Nome do Projeto
Turismo e patrimônio paisagístico: subsídios ao planejamento territorial da Costa Doce Gaúcha
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
15/04/2020 - 15/04/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Sociais Aplicadas
Resumo
O projeto está centrado nas interfaces entre o Turismo, a Geografia e outras áreas do conhecimento afins, e aborda a interação entre os temas paisagem e patrimônio, sob a perspectiva do planejamento territorial e turístico. A partir da abordagem geográfica do Turismo, parte-se da investigação científica sobre as práticas dos sujeitos e as dinâmicas dos locais turísticos para refletir as implicações espaciais e temporais desse importante fenômeno social contemporâneo. Ao abordar uma visão integrada da paisagem que compreende, simultaneamente, os componentes naturais e culturais, materiais e imateriais, permitindo sua concepção enquanto realidade física e representação, pretende-se revelar as identidades territoriais, os sentidos e valores atribuídos pelos sujeitos ao patrimônio paisagístico, e suas formas de interpretação, valorização e apropriação pelo turismo. O objetivo geral do projeto é analisar as práticas de turismo relacionadas ao patrimônio paisagístico, a fim de oferecer subsídios ao planejamento territorial da Região Turística Costa Doce Gaúcha. A pesquisa caracteriza-se prioritariamente pela abordagem qualitativa (FLICK, 2009), de perspectiva indutiva (GIBBS, 2009), pois trata de valorizar a experiência sensível dos sujeitos em relação à paisagem. Integra etapas de levantamento em fontes bibliográficas e documentais e de coleta de dados por meio do trabalho de campo, utilizando instrumentos e técnicas de pesquisa específicas a cada etapa do trabalho. Inclui ainda a elaboração de mapas temáticos e o uso de metodologias participativas nas ações de intervenção junto aos atores territoriais. Este projeto, prioritariamente de investigação científica, ainda prevê a integração de ações de ensino, complementando a formação dos discentes de graduação e pós-graduação em temas específicos, na interação entre o Turismo e a Geografia; e, ainda, o atendimento as demandas sociais de capacitação, prestação de serviços ou outras formas de inserção junto às comunidades pesquisadas. Os principais resultados esperados são: 1) a geração de conhecimentos socioespaciais sobre a Região Turística Costa Doce Gaúcha que subsidiem o planejamento territorial e turístico; 2) a identificação e mapeamento do patrimônio paisagístico da Costa Doce Gaúcha; 3) a proposição de formas inovadoras de intervenção no patrimônio paisagístico, a partir do turismo; 4) o fomento à elaboração de programas, projetos e ações que aliem turismo, educação e pesquisa científica; 5) a capacitação e mobilização dos atores para a tomada de decisão acerca da função turística do território; 6) a promoção de formas de sensibilização e difusão dos conhecimentos acerca do patrimônio paisagístico da Planície Costeira do Rio Grande do Sul; 7) a geração de conhecimentos que permitam compreender e acompanhar o papel da dimensão turística na transformação da paisagem litorânea do RS; e 8) a promoção de uma formação acadêmica-científica interdisciplinar na Universidade Federal de Pelotas a partir do fomento às ações de ensino, pesquisa e extensão, em que interagem diversas áreas do conhecimento e em cooperação com entidades parceiras.

Objetivo Geral

Analisar as práticas de turismo relacionadas ao patrimônio paisagístico, a fim de oferecer subsídios ao planejamento territorial da Região Turística Costa Doce Gaúcha.

