Nome do Projeto
LEIAA - Laboratório de Estudos e Investigações em Aprendizagem Autorregulada
Ênfase
Ensino
Data inicial - Data final
01/04/2021 - 31/03/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Multidisciplinar
Resumo
No contexto educacional contemporâneo, é notória a dificuldade, e o consequente desinteresse, de uma parcela significativa dos estudantes por cursos superiores que exigem intensa dedicação na área de matemática. Algumas das principais dificuldades identificadas estão relacionadas à aprendizagem deficitária nesta área, nos níveis fundamental e médio, associada a dificuldade associada a compreensão dos novos conteúdos matemáticos em nível superior e às exigências do processo de transição e adaptação ao contexto universitário. Cabe salientar que, nem sempre, o obstáculo encontrado por estes estudantes está diretamente relacionado a alguma deficiência de raciocínio lógico ou capacidade em matemática. O autoconhecimento que o estudante possui sobre o seu processo de aprendizagem também cumpre um papel crucial no seu desempenho cognitivo e interfere diretamente na sua trajetória estudantil. Neste contexto, as estratégias para estudar e aprender matemática ocupam um lugar privilegiado no processo educativo, especialmente para os estudantes que apresentam baixo desempenho ou desinteresse por esta área. Através da seleção e implementação de estratégias de aprendizagem que considera mais adequadas para si, o estudante é convidado a passar de espectador passivo para o papel de protagonista, tornando-se mais autônomo e regulador seu próprio processo de aprendizagem. Uma vez consciente de que está centro do processo, o estudante poderá desenvolver uma visão mais ampla, crítica e reflexiva sobre a sua aprendizagem. A tomada de consciência sobre o “aprender a aprender”, proporcionado pela Aprendizagem Autorregulada, vai além do conteúdo específico que está sendo estudado (no caso do projeto em tela, a matemática) ou mesmo do nível educacional no qual o estudante está inserido (fundamental, médio ou superior), mas possui implicações na futura atuação profissional do estudante e até mesmo em seu projeto de vida, numa perspectiva mais ampla. A proposta deste projeto encontra sustentação na Teoria Social Cognitiva, desenvolvida pelo psicólogo canadense Albert Bandura e, mais precisamente, no modelo cíclico de Aprendizagem Autorregulada desenvolvido pelo psicólogo educacional norte-americano Barry Zimmermann. Segundo este modelo, a autorregulação é considerada um processo dinâmico que leva os estudantes a regularem a sua própria aprendizagem por meio de um envolvimento ativo e intencional na construção de ações que possam potencializar suas aprendizagens, o que inclui o uso intencional de estratégias cognitivas, metacognitivas, motivacionais e comportamentais. Alicerçado no constructo da aprendizagem autorregulada, este projeto almeja, como resultado, que os participantes possam identificar suas potencialidades e melhor direcionar os seus esforços no sentido de alcançar uma aprendizagem de melhor qualidade. Através de diversas atividades interventivas, tais como leituras dirigidas, cursos, palestras e oficinas, o projeto LEIAA pretende promover a aprendizagem autorregulada e desenvolver pesquisas sobre o tema. Entende-se que que as atividades desenvolvidas pelo projeto contribuirão, em especial, para a formação dos estudantes de licenciatura participantes, futuros professores, que poderão ter contato com o constructo da Autorregulação da Aprendizagem e experimentar os benefícios do uso de estratégias de aprendizagem em suas próprias experiências de aprendizagem, ao longo da graduação, e fomentar as mesmas nos seus próprios alunos, futuramente, no exercício da profissão docente.

Objetivo Geral

Este projeto visa apoiar os participantes (graduandos da UFPel e estudantes da rede básica de ensino) a diversificarem os seus repertórios de estratégias de aprendizagem e, com isso, promover a Aprendizagem Autorregulada possibilitando melhores condições para a aprendizagem em matemática. Em especial, pretende-se investir na formação teórica de futuros professores, especialmente nas áreas que possuem a matemática como componente básica, contribuindo para a formação de estudantes e professores estrategicamente autorregulados. Por meio das experiências realizadas no LEIAA, pretende-se também contribuir para o aprofundamento das pesquisas no campo da Aprendizagem Autorregulada integrando assim, numa mesma perspectiva, o tripé ensino, pesquisa e extensão.

