Nome do Projeto
Padrões de atividade física nos primeiros anos de vida e seus correlatos: estudo na coorte de nascimento 2015 de Pelotas (RS)
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
14/01/2021 - 31/08/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
Os primeiros anos de vida se constituem em um período chave de formação de hábitos, sendo as primeiras experiências com relação a à atividade física importantes no processo de aquisição de comportamentos saudáveis a no longo prazo. No entanto, ainda se sabe pouco se sabe sobre os padrões de atividade física nos primeiros anos e quais os principais correlatos que podem auxiliar na compreensão deste comportamento. O presente estudo tem por objetivo descrever os padrões de atividade física nos primeiros anos de vida de crianças pertencentes à coorte de nascimento 2015 de Pelotas (RS) e verificar as associações com fatores sociodemográficos, perinatais, maternos e de atenção e cuidado a à criança. O estudo de característica longitudinal prospectiva será desenvolvido utilizando dados provenientes dos acompanhamentos perinatal, 12, 24 e 48 meses da Coorte de nascimentos 2015 da cidade de Pelotas. A população alvo do estudo se constituiu em crianças nascidas vivas nos hospitais de Pelotas no decorrer do ano de 2015, cujas mães residissem na zona urbana do município, colônia Z3 e Jardim América e a amostra inicial foi composta por 4.275 crianças. Como desfecho do estudo a atividade física das crianças foi medida por meio do uso de acelerômetros utilizados no punho esquerdo, em um protocolo de medição contínua durante dois dias, com epoch de 15 segundos, aos 12 e 24 meses, e de sete dias, com epoch de cinco segundos aos 48 meses. Como exposições de interesse serão inseridos no estudo: fatores sociodemográficos (sexo, classe econômica, renda familiar e escolaridade materna), fatores perinatais (idade gestacional, peso ao nascer, tipo de parto e ordem de nascimento), fatores maternos (situação conjugal, idade na gestação, ganho de peso gestacional, atividade física na gestação, trabalho, tempo de tela, atividade física materna e percepção sobre a atividade física da criança) e aspectos de atenção e cuidado a à criança (amamentação até os seis meses, número de irmãos, escola de educação infantil, tipo de moradia, tempo de tela e tempo de sono da criança). As variáveis de exposição foram coletadas por meio de questionário desenvolvido em software específico. As análises dos dados serão realizadas no software Stata 15.0. Paras as variáveis numéricas, descritas em média e desvio-padrão, serão utilizados teste t para amostras independentes e análises de variância, para testar a associação bruta e regressão linear, para as análises ajustadas. As variáveis categóricas serão descritas em frequências absolutas e relativas, os testes de qui-quadrado de heterogeneidade ou de tendência linear serão utilizados para testar a associação bruta quando o desfecho estiver operacionalizado de forma categórica e nas análises ajustadas serão utiliziados modelos de regressão de Poisson. Em todas as análises será adotado um alfa de 0,05 e considerado p<0,20 como critério para inclusão e manutenção da variável no modelo de regressão.

Objetivo Geral

Descrever os padrões de AF nos primeiros anos de vida de crianças pertencentes à Coorte de nascimento 2015 de Pelotas (RS) e verificar as associações com fatores sociodemográficos, perinatais, maternos e de atenção e cuidado a à criança.