Justificativa

O projeto está centrado nas interfaces entre o Turismo, a Geografia e outras áreas do conhecimento afins, objetivando a construção de propostas acadêmicas e científicas interdisciplinares que sejam capazes de lidar com a complexidade da realidade, colocando em foco o caráter relacional das sociedades com o espaço geográfico.
A partir da abordagem geográfica do Turismo (SACAREAU, STOCK, 2003), considera-se as implicações espaciais e temporais desse fenômeno sociocultural inerentemente complexo e em plena expansão na atualidade. Trata-se de compreendê-lo por meio de suas interdependências globais, heterogeneidade de sujeitos, diversidade de práticas e dinâmicas dos locais turísticos. A esfera recreativa ganha novos contornos na sociedade contemporânea, desafiando os pesquisadores a problematizar os movimentos turísticos diante de um sistema global de mobilidades humanas e dos processos atuais de (re)conexão entre natureza e cultura, simbólico e ecológico, espaços urbanos e periurbanos, cidades e águas, entre outros. Nesse contexto, o turismo torna-se função importante em determinados territórios, transformando as relações dos sujeitos com os locais, e também a transformação dos locais a partir das práticas desses sujeitos. Além disso, a função turística articula-se com outras funções residenciais, recreativas, patrimoniais e socioeconômicas no território.
Ao abordar uma visão integrada da paisagem que abrange, simultaneamente, os componentes naturais e culturais, materiais e imateriais, compreende-se sua concepção enquanto realidade física e representação: "[...] uma área, tal como é percebida pelas pessoas, cujo caráter é o resultado da ação e interação de fatores naturais (como o relevo, a hidrologia, a flora e a fauna) e/ou humanos (como atividades econômicas ou patrimônio histórico). Ao mesmo tempo, a paisagem é concebida como uma realidade física e de acordo com a representação que fazemos dela. É a fisionomia de um território com todos os seus elementos naturais e antrópicos, bem como os sentimentos e emoções que são despertados ao contemplá-los. A paisagem é concebida [...] como um produto social, a projeção cultural de uma sociedade em um espaço determinado a partir de uma dimensão material, espiritual e simbólica" (NOGUÉ; SALA; GRAU, 2016, p. 15, tradução nossa).
Ao problematizar as práticas turísticas relacionadas às formas de interpretação e valorização paisagística, busca-se contribuir com a difusão dos conhecimentos e permanência das identidades territoriais, bem como revelar os sentidos e valores atribuídos pelos sujeitos ao patrimônio paisagístico, oferecendo bases para a agenda das políticas públicas patrimoniais e turísticas, qualificando assim, a tomada de decisão no processo de planejamento territorial.
A ampliação das práticas recreativas contemporâneas traz uma nova pauta de reivindicações sociais e políticas pela manutenção da qualidade ambiental e dos valores patrimoniais da paisagem, bem como a democratização do acesso e dos usos e apropriações socioespaciais. Portanto, paisagem e patrimônio são temas convergentes, principalmente na perspectiva do planejamento territorial contemporâneo. Essa discussão temática tem destaque a partir da década de 1990, quando o Comitê do Patrimônio Mundial/UNESCO lança a categoria "paisagem cultural", o que no Brasil passa a ter reconhecimento pelo IPHAN somente em 2009. A chancela da paisagem cultural brasileira traz uma renovação das perspectivas patrimoniais, reconhecendo-se não somente "[...] as interações significativas entre o homem e o meio ambiente natural, mas também combina de forma inextricável os aspectos materiais e imateriais do patrimônio, muitas vezes pensados separadamente." (CASTRIOTA, 2010, p. 17). Essas aproximações trazem ainda a problemática da valoração do patrimônio paisagístico no sentido de expandir sua interpretação meramente visual e estética, buscando outras formas mais complexas de apreender a paisagem por suas dimensões funcionais, simbólicas, culturais, históricas, arquitetônicas, entre outras (SCAZZOSI, 2006).
A área de estudo - a Região Turística Costa Doce Gaúcha - está localizada no extremo sul do Brasil, atualmente composta por 20 municípios (Guaíba, Barra do Ribeiro, Sertão Santana, Tapes, Arambaré, Camaquã, Cristal, São Lourenço do Sul, Turuçu, Canguçu, Piratini, Morro Redondo, Pelotas, Rio Grande, Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar, Chuí, São José do Norte e Tavares) (MTUR, 2019). Abriga o maior complexo lagunar da América Latina, composto pela Laguna dos Patos e lagoas Mangueira e Mirim, além de rios, arroios, banhados, o que introduz um elemento diferenciado na paisagem do litoral gaúcho - as águas doces - e, com elas, praias lacustres, fluviais e marítimas, além de ilhas, sacos, pontais. A Costa Doce Gaúcha oferece roteiros turísticos que valorizam o patrimônio histórico-arquitetônico em casarios, estâncias e fazendas, a diversidade étnica-cultural, a cultura do campo, a biodiversidade característica dos biomas Pampa e Mata Atlântica, entre outros aspectos paisagísticos apropriados pelo turismo.

