Nome do Projeto
A epidemia de COVID-19 e a saúde mental dos trabalhadores da atenção terciária à saúde do município de Pelotas/RS.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/07/2020 - 30/06/2022
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O novo Coronavírus surgiu em dezembro de 2019, na localidade de Wuhan, na China. O número de casos da doença alastrou-se rapidamente fazendo com que, em 12 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde reconhecesse o evento como uma pandemia (WHO, 2020). Em muitos países do mundo a epidemia rapidamente provocou a insuficiência dos serviços de saúde, em especial de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), demandando que os profissionais de saúde estendessem seus turnos de trabalho, em condições de grande desconhecimento sobre a doença que estavam enfrentando e de escassez de equipamentos de proteção individual (ROSENBAUM, 2020). Para além do risco de infecção por Coronavírus no enfrentamento da epidemia de COVID-19, o alto risco de contrair a doença, o medo de contaminar familiares e a situação precária dos serviços de saúde pode ter impacto negativo na saúde mental dos trabalhadores. Este estudo caracterizará a prevalência de trabalhadores com anticorpos para COVID-19 e a saúde mental dos trabalhadores de hospitais que atuaram no enfrentamento da epidemia de Coronavírus no contexto de uma cidade de médio porte no Brasil verificando possíveis fatores associados. Será realizado um estudo transversal com 1.555 trabalhadores da atenção terciária à saúde no município de Pelotas/RS. Será avaliado o perfil sociodemográfico, comportamental e ocupacional da população-alvo. A operacionalização dos desfechos será feita com questionários padronizados e validados no Brasil como o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), Generalized Anxiety Disorder 7-item (GAD-7), Moral Injury Event Scale, Insomnia Severity Index e a Escala do Impacto do Evento – Revisada (IES-R). Também será utilizado o Tell Me Fast Novel Coronavirus (COVID-19) IgG/IgM Antibody Test - Biocan Diagnostics Inc. para identificar a presença de anticorpos para COVID-19. Os dados serão analisados no software STATA versão 12.0. O perfil dos trabalhadores será descrito através das medidas de tendência central e de dispersão para variáveis contínuas e da análise das proporções e intervalos de confiança das variáveis dicotômicas. A significância das associações entre as exposições e os desfechos será analisada através dos Testes de Qui-quadrado e de Wald para Heterogeneidade de variáveis categóricas e Teste de Tendência Linear para variáveis contínuas. A análise multivariável será realizada por meio da regressão de Poisson com variância robusta, seguindo um modelo conceitual que tem no primeiro nível as variáveis sociodemográficas e comportamentais e no segundo nível as variáveis ocupacionais. A análise utilizará seleção para trás a fim de estimar as razões de prevalência (RP) e os intervalos de confiança (IC95%). As variáveis com p-valor menor ou igual a 0,20 serão mantidas no modelo para controle de confusão e, quando o p-valor for menor ou igual a 0,05 a associação será considerada significativa. Aqueles indivíduos que concordarem em participar do estudo, assinarão um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Medicina da UFPel e os pesquisadores darão início ao trabalho somente após aprovação do projeto.

Objetivo Geral

Avaliar a saúde mental dos trabalhadores da atenção terciária à saúde diante do enfrentamento da COVID-19 no município de Pelotas/RS e seus fatores associados.

