Nome do Projeto
Estatística, Literatura e Cinema
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/06/2026 - 31/05/2031
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
O projeto tem como objetivo investigar o uso da Estatística como ferramenta de análise, interpretação e crítica em obras literárias e cinematográficas, com foco em textos e filmes clássicos nacionais e internacionais. Parte-se do pressuposto de que frequências, matrizes de interação, medidas de centralidade e grafos de personagens podem revelar padrões formais e relacionais relevantes. Tais procedimentos, contudo, não substituem a interpretação crítica, pois os dados quantitativos precisam ser examinados à luz da teoria literária, da narratologia, dos estudos de adaptação, da linguagem cinematográfica, da análise do discurso, da teoria do diálogo e da hermenêutica. A proposta dialoga com a leitura distante, que utiliza modelos abstratos, gráficos e séries quantitativas para ampliar a compreensão da história e da forma literária (MORETTI, 2005; MORETTI, 2013). Aproxima-se também da macroanálise literária, voltada ao exame quantitativo de padrões textuais em larga escala (JOCKERS, 2013), e das humanidades digitais, que articulam dados, visualização e modelagem computacional na análise cultural (MANOVICH, 2020). No campo do cinema, considera-se a tradição da análise quantitativa do estilo fílmico, especialmente a cinemetria e a mensuração formal de filmes (SALT, 1974; CINEMETRICS, 2026). No campo das redes de personagens, a pesquisa apoia-se em estudos que representam personagens como nós e interações como arestas, permitindo analisar centralidade, densidade, mediação e estrutura relacional em narrativas literárias e audiovisuais (WASSERMAN; FAUST, 1994; WAUMANS; NICODÈME; BERSINI, 2015; LABATUT; BOST, 2019; JONES; QUINN; KOSKINEN, 2020). A inovação metodológica está em não tratar a rede de personagens apenas como visualização estatística, mas como ponto de partida para análise discursiva e hermenêutica. Assim, tabelas, matrizes e grafos serão compreendidos como instrumentos interpretativos, construídos por codificação, validação e retorno ao texto ou ao filme. A pesquisa investigará não apenas quem fala com quem e quantas vezes fala, mas também como fala, em que posição enunciativa, com que função narrativa, quem é autorizado a falar, quem é silenciado e como o diálogo constrói relações de poder, ironia, mediação e conflito. Para isso, serão mobilizadas categorias do dialogismo, da análise do discurso, da pragmática, do diálogo cinematográfico e da hermenêutica (BAKHTIN, 1981; BAKHTIN, 2010; AUSTIN, 1962; SEARLE, 1969; RICŒUR, 1976; KOZLOFF, 2000; CHION, 1994; DRUCKER, 2011; VAN LEEUWEN, 2008; FAIRCLOUGH, 1992; VAN DIJK, 2008). O corpus inicial será formado por obras clássicas nacionais e internacionais. Como estudo-piloto, será analisada a relação entre “The Wisdom of Eve”, de Mary Orr, e sua adaptação cinematográfica All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz. Em etapa posterior, poderão ser incorporadas obras como Vidas secas, de Graciliano Ramos, sua adaptação por Nelson Pereira dos Santos, Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Frankenstein, Guerra e paz e adaptações correspondentes. A pesquisa será desenvolvida por revisão bibliográfica, seleção de corpus, segmentação das obras, codificação de personagens, falas, cenas, interações, atos de fala, silêncios significativos e modos de enunciação. Serão construídas bases de dados, tabelas, matrizes de adjacência e grafos. Os resultados serão interpretados criticamente, com atenção à distribuição da voz, à centralidade narrativa, à mediação, à adaptação, às relações de poder, ao apagamento, ao protagonismo, à autoridade discursiva e às representações culturais.

Objetivo Geral

Promover encontros mensais de exibição e debate de filmes para estudantes da UFPel, articulando Literatura, Cinema, Estatística, análise do discurso e interpretação crítica, com o objetivo de ampliar a formação interdisciplinar da comunidade acadêmica e estimular a leitura analítica de obras cinematográficas nacionais e internacionais.

Justificativa

A relação entre Literatura e Cinema tem sido tradicionalmente estudada por meio da análise comparativa, da teoria da adaptação, da narratologia, da crítica cultural e da teoria da linguagem cinematográfica. Esses caminhos continuam indispensáveis para compreender a construção das personagens, o funcionamento da narrativa, a linguagem estética das obras e seus vínculos históricos e culturais. Entretanto, o desenvolvimento das humanidades digitais e dos métodos quantitativos aplicados à cultura abriu novas possibilidades de pesquisa, permitindo que obras literárias e cinematográficas também sejam examinadas por meio de dados, padrões relacionais e visualizações estruturais.

