Nome do Projeto
A poesia de Prisca Agustoni pela perspectiva dos estudos de ecocrítica
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
13/07/2026 - 31/07/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Linguística, Letras e Artes
Resumo
: Este projeto propõe uma investigação da poesia de Prisca Agustoni a partir da perspectiva da ecocrítica, campo dos estudos literários dedicado às relações entre literatura e meio ambiente. Partindo do reconhecimento da crise ecológica como um dos principais desafios da contemporaneidade, a pesquisa busca compreender de que modo a lírica de Agustoni elabora questões como mutação ambiental, extinção das espécies, luto ecológico, ecoansiedade e as relações entre humano e não humano. O corpus será constituído pelos livros publicados pela autora no Brasil e analisado com base em autores como Cheryll Glotfelty (1996), Lawrence Buell (1995), Bruno Latour (2020; 2021), Donna Haraway (2023), Timothy Morton (2021; 2023), Anna Tsing (2022) e Vinciane Despret (2017). Espera-se contribuir para o fortalecimento dos estudos ecocríticos no Brasil, ampliar a fortuna crítica sobre a obra de Agustoni e evidenciar o potencial da poesia contemporânea como espaço de formulação de questões ambientais.
Objetivo Geral
Desenvolver uma investigação crítica sobre a poesia de Prisca Agustoni a partir da perspectiva da ecocrítica.
Justificativa
Este estudo justifica-se pela necessidade de ampliar as reflexões sobre um dos desafios mais urgentes da contemporaneidade: a crise ambiental e seus impactos sobre as formas de vida no planeta. Conforme observa Timothy Morton (2021), o período que vivemos pode ser caracterizado como "sexta extinção em massa", fenômeno que ultrapassa a noção de "mudança climática" ou "aquecimento global" já que se define pela perda acelerada da biodiversidade e a transformação irreversível das condições de existência na Terra. Sendo assim, é muito importante que o debate referente a essas questões esteja presente também no campo da cultura.
A ecocrítica é uma das áreas responsáveis por estabelecer este diálogo entre cultura e meio ambiente. Greg Garrard explica que, embora a ecocrítica possa não ser qualificada para resolver problemas de cunho ecológico, ela é essencial para que os efeitos da mutação ambiental sejam não somente conhecidos pela humanidade, mas para que tenham potencial para mobilizá-la. Ele exemplifica esse movimento a partir da publicação do livro Primavera silenciosa (1962) de Rachel Carson. Segundo Garrard, essa obra foi responsável por tornar o problema da poluição e do uso indiscriminado de agrotóxicos amplamente conhecido e, desse modo, capaz de ser discutido nos contextos políticos, jurídicos e midiáticos. Um estudo que discuta este tipo de publicação, conforme afirma o autor, “pode ajudar a definir, a examinar e até a resolver problemas ecológicos nesse sentido mais amplo” (Garrard, 2006, p. 18).
Nesse cenário, depreende-se que a lírica de Prisca Agustoni é um objeto de estudo relevante para problematizar as questões expostas acima. Agustoni, apesar de não ter nascido no Brasil, é um dos nomes significativos da poesia brasileira contemporânea recente. A poeta, com origem suíça, passa a escrever em língua portuguesa a partir de sua mudança para o território brasileiro, onde obteve seu título de doutorado na área de Letras e, posteriormente, começou a lecionar na Universidade de Juiz de Fora. Com uma produção significativa na poesia e na literatura infantojuvenil, a autora tem despertado interesse dos leitores e da crítica especializada por trabalhar com temáticas atuais e importantes para a contemporaneidade, como a imigração e os problemas ambientais. Em 2023, foi premiada com o prêmio Oceanos pelo seu livro de poesia O gosto amargo dos metais, cujo poema único discute os crimes ambientais ocorridos em Minas Gerais.
