Nome do Projeto
Coronectomia de terceiros molares inferiores: um estudo retrospectivo avaliando a sobrevivência das raízes remanescentes
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
20/08/2026 - 20/12/2027
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A exodontia de terceiros molares inferiores é um dos procedimentos mais realizados em cirurgia Buco-Maxilo-Facial, porém apresenta risco significativo de lesão do nervo alveolar inferior quando há íntima relação entre as raízes e o canal mandibular, podendo resultar em parestesia temporária ou permanente. Nesse contexto, a coronectomia tem se consolidado como alternativa mais segura, pois preserva intencionalmente as raízes dentárias, reduzindo substancialmente a probabilidade de dano neural. Apesar dos benefícios reconhecidos, ainda persistem dúvidas quanto ao comportamento a longo prazo das raízes remanescentes e a real necessidade de remoção tardia. O presente estudo retrospectivo de coorte tem como objetivo avaliar a sobrevivência de raízes remanescentes sepultadas na técnica da coronectomia em terceiros molares inferiores de alto risco, realizados na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas entre 2014 e 2019, com ênfase na taxa de sobrevivência livre de reintervenção cirúrgica das raízes remanescentes por meio da análise de Kaplan-Meier, além da incidência de complicações pós-operatórias (migração radicular, infecção, necessidade de remoção tardia e lesão nervosa). Espera-se determinar a probabilidade cumulativa de manutenção das raízes ao longo do tempo e comparar os achados com a literatura internacional, contribuindo para o refinamento das indicações da técnica e para a elaboração de protocolos de acompanhamento mais precisos e baseados em evidências.
Objetivo Geral
Avaliar a segurança a longo prazo da coronectomia em terceiros molares inferiores de alto risco para lesão do nervo alveolar inferior, por meio da determinação da taxa de sobrevivência livre de reintervenção cirúrgica das raízes remanescentes, em pacientes operados na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas numa coorte de acompanhamento da técnica.
Justificativa
A coronectomia é uma alternativa terapêutica conservadora para tratamento de terceiros molares inferiores que se encontram em íntimo contato com o nervo alveolar inferior, sendo uma técnica que começou a ser amplamente estudada nas últimas décadas e se baseia na remoção intencional apenas da coroa dentária e na preservação das raízes em nível infra-ósseo, reduzindo em 95% a incidência de parestesia quando comparada à exodontia convencional (PEIXOTO, et al. 2024). Apesar do crescente corpo de evidências favoráveis à técnica, persistem lacunas importantes quanto ao comportamento a longo prazo das raízes remanescentes — especialmente a taxa de migração, a ocorrência de infecções periapicais e, sobretudo, a real necessidade de reintervenção cirúrgica tardia para sua remoção.
A taxa de sobrevivência livre de remoção das raízes remanescentes representa, atualmente, o principal indicador de sucesso da coronectomia na literatura internacional (KURITA et al. 2024). Estudos que utilizam análise de sobrevida (Kaplan-Meier) têm demonstrado taxas de manutenção radicular superiores a 85–95 % em 5–10 anos (Hamad et al. 2024), porém a maioria dos trabalhos brasileiros ainda se limita a avaliações de curto prazo ou a percentuais brutos de falência, sem considerar o tempo de acompanhamento individual de cada paciente.
Embora os índices de parestesia do NAI não sejam tão altos nos relatos, como documentada por (PÓVOA et al. 2021), representando 0,59% dos procedimentos, quando essa intercorrência ocorre, causa inúmeros inconvenientes aos pacientes afetados, como ausência de sensibilidade em dentes inferiores e gengiva e especialmente no lábio inferior, o que pode causar alguns constrangimentos na hora de ingerir alimentos ou da própria fala. Portanto evitar essa lesão sempre que o risco é detectável, torna-se imprescindível atualmente, para evitar desconforto extremo aos pacientes, muito embora, em vários casos essa parestesia seja reversível, em intervalos de tempo variados. A técnica de coronectomia é relativamente nova na literatura, foi desenvolvida em 1984, por Ecuyer e Debien, teve um protocolo bem descrito por POGREL et al. em 2004 e teve algumas modificações importantes como as de RENTON et al. em 2005, com critérios mais rigorosos durante a cirurgia para evitar mobilização intraoperatória das raízes, porém ainda carece de estudos e compreender melhor seus aspectos e desfechos torna-se muito importante.