Justificativa

Apesar dos benefícios da AF para a saúde já serem bem estabelecidos e da inatividade física já ser reconhecida como um fator de risco independente para a mortalidade, a prevalência de inatividade física, tanto entre adultos, quanto na população de crianças e adolescentes é alta em todo o mundo (HALLAL et al., 2012; SALLIS et al., 2016).
A necessidade de aumentar a AF da população surge já nos primeiros anos de vida. No entanto, ainda se faz necessário melhorar a compreensão deste comportamento nas idades mais tenras para que se possam ter evidências consistentes que embasem as intervenções nesta faixa etária (VERBESTEL et al., 2011).
Embora se observem recentes avanços com relação àas pesquisas de AF em bebês e crianças pequenas, os comportamentos de AF, medidos por acelerometria, permanecem pouco estudados nesta população (BRUIJNS et al., 2020). Além disso, a maioria dos estudos existentes foram conduzidos em países de alta renda, havendo a necessidade de investigações com crianças de países de baixa e média renda (BRUIJNS et al., 2020; DIAS et al., 2019; BINGHAN et al., 2016).
Revisão sistemática realizada por Guerra et al. (2020) buscou sumarizar as evidências referentes a AF e comportamento sedentário (CS) de crianças de dois a seis anos de países da América do Sul. Apenas treze artigos foram incluídos, oito com medidas por acelerometria, e foram observados estudos apenas com amostras da Argentina, Brasil e Chile. No entanto, a alta variação entre os métodos e critérios de investigação da AF, limitou as comparações diretas entre as evidências, destacando a emergente necessidade de que os estudos conduzidos na América do Sul utilizem métodos padronizados e comparáveis para que se possam produzir evidências efetivas na formulação de estratégias e ações preventivas.
Tendo em vista as diversas transições e mudanças que afetam a AF dos indivíduos, também é importante realizar estudos que acompanhem este comportamento nas diferentes fases da vida, para que se possa obter informações consistentes da tendência da AF ao longo dos anos e de que tipos de determinantes e correlatos acompanham este comportamento (TELAMA et al., 2014). Neste sentido, compreender os fatores associados a à AF, principalmente em países de baixa e média renda, nos quais esses têm sido pouco explorados, pode contribuir para redução nas prevalências de inatividade física e na prevenção global de DCNT. Para melhor compreender estes fatores são necessárias pesquisas que investiguem a AF medida de forma objetiva e que avancem no sentido de modelagens longitudinais prospectivas para avaliar as exposições (BAUMAN et al., 2012).
Diante deste cenário, estudos conduzidos no Brasil, especialmente os de coorte, preenchem uma importante lacuna da literatura científica, referente àas influências biológicas, comportamentais, socioeconômicas e ambientais na AF, tendo em vista que países de renda baixa e média apresentam contextos de desenvolvimento econômico e transições sociais diferentes de países de alta renda, nos quais a maioria dos estudos tem sido realizadaos (DING et al., 2020). Que se tenha conhecimento, este será o primeiro estudo conduzido no Brasil que a realizare um acompanhamento da AF, medida de forma objetiva, em crianças de idade pré-escolar.
Além disso, a maioria das pesquisas conduzidas com crianças pré-escolares tem abrangido a faixa etária dos três aos cinco anos, sendo recente e ainda bem limitados estudos que investiguem a AF já a partir do primeiro ano de vida. Estas investigações desempenham papel essencial em auxiliar a pensar programas de intervenção e iniciativas que podem apresentar maior sucesso ao serem estruturadas em cada idade, visando aumentar o volume de AF desde a primeira infância e assim otimizar desfechos de saúde (HNATIUK et al., 2019).

Metodologia

Delineamento
Estudo observacional analítico, de característica longitudinal prospectiva (CAMARGO; SILVA; MENEGUETTI, 2019).

Local e contexto do estudo

Pelotas é uma cidade localizada na região sul do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, com uma população estimada em 343.651 habitantes, sendo a terceira cidade mais populosa do estado (PREFEITURA MUNICIPAL DE PELOTAS, 2019). As crianças nascidas nos anos de 1982, 1993, 2004 e 2015 na cidade de Pelotas constituem-se em população-alvo para quatro estudos de coorte de nascimento, que mantêm intervalos regulares de onze anos entre si. Deste modo, as coortes de Pelotas constituem-se no maior conjunto de coortes de nascimento sendo acompanhadas, de uma mesma região geográfica de países de renda média (HALLAL et al., 2018). O presente projeto irá ser desenvolvido utilizando dados da Coorte de nascimentos 2015 de Pelotas.

População e amostra

A coorte de 2015 foi planejada para coletar dados fazendo uso dos protocolos
e procedimentos já utilizados pelas coortes anteriores, mas também buscando expandir a variedade de dados coletados. Diferente das anteriores, a coorte de nascimentos 2015, recrutou as participantes já durante o pré-natal das gestantes, permitindo a coleta de variáveis relacionadas à gravidez. No período de maio de 2014 a dezembro de 2015, as 123 unidades de saúde e clínicas privadas que prestam atendimento pré-natal na cidade eram visitadas ou contatadas semanalmente, visando identificar gestantes com expectativa de parto no ano de 2015. Neste acompanhamento, participaram 73,8% das mães que posteriormente deram à luz a crianças incluídas na coorte. Destas, 1.277 mulheres identificadas durante o pré-natal não foram incluídas na coorte por não atenderem aos critérios de inclusão no momento do parto (HALLAL et al., 2018).
Ocorreram 5.598 nascimentos na cidade de Pelotas em 2015, das quais 4.387 eram filhos de mães que atendiam aos critérios de elegibilidade. Desses 54 foram natimortos, constituindo-se em 4.333 a população-alvo da coorte. Ocorreram 51 recusas de participação e sete nascimentos não foram capturados pela equipe de pesquisa, sendo a amostra inicial composta por 4.275 crianças (98,7% da população alvo) (HALLAL et al., 2018). A tabela 1 detalha os números finais de cada acompanhamento e as respectivas taxas de acompanhamento alcançadas.