A presente pesquisa, nesse contexto, é relevante por propor uma análise da poesia completa de Agustoni, identificando recorrências e padrões em sua poética, especialmente aqueles que dizem respeito às mutações ambientais, suas causas e desdobramentos. Ao delimitar o corpus a partir de todos seus livros publicados no Brasil, em detrimento de uma análise de seus livros individuais, este projeto se torna importante pelo seu potencial em apontar características e tendências na lírica desta poeta que é central nas produções acerca do meio ambiente em nosso país.
A ecocrítica é uma das áreas responsáveis por estabelecer este diálogo entre cultura e meio ambiente. Greg Garrard explica que, embora a ecocrítica possa não ser qualificada para resolver problemas de cunho ecológico, ela é essencial para que os efeitos da mutação ambiental sejam não somente conhecidos pela humanidade, mas para que tenham potencial para mobilizá-la. Ele exemplifica esse movimento a partir da publicação do livro Primavera silenciosa (1962) de Rachel Carson. Segundo Garrard, essa obra foi responsável por tornar o problema da poluição e do uso indiscriminado de agrotóxicos amplamente conhecido e, desse modo, capaz de ser discutido nos contextos políticos, jurídicos e midiáticos. Um estudo que discuta este tipo de publicação, conforme afirma o autor, “pode ajudar a definir, a examinar e até a resolver problemas ecológicos nesse sentido mais amplo” (Garrard, 2006, p. 18).
Nesse cenário, depreende-se que a lírica de Prisca Agustoni é um objeto de estudo relevante para problematizar as questões expostas acima. Agustoni, apesar de não ter nascido no Brasil, é um dos nomes significativos da poesia brasileira contemporânea recente. A poeta, com origem suíça, passa a escrever em língua portuguesa a partir de sua mudança para o território brasileiro, onde obteve seu título de doutorado na área de Letras e, posteriormente, começou a lecionar na Universidade de Juiz de Fora. Com uma produção significativa na poesia e na literatura infantojuvenil, a autora tem despertado interesse dos leitores e da crítica especializada por trabalhar com temáticas atuais e importantes para a contemporaneidade, como a imigração e os problemas ambientais. Em 2023, foi premiada com o prêmio Oceanos pelo seu livro de poesia O gosto amargo dos metais, cujo poema único discute os crimes ambientais ocorridos em Minas Gerais.
A presente pesquisa, nesse contexto, é relevante por propor uma análise da poesia completa de Agustoni, identificando recorrências e padrões em sua poética, especialmente aqueles que dizem respeito às mutações ambientais, suas causas e desdobramentos. Ao delimitar o corpus a partir de todos seus livros publicados no Brasil, em detrimento de uma análise de seus livros individuais, este projeto se torna importante pelo seu potencial em apontar características e tendências na lírica desta poeta que é central nas produções acerca do meio ambiente em nosso país.
Metodologia
A presente pesquisa será desenvolvida ao longo de 12 meses e utilizará dos pressupostos da ecocrítica para discutir, interpretar e analisar os poemas de Prisca Agustoni. O corpus da pesquisa será constituído a partir de todos os livros de poemas publicados pela autora no Brasil: Animal extremo (Patuá, 2017), O mundo mutilado (Quelônio, 2020), Rastros (Círculo de Poemas, 2022), Pólvora (Macondo, 2022), O gosto amargo dos metais (7Letras, 2022), Arqueologias (Peirópolis, 2024) e Quimera (Círculo de poemas, 2024).
Em uma primeira etapa, o corpus de investigação será delimitado a partir da seleção de poemas que abordem categorias ambientais em sua temática. Entre essas categorias, estão alguns dos principais conceitos da ecocrítica: espécies companheiras (Haraway, 2021), solastalgia e/ou ecoansiedade (Albretch, 2005; 2007), extinção das espécies (van Dooren 2017), mutação ambiental (Latour, 2020), capitaloceno (Tsing, 2022) e demais categorias que se mostrem relevantes durante a revisão da literatura.