Metodologia

Este projeto pretende dar continuidade à investigação científica realizada durante a tese de doutorado (RUDZEWICZ, 2018), integrando experiências de pesquisas de orientandos da graduação e da pós-graduação, e consolidando a cooperação com entidades parceiras (ODITT - Núcleo de Inovação e Desenvolvimento Observação, Desenvolvimento e Inteligência Turística e Territorial, UCS; LAGED - Laboratório de Geoecologia e Educação Ambiental, UFSM; Pagus – Laboratório da Paisagem, UFRGS; Prefeitura Municipal de Pelotas; APL Turismo Costa Doce, entre outros).
A pesquisa caracteriza-se prioritariamente pela abordagem qualitativa (FLICK, 2009), de perspectiva indutiva (GIBBS, 2009), pois trata de valorizar a experiência sensível dos sujeitos em relação à paisagem. Integra etapas de levantamento em fontes bibliográficas e documentais (sites, materiais turísticos, planos de turismo, informes e relatórios oficiais, etc) e de coleta de dados em trabalho de campo. Serão utilizadas técnicas e instrumentos de pesquisa como a observação, a entrevista, o questionário e o grupo focal. Também inclui a elaboração de mapas temáticos das áreas/componentes paisagísticos e das práticas turísticas associadas no território. Trata-se de dar prioridade ao uso de metodologias participativas nas ações de intervenção junto aos atores territoriais. O projeto busca integrar ações de ensino, complementando a formação dos discentes de graduação e pós-graduação em temas específicos, oferecendo-lhes oportunidades de aprendizagens que aliem teoria e prática, na interação entre o Turismo e a Geografia. E, ainda, trata-se de atender a demandas sociais de capacitação, prestação de serviços ou outras formas de inserção junto às comunidades pesquisadas, advindas da atuação junto ao Conselho Municipal de Turismo de Pelotas, Arranjo Produtivo Local Costa Doce Turismo e Comissão Multi-institucional para criação e implantação das Unidades de Conservação da Natureza em âmbito municipal (SQA/Prefeitura de Pelotas). O projeto terá suas ações iniciais voltadas ao município de Pelotas, pretendendo-se expandir as análises aos demais municípios que compõem a Costa Doce Gaúcha, conforme disponibilidade de financiamento para as etapas do projeto.

Indicadores, Metas e Resultados

1) a geração de conhecimentos socioespaciais sobre Pelotas e os demais municípios da Região Turística Costa Doce Gaúcha, servindo de subsídio à tomada de decisão no processo de planejamento territorial e turístico;
2) a identificação e mapeamento do patrimônio paisagístico de potencial aproveitamento para o
turismo da Costa Doce Gaúcha;
3) a proposição de formas de valorização turística do patrimônio paisagístico hídrico de Pelotas/RS;
4) o fomento à elaboração de programas, projetos e ações que aliem turismo, educação e pesquisa científica em áreas protegidas na região;
5) a proposição de estratégias inovadoras de intervenção turística relacionada ao patrimônio paisagístico, pautada em segmentos do turismo de interesses especiais como o geoturismo, o ecoturismo, o turismo científico e outros;
6) a capacitação e mobilização dos atores para a tomada de decisão acerca da função turística do território;
7) a promoção de formas de sensibilização e difusão dos conhecimentos acerca do patrimônio paisagístico da Planície Costeira do Rio Grande do Sul;
8) a geração de conhecimentos que permitam compreender e acompanhar o papel da dimensão turística na transformação da paisagem litorânea do Rio Grande do Sul;
9) a promoção de uma formação acadêmica-científica interdisciplinar na Universidade Federal de Pelotas a partir do fomento às ações de ensino, pesquisa e extensão, em que interagem diversas áreas do conhecimento e em cooperação com entidades parceiras.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ADRIANO LUIS HECK SIMON14
ANDRÉIA SKUPIEN BIANCHINI
Adriano Severo Figueiró
ERIKA COLLISCHONN2
FABIANE ARAÚJO BOTELHO
LAURA RUDZEWICZ20
LEONARDO FERREIRA RESENDE
MARCIELE ANTUNES CAETANO
Michel Bregolin
RAFAEL DE SOUZA FERREIRA
TIARAJU SALINI DUARTE2

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