Nome do Projeto
Produção de escrita e leitura crítica-emancipatória com estudantes de escolas do bairro Dunas
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
12/08/2019 - 16/12/2020
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Eixo Temático (Principal - Afim)
Educação / Cultura
Linha de Extensão
Grupos sociais vulneráveis
Resumo
O Projeto Vozes consiste em práticas socioeducativas em Terapia Ocupacional Social, pautadas no pensamento crítico-emancipatório, envolvendo estudantes da Escola de Ensino Fundamental Jornalista Deogar Soares, localizada no bairro Dunas, Pelotas/RS. Objetiva-se intervir nas questões relacionadas à amanualidade (Álvaro Vieira Pinto) e à experiência (Walter Benjamin) dos atores sociais: família, escola e jovens inseridos nos anos finais do Ensino Fundamental. O problema central identificado no território é a "perda da experiência", pensando na experiência como formas de comunicação entre família, estudante e escola que promovem narrativas biográficas em cruzamento com a história. Explorando o enriquecimento da experiência, esperamos estimular a "amanualidade", isto é, a “leitura crítica” da realidade pela apropriação de tecnologias (escrita, leitura, desenho, mídias, etc). Temas como cidadania, violência, participação social, protagonismo, comunicação, emancipação, redes sociais serão explorados nos encontros por meio de atividades socioeducativas. As intervenções serão semanais, no próprio ambiente escolar, com duração de 50 min. Os estudantes serão convidados a participarem no contraturno, sem prejuízo das atividades pedagógicas.

Objetivo Geral

Intervir nas questões relacionadas à amanualidade dos estudantes e à experiência partilhada entre escola, família e território.

Justificativa

Após alguns meses de investimento no território, preenchido por encontros e escuta ativa das demandas territoriais, divisou-se uma comunidade de práticas nascente, composta pelos educadores das duas escolas públicas da região, profissionais da saúde, cultura, assistência social, além dos acadêmicos da UFPel. As informações registradas em caderno de campo e nas atas dessas reuniões, evidenciaram representações sobre a infância no Dunas, equivalentes ao que se poderia chamar de “arcaísmo cultural". A missão da educação, neste sentido, seria a inculcação de “boas maneiras” e alfabetização, colocando o brincar e cuidar, como elementos de menor importância. Já a condição juvenil é reveladora de uma rede de apoio frágil, sociabilidade e lazer reduzidos em decorrência do tráfico de drogas e ausência de equipamentos públicos de cultura, esporte e lazer. A juventude, semelhante às representações da infância, seria uma fase de ameaça, risco. À escola caberia o papel de ocupação do tempo e competição com atrativos imorais ou ilegais do território.
O desempenho escolar dos alunos, muitas vezes, é relatado pela escola como o menor dos problemas do cotidiano escolar, já que questões relativas à violência (de gênero, racial, bullying, etc), ao tráfico de drogas, à gestação precoce, à questões familiares e socioeconômicas se colocam como obstáculos para a manutenção dos alunos no espaço escolar. Apesar da riqueza de projetos desenvolvidos, a escola dispõe de pouca infraestrutura do ponto de vista tecnológico, contando principalmente com os recursos humanos, com os materiais e o espaço físico da própria escola, além de jogos virtuais simples para desenvolver as atividades curriculares. Nota-se que, aliados aos pais dos jovens, os profissionais da educação disputam atenção e o interesse dos alunos com a oferta dos conteúdos interativos e inesgotáveis da internet, disputa essa iníqua e indômita.
Recorrendo à noção de experiência de Walter Benjamin (LESSA, 2016), notou-se parcas possibilidades de trocas simbólicas e memórias entre a adultez e infância/juventude, o que implicaria em ausência de diálogo, conflitos, violências, silenciamento cultural e fragilidade da autoridade escolar. Amanualidade foi outro conceito importante, de Álvaro Vieira Pinto (1960), tendo em vista a natureza educativa emancipatória de todas as práticas da CoPE. Os conflitos intergeracionais, o sentimento de impotência dos serviços e a tendência à naturalização das injustiças apontaria para reduzida (mas não nula) capacidade de “manuseio” dos recursos disponíveis para transformação das realidades. Tal panorama abriu espaço para acordos iniciais entre os atores envolvidos, o que veio a resultar no atual projeto de extensão.

Metodologia

- Referencial Teórico: Amanualidade, para Álvaro Vieira Pinto (FREITAS, 2006), é a capacidade que uma pessoa tem de modificar sua própria realidade com aquilo que está disposto ao seu alcance. Esse processo é adquirido através da educação e, no momento que o "homem" toma consciência do “como” mudar o mundo pela apropriação tecnológica (linguagem, escrita, etc), ele descobre também o “porquê” de mudá-la. Assim a realidade é percebida como algo mutável, e não uma realidade posta no mundo de maneira estática.
Tecnologia, neste aspecto, significa todo domínio instrumental que media a ação dos sujeitos com o mundo, atividade que humaniza por meio da produção de cultura e satisfação das necessidades. Pode ser o uso de um lápis, a manipulação de um garfo, a presteza em decifrar livros, o conhecimento de máquinas, computadores, ou seja, qualquer forma de “manuseio” do mundo. É pelo ponto de vista de Vieira Pinto que se é possível afirmar que ninguém é analfabeto ou destituído de saberes em grau zero. Há sempre algum conhecimento do mundo advindo do uso do mundo ao alcance, sem exceção.
Já a experiência benjaminiana (LESSA, 2016), é relacionada com a memória, com aquilo que é passado de geração em geração através da narração e tem o peso da tradição. É entendido como uma atividade educativa, formativa, e desta maneira, a experiência está no bojo da formação humana.

Local: Escola Municipal de Ensino Fundamental Jornalista Deogar Soares, localizada no bairro Dunas, Pelotas/RS.

Participantes: cerca de 15 estudantes dos anos finais do ensino fundamental, de participação espontânea (com ou sem indicação escolar).

Materiais e métodos:
- Oficinas de atividades, dinâmicas e projetos (LOPES, et al. 2014): utilizando-se de diferentes técnicas como Mapeamento Corporal, Ecomapa, rodas de conversa, atividades gráficas, etc. Objetiva-se conhecer o cotidiano juvenil e promover formas de reflexão sobre temas, como violência, identidade, educação, uso de drogas, entre outros. As oficinas serão semanais, no contraturno escolar. A participação acontecerá mediante o convite nas salas de aula ou indicação da coordenação pedagógica.
- Rodas formativas em uma escola de ensino infantil, pensando junto aos educadores/professores ferramentas para lidar com as demandas relacionadas à sexualidade infantil, sobrecarga do ofício, a escassez de materiais e equipamentos para o trabalho e a necessidade de debate acerca das políticas de educação infantil. O conteúdo e frequência de tais encontros serão definidos com os profissionais da escola.

Indicadores, Metas e Resultados

- Produção de materiais, tecnologias educativas e narrativas reflexivas (indicador da amanualidade);
- Intensificação da comunicação escola-família (aferida pelo registro observacional das reuniões com a família/cuidadores);
- Ampliação da experiência intergeracional, integrando narrativas da adultez e juventude (relato dos estudantes, concretização de tarefas feitas conjuntamente, narrativas presentes nos produtos).

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
DIEGO EUGENIO ROQUETTE GODOY ALMEIDA2
EDUARDA SOCOOWSKI HERNANDES MIRAPALHETA PIRES
MARIA VICTORIA MOTTA DA COSTA
RAFAELA DOS PASSOS MÜLLER

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