Posteriormente, os poemas serão analisados dentro de suas categorias, levando em consideração aspectos temáticos e formais. Para além das formas de representação da natureza e da crise ambiental, serão também observados aspectos de linguagem e de estrutura, considerando cada poema em sua especificidade. Sempre que necessário, serão utilizados procedimentos da literatura comparada, aproximando a obra de Agustoni de outros autores que tematizem as questões ambientais, de modo a situar sua escrita no panorama geral dos estudos literários.
Por fim, os resultados serão sistematizados em forma de artigos científicos e de trabalhos acadêmicos, que discutirão os principais aspectos da poética de Agustoni no que diz respeito à sua inserção no debate ecológico.
Em uma primeira etapa, o corpus de investigação será delimitado a partir da seleção de poemas que abordem categorias ambientais em sua temática. Entre essas categorias, estão alguns dos principais conceitos da ecocrítica: espécies companheiras (Haraway, 2021), solastalgia e/ou ecoansiedade (Albretch, 2005; 2007), extinção das espécies (van Dooren 2017), mutação ambiental (Latour, 2020), capitaloceno (Tsing, 2022) e demais categorias que se mostrem relevantes durante a revisão da literatura.
Posteriormente, os poemas serão analisados dentro de suas categorias, levando em consideração aspectos temáticos e formais. Para além das formas de representação da natureza e da crise ambiental, serão também observados aspectos de linguagem e de estrutura, considerando cada poema em sua especificidade. Sempre que necessário, serão utilizados procedimentos da literatura comparada, aproximando a obra de Agustoni de outros autores que tematizem as questões ambientais, de modo a situar sua escrita no panorama geral dos estudos literários.
Por fim, os resultados serão sistematizados em forma de artigos científicos e de trabalhos acadêmicos, que discutirão os principais aspectos da poética de Agustoni no que diz respeito à sua inserção no debate ecológico.
Indicadores, Metas e Resultados
Metas:
Mapear, sistematizar e analisar os poemas de Prisca Agustoni que tematizem questões ambientais;
Aprofundar a análise de eixos temáticos relacionados à ecocrítica;
Ampliar o escopo da investigação discutindo a poesia contemporânea brasileira no contexto mais amplo das discussões ambientais na literatura.
Indicadores:
Corpus organizado e categorizado segundo os conceitos da ecocrítica;
Produção de artigos científicos e apresentação de trabalhos em eventos;
Produção de artigos científicos; apresentação de trabalhos em eventos; oferta de disciplina e/ou curso sobre a temática.
Resultados esperados:
Ter uma compreensão qualitativa e quantitativa de como a temática é abordada pela autora;
Ampliar a fortuna crítica da autora e produzir conhecimento científico a partir da teoria proposta;
Contribuir para os estudos de ecocrítica através da discussão sobre a importância da poesia brasileira na elaboração dos problemas ambientais.
Mapear, sistematizar e analisar os poemas de Prisca Agustoni que tematizem questões ambientais;
Aprofundar a análise de eixos temáticos relacionados à ecocrítica;
Ampliar o escopo da investigação discutindo a poesia contemporânea brasileira no contexto mais amplo das discussões ambientais na literatura.
Indicadores:
Corpus organizado e categorizado segundo os conceitos da ecocrítica;
Produção de artigos científicos e apresentação de trabalhos em eventos;
Produção de artigos científicos; apresentação de trabalhos em eventos; oferta de disciplina e/ou curso sobre a temática.
Resultados esperados:
Ter uma compreensão qualitativa e quantitativa de como a temática é abordada pela autora;
Ampliar a fortuna crítica da autora e produzir conhecimento científico a partir da teoria proposta;
Contribuir para os estudos de ecocrítica através da discussão sobre a importância da poesia brasileira na elaboração dos problemas ambientais.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| AULUS MANDAGARA MARTINS | 2 | ||
| MARIANE PEREIRA ROCHA | 20 |