Também é importante estudar características regionais com metodologia estatística adequada para subsidiar protocolos de indicação e acompanhamento na realidade dos serviços. Entre os anos de 2014 e 2019, um grupo de pacientes com a devida indicação foi submetido a esta técnica cirúrgica aqui na FO-UFpel, e acompanhados por um período de até 5 anos pós-cirúrgico, dentro de um projeto de pesquisa (protocolo CEP 38484414.8.0000.5317), no entanto em função da pandemia do COVID-19 e de muitos pacientes que não compareceram as consultas de acompanhamento, essas avaliações acabaram sendo interrompidas e o objetivo do projeto não foi plenamente atingido (Pinto, et al. 2022). Desta forma, surge o propósito deste trabalho, que é de avaliar se os pacientes operados naquele momento tiveram alguma intercorrência e se ainda possuem o remanescente radicular, para avaliar os desfechos a longo prazo da coronectomia, contribuindo para o refinamento dos critérios de indicação, para o estabelecimento de protocolos de acompanhamento mais precisos e para a consolidação da técnica como opção segura e previsível em casos de alto risco neurossensorial na rotina do cirúrgica.
A taxa de sobrevivência livre de remoção das raízes remanescentes representa, atualmente, o principal indicador de sucesso da coronectomia na literatura internacional (KURITA et al. 2024). Estudos que utilizam análise de sobrevida (Kaplan-Meier) têm demonstrado taxas de manutenção radicular superiores a 85–95 % em 5–10 anos (Hamad et al. 2024), porém a maioria dos trabalhos brasileiros ainda se limita a avaliações de curto prazo ou a percentuais brutos de falência, sem considerar o tempo de acompanhamento individual de cada paciente.
Embora os índices de parestesia do NAI não sejam tão altos nos relatos, como documentada por (PÓVOA et al. 2021), representando 0,59% dos procedimentos, quando essa intercorrência ocorre, causa inúmeros inconvenientes aos pacientes afetados, como ausência de sensibilidade em dentes inferiores e gengiva e especialmente no lábio inferior, o que pode causar alguns constrangimentos na hora de ingerir alimentos ou da própria fala. Portanto evitar essa lesão sempre que o risco é detectável, torna-se imprescindível atualmente, para evitar desconforto extremo aos pacientes, muito embora, em vários casos essa parestesia seja reversível, em intervalos de tempo variados. A técnica de coronectomia é relativamente nova na literatura, foi desenvolvida em 1984, por Ecuyer e Debien, teve um protocolo bem descrito por POGREL et al. em 2004 e teve algumas modificações importantes como as de RENTON et al. em 2005, com critérios mais rigorosos durante a cirurgia para evitar mobilização intraoperatória das raízes, porém ainda carece de estudos e compreender melhor seus aspectos e desfechos torna-se muito importante.
Também é importante estudar características regionais com metodologia estatística adequada para subsidiar protocolos de indicação e acompanhamento na realidade dos serviços. Entre os anos de 2014 e 2019, um grupo de pacientes com a devida indicação foi submetido a esta técnica cirúrgica aqui na FO-UFpel, e acompanhados por um período de até 5 anos pós-cirúrgico, dentro de um projeto de pesquisa (protocolo CEP 38484414.8.0000.5317), no entanto em função da pandemia do COVID-19 e de muitos pacientes que não compareceram as consultas de acompanhamento, essas avaliações acabaram sendo interrompidas e o objetivo do projeto não foi plenamente atingido (Pinto, et al. 2022). Desta forma, surge o propósito deste trabalho, que é de avaliar se os pacientes operados naquele momento tiveram alguma intercorrência e se ainda possuem o remanescente radicular, para avaliar os desfechos a longo prazo da coronectomia, contribuindo para o refinamento dos critérios de indicação, para o estabelecimento de protocolos de acompanhamento mais precisos e para a consolidação da técnica como opção segura e previsível em casos de alto risco neurossensorial na rotina do cirúrgica.
