Nome do Projeto
Depressão e insônia entre trabalhadores da atenção terciária à saúde durante a epidemia de COVID-19
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
03/12/2020 - 28/02/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O COVID-19 foi identificado em dezembro de 2019, na localidade de Wuhan, na China e alastrou-se por vários países do mundo, em 3 meses, o evento foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma pandemia (WHO, 2020). Devido ao alto potencial de transmissão, um número expressivo de profissionais de saúde foi contaminado pela COVID-19. Os trabalhadores de saúde estão na linha de frente do enfrentamento da epidemia de COVID-19 e além da exposição à doença contagiosa, os profissionais atuantes muitas vezes estão expostos a sobrecarga e a longos turnos de trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabalhadores. Objetivo do estudo será avaliar a saúde mental e do sono dos trabalhadores da atenção terciária à saúde diante do enfrentamento da COVID-19 no município de Pelotas/RS e seus fatores associados. Será realizado um estudo transversal entre trabalhadores de saúde e setores administrativos de um hospital de referência no tratamento da COVID-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Pelotas/RS. A coleta dos dados ocorrerá nos hospitais no período imediato após o pico da epidemia em Pelotas/RS. O conhecimento sobre a prevalência dos problemas de saúde mental e dos fatores sociodemográficos, comportamentais e ocupacionais associados é fundamental para a implementação de políticas capazes reduzir os efeitos da epidemia na saúde dos trabalhadores em municípios de porte semelhante. Este estudo avança no conhecimento sobre a saúde mental de trabalhadores da atenção terciária em situação de emergência sanitária.

Objetivo Geral

Avaliar a saúde mental e do sono dos trabalhadores da atenção terciária à saúde diante do enfrentamento da COVID-19 no município de Pelotas/RS e seus fatores associados.

Justificativa

Os trabalhadores de saúde estão na linha de frente do enfrentamento da epidemia de COVID-19. Entre os profissionais de saúde mais numerosos se destacam os trabalhadores de enfermagem (enfermeiros e auxiliares de enfermagem), médicos e agentes comunitários de saúde, mas também inclui pessoal administrativo, copeiros, higienistas entre outros. Considerando o trabalho que eles realizam, são também o grupo de trabalhadores com maiores prevalências de contaminação e óbitos pelo COVID-19 (MARTINEZ et al., 2015).
Deste modo, deste o início da epidemia no Brasil, foram estabelecidos protocolos de biossegurança e prioridade para testagem para estes trabalhadores. Foram enfatizadas as medidas de proteção individual, porém as abordagens relacionadas às medidas de proteção coletiva, que pudessem melhorar os processos de trabalho, foram bastante restritas (ALMEIDA, 2020). No contexto da pandemia as cargas de trabalho ocupacionais extrapolam o risco biológico.
Além da exposição à doença contagiosa, os profissionais atuantes muitas vezes estão expostos a sobrecarga e a longos turnos de trabalho. Enfrentam dilemas morais relacionados a escassez de equipamentos e insumos, como leitos de UTI, respiradores, anestésicos, que são a diferença entre a vida e a morte. A escassez dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), as dúvidas relacionadas a sua qualidade e adequação de uso ou reuso podem aumentar o risco de infecção e o receio de se infectar e infectar familiares. O risco de infecção amplia os cuidados com higiene, com paramentação e desparamentação e restringe a possibilidade de intervalos para descanso, alimentação, cuidado com suas próprias necessidades básicas. Além disso, em função do risco profissionais de saúde decidiram sair de casa, alterando de forma significativa sua rotina e se afastando da rede social de apoio (ZHANG, W.-R. et al., 2020).
Todos estes aspectos podem impactar a saúde mental dos trabalhadores. As prevalências de depressão em profissionais de saúde chineses variaram entre 30 a 50% durante o período da pandemia, sendo observado que trabalhar nos setores da UTI, emergência e setor de doenças respiratórias pode duplicar o risco de depressão (KANG et al., 2020; LAI et al., 2020; YANG et al., 2020). A prevalências de insônia foi de 36% e essa prevalência foi associada ao sexo feminino à presença de comorbidades de saúde mental e ao maior contanto com pacientes da COVID-19 (LAI et al., 2020; WANG et al., 2020; YIN et al., 2020; ZHANG, C. et al., 2020; ZHANG, W.-R. et al., 2020). Desde 2002, em decorrência da epidemia de SARS observa-se que os efeitos na saúde mental dos trabalhadores podem se manter por longo tempo, reforçando a necessidade de estratégias para a redução de danos, como apoio e treinamento para os profissionais atuantes na linha de frente (MAUNDER et al., 2006).
Este estudo caracterizará a prevalência de trabalhadores com anticorpos para COVID-19, a saúde mental e do sono dos trabalhadores de hospitais que atuaram no enfrentamento da epidemia de Corona vírus em uma cidade de médio porte no Brasil. O conhecimento sobre a prevalência dos problemas de saúde mental e dos fatores sociodemográficos, comportamentais e ocupacionais associados é fundamental para a implementação de políticas capazes de mitigar os efeitos da epidemia na saúde dos trabalhadores em municípios de porte semelhante. O presente estudo avança no conhecimento sobre o a saúde mental de trabalhadores da atenção terciária em situação de emergência sanitária, incluindo não só profissionais de saúde, mas também setores administrativos, uma vez que estes estão expostos à grande demanda e ao risco de contágio durante o surto.

