Nome do Projeto
GRAVURA ARTÍSTICA E ENGENHARIA DIGITAL: O TRABALHO DE EQUIPE EM EXPERIÊNCIAS MULTIDISCIPLINARES
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
15/06/2020 - 30/09/2022
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
Esta é uma pesquisa multidisciplinar que se desenvolve no Atelier de Gravura do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), desde 2012, e inclui experiências que interseccionam o campo da arte com o campo da engenharia eletrônica. O projeto aqui apresentado partiu de dois projetos distintos que se interseccionam: os projetos de pesquisa com gravura não-tóxica e o projeto de extensão 'Ações multidisciplinares com arte e engenharia digital', que está em andamento desde abril de 2012, no Atelier de Gravura do Centro de Artes e no Laboratório de Sistemas Digitais do Centro de Engenharias da UFPel. Uma parte do cruzamento de nossas atividades está direcionada à adequação dos procedimentos de gravura artística para a gravação de placas de circuitos impressos (PCI) na engenharia eletrônica. Incluímos, nestas experimentações, os conhecimentos desenvolvidos com gravação não-tóxica (usados na gravura artística) para as gravações das PCIs. A metodologia da pesquisa envolve conexões entre teoria e prática. Dentre os procedimentos metodológicos, estaremos documentando todas as atividades do grupo, com fotos, anotações, observações e textos que possam registrar os processos de criação e o desenvolvimento das ideias com as contribuições de cada um. As experiências multidisciplinares podem motivar o ensino de gravura e de engenharia eletrônica a partir da inclusão de novas metodologias com atividades que colocam em relação estudantes de artes e estudantes de engenharia. Esperamos que esta pesquisa possa contribuir para ampliar as perspectivas de trabalho em equipe e de integração de conhecimentos dos artistas com os engenheiros, através da realização de obras conjuntas. Palavras-chave: processos de interação, multidisciplinaridade, engenharia eletrônica, gravura, tecnologias digitais.

Objetivo Geral

Entre as questões que pretendemos desenvolver nesta pesquisa destacamos:
(a) verificar os modos de interação entre estas duas áreas do conhecimento;
(b) adequar as técnicas e procedimentos não-tóxicos e de eletrólise para a gravação de matrizes de gravura em metal e de placas de circuito impresso;
(c) empregar a eletrônica e a tecnologia digital em obras interativas, e
(d) incentivar a interação entre estudantes da graduação das Artes Visuais e da Engenharia Eletrônica


OBJETIVO GERAL:
Verificar os modos de interação entre estas duas áreas do conhecimento e incentivar a interação entre os estudantes dos cursos de graduação do Centro de Artes e do Centro de Engenharias da UFPel.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
1. Realizar atividades conjuntas e ações integradoras que envolvam as duas áreas que compõem este projeto: artes visuais e engenharia;
2. Empregar os conhecimentos de engenharia eletrônica e as tecnologias digitais em obras interativas propostas pelo grupo e nos demais dispositivos criados pelo grupo;
3. Adequar as técnicas e procedimentos não-tóxicos e de eletrólise para a gravação de matrizes para serem usadas tanto na gravura em metal como nas gravações das placas de circuito impresso;
4. Promover a integração entre os estudantes destes cursos de graduação da UFPel;
5. Verificar a exequibilidade dos todos e processos alternativos para as gravações que incluam tecnologia limpa, para a não agressão do meio ambiente nem prejuízo da saúde do artista-gravador, de acordo com a realidade brasileira;
6. Desenvolver tinta artesanal à base d’água (com pigmentos naturais) a ser utilizada na impressão das gravuras em metal, verificando modos de trabalho conjunto das áreas;
7. Comparar estas possibilidades de tecnologia limpa com os processos tradicionais de gravação da matriz em metal e na sua utilização na gravação de PCI;
8. Registrar todos os processos desenvolvidos na realização desta pesquisa;
9. Sistematizar as descobertas obtidas durante esta pesquisa;
10. Apresentar os resultados em congressos e publicações da área.

Justificativa

Qual a relação entre a arte e a engenharia? O que pode resultar de encontros com atividades integradas entre estudantes do curso de Artes e estudantes de Engenharia Eletrônica e de Engenharia de Controle e Automação? De que modo os conhecimentos de gravura em metal podem ser utilizados na gravação de circuitos impressos usados na engenharia eletrônica? Ou, como alunos e professores dos cursos de Artes Visuais (Licenciatura e Bacharelado), de Design Gráfico, de Engenharia Eletrônica e de Engenharia de Engenharia de Controle e Automação podem produzir conhecimentos juntos?

O foco desta pesquisa está no estudo das possibilidades de integração entre estas duas áreas do conhecimento (artes visuais e engenharia eletrônica ou engenharia digital) e o modo como esta integração pode gerar novos conhecimentos, em primeiro lugar, aos participantes do projeto. Esperamos que estas atividades conjuntas possam interessar igualmente a outros pesquisadores e professores, principalmente pelo modo como estes conhecimentos e estas interações podem ser estendidos a outros campos do conhecimento, considerando as possibilidades de multiplicação desta experiência.

O que nos interessa, neste momento, é a possibilidade de interação entre os distintos campos de conhecimento (no nosso caso a arte e a engenharia), a partir de atividades que envolvam as epistemologias de cada uma destas duas áreas para a realização de obras ou dispositivos.