Metodologia
Tipo e delineamento do estudo
Trata-se de um estudo observacional, analítico, de coorte retrospectiva, com análise de sobrevivência. O trabalho também inclui uma revisão narrativa da literatura sobre coronectomia de terceiros molares inferiores.
População e amostra
Serão avaliados todos os prontuários de pacientes submetidos à coronectomia de terceiros molares inferiores no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2025, participantes da pesquisa intitulada.
Critérios de inclusão
Pacientes submetidos à coronectomia de pelo menos um terceiro molar inferior submetidos a técnica de coronectomia e que seguiram os protocolos da pesquisa, tendo para isso assinado o TCLE do projeto.
Prontuário com documentação completa: ficha clínica, radiografias pré-operatórias e pós-operatória imediata e de pelo menos 1 ano de acompanhamento;
3.4 Critérios de exclusão
Documentação clínica ou radiográfica incompleta;
Pacientes que não podem mais ser contactados por ausência de dados de localização.
Pacientes que não tenham ao menos a radiografia inicial e a panorâmica pós-operatória de um ano.
3.5 Coleta de dados
Os dados serão coletados por um único examinador previamente calibrado, utilizando formulário padronizado. As variáveis analisadas:
Dados demográficos (idade, sexo);
Dente operado;
Sinais radiográficos de risco;
Complicações pós-operatórias imediatas (até 30 dias): dor, edema, trismo, infecção, deiscência, exposição radicular;
Complicações tardias: migração radicular (medida na radiografia pós-operatória inicial e na final), infecção periapical, necessidade de reintervenção cirúrgica e motivo da remoção das raízes remanescentes, parestesia do nervo alveolar inferior ou lingual, remoção de esmalte remanescente, outros;
Tempo de acompanhamento pós-operatório (em meses).
Ainda, todos os pacientes serão contatados via whatsapp ou telefone e convidados a responder um breve questionário via whatsapp, no momento do contato inicial, com as seguintes perguntas:1. Nesse período, houve alguma complicação relacionada ao dente? ( ) Não ( ) Sim. Qual? 2. Foi necessário realizar a extração das raízes remanescentes? ( ) Não ( ) Sim. Quando? 3. As raízes remanescentes chegaram a aparecer na boca devido à movimentação delas ao longo do tempo? ( ) Não ( ) Sim. Quando?
O evento final considerado para a análise de sobrevivência será se a remoção da raiz foi necessária, a data em que isso ocorreu e nos casos que não ocorreu, será considerada a data da última consulta do paciente na FO ou da resposta ao questionário.
3.6 Análise estatística:
Estatística descritiva: médias, medianas, desvios-padrão e frequências das variáveis epidemiológicas.
Taxa de sobrevivência livre de remoção das raízes foi calculada pelo método de Kaplan-Meier, com intervalo de confiança de 95 % (curva de Kaplan-Meier);
Comparação entre subgrupos (ex.: sexo, idade, sinais radiográficos) será realizada pelo teste log-rank, se possível;
Análise dos fatores associados à falência da coronectomia será feita por regressão de Cox (se aplicável);
Nível de significância adotado: p < 0,05.
3.7 Aspectos éticos
O presente estudo trata-se da reavaliação de uma pesquisa já previamente registrada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FO da Universidade Federal de Pelotas, foi submetido uma emenda ao CEP, solicitando prorrogação do tempo de estudo, a qual foi aprovada.Todos os pacientes do estudo assinaram o TCLE no momento da sua inserção na coorte.
Trata-se de um estudo observacional, analítico, de coorte retrospectiva, com análise de sobrevivência. O trabalho também inclui uma revisão narrativa da literatura sobre coronectomia de terceiros molares inferiores.
População e amostra
Serão avaliados todos os prontuários de pacientes submetidos à coronectomia de terceiros molares inferiores no Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no período compreendido entre janeiro de 2014 e dezembro de 2025, participantes da pesquisa intitulada.
Critérios de inclusão
Pacientes submetidos à coronectomia de pelo menos um terceiro molar inferior submetidos a técnica de coronectomia e que seguiram os protocolos da pesquisa, tendo para isso assinado o TCLE do projeto.