Justificativa

O COVID-19 surgiu em dezembro de 2019, na localidade de Wuhan, na China e alastrou-se por vários países do mundo, assim, em 3 meses, o evento foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma pandemia (WHO, 2020). Até 15 de abril de 2020, esta emergência global em saúde já contava com mais de 2 milhões de casos confirmados e 130 mil óbitos por COVID-19 (JOHNS HOPKINS UNIVERSITY, 2020). O Brasil, na mesma data, já tinha mais de 28.000 casos confirmados e 1.700 óbitos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020).
Em muitos países do mundo a epidemia rapidamente provocou a insuficiência dos serviços de saúde, em especial de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), demandando que os profissionais de saúde estendessem seus turnos de trabalho, em condições de grande desconhecimento sobre a doença que estavam enfrentando e de escassez de equipamentos de proteção individual (ROSENBAUM, 2020). Além disso, a insuficiência de serviços de UTI fez com que os profissionais de saúde tivessem que enfrentar o dilema moral de definir as pessoas que teriam prioridade em um atendimento que seria a diferença entre a vida e a morte (WILLIAMSON; MURPHY; GREENBERG, 2020).
Devido ao alto potencial de transmissão, um número expressivo de profissionais de saúde foi contaminado pela COVID-19. Em fevereiro de 2020, a Comissão Nacional de Saúde da China divulgou que um total de 1.716 profissionais de saúde foram infectados no país (COMISSÃO NACIONAL DE SAÚDE DA CHINA, 2020). Na Itália mais de 100 médicos morreram por infecção pelo Coronavírus (ALJAZEERA, 2020). Segundo a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Enfermagem, até 14 de abril de 2020, ainda no início do surto no Brasil, mais de 500 médicos e 200 profissionais de enfermagem foram infectados, enquanto 4 médicos e 14 profissionais de enfermagem foram a óbito pela infecção por Coronavírus (ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA, 2020; CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2020).
Para além do risco de infecção por Coronavírus no enfrentamento da epidemia de COVID-19, o medo de contaminar familiares e a situação precária dos serviços de saúde pode ter impacto negativo na saúde mental dos trabalhadores. Além disso, os dilemas morais enfrentados no curso da epidemia ampliam o sofrimento mental dos trabalhadores podendo resultar em estresse pós-traumático e depressão (WILLIAMSON; MURPHY; GREENBERG, 2020; LAI et al., 2020)
Foi identificado um estudo transversal sobre a saúde mental dos profissionais de saúde após o enfrentamento da epidemia. O estudo avaliou 1.257 médicos e enfermeiros de Wuhan e outras localidades da China e mostra uma prevalência de 50,4% de depressão, 44,6% de ansiedade, 34% de insônia e 71,5% de estresse pós-traumático. Equipe de enfermagem, mulheres e trabalhadores da linha de frente tiveram maiores prevalências de todas as morbidades em relação aos outros trabalhadores. Após a análise multivariável, trabalhadores da linha de frente apresentaram um risco 50% maior de ter depressão e ansiedade, o dobro de risco de ter insônia e 60% maior de apresentar estresse pós-traumático (LAI et al., 2020).
Este estudo caracterizará a prevalência de trabalhadores com anticorpos para COVID-19 e a saúde mental dos trabalhadores de hospitais que atuaram no enfrentamento da epidemia de coronavírus em uma cidade de médio porte no Brasil. O conhecimento sobre a prevalência dos problemas de saúde mental e dos fatores sociodemográficos, comportamentais e ocupacionais associados é fundamental para a implementação de políticas capazes de mitigar os efeitos da epidemia na saúde dos trabalhadores em municípios de porte semelhante. Este estudo avança no conhecimento sobre o a saúde mental de trabalhadores da atenção terciária em situação de emergência sanitária, incluindo não só profissionais de saúde, mas também setores administrativos, uma vez que estes estão expostos à grande demanda e ao risco de contágio durante o surto.