Critérios de inclusão e exclusão

Mantendo a consistência com as coortes anteriores, todas as crianças nascidas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2015 nos hospitais de Pelotas, cujas mães residissem na zona urbana do município, foram consideradas elegíveis para o estudo. Além destas, conforme definição adotada nas coortes anteriores e visando manter a comparabilidade, crianças nascidas e/ou cuja mãe residisse em uma vila de pescadores (colônia Z-3) que não é mais considerada pertencente àa zona urbana e outra área urbana que foi posteriormente anexada à cidade vizinha (bairro Jardim América – Município de Capão do Leão), também foram consideradas elegíveis (HALLAL et al., 2018).
Como critério de exclusão para coleta de dados de acelerometria foi adotado: crianças com alguma limitação motora que interferisse na análise dos dados. Ainda, se estabelecem como critérios de exclusão para os estudos oriundos desta tese, crianças que para as quais não se obteve medida objetiva de AF por acelerometria em nenhum dos acompanhamentos.

Coleta de Dados

A figura 1 apresenta os acompanhamentos já realizados pela coorte de nascimento de 2015. Em abril de 2014 teve início o processo de recrutamento das gestantes com previsão de parto para o ano de 2015. No período pré-natal das gestantes foram realizados dois acompanhamentos, nos anos de 2014 e 2015. O primeiro acompanhamento era realizado no momento do diagnóstico da gravidez quando a gestante era captada antes da 16ª semana de gestação, denominado de contato inicial. O segundo ocorreu entre a 16ª e 24ª semanas de gestação, tanto para aquelas recrutadas após a 16ª semana de gestação, quanto para as que já haviam participado do contato inicial.
No decorrer do ano de 2015 ocorreu o acompanhamento perinatal e posteriormente, aos três meses de idade do bebê, nos anos de 2015 e 2016, um novo acompanhamento foi realizado. No decorrer de todo o ano de 2016 foi realizado o acompanhamento dos 12 meses das crianças pertences a coorte, no ano de 2017, o acompanhamento de 24 meses e em 2019 foi realizado o acompanhamento dos 48 meses das crianças (figura 1).

Neste projeto serão utilizados dados dos acompanhamentos perinatal, de 12, 24 e 48 meses das crianças. A logística e procedimentos adotados nestes acompanhamentos serão descritas a seguir.

Logística e procedimentos relacionados à coleta de dados do acompanhamento perinatal

No decorrer do ano de 2015, foram fixadas equipes de pesquisa em quatro hospitais (Santa Casa de Misericórdia, Hospital Escola-UFPel/FAU, Hospital São Francisco de Paula/UCPel e Hospital Miguel Piltcher), nos quais 99,9% dos nascimentos ocorreram e um quinto hospital foi visitado diariamente (Beneficência Portuguesa), devido ao baixo número de partos diários. Oito entrevistadoras, divididas em uma dupla para cada hospital, se revezavam diariamente em identificar os nascidos vivos e os natimortos, e as mães dos nascidos vivos eram convidadas a participar da coorte. A dupla de entrevistadoras responsáveis pela cobertura do Hospital Miguel Piltcther, realizava também a cobertura do Beneficência Portuguesa, com uma visita no turno da manhã e uma no turno da tarde para checar a ocorrência de nascimentos.
Todos os partos ocorridos e os dados do registro de partos do hospital e do prontuário da mãe eram registrados em um Fichário de Registro de Nascimentos e através do endereço do local de residência fornecido ao hospital, a elegibilidade da mãe era verificada e posteriormente confirmada por meio da entrevista. Após verificar a elegibilidade da mãe, a entrevistadora preenchia uma ficha de medidas com algumas informações retiradas do registro do hospital e dava início à entrevista.
Nesse acompanhamento, 96,7% das mães foram entrevistadas no primeiro dia de nascimento da criança, e 99,2% em até dois dias após o parto (HALLAL et al., 2018). Como exceção, algumas entrevistas foram realizadas posteriormente no domicílio, devido especialmente à recusa das mães em responder o questionário no hospital. Nestes casos, as entrevistas eram agendadas pelos doutorandos da equipe conforme disponibilidade da mãe.
As mães responderam a questões relacionadas àa sua saúde e comportamento no período da gravidez e referente ao parto e foram realizadas medidas antropométricas (perímetro cefálico e comprimento) da criança recém-nascida, utilizando-se o mesmo protocolo das coortes anteriores. Além disso, fotos da Carteira do Pré-Natal eram tiradas com a autorização da mãe para posterior transcrição e digitalização dessas informações.

