mais prevalente de uma região pode favorecer o desenvolvimento de triagens, de acordo com os fatores de risco favoráveis ao desenvolvimento desse subtipo, e auxiliar no diagnóstico precoce e sucesso terapêutico.

Objetivo Geral

O presente estudo objetiva analisar a prevalência de câncer esofágico no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas ao longo dos próximos cincos anos

Justificativa

O carcinoma escamoso, subtipo histológico do câncer de esôfago que comumente possui maior prevalência, possui uma sequência de alterações na mucosa esofágica que progride gradualmente de displasia para neoplasia e para câncer invasivo (5). Sendo assim, há a possibilidade de detectar a lesão precursora do câncer invasivo, como no caso da displasia e neoplasia, impedindo a evolução da doença e detectando-a antes dos estágios finais, nos quais, em geral, iniciariam os primeiros sintomas (6). Com a detecção precoce dessas lesões iniciais, poderia-se reduzir substancialmente o risco de progressão para carcinoma escamoso, já que a presença de displasias de moderado e alto grau, por exemplo, representam um risco substancial de progressão para esse carcinoma, com risco relativo de 9,8 a 28,3 (5). Apesar disso, atualmente, não há diretrizes de triagem para carcinoma escamoso, pois mesmo com lesões precursoras, o método de rastreamento, que consiste principalmente na endoscopia digestiva alta, é invasivo e pode se tornar custoso se preconizado para a população em geral. Da mesma forma, mesmo com fatores de risco melhor estabelecidos em relação ao adenocarcinoma, apenas alguns fatores de risco como tilose e histórico prévio de acidente com soda cáustica indicam rastreio periódico, sendo que os fatores de risco tabagismo e consumo de álcool crônicos não possuem diretrizes de rastreamento bem estabelecidas (5). Desse modo, como o subtipo escamoso configurava-se tanto como o subtipo mais prevalente quanto incidente, não haviam diretrizes ou protocolos formais que aprofundassem a necessidade de rastreio para câncer esofágico.

Contudo, apesar do subtipo escamoso ser, em geral, predominante, a incidência do subtipo adenocarcinoma vem aumentando em países desenvolvidos e no ocidente em geral, chegando a ser o mais prevalente em países como os Estados Unidos (7). Segundo estimativas, a incidência aumentou drasticamente nos últimos 30 a 40 anos, com um aumento de 300% para 500% ao longo deste tempo (7), o que propicia maior alerta às diretrizes de rastreamento da população de risco. O subtipo adenocarcinoma é associado a um padrão de crescimento rápido, metástase precoce, impulsionada por vasos linfáticos, e ausência de sintomas em estágio inicial. Apesar disso, quando identificado em estágios iniciais e tratado precocemente, as taxas de sobrevida, em 5 anos, excedem os 80% (5). Os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer esofágico de subtipo adenocarcinoma são, principalmente, DRGE, sexo masculino, idade avançada, raça caucasiana, obesidade central, tabagismo e histórico familiar (5). Da mesma forma que o carcinoma escamoso, o adenocarcinoma possui uma sequência de alterações na mucosa esofágica, iniciando pelo Esôfago de Barrett (EB), perpassando pela metaplasia e displasia até o câncer invasivo (5). Dessa forma, identificar precocemente lesões como Esôfago de Barrett podem aumentar as chances de manejo curativo nos pacientes. Em relação a essa lesão, a prevalência de EB na população é, em geral, de 1 a 2%, porém, em pacientes com DRGE crônica, essa taxa pode chegar a 10% (5), sendo o risco de adenocarcinoma entre pacientes com EB 30-125 vezes maior do que o da população em geral (7). Sendo assim, apesar de não haver de forma protocolar indicação para rastreamento de adenocarcinoma de esôfago, há indicação para endoscopia de triagem para Esôfago de Barrett, sendo sugerida para pacientes com DRGE crônica e 3 ou mais fatores de risco adicionais, incluindo idade maior do que 50 anos, sexo masculino, raça branca, tabagismo, obesidade e histórico familiar de EB ou adenocarcinoma de esôfago em um parente de primeiro grau (5).

Dessa forma, é necessário reiterar a importância da identificação do subtipo histológico mais prevalente e da análise de incidência desses subtipos em uma região e/ou serviço de saúde, a fim de incentivar e aprimorar as triagens de lesões precursoras, baseadas nos protocolos já bem estabelecidos, de acordo com os fatores de risco, como no caso do Esôfago de Barrett, que já possui indicação formal de rastreio para adenocarcinoma de esôfago por meio de endoscopia periódica. Tais perspectivas são importantes visto que a incidência de adenocarcinoma, em relação ao carcinoma epidermoide não tende a diminuir, com uma projeção de aumento dessa incidência, de acordo com estudos de Kong et al. até, pelo menos, o ano de 2030 em homens

Metodologia

O presente estudo consiste em um delineamento transversal com um braço retrospectivo e outro prospectivo, sendo analisados os prontuários de pacientes diagnosticados com câncer de esôfago nos últimos 5 anos e nos próximos 5 anos, submetidos ao serviço de Endoscopia do Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas e/ou ao Serviço de Medicina Interna desse mesmo hospital.
Para este trabalho, serão analisadas variáveis como sexo, idade, comorbidades prévias, escolaridade e fatores de risco para desenvolvimento de câncer de esôfago, como tabagismo, consumo de álcool, obesidade, Doença do refluxo gastroesofágico, acalasia, tilose, consumo de bebidas e comidas quentes, consumo de frutas e vegetais e presença de alterações dentárias como periodontite, perda dentária e/ou má higiene oral em pacientes maiores de 18 anos. Além disso, será analisado o subtipo histológico do câncer de esôfago desses pacientes.

Após a coleta de dados, as variáveis estudadas serão avaliadas pelo programa IBM SPSS 22.0. Os dados serão apresentados através de frequência simples em números absolutos (n) e porcentagens (%). Os dados serão analisados no software SPSS 22.0 e realizados teste t para variáveis contínuas com distribuição normal e qui quadrado para avaliação das associações de variáveis dicotômicas após realização dos exames. Os valores de p < 0.05 serão considerados estatisticamente significativos.

Em relação aos aspectos éticos, serão respeitados todos os princípios éticos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Saúde na Resolução número 466/12 de 12 de dezembro de 2012. A coleta será realizada por acadêmicos de medicina e residentes do PRM de gastroenterologia, devidamente treinados para a sua realização. Ainda quanto ao sigilo e armazenamento de dados coletados, será utilizada a plataforma Google Forms. Será assegurado o direito à confiabilidade dos dados e o cuidado na utilização das informações nos trabalhos escritos, de modo que os participantes não poderão ser identificados. O estudo passará pela aprovação do Comitê de Ética do HE. Ainda quanto ao sigilo e armazenamento de dados coletados, importa ressaltar que a Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD número 13.709 será respeitada. Os resultados do estudo serão arquivados por cinco anos em arquivo próprio, sob os cuidados dos pesquisadores, todos estando cientes e concordantes quanto ao cumprimento da lei. Ressalta-se que os dados poderão ser publicados, garantindo o anonimato dos sujeitos participantes.

Indicadores, Metas e Resultados

avaliação da prevalencia de neoplasia de esofago com melhor estruturação dos serviços de saude e otimizaçao do cuidado adequado do paciente. devolução dos resultados para a comunidade e publicação do trabalho em eventos cientificos e revistas

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ELZA CRISTINA MIRANDA DA CUNHA BUENO4
GIOVANNI MACEDO ALVES PEREIRA

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