Metodologia

Será realizado um estudo transversal entre trabalhadores de saúde e setores administrativos de todos os hospitais que disponibilizarem leitos para o tratamento da COVID-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Pelotas/RS. A coleta dos dados ocorrerá nos hospitais no período imediato após o pico da epidemia em Pelotas/RS. Para a prevalência estimou-se uma amostra de 1.334 profissionais, considerando os seguintes parâmetros: prevalência esperada para depressão de 50,4% (prevalência de desfecho com maior amostra necessária), nível de confiança de 95%, erro aceitável de 2pp e acrescentando-se 10% para perdas obteve-se um total de 1.468 trabalhadores (LAI et al., 2019).
Para o exame de associação considerou-se um nível de significância de 5%, um poder estatístico de 80% e uma prevalência do desfecho nos não expostos de 23%. Considerando o desfecho insônia, que necessita maior tamanho de amostra e uma razão exposto não exposto de 1:7 obteve-se uma amostra de 1229, acrescentando 10% para perdas e 15% para controle de possíveis fatores de confusão, será necessário uma amostra de 1555 profissionais para estimar riscos acima de 1,5 (LAI et al., 2019).
Serão selecionados todos os trabalhadores de UTI e metade dos trabalhadores de outros setores assistenciais e administrativos dos hospitais. A inclusão de hospitais no estudo respeitará a alocação de leitos para o enfrentamento da epidemia, portanto será definida posteriormente. Serão excluídos do estudo os profissionais que por ocasião da coleta de dados estejam impossibilitados de responder ao questionário e/ou aqueles afastados por questões não relacionadas à epidemia. Será avaliado o perfil sociodemográfico, comportamental e ocupacional da população-alvo. A operacionalização dos desfechos será feita com questionários padronizados e validados no Brasil como o Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9), Generalized Anxiety Disorder 7-item (GAD-7), Moral Injury Event Scale, Insomnia Severity Index e a Escala do Impacto do Evento – Revisada (IES-R). Também será utilizado o Tell Me Fast Novel Coronavirus (COVID-19) IgG/IgM Antibody Test - Biocan Diagnostics Inc. para identificar a presença de anticorpos para COVID-19. Os dados serão transferidos para os computadores e, posteriormente, para o software STATA versão 12.0. O perfil dos trabalhadores será descrito através das medidas de tendência central e de dispersão para variáveis contínuas e da análise das proporções e intervalos de confiança das variáveis dicotômicas.
A significância das associações entre as exposições e os desfechos será analisada através dos Testes de Qui-quadrado e de Wald para Heterogeneidade de variáveis categóricas e Teste de Tendência Linear para variáveis contínuas. A análise multivariável será realizada por meio da regressão de Poisson com variância robusta, seguindo um modelo conceitual que tem no primeiro nível as variáveis sociodemográficas e comportamentais e no segundo nível as variáveis ocupacionais. A análise utilizará seleção para trás a fim de estimar as razões de prevalência (RP) e os intervalos de confiança (IC95%). As variáveis com p-valor menor ou igual a 0,20 serão mantidas no modelo para controle de confusão e, quando o p-valor for menor ou igual a 0,05 a associação será considerada significativa. A proposta de pesquisa envolve entrevistas por meio da aplicação de questionários, tornando o estudo de risco mínimo, segundo os parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, a pesquisa proporcionará a testagem rápida para o vírus COVID-19 entre os participantes. O teste é considerado seguro e eficaz possuindo uma abordagem minimamente invasiva com a coleta de apenas uma gota de sangue do participante, para a qual serão aplicadas as devidas medidas de biossegurança.
A participação dos indivíduos no estudo ocorrerá através da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, onde serão plenamente garantidos a confidencialidade da informação individual e o direito de recusa em participar da investigação. O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (nº 035047/2020) e aguarda aprovação, com objetivo de se adequar às Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos – Resolução CNS 510/2016. Os trabalhadores identificados com alterações de saúde mental ou diagnosticados com a COVID-19 no momento da pesquisa serão encaminhados para os serviços competentes do município.

Indicadores, Metas e Resultados

O estudo identificará a prevalência de trabalhadores de hospitais com teste positivo para detecção de anticorpos para COVID-19 e fará uma caracterização ampla da saúde mental dos trabalhadores de hospitais no momento imediatamente posterior à epidemia de COVID-19 no município de Pelotas/RS.
Os resultados do estudo serão apresentados aos trabalhadores e gestores do município de Pelotas/RS, proporcionando uma reflexão sobre as condições de saúde dos trabalhadores dos hospitais. Serão elaborados pelo menos 6 artigos para publicação em periódicos de circulação nacional e internacional, no período de vigência do estudo, contribuindo para a consolidação de evidência científica sobre o impacto da epidemia na saúde de trabalhadores da atenção terciária à saúde.
Considerando que os resultados do estudo têm validade externa para trabalhadores de hospitais de municípios de porte semelhante, estes resultados poderão subsidiar a definição de políticas capazes de mitigar os impactos da epidemia na saúde dos trabalhadores de hospitais.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA LAURA SICA CRUZEIRO SZORTYKA40
ANACLAUDIA GASTAL FASSA5
BETINA DANIELE FLESCH
MAITÊ PERES DE CARVALHO

Fontes Financiadoras

Sigla / NomeValorAdministrador
FAPERGS / Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado Rio Grande do SulR$ 173.560,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
Material de expedienteR$ 1.500,00
BolsasR$ 48.000,00
Outros encargosR$ 52.500,00
Outros serviçosR$ 13.780,00
Produtos HospitalaresR$ 33.780,00
Equipamentos e material permanente (móveis, máquinas, livros, aparelhos etc.)R$ 24.000,00

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