Nome do Projeto
Cenários Econômicos Verdes
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
02/03/2026 - 31/12/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas
Eixo Temático (Principal - Afim)
Tecnologia e Produção / Meio ambiente
Linha de Extensão
Desenvolvimento regional
Resumo
Os municípios das regiões carboníferas do Rio Grande do Sul dependem historicamente da mineração de carvão como motor da dinâmica econômica e social. A atividade está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento regional, à geração de empregos e à segurança energética. Não obstante, a transição energética e a descarbonização das atividades produtivas são essenciais para o futuro do Rio Grande do Sul. Contudo, uma transição justa precisa assegurar que os desafios socioeconômicos, tecnológicos e ambientais das regiões dependentes dos combustíveis fósseis sejam considerados e contemplados. Estamos propondo a realização de um estudo exploratório e prospectivo sobre a transição social e econômica a ser implantada nas regiões carboníferas do Rio Grande do Sul. O foco e o escopo deste trabalho serão os setores agroalimentares e agroindustriais, especialmente a agricultura, a pecuária, a silvicultura e o complexo alimentar. A partir do estudo proposto, e com as ações de construção participativa e difusão dos cenários econômicos alternativos, busca engajar setores produtivos e governamentais, num esforço coletivo de sua construção conforme descrito nas ações propriamente ditas de extensão do projeto. O setor primário da metade sul do Rio Grande do Sul é atualmente uma fonte importante de emprego e renda para uma parcela importante da população dos municípios. Contudo, há fatores históricos e estruturais, assim como sociais, institucionais e culturais que têm obstaculizado o seu potencial de geração de riqueza e desenvolvimento. Neste sentido, o trabalho pretende analisar e avaliar os potenciais fatores de impulsão e destravamento, assim como os eventuais obstáculos e restrições que existem em relação a algumas atividades e/ou cadeias produtivas que possuem o rural e a agricultura como base material. Dividiremos a análise em dois grupos de setores e cadeias produtivas, que serão analisados de forma contrafactual e comparativa. O primeiro grupo é formado pelas atividades ou setores tradicionais da economia da região carbonífera do Rio Grande do Sul, a saber, a pecuária de corte, a silvicultura e a produção de grãos, tais como arroz, soja e milho, entre outros. O segundo grupo é formado por um conjunto de novas atividades produtivas, tais como o leite e a produção de derivados como queijo por agroindústrias familiares, especialmente nos assentamentos de reforma agrária. A produção de sementes para hortaliças, inclusive orgânicas. O desenvolvimento de cultivos perenes como as oliveiras e a vitivinicultura. A análise compreenderá uma primeira seção que será composta por indicadores descritivos, tanto em relação à evolução das áreas/superfícies cultivadas quanto ao valor da produção total obtida, destino da comercialização, entre outros. A etapa seguinte será destinada a compreender as barreiras e os riscos da transição produtiva, especialmente aqueles relacionados à mudança da base tecnológica, assim como o acesso a recursos financeiros e humanos para a sua execução. Por fim, o projeto apresentará um conjunto de sugestões e recomendações baseadas nas evidências encontradas a partir do trabalho de campo junto às organizações e aos stakeholders, assim como naquelas elaboradas a partir da observação e reflexão da equipe do projeto, com base em sua expertise acadêmica e científica.

Objetivo Geral

Elaborar cenários econômicos verdes e estratégias de implementação para a transição produtiva justa das regiões carboníferas do RS, com horizonte temporal de 2040.

Justificativa

As regiões carboníferas do Rio Grande do Sul, com epicentro no município de Candiota, enfrentam um momento crítico: sendo detentora das maiores reservas de carvão mineral do país e responsável por parte significativa da geração termoelétrica nacional, a economia da região e do município de Candiota apresentam extrema vulnerabilidade diante da transição energética global. A descarbonização da matriz elétrica brasileira e os compromissos climáticos internacionais assumidos pelo país (no Acordo de Paris e nas recentes NDCs apresentadas na COP-30) criam uma janela de oportunidade limitada para reestruturação produtiva.
Assim sendo, as regiões carboníferas do Rio Grande do Sul estão colocadas diante de um desafio histórico e estrutural que se expressa no abandono e na mudança de uma determinada formação social e econômica para outra, cujas bases e feições precisarão evoluir das formas atualmente existentes para uma nova matriz produtiva. Além disso, será necessário modificar as instituições e a cultura regional, que está arraigada e enraizada em processos históricos de uso da terra e dos recursos minerais que já não se sustentam. A crise da economia do carvão que surge em face dos limitantes ambientais tornou-se imperativa e exige, cada vez mais, o uso de fontes de energia renováveis ao invés de fósseis não renováveis. Conforme estimativas apresentadas em um estudo do DIEESE (2022) a partir da matriz insumo-produto, o encerramento completo das atividades ligadas ao carvão nacional no Brasil provocaria:
• Redução de 36,2 mil empregos, sendo 44% das ocupações derivada do fim da
extração do carvão e 56% originária do fim da geração de energia do carvão;
• Redução no Valor Adicionado (VA) de R$ 4,3 bilhões;
• Redução na arrecadação de impostos de R$ 1,6 bilhão;
• Queda na massa salarial de R$ 1,1 bilhão;
• Redução na arrecadação do INSS e do FGTS de R$ 292 milhões.
• Perda dos 41% da arrecadação do imposto proveniente da mineração (CFEM) no Rio Grande do Sul;
Neste aspecto, o projeto busca discutir e propor alternativas de geração de produção, emprego e renda para uma economia baseada em processos mais sustentáveis, conforme já indicado no resumo introdutório deste projeto.