Prontuário com documentação completa: ficha clínica, radiografias pré-operatórias e pós-operatória imediata e de pelo menos 1 ano de acompanhamento;
3.4 Critérios de exclusão
Documentação clínica ou radiográfica incompleta;
Pacientes que não podem mais ser contactados por ausência de dados de localização.
Pacientes que não tenham ao menos a radiografia inicial e a panorâmica pós-operatória de um ano.
3.5 Coleta de dados
Os dados serão coletados por um único examinador previamente calibrado, utilizando formulário padronizado. As variáveis analisadas:
Dados demográficos (idade, sexo);
Dente operado;
Sinais radiográficos de risco;
Complicações pós-operatórias imediatas (até 30 dias): dor, edema, trismo, infecção, deiscência, exposição radicular;
Complicações tardias: migração radicular (medida na radiografia pós-operatória inicial e na final), infecção periapical, necessidade de reintervenção cirúrgica e motivo da remoção das raízes remanescentes, parestesia do nervo alveolar inferior ou lingual, remoção de esmalte remanescente, outros;
Tempo de acompanhamento pós-operatório (em meses).
Ainda, todos os pacientes serão contatados via whatsapp ou telefone e convidados a responder um breve questionário via whatsapp, no momento do contato inicial, com as seguintes perguntas:1. Nesse período, houve alguma complicação relacionada ao dente? ( ) Não ( ) Sim. Qual? 2. Foi necessário realizar a extração das raízes remanescentes? ( ) Não ( ) Sim. Quando? 3. As raízes remanescentes chegaram a aparecer na boca devido à movimentação delas ao longo do tempo? ( ) Não ( ) Sim. Quando?
O evento final considerado para a análise de sobrevivência será se a remoção da raiz foi necessária, a data em que isso ocorreu e nos casos que não ocorreu, será considerada a data da última consulta do paciente na FO ou da resposta ao questionário.
3.6 Análise estatística:
Estatística descritiva: médias, medianas, desvios-padrão e frequências das variáveis epidemiológicas.
Taxa de sobrevivência livre de remoção das raízes foi calculada pelo método de Kaplan-Meier, com intervalo de confiança de 95 % (curva de Kaplan-Meier);
Comparação entre subgrupos (ex.: sexo, idade, sinais radiográficos) será realizada pelo teste log-rank, se possível;
Análise dos fatores associados à falência da coronectomia será feita por regressão de Cox (se aplicável);
Nível de significância adotado: p < 0,05.
3.7 Aspectos éticos
O presente estudo trata-se da reavaliação de uma pesquisa já previamente registrada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FO da Universidade Federal de Pelotas, foi submetido uma emenda ao CEP, solicitando prorrogação do tempo de estudo, a qual foi aprovada.Todos os pacientes do estudo assinaram o TCLE no momento da sua inserção na coorte.
Indicadores, Metas e Resultados
Espera-se
- contatar todos pacientes inseridos na amostra inicial;
- obter retorno de mais de 50% dessa amostra;
- conseguir avaliação radiográfica atualizada da maioria dos pacientes operados;
- identificar a sobrevivência das raízes submetidas à coronectomia e comparar com os índices encontrados na literatura (Barcellos, 2019);
- ampliar o período médio de acompanhamento da técnica de coronectomia;
- identificar possíveis falhas e complicações da técnica e encaminhar para tratamento quando necessário.
- contatar todos pacientes inseridos na amostra inicial;
- obter retorno de mais de 50% dessa amostra;
- conseguir avaliação radiográfica atualizada da maioria dos pacientes operados;
- identificar a sobrevivência das raízes submetidas à coronectomia e comparar com os índices encontrados na literatura (Barcellos, 2019);
- ampliar o período médio de acompanhamento da técnica de coronectomia;
- identificar possíveis falhas e complicações da técnica e encaminhar para tratamento quando necessário.
Equipe do Projeto
| Nome | CH Semanal | Data inicial | Data final |
|---|---|---|---|
| ANA JULIA TAVARES CORREA | |||
| BHÁRBARA MARINHO BARCELLOS | 2 | ||
| CRISTINA BRAGA XAVIER | 4 | ||
| FILIPPE VAREIRA DE LIMA |