Nos estudos literários, Franco Moretti propôs a leitura distante como alternativa complementar à leitura próxima, defendendo que gráficos, mapas, árvores e modelos abstratos permitem observar padrões amplos da história literária (MORETTI, 2005; MORETTI, 2013). Matthew Jockers, ao desenvolver a noção de macroanálise, reforça que métodos quantitativos e computacionais podem auxiliar a compreender regularidades textuais, estilísticas e históricas que dificilmente seriam percebidas apenas pela leitura individual de obras isoladas (JOCKERS, 2013). Lev Manovich amplia esse horizonte ao propor a análise cultural por meio de grandes conjuntos de dados, visualizações e procedimentos computacionais (MANOVICH, 2020).

A estilometria também oferece base metodológica importante para o projeto. Eder, Rybicki e Kestemont demonstram que a frequência de palavras, os padrões estilísticos e as distâncias textuais podem ser usados em análises literárias e autorais, desde que interpretados com cautela e rigor (EDER; RYBICKI; KESTEMONT, 2016). Embora este projeto não tenha como objetivo central a atribuição de autoria, a estilometria demonstra que textos literários podem ser analisados quantitativamente sem que a dimensão interpretativa seja eliminada.

No campo dos estudos cinematográficos, a análise quantitativa também possui tradição consolidada. Barry Salt utilizou procedimentos estatísticos para examinar o estilo de filmes, sobretudo por meio da duração de planos e de padrões formais de montagem (SALT, 1974). A cinemetria demonstra que a obra cinematográfica pode ser analisada por dados sem que sua dimensão estética seja reduzida a números (CINEMETRICS, 2026). Além disso, estudos recentes sobre roteiros, diálogos e estilometria cinematográfica mostram que falas de personagens, estruturas de cena e padrões de interação podem ser objeto de análise quantitativa (HOYT; PONTO; ROY, 2014; HOŁOBUT; RYBICKI, 2020).

A teoria dos grafos e a análise de redes sociais oferecem instrumentos particularmente relevantes para investigar narrativas. Wasserman e Faust sistematizam conceitos fundamentais da análise de redes, como nós, arestas, centralidade, densidade e intermediação (WASSERMAN; FAUST, 1994). Em narrativas ficcionais, personagens podem ser representadas como nós, enquanto diálogos, encontros ou interações podem ser representados como arestas. Waumans, Nicodème e Bersini aplicam essa perspectiva à literatura, mostrando que a topologia das redes extraídas de romances pode revelar aspectos estruturais relevantes das obras (WAUMANS; NICODÈME; BERSINI, 2015). Labatut e Bost realizam uma revisão ampla sobre extração e análise de redes de personagens ficcionais, demonstrando a aplicabilidade do método a romances, peças, filmes e séries (LABATUT; BOST, 2019). Jones, Quinn e Koskinen aplicam medidas de centralidade a narrativas fílmicas, mostrando que redes dinâmicas de interação podem contribuir para compreender a posição das personagens ao longo do filme (JONES; QUINN; KOSKINEN, 2020).

Entretanto, a análise estatística de redes narrativas torna-se insuficiente quando reduz o diálogo a uma unidade apenas contável. Por isso, este projeto incorpora uma camada qualitativa mais robusta, fundamentada na teoria do diálogo, na análise do discurso e na hermenêutica. Bakhtin permite compreender o diálogo literário como espaço de vozes sociais, polifonia, heteroglossia e disputa de sentidos (BAKHTIN, 1981; BAKHTIN, 2010). Austin e Searle permitem analisar a fala como ação, isto é, como ato que promete, ameaça, acusa, silencia, ironiza, ordena ou legitima (AUSTIN, 1962; SEARLE, 1969). Kozloff oferece categorias específicas para o diálogo cinematográfico, incluindo sua função narrativa, sua capacidade de caracterização, sua relação com o subtexto e seu papel na construção do realismo estilizado do filme (KOZLOFF, 2000). Chion contribui para pensar a voz no cinema como fenômeno audiovisual, articulado à presença, ao corpo, à escuta e à cena (CHION, 1994).

