Nome do Projeto
"Quintais em prosa” sobre a violência de gênero: produção de saberes e práticas educativas participativas em Terapia Ocupacional Social, com mulheres moradoras do território Areal
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
19/08/2019 - 10/07/2020
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Eixo Temático (Principal - Afim)
Direitos Humanos e Justiça / Educação
Linha de Extensão
Direitos individuais e coletivos
Resumo
O “Quintais de Prosa” é um projeto cujas ações estão voltadas para o cotidiano de mulheres do território Areal, município de Pelotas-RS, no que tange aos problemas atrelados à violência de gênero. Consiste em intervenções sócio-educativas semanais em residências de mulheres assistidas pelo Centro de Referência da Assistência Social- Areal, atreladas a momentos formativos com os técnicos do serviço. Em termos metodológicos, o projeto consiste em uma pesquisa-ação, todavia as ações de pesquisa serão incluídas posteriormente, mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.

Objetivo Geral

O projeto consiste em intervir nas condições de vida de mulheres do território Dunas, município de Pelotas-RS, no que tange aos problemas atrelados à violência de gênero; e propor ações que assegurem a todos os atores envolvidos, criticidade, comprometimento e instrumentalização para lidar com tais problemas.

Justificativa

O Projeto “Quintais em prosa” foi pensado através da vivência no “Programa de Extensão Comunidade de Práticas no Território Dunas: produção de práticas emancipatórias”, ligadas ao Laboratório de Práticas Emancipatórias e Territoriais (LAPET) do curso de Terapia Ocupacional da UFPEL. Nas atividades desenvolvidas junto à UBS e ao CRAS, evidenciou-se a condição vulnerável da mulher no território. As demandas de ordem social, de saúde e situações de violência de gênero por elas vivenciadas suscitaram a reflexão sobre quais ações seriam pertinentes ao contexto.
Apesar da inserção da mulher na comunidade e sua representatividade nos papéis sociais, o fenômeno da violência de gênero é crescente e somente no primeiro trimestre de 2019, a cidade de Pelotas já registrou 245 ameaças de violência, 164 casos de lesão corporal e 7 registros de estupro. (SSP, 2019). De 2017 para 2018 o número de feminicídios quadruplicou (RIVERO.; DA SILVA. E CHIES. 2019). Alguns estudos revelam que disparadores para os casos de violência contra a mulher estão relacionados com o contexto econômico, as disparidades sociais e as relações de poder sistematizadas pela cultura patriarcal (PORTELLA, 2004).
Ante os aspectos descritos, propôs-se conhecer o modo de vida das mulheres do território e, a partir das demandas advindas no decorrer do processo, propor intervenções socioeducativas que dar-se-ão de forma participativa e coletiva, no sentido de transformação do cotidiano e crítica pró-emancipatória.

Metodologia

A emancipação, proposta como objetivo do estudo, não se estabelece necessariamente com os resultados efetivos das ações elaboradas, mas justamente durante o diálogo e a produção de reflexão crítica acerca das questões demandadas. (BORBA ET. AL.). As intervenções socioeducativas estarão pautadas nos estudos feministas, priorizando análises interseccionais de classe e raça/cor na produção de desigualdades sociais.
O contato entre acadêmicos, profissionais do CRAS e moradoras do território possibilitará o exercício de democracia na construção de estratégias de enfrentamento dos conflitos e injustiças experimentadas. A partir desse diálogo horizontalizado, espera-se estimular o pensamento crítico, no sentido de desconstruir paradigmas que naturalizam as desigualdades e formas de violência (MAGALHÃES ET. AL.).
As etapas e processos previstos são:
1) Pactuação com o CRAS (apresentação do projeto, definição das ações, inclusão de outros parceiros, pactuação de uma agenda de devolutivas, etc);
2) Ações
O “Quintais de Prosa” consiste em visitas às residências das mulheres adscritas ao CRAS Areal. Por meio desse “encontro”, espera-se acessar o cotidiano das mulheres, criando bases comunicativas para fortalecimento do vínculo entre elas e o serviço. Espera-se, além disso, compreender o significado de ser mulher nesse território, utilizando-se de escuta ativa e sensível à concretude do machismo estrutural, além de intervenções dialógicas de caráter educativo, incluindo informações sobre direitos e serviços das redes intersetoriais.
Paralela às intervenções junto às mulheres do território, espera-se potencializar as ações do CRAS por meio de ações formativas com os técnicos do serviço.
3) Avaliação participativa das ações e proposição de novos objetivos.

Indicadores, Metas e Resultados

Ampliação da assistência às mulheres, verificada pelo número de famílias visitadas;
Aumento da consciência crítica das mulheres atendidas, percebido pelo registro e análise dos relato dessas mulheres.
Qualificação dos trabalhadores do CRAS em relação à assistência à mulher, constatada nas mudanças nas representações e práticas;

Ressalta-se a possibilidade de construção de novas metas e indicadores na pesquisa-ação, como produto da intervenção e participação dos atores na comunidade de práticas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DIEGO EUGENIO ROQUETTE GODOY ALMEIDA6
ROBERTA BORGES SOARES

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