Logística e procedimentos relacionados à coleta de dados do acompanhamento dos 12 meses

As entrevistas de acompanhamento aos 12 meses da criança foram realizadas no período de janeiro a dezembro de 2016, através de visitas ao domicílio das famílias cuja criança participava da coorte 2015. Apenas em situações especiais foram realizadas entrevistas no centro de pesquisas, como no caso de famílias que não residiam mais em Pelotas, mas concordaram em comparecer para participar.
O agendamento das entrevistas era realizado previamente por ligação telefônica, por duas pessoas contratadas como responsáveis pelo agendamento, respeitando-se um período de sete dias antes ou após o aniversário de 1 ano da criança. Eram agendadas em média 20 entrevistas por dia, em que um grupo de 10 entrevistadoras realizava as visitas domiciliares, sendo que cada entrevistadora realizava em média 2 entrevistas diariamente. Um dia antes do dia agendado para a entrevista era realizada uma ligação para a família para confirmar a disponibilidade para receber a visita da entrevistadora.
Neste acompanhamento, os pais/ responsáveis responderam a um questionário, contendo questões sobre cuidados, alimentação, hábitos e condições de saúde da criança, além de hábitos, saúde da mãe e da família e características do domicílio da família; era realizada a avaliação do desenvolvimento infantil; mães e crianças tiveram as medidas antropométricas coletadas e se obteve medida de AF do pai e da criança por acelerometria. O tempo médio de duração das entrevistas era de 90 minutos.

Logística e procedimentos relacionados à coleta de dados do acompanhamento de 24 meses

No período de janeiro a dezembro de 2017 foi realizado o acompanhamento de 24 meses das crianças participantes da coorte 2015. Neste acompanhamento as entrevistas foram realizadas na clínica, localizada no Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, em salas devidamente equipadas para a realização da entrevista. Apenas quando as mães não podiam/queriam comparecer à clínica era agendada a entrevista no domicílio em horário definido pela mãe ou responsável, ou ainda, a entrevista era realizada por telefone.
As entrevistas eram previamente agendadas, por três contratadas como responsáveis pelos agendamentos, sempre respeitando o período de trinta dias antes ou depois do aniversário de 24 meses da criança. Um dia antes da entrevista, uma das responsáveis pelo agendamento realizava uma ligação para a confirmação do horário da entrevista.
Seis entrevistadoras ficaram responsáveis por aplicar as entrevistas no trabalho de campo. Neste acompanhamento, pela logística preferencial para aplicação dos instrumentos, iniciava-se com a realização do teste de desenvolvimento infantil, na sequência ocorria a aplicação do questionário com a mãe ou responsável, realização da coleta de saliva das crianças para extração de material genético, eram realizadas as medidas antropométricas de mães e crianças e, por fim, também se entregava um acelerômetro para obter a medida objetiva de AF da mãe e da criança.

Metodologia truncada

Indicadores, Metas e Resultados

Os resultados do presente projeto serão apresentados através da redação e publicação em periódicos de dois artigos científicos, intitulados:
Artigo 1: Sociodemographic and perinatal factors associated with physical activity behavior in early childhood: longitudinal study in the 2015 Pelotas Birth Cohort (Brazil)
Artigo 2: How child care and maternal characteristics can affect physical activity patterns in the early years of life: a cohort study
Além disso, os principais achados do estudo serão divulgados na impressa local e em redes sociais, bem como divulgação em seminários/congressos científicos da área.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREA HOMSI DAMASO1
DÉBORA TORNQUIST
LUCIANA TORNQUIST
MARLOS RODRIGUES DOMINGUES2

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