A análise crítica do discurso também será incorporada para examinar como as obras constroem, legitimam ou desestabilizam posições sociais, hierarquias simbólicas e relações de autoridade. Van Leeuwen contribui para essa dimensão ao propor ferramentas para analisar modos de legitimação discursiva, como autorização, avaliação moral, racionalização e narrativização, categorias especialmente úteis para investigar personagens que ocupam posições de prestígio, subordinação, marginalidade ou mediação social (VAN LEEUWEN, 2008). Fairclough permite articular texto, prática discursiva e prática social, enquanto Van Dijk contribui para examinar os modos pelos quais o poder se organiza cognitivamente e discursivamente nas relações sociais representadas pelas obras (FAIRCLOUGH, 1992; VAN DIJK, 2008). Essa perspectiva será particularmente relevante em corpus como All About Eve, em que a fama e a autoridade teatral são construídas discursivamente, e em obras como Vidas secas, nas quais a escassez de fala e a desigualdade social produzem formas específicas de silenciamento.

A hermenêutica é necessária porque a passagem dos números ao sentido não é automática. Ricœur propõe uma articulação entre explicação e compreensão, permitindo que a análise estrutural dos dados seja reconduzida à interpretação do texto e da obra (RICŒUR, 1976). Drucker adverte que visualizações e dados nas Humanidades não devem ser tratados como espelhos neutros da realidade, mas como construções interpretativas dependentes de escolhas, categorias e decisões metodológicas (DRUCKER, 2011). Com isso, o projeto assume que a construção da base de dados, a definição das arestas, a classificação das falas e a leitura dos grafos já são atos interpretativos.

A escolha por obras clássicas nacionais e internacionais amplia o alcance da pesquisa. No plano internacional, obras como The Wisdom of Eve, All About Eve, Frankenstein, Guerra e paz e adaptações de Shakespeare permitem investigar a permanência e a transformação de estruturas narrativas em diferentes tradições culturais. No plano nacional, obras como Vidas secas, Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e suas adaptações permitem examinar temas como regionalismo, desigualdade social, interioridade narrativa, silêncio, ironia, autoridade discursiva e representação do Brasil.

A presença de clássicos nacionais é especialmente importante porque impede que a metodologia fique restrita a corpus anglófonos ou hollywoodianos. Obras brasileiras permitem testar a aplicabilidade da Estatística e da análise de redes em contextos literários e cinematográficos marcados por outras formas de oralidade, silêncio, narrador, regionalismo, crítica social e estrutura narrativa. Assim, o projeto pode contribuir tanto para os estudos quantitativos da cultura quanto para a crítica literária e cinematográfica brasileira.

Metodologia

A pesquisa adotará abordagem mista, articulando procedimentos quantitativos e qualitativos. A Estatística será empregada na organização, descrição e visualização dos dados, enquanto a análise do discurso, a teoria do diálogo e a hermenêutica orientarão a interpretação crítica dos resultados. O percurso metodológico será integrado e iterativo, de modo que os dados estatísticos não sejam tratados como conclusões automáticas, mas como indícios formais a serem confrontados com a materialidade literária e cinematográfica das obras.

Inicialmente, será realizada revisão bibliográfica sobre leitura distante, macroanálise, humanidades digitais, estilometria, cinemetria, teoria dos grafos, redes de personagens, narratologia, estudos de adaptação, análise do discurso, pragmática, teoria do diálogo, diálogo cinematográfico e hermenêutica. A revisão terá como base autores como Moretti (2005; 2013), Jockers (2013), Manovich (2020), Eder, Rybicki e Kestemont (2016), Salt (1974), Cinemetrics (2026), Wasserman e Faust (1994), Waumans, Nicodème e Bersini (2015), Labatut e Bost (2019), Jones, Quinn e Koskinen (2020), Hutcheon e O’Flynn (2013), Stam (2000), Chatman (1978), Bordwell (1985), Bakhtin (1981; 2010), Austin (1962), Searle (1969), Kozloff (2000), Chion (1994), Ricœur (1976), Drucker (2011), Van Leeuwen (2008), Fairclough (1992) e Van Dijk (2008).

O corpus será organizado em três níveis. O primeiro será o corpus-piloto, composto pelo conto “The Wisdom of Eve”, de Mary Orr, e pelo filme All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz. Esse conjunto será utilizado para testar, ajustar e estabilizar o protocolo metodológico. O segundo será o corpus clássico internacional, que poderá incluir obras como Frankenstein, de Mary Shelley, Guerra e paz, de Liev Tolstói, e adaptações cinematográficas de peças de William Shakespeare. O terceiro será o corpus clássico nacional, com possibilidade de incluir Vidas secas, de Graciliano Ramos, e sua adaptação cinematográfica por Nelson Pereira dos Santos, além de Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e transposições audiovisuais relacionadas. A seleção final observará relevância estética e histórica, disponibilidade de texto, roteiro ou transcrição, presença de estrutura dialógica analisável, viabilidade de codificação e pertinência para a comparação entre literatura e cinema.