Vemos, ainda, que persiste uma lacuna nas sistematizações e na tradição da arte capaz de dar conta das relações entre arte e ciência, principalmente no modo como as tecnologias digitais vêm sendo incorporadas às produções artísticas atualmente. As instalações interativas com tecnologias digitais ou os ambientes de realidade virtual (ou realidade ampliada), os ambientes de realidades mistas ou aumentadas são cenários de complexidade crescente que desafiam nossa capacidade de compreender o que pode ser chamado de ‘realidade’. A produção de trabalhos experimentais nesta área demanda a convergência destes saberes que atravessam diferentes domínios do conhecimento. Nosso acesso ao real depende das mediações que estabelecemos com as coisas ou os ‘signos’ que produzimos e que interpretamos.


Metodologia

Nosso grupo se reúne semanalmente no Ateliê de Gravura do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Na primeira parte do projeto, foram desenvolvidas ações para integração do grupo, percepção espacial e tridimensional com a Tira de Möbius, estudos sobre as simbologias associadas aos labirintos e atividades nos ateliês do Centro de Artes. Durante estas ações, os participantes do projeto aprenderam a gravar, entintar e imprimir uma imagem conforme a tradição da gravura em metal (HAYTER, 1981), utilizando processos diretos de gravação.
Já foram realizadas, também, oficinas sobre planejamento, concepção, projeto e gravação de circuitos impressos para acionamento e implementação de amplificadores de áudio.
Inicialmente foram usadas placas de protoboard para definir o projeto. Protoboard é uma matriz de contato com uma série de furos e conexões condutoras para montagem de circuitos elétricos experimentais. A placa de protoboard auxilia na concepção do projeto, pois as inúmeras combinações possíveis permite grande liberdade na composição e posicionamento dos componentes que irão compor o circuito impresso.
Posteriormente é feito o desenho do circuito, definindo a dimensão da PCI e a localização exata de cada componente. Para isso, tínhamos em mãos os capacitores, resistores, indutores, chaves e outros tipos de componentes, a fim de medir as distâncias entre eles e definir suas posições no projeto.
Depois deste desenho inicial, o projeto foi executado com programa de computação gráfica para finalização e melhor acabamento das linhas no momento da impressão.
As tensões ou correntes a serem usadas também determinaram os espaçamentos ou as larguras das trilhas e as distâncias entre os furos (MEHL, s/d).
No atual estágio do projeto, verificamos as possibilidades a serem usadas entre os processos de transferência da imagem do projeto do circuito eletrônico para a placa de cobre, a fim de gravar as “trilhas” que compõem o circuito. Já foram testados os processos de desenho direto sobre a placa com canetas resistentes à água, impressão sobre transparências e também transferência do desenho com ferro elétrico a partir da impressão a laser sobre folhas de papel couchê.
Com a aplicação dos polímeros acrílicos para a gravação das matrizes, a limpeza do material dispensa o uso de solventes, pois podemos utilizar apenas água ou água com sabão. Assim sendo, a substituição dos materiais utilizados na gravura tradicional pelos polímeros acrílicos se mostrou adequada para a prevenção de exposição a produtos tóxicos, pois os polímeros são menos agressivo à saúde do artista gravador, são mais acessíveis e de fácil manuseio. Estes procedimentos da gravura artística estão sendo experimentados também na gravação de Placas de Circuito Impresso (PCI ) para os equipamentos construídos pelo grupo com tecnologias da área da engenharia eleitrônica.
Outra técnica que estamos testando é a do filme fotopolímero, que nos possibilita obter uma imagem gravada a partir de uma imagem fotográfica, através da transferência dessa imagem fotográfica já impressa em slide (acetato) para a placa de metal. O “fotopolímero” é uma película sensível, que reage quando exposta a uma luz ultravioleta, revelando um minúsculo relevo na superfície da placa.

Indicadores, Metas e Resultados

Nossa meta é difundir estas alternativas viáveis entre os profissionais da área, e também junto aos estudantes em processo de formação, para que as mesmas possam ser incorporadas aos sólidos conhecimentos já existentes na área da gravura em metal e da engenharia digital. Isto será feito através de publicações dos resultados em periódicos científicos, divulgação científica em congressos da área, e de formação de pessoas (artistas).
Com isso, estaremos oportunizando também a discussão sobre as possibilidades de interação entre diferentes área do conhecimento. Temos inteção, igualmente, de contribuir para a evolução e as inovações das técnicas e práticas da gravura em metal, e da gravação de placas de PCI, trazendo alternativas de não-agressão ao meio ambiente, preservação da saúde dos artistas e dos engenheiros, além de contribuir com metodologias que visam a sustentabilidade dos processos de gravação.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANGELA RAFFIN POHLMANN1
GEISON DE LIMA MARTINS
HAMILTON OLIVEIRA BITTENCOURT JÚNIOR
HENRIQUE DE LIMA CAVALHEIRO
ISADORA CRISTINA BORTOLOSSI RODRIGUES
JÉFERSON LUÍS DIAS DA SILVA
MARCOS AURELIO DO CARMO ALVARENGA
MÁRCIO DE MORAES VETROMILA
REGINALDO DA NOBREGA TAVARES1

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