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Metodologia

A metodologia que será aplicada na realização deste trabalho será a análise prospectiva sobre futuros possíveis, prováveis e desejáveis. Este recurso metodológico é particularmente recomendado para abordar problemas situados no horizonte futuro, que demandam a desconstrução de sistemas socioecológicos presentes e a análise da temporalidade e visualização de possíveis evoluções futuras de variáveis e fatores. Os exercícios são concebidos para subsidiar decisões, planos de ação, planejamento, estratégias e políticas públicas atuais, fornecendo novas perspectivas sobre futuros possíveis e desejáveis, cenários alternativos e análises de trajetória para alcançar esses cenários.
O pensamento de cenários é uma forma de explorar como o futuro pode se desenrolar e quais seriam as implicações para diferentes grupos e interesses (Woodhill; Hasnain; Griffith, 2020). Cenários podem ajudar a tornar mais explícitos quais seriam futuros desejáveis e indesejáveis e a desenvolver estratégias de intervenção robustas em todos os cenários possíveis. A análise de cenários faz parte do campo mais amplo da previsão e de estudos futuros. Realizar uma visão informada e análise de cenários sobre o futuro dos sistemas alimentares e da agricultura em pequena escala, especialmente em nível nacional, é, argumentamos, um elemento crítico para criar compreensão e vontade política de mudança.
Neste aspecto é possível realizar análises a partir de distintas perspectivas. Na maior parte dos casos, se utiliza a perspectiva da extrapolação do momento presente em relação às tendências futuras. As usuais linhas de tendência tomam por base as condições e fatos passados e fazem extrapolações para um cenário futuro próximo, em que se pode associar probabilidade à ocorrência dos eventos. Todavia, essa abordagem torna-se limitada quando não se pode calcular as probabilidades futuras. Assim, num cenário de incertezas, ela se torna insuficiente.
Uma das alternativas analíticas na realização de estudos prospectivos é a proposta por Sardar e Sweeney (2015), que sugerem a construção de um “framework” denominado de “três amanhãs”. Este framework busca trabalhar no que os autores denominam de “tempo pós-normal”, cujas características centrais são a incerteza e a ignorância.
Para a implantação da proposta há uma etapa inicial que começa por apresentar o cenário presente e sua complexidade. Neste presente, complexo e plural, já se encontram as tendências (locais, regionais e globais) que se irão manifestar em um futuro próximo, que seria o primeiro amanhã. O segundo amanhã, descrito como um futuro possível a ser visualizado, pode ter imagens ou imaginar como este será. Considerado um futuro que ainda possa ser familiar, mas que pode revelar dinâmicas estranhas ao presente, muitas vezes alternativas e até conflitivas. Para além desse futuro familiar há um terceiro amanhã, que é o futuro ainda não pensado, algo como um horizonte em que algumas, ou muitas, coisas ainda não foram consideradas (Sardar e Sweeney, 2015).
Em termos operacionais e práticos, pretendemos seguir a proposta de Patrouilleau et al. (2025) que aplicaram o modelo de Sardar e Sweeney (2015) através de um exercício de prospecção de cenários para políticas públicas para agricultura familiar, que implicam em exercícios que se dividem em quatro fases distintas, que são a sistematização das informações, a interpretação, a prospecção e análise de políticas públicas.
1ª fase da sistematização busca investigar que tendências e sinais de mudanças são percebidos no sistema analisado. Para tanto são exploradas as tendências a partir de dados secundários, antecedentes e indicadores. Nessa fase, sugere selecionar 30 fatores-chave.
2ª na fase de interpretação analisa-se o grupo de fatores-chave e suas inter-relações, utilizando-se de métodos semi-quantitativos, para avaliar sua importância e as incertezas, e os possíveis efeitos cruzados
3ª na fase de prospecção a preocupação é com os cenários, suas diferenças e contrastes, através de uma análise morfológica e elaboração de narrativas.
4ª fase de avaliação das quais políticas públicas poderiam enfrentar os desafios e ensejar cenários desejáveis.
No caso da proposta aqui apresentada para a construção de Cenários Econômicos Verdes para Regiões Carboníferas do Rio Grande do Sul, a metodologia de desenho de cenários se buscará, de forma participativa, com os atores sociais regionais, em particular as organizações da agricultura familiar, e outros stakeholders, para mapear as condições socioeconômicas e produtivas atuais das regiões carboníferas e identificar setores econômicos de baixo carbono com potencial de expansão local.
Para isso, serão empregados os procedimentos metodológicos descritos na primeira fase da metodologia sugerida por Patrouilleau et al. (2025) tais como técnicas de pesquisa em dados secundários, revisão bibliográfica que possam aportar a descrição das atividades econômicas e cadeias existententes, as potencias cadeias verdes, bem como a seleção dos fatores chaves, e os indicadores de forma particpativa..
Realizada esta sistematização e eleitos os fatores-chave e seus indicadores, a fase seguinte será a interpretação, que visa avaliar barreiras e oportunidades para implementação de novas cadeias produtivas verdes. Neste momento serão avaliadas a importância e a incerteza dos fatores elencados e identificam-se as incertezas críticas, fatores de alta importância e elevada incerteza que podem impactar de forma significativa a construção de diferentes cenários. Também se avaliará a capacidade de interferência mútua desses fatores. Para tanto se recorre a uma série de diálogos "in loco", para que essa avaliação seja feita também por especialistas, stakeholders e agentes locais, tais como representantes das organizações, formuladores e executores de políticas. De posse deste material e análises anteriores, busca-se obter uma visão de conjunto sobre os fatores, sua incerteza crítica e suas interrelações.
A partir destas avaliações, passa-se à fase da prospecção onde se atenderá aos objetivos de desenvolver cenários econômicos prospectivos de curto, médio e longo prazo e propor caminhos estratégicos para diversificação econômica. Este será o momento de apresentar a plausibilidade dos cenários ao invés de avaliações de probabilidade, tal como explicado por Sardar e Sweeney (2015). Na sequência será elaborada a análise morfológica a partir das narrativas e da coerência dos possíveis estados futuros dos fatores, tal como ressaltado por Patrouilleau et al. (2025). Assim, uma vez descritos, os cenários poderão ser confrontados e avaliados por experts de tal sorte a inspirar a elaboração de sugestões para políticas públicas. Esta será a última fase da metodologia, que atende ao objetivo do estudo no sentido de contribuir com recomendações gerais para apoiar políticas públicas e articulações institucionais necessárias à TEJ do RS. Neste momento, também será analisado o alinhamento das políticas públicas existentes com as referências da diversificação e geração de economias verdes. Então, o trabalho pretende propor recomendações de políticas que possam contribuir com o objetivo de gerar oportunidades econômicas verdes e geradoras de instrumentos capazes de orientar as transições necessárias ao desenvolvimento territorial.