No caso do corpus brasileiro, as decisões metodológicas serão acompanhadas pela fortuna crítica específica de cada obra. Em Machado de Assis, por exemplo, a codificação deverá considerar a complexidade do narrador, a ironia, o discurso indireto livre e a manipulação enunciativa. Em Graciliano Ramos, será necessário considerar a economia verbal, a secura da linguagem, o silêncio e a relação entre linguagem, pobreza e desumanização. Assim, a análise estatística não será aplicada de maneira uniforme a todos os objetos, mas ajustada às especificidades formais e críticas de cada corpus.

As obras literárias serão segmentadas em capítulos, episódios, cenas narrativas, personagens, falas diretas, discurso indireto, discurso indireto livre, menções relevantes e interações. As obras cinematográficas serão segmentadas em cenas, sequências, personagens presentes, falas, interlocutores, pares de interação, voz em off, silêncio relevante, sobreposição sonora e situações de escuta. Quando houver roteiro disponível, ele será utilizado como apoio, mas a análise priorizará a versão efetivamente apresentada no filme.

As unidades de análise serão personagem, fala, cena, sequência, unidade narrativa, interação, par de personagens, menção nominal, presença em cena, diálogo direto, diálogo indireto, discurso indireto livre, silêncio significativo, ato de fala, modalização, tom avaliativo e função relacional. Para a construção dos grafos, a unidade principal será o par de interação. Uma aresta será registrada quando houver diálogo direto entre dois personagens ou interação narrativa claramente identificável. Em obras com narrador forte, como as de Machado de Assis, será avaliado se o narrador deve ser tratado como instância discursiva própria ou como função estrutural da narrativa.

Será elaborada uma base de dados contendo variáveis como obra, tipo de obra, país, período, autor ou diretor, cena ou unidade narrativa, personagem emissor, personagem receptor, fala, extensão aproximada da fala, tipo de interação, tema dominante, função narrativa, polaridade relacional, núcleo dramático, modo de discurso, ato de fala, ironia, subtexto, modalização, relação de poder, silêncio relevante e observação interpretativa. Essa base permitirá a construção de tabelas de frequência, matrizes de adjacência, grafos de interação e comparações entre obras literárias e cinematográficas. Para reduzir a subjetividade de categorias como ironia, subtexto, modalização e relação de poder, será elaborado um protocolo de codificação com definições operacionais, exemplos positivos, exemplos negativos e critérios de decisão. Quando houver mais de um codificador, será realizado teste de concordância em amostra inicial, podendo-se utilizar o Kappa de Cohen ou medida equivalente, conforme a natureza dos dados (COHEN, 1960).

No tratamento estatístico, serão empregados procedimentos de Estatística descritiva e análise exploratória. Serão calculadas frequências absolutas e relativas de falas, interações, presenças em cena, menções, atos de fala e pares relacionais. Também serão construídas tabelas de contingência e matrizes de adjacência, nas quais linhas e colunas representarão personagens, e os valores indicarão frequência ou intensidade das interações. A escolha pela Estatística descritiva justifica-se porque o objetivo inicial não é inferir propriedades populacionais, mas descrever, comparar e interpretar estruturas internas de obras específicas. Testes inferenciais poderão ser utilizados apenas em etapas posteriores, caso o corpus seja ampliado.

Na análise de grafos, os personagens serão representados como nós, e as interações como arestas. As arestas poderão ser ponderadas pela frequência do diálogo, intensidade relacional, recorrência da interação ou função discursiva. Serão calculadas medidas como grau, grau ponderado, centralidade de intermediação, centralidade de proximidade, densidade da rede, modularidade e identificação de comunidades relacionais. A centralidade matemática não será interpretada automaticamente como importância estética, pois uma personagem pode ser pouco frequente e, ainda assim, estruturalmente decisiva.

A análise do discurso será incorporada como camada qualitativa central. Cada fala será examinada como ato situado em uma relação narrativa, social e simbólica. Serão observados atos de fala, orientação argumentativa, modalização, tom avaliativo, ironia, subtexto, assimetria enunciativa, silenciamento, discurso citado, discurso indireto livre e palavra bivocal. A partir de Bakhtin, o diálogo será entendido como confronto entre vozes sociais e posições de valor (BAKHTIN, 1981; BAKHTIN, 2010). Austin e Searle permitirão tratar as falas como atos narrativos, como acusar, prometer, persuadir, ameaçar, confessar, manipular ou legitimar (AUSTIN, 1962; SEARLE, 1969). Kozloff e Chion orientarão a análise do diálogo, da voz e do som no cinema (KOZLOFF, 2000; CHION, 1994), enquanto Van Leeuwen, Fairclough e Van Dijk apoiarão a análise das relações entre discurso, poder, legitimação e prática social (VAN LEEUWEN, 2008; FAIRCLOUGH, 1992; VAN DIJK, 2008).