Metodologia

Será realizado um estudo transversal entre trabalhadores de saúde e
setores administrativos do Hospital Escola da UFPel que disponibilizarem leitos
para o tratamento da COVID-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em
Pelotas/RS. A coleta dos dados ocorrerá no período imediato após o pico da
epidemia em Pelotas/RS.

Delineamento

O presente estudo será realizado utilizando o delineamento transversal.
Esse tipo de delineamento tem como característica sua rapidez e baixo custo,

além de ser bastante útil para avaliar e descrever prevalências (HABICHT et
al., 1999) .

População alvo

Trabalhadores do Hospital Escola da UFPel no município de Pelotas-RS.

Critérios de inclusão

Serão incluídos no estudo todos os profissionais que estiverem
cpntratados pela EBSERH ou pelo regime RJU e estiverem atuando no
Hospital Escola da UFPel, referência no enfrentamento da COVID-19 em
Pelotas-RS, durante o período da epidemia de COVID-19.

Critérios de exclusão

Serão excluídos do estudo os profissionais que por ocasião da coleta de
dados estejam impossibilitados de responder ao questionário e/ou aqueles
afastados do trabalho por ser grupo de risco ou por doenças não relacionadas
à epidemia.

Amostra

A amostra será constituída por profissionais de todas as áreas
assistenciais e administrativas dos hospitais que atuarem no período de
enfrentamento da epidemia.

Cálculo do tamanho da amostra

Para a prevalência estimou-se uma amostra de 1.334 profissionais,
considerando os seguintes parâmetros: prevalência esperada para depressão
de 50,4% (prevalência de desfecho com maior amostra necessária), nível de
confiança de 95%, erro aceitável de 2pp e acrescentando-se 10% para perdas
obteve-se um total de 1.468 trabalhadores (LAI et al., 2020) .

Para o exame de associação considerou-se um nível de significância de
5%, um poder estatístico de 80% e uma prevalência do desfecho nos não
expostos de 23%. Considerando o desfecho insônia, que necessita maior
tamanho de amostra e uma razão exposto/não exposto de 1:7, obteve-se uma
amostra de 1229, acrescentando 10% para perdas e 15% para controle de
possíveis fatores de confusão, será necessário uma amostra de 1555
profissionais para estimar riscos acima de 1,5 (LAI et al., 2020) .

Indicadores, Metas e Resultados

ARTIGOS PROPOSTOS

I. Revisão Sistemática: Saúde mental dos trabalhadores da linha de frente em situações de emergência sanitária.
II. Prevalência de Episódio Depressivo Maior e fatores associados entre trabalhadores do setor terciário da saúde na pandemia de COVID-19.
III. Insônia: prevalência, severidade e fatores associados entre trabalhadores da linha de frente no enfrentamento da pandemia de COVID-19.

HIPÓTESES

A prevalência de episódio depressivo maior e de insônia entre os trabalhadores estará em torno de 30%.
Os profissionais de saúde terão alta prevalência de uso de medicação controlada.
Maiores prevalências de depressão e insônia serão encontradas entre:
• Mulheres
• Enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem
• Profissionais com maior idade
• Profissionais que vivem com crianças e idosos
• Portadores de DCNT
• Profissionais com menor nível socioeconômico
• Profissionais com histórico familiar de saúde mental positivo
• Profissionais plantonistas e com mais de um emprego

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA LAURA SICA CRUZEIRO SZORTYKA1
ANACLAUDIA GASTAL FASSA2
BETINA DANIELE FLESCH

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