Nome do Projeto
MOVIMENTOS ANTISSISTÊMICOS NO SISTEMA-MUNDO ATUAL
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
27/08/2020 - 25/08/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Humanas
Resumo
Analisar a atual dinâmica antissistêmica e seus aspectos para a geopolítica mundial dentro de um cenário de enfraquecimento da primazia estadunidense.

Objetivo Geral

O projeto de pesquisa tem como objetivo analisar a realidade antissistêmica internacional a partir da constatação do declínio da primazia estadunidense (WALLERSTEIN,1994; ARRIGHI, 1996) no âmbito da geopolítica, economia e cultura. A realidade capitalista pode ser analisada sob as mais diversas perspectivas teóricas ideológicas. E tem sido ao longo do tempo. Nossa proposta aqui é manter uma tradição ligada ao marxismo sem, contudo cair na perspectiva ortodoxa. Sendo assim, o capitalismo e suas contradições serão avaliadas à luz da ótica do Sistema-Mundo (economia-mundo) proposta por I. Wallerstein. No que se refere especificamente à economia capitalista, utilizaremos a base teórica proposta por Arrighi baseada nos Ciclos Sistêmicos de Acumulação. De Gramsci utilizaremos o conceito de Hegemonia e Revolução Passiva. A crise de “hegemonia” dos EUA será de grande importância para a compreensão do nosso trabalho, pois tentaremos fazer uma articulação entre esta crise e a ascensão de novos grupos anti-hegemônicos/antissistêmicos na América Latina, por exemplo, bem como a atuação da Rússia e da China, por meio dos BRICS, no cenário internacional. A crise de 2008 demonstrou a problemática estrutural da atual crise capitalista: a ausência de um controle mínimo sobre os fluxos de capitais, apesar das inúmeras crises sistêmicas ao longo do tempo derivadas desse fator. Devemos mencionar que tal problemática já era abordada por Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi há pelos menos uma década atrás. A perspectiva não é fazer uma transposição linear dos escopos teóricos de Gramsci, Wallerstein ou Arrighi. Tal como em um processo dialético, identificamos aspectos e semelhanças compatíveis das abordagens utilizadas pelos autores para criar uma leitura diferenciada do tema que propusemos. Será analisado o papel de países como China e Rússia ou organizações como o BRICS, que apresentam capacidade militar e/ou econômica para manter os seus interesses nacionais frente às hostilidades relativas (econômica e cultural) dos EUA, bem como movimentos regionais.

Justificativa

A atual economia-mundo (sistema-mundo) capitalista teve origem, segundo Wallerstein, na crise do sistema feudal e na ascensão da Europa Ocidental à supremacia global entre 1450 e 1670, conforme já analisamos no capítulo anterior. A hegemonia anterior à atual, a britânica, caracterizou-se por um processo contínuo de expansão, reestruturação e reorganização financeira da economia mundial capitalista. Os períodos de expansão financeira foram momentos em que aumentaram as pressões competitivas tanto sobre os governos quanto sobre as empresas e o comércio. Essas pressões favoreceram a expansão industrial inglesa, que se manteve na supremacia econômica global até o início do século XX. Após o colapso hegemônico britânico, os EUA emergiram como principal potência econômica e, após a Segunda Guerra Mundial, alcançou a supremacia tecnológica e militar durante a Guerra Fria e tornou-se a hiperpotência após o colapso do bloco socialista em 1989 e fim da URSS em 1991. A economia-mundo capitalista demonstra uma relação desigual e hierárquica entre as nações, fato que propiciou uma subdivisão dentro do sistema. Para a sua compreensão, acreditamos que a chamada Teoria da Dependência2 seja a mais elucidativa tendo como pano de fundo uma análise sistêmica. Wallerstein3 aponta que
“World-economies then are divided into core-states and peripheral areas. (…) There are also semiperipheral areas which are in between the core and periphery on a series of dimensions, such as the complexity of economic activities, strength of machinery, cultural integrity, etc. some of these areas had been core-areas of earlier versions of a given world-economy. Some had been peripheral areas that were later promoted, so to speak, as result of the changing geopolitics of an expanding world-economy. The semiperiphery, however, is not an artifice of statistical cutting points, nor is it as residual category. The semiperiphery is a structural element in a world-economy. These areas play a role parallel to that played mutatis mutandis, by middle tranding groups in an empire”. (…)
Segundo a Teoria da Dependência, o capitalismo estaria baseado em uma estrutura interdependente: o Centro, a Semi-Periferia e a Periferia. A posição sistêmica de cada nação seria determinada, em larga medida, pela capacidade de desenvolvimento de suas forças sociais e econômicas.
O Centro do sistema se configura por uma alta concentração de riquezas e elevado desenvolvimento tecnológico em todos os setores econômicos. O comércio nacional e internacional são de grande envergadura e importantes fontes de recursos para a manutenção financeira do Centro. Esta área do sistema corresponderia às antigas metrópoles europeias, EUA e Japão. A Periferia do sistema possui condições opostas: baixo desenvolvimento tecnológico e social. Sua dinâmica econômica está baseada na produção de produtos agrícolas e extração mineral, ou seja, produtos de baixo valor agregado. De modo geral esta área seria composta pelas antigas colônias. A Semi-Periferia possui uma característica intermediária, mais precisamente com produção de alguns bens de valor agregado e relativo uso de tecnologia. Em um estágio superior aos países periféricos, estariam ao Brasil, México, Tigres Asiáticos, Indonésia e China, por exemplo. Desde os anos 1970 a concorrência entre os países centrais e a semi-periferia se acirrou com vantagens comparativas para o segundo grupo de países. Tais vantagens eram específicas dos países semi-periféricos, notadamente aos Tigres Ásiaticos e China. Com esta configuração, a economia-mundo capitalista sob a primazia estadunidense chegou ao século XXI em mais uma crise cíclica sistêmica, cujo início ocorreu na década de 1970 e chegou até o presente momento. Sendo assim, procurase analisar as assimetrias internacionais, com ênfase no papel da China, Rússia e do BRICS e seus impactos sobre o Brasil e América Latina.

Metodologia

Nossa pesquisa será baseada na utilização de fontes bibliográficas e estatísticas sobre o tema. Sobre os dados obtidos, serão feitos procedimentos críticos e analíticos para a compreensão dos objetivos elencados. Serão utilizados no transcorrer da pesquisa: Dados estatísticos do Banco Mundial, OMC, AP, BRICS, FMI; Documentos oficiais (convênios marcos, resoluções, declarações etc.) das organizações regionais; Os dados estatísticos (Evolução do Comércio Exterior, Direção das Exportações, Composição das Exportações, Investimento Externo Direto, Evolução do Intercâmbio blocos/países) serão utilizados para mensurar e avaliar o comércio intra e extrablocos.

Indicadores, Metas e Resultados

A obtenção de dados e informações que permitirão uma análise mais consistente dos objetos estudados para a elaboração de relatórios que serão transformados em artigos.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
AMANDA SOSA PACHECO
CAIO JUNIOR AULER
CHARLES PEREIRA PENNAFORTE5
GABRIEL HENRIQUE DOMICIANO
HENRIQUE VIEIRA BENJAMIM
HOMERO DE CAMARGO FILHO
KALEB CORDEIRO FERREIRA FRANCO DE VASCONCELOS
KÁSSIA PAOLA SCHIERHOLT
NAIRANA KARKOW BONES
RAFAEL PENNING DAS NEVES
TAISE VITORIA DA SILVA BORGES
THIAGO KAZUHIRA HAYASAKA RAMOS
TWAIER GUIMARÃES DE SOUZA

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