Por fim, o procedimento hermenêutico articulará dado, obra e sentido. Os padrões estatísticos indicarão hipóteses de leitura, que retornarão ao texto ou ao filme para serem confrontadas com cenas, diálogos, imagens, silêncios e contextos críticos. Esse movimento aproxima-se da relação entre explicação e compreensão proposta por Ricœur (1976) e da compreensão de Drucker (2011) de que visualizações e dados são construções interpretativas. Em cada obra, será selecionado ao menos um estudo de caso aprofundado, definido a partir das medidas estatísticas e analisado em sua materialidade verbal, visual, sonora e discursiva. Assim, a pesquisa evitará a separação mecânica entre Estatística e crítica, adotando uma triangulação entre padrão quantitativo, análise discursiva e interpretação hermenêutica.

Indicadores, Metas e Resultados

• Realizar revisão bibliográfica sobre Estatística aplicada às Humanidades, leitura distante, estilometria, cinemetria, teoria dos grafos, redes de personagens, estudos de adaptação, análise do discurso, teoria do diálogo e hermenêutica.

• Definir o corpus-piloto com base em “The Wisdom of Eve” e All About Eve.

• Definir corpus complementar com obras clássicas nacionais e internacionais, considerando relevância literária, cinematográfica e viabilidade metodológica.

• Elaborar protocolo de codificação com definições operacionais para categorias quantitativas e qualitativas.

• Realizar teste de codificação em amostra inicial do corpus, avaliando divergências interpretativas e ajustando os critérios antes da análise integral.

• Construir uma base de dados com personagens, falas, cenas, interações, atos de fala e pares relacionais.

• Elaborar tabelas de frequência absoluta e relativa das falas, interações e categorias discursivas.

• Construir matrizes de adjacência para as obras analisadas.

• Gerar grafos de interação entre personagens.

• Calcular medidas de centralidade, densidade e modularidade.

• Comparar estruturas relacionais entre literatura e cinema.

• Realizar análise discursiva das falas mais relevantes, especialmente nos pontos de maior centralidade, conflito, mediação ou silenciamento.

• Articular os padrões estatísticos a hipóteses hermenêuticas verificadas no retorno ao texto e ao filme.

• Desenvolver pelo menos um estudo de caso hermenêutico aprofundado por obra ou por eixo comparativo, articulando medidas estatísticas, análise discursiva e interpretação crítica.

• Incorporar, no corpus nacional, a fortuna crítica pertinente às obras analisadas, especialmente nos casos em que a figura do narrador, da ironia ou do silêncio tiver papel estrutural.

• Produzir um protocolo metodológico replicável para análise quantitativa, discursiva e crítica de obras literárias e cinematográficas.

• Produzir pelo menos dois artigos científicos com os resultados parciais do projeto.

• Apresentar os resultados em eventos de Estatística, Literatura, Cinema, Humanidades Digitais ou áreas interdisciplinares.

• Elaborar relatório final com os resultados do projeto, as contribuições metodológicas e as possibilidades de aplicação em novos corpus.

Resultados esperados

• Construção de base de dados estruturada sobre falas, cenas, interações e categorias discursivas em obras literárias e cinematográficas clássicas.

• Produção de tabelas, matrizes e grafos de personagens.

• Identificação de personagens centrais, periféricas, mediadoras e silenciadas em diferentes narrativas.

• Comparação entre redes de interação em obras literárias e suas adaptações cinematográficas.

• Interpretação crítica dos deslocamentos de voz, presença, centralidade, poder e autoridade discursiva nas adaptações.

• Desenvolvimento de metodologia interdisciplinar aplicável a obras nacionais e internacionais.

• Fortalecimento da articulação entre Estatística, análise do discurso, hermenêutica, Literatura e Cinema.

• Contribuição para os estudos de Literatura e Cinema por meio de uma abordagem estatística crítica.

• Formação de estudantes em análise de dados aplicada às Humanidades.

• Publicação de artigos científicos e apresentação dos resultados em eventos acadêmicos.

• Elaboração de materiais didáticos e metodológicos sobre Estatística aplicada à Literatura e ao Cinema.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
CAMILA RAMSON BUBOLZ
CARLOS ALBERTO MIRAGLIA4
GISELDA MARIA PEREIRA6
LUANA FONSECA BARROS
WILLIAN SILVA BARROS18

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