Indicadores, Metas e Resultados

1. Relatório Técnico Completo com diagnóstico e análises;
2. Desenho e tipologia de cenários para a transição;
3. Roadmap com indicação de ações prioritárias, de médio e longo prazo;
4. Plano de Ação Prioritário 2027-2032;
5. Informações Setoriais sobre potencial de investimento em setores verdes;
6. Propostas de Políticas Públicas para a esfera municipal, estadual e federal;
7. Programa de Capacitação modulado para trabalhadores e gestores;
8. Evento Final de Divulgação e pactuação com stakeholders.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXANDER JOSE DE SENA
CÍCERO BACCHIERI DUARTE CAVALHEIRO
JOSE LUCAS JOANOL MORAES
Juliano Luiz Fossá
LUCIO ANDRE DE OLIVEIRA FERNANDES14
MARIA LAURA VICTÓRIA MARQUES
SERGIO SCHNEIDER

Recursos Arrecadados

FonteValorAdministrador
Instituto Clima e SociedadeR$ 100.000,00Fundação Delfim Mendes da Silveira

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339033 - Passagens de Despesas de LocomoçãoR$ 2.150,00
339020 - Auxílio Financeiro a PesquisadorR$ 57.000,00
339018 - Auxílio Financeiro a EstudantesR$ 18.600,00
339014 - Diária Pessoa CivilR$ 5.250,00
339040 - Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação Pessoa JurídicaR$ 5.000,00
339039 - Outros Serviços de Terceiro - Pessoa JurídicaR$ 12.000,00

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