Justificativa

A principal justificativa para o desenvolvimento deste projeto repousa sobre as dificuldades de progresso dos estudantes na área de matemática, tanto nas redes de ensino básico (níveis fundamental e médio) quanto superior. Se, por um lado, levantamentos como o do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) apontam desafios gigantescos em relação à aprendizagem matemática dos estudantes brasileiros, nos níveis fundamental e médio, percebe-se também, por outro lado, que os estudantes que optam por cursos superiores na área de exatas enfrentam adversidades significativas em disciplinas de matemática, já no primeiro semestre da graduação. Considerado um dos maiores indicadores educacionais mundiais, o PISA, aplicado no Brasil pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a cada três anos, aponta uma considerável defasagem na aprendizagem matemática dos estudantes brasileiros. Esse levantamento aponta que pelo menos 40% dos 10.961 alunos brasileiros participantes na edição realizada em 2018 se encontram abaixo do nível considerado básico para o exercício pleno da cidadania, sendo incapazes de resolver questões matemáticas consideradas simples e rotineiras. Segundo esse levantamento, apenas 0,1% dos alunos brasileiros participantes apresentou nível máximo de proficiência na área de matemática. O desempenho brasileiro em matemática no PISA é o pior dentre os demais países sul-americanos participantes, com desempenho equivalente ao da Argentina, e atrás outras nações consideradas menos desenvolvidas como Uruguai, Chile, Peru e Colômbia. Estes dados são de peculiar interesse às instituições de ensino superior, pois se referem aos conhecimentos e habilidades desenvolvidas pelos estudantes que, em breve, irão compor o quadro discente das mesmas. Além disso, resultados como os do PISA vão ao encontro da percepção de professores e gestores universitários acerca do despreparo em matemática dos estudantes universitários ingressantes.
Alguns desafios apontados em diversas pesquisas e que certamente perpassam o cotidiano de inúmeros estudantes ingressantes em cursos superiores, especialmente na área de exatas e engenharias, podem ser listados: 1) dificuldade em matemática acumulada nos níveis educacionais anteriores; 2) dificuldades intrínsecas relacionadas à aprendizagem dos novos conteúdos a serem estudados (especialmente em disciplinas de cálculo, aritmética, álgebra e geometria); 3) dificuldades de adaptação às exigências de estudo e desempenho, exigidas pela academia; 4) e o frágil repertório de estratégias de aprendizagem para estudar e aprender matemática, que possam contribuir para lograr êxito no curso escolhido. Este cenário se torna ainda mais complexo quando se trata de cursos de licenciatura nas chamadas “áreas duras” (como matemática, física e química, por exemplo) pois o baixo interesse atual dos jovens pela profissão docente agrega-se aos itens listados acima.

As dificuldades de aprendizagem em matemática nos níveis básicos (fundamental e médio) podem ocasionar, inclusive, um desinteresse dos estudantes por cursos das áreas de exatas e engenharias. Os altos índices de reprovação e evasão em disciplinas de matemática são, da mesma forma, um fator que muito tem preocupado as instituições de ensino e provocado reflexões complexas sobre o tema. Quando se trata da formação de professores e professoras em áreas que exigem competência em matemática (tais como as licenciaturas em matemática, física e química), dois desafios se apresentam. O primeiro deles está relacionado ao interesse do candidato por um curso de licenciatura e, particularmente, acrescido pelo fato de ser um curso que envolve uma carga-horária significativa na área de matemática. O segundo desafio está ligado à não evasão e ao progresso deste estudante no curso escolhido.
Neste contexto, diversas pesquisas destacam a importância de realizar intervenções sistemáticas e permanentes orientadas ao “aprender a aprender” e que possam contribuir para que os estudantes se tornem mais estratégicos e autorregulados em suas aprendizagens. Mesmo que o projeto LEIAA tenha sai origem no Instituto de Física e Matemática da UFPel, e que sua preocupação primeira seja na área de aprendizagem em matemática, observa-se que que boa parte das estratégias fomentadas são de abrangência geral e podem ser estendidas para outras áreas do conhecimento e também em diversos outros contextos, educacionais ou não.
Por fim, destacamos este projeto justifica-se, em particular, por representar mais uma forma de agregar elementos importantes à formação dos estudantes de graduação da UFPel, especialmente em cursos de licenciatura. O projeto LEIAA não tem a pretensão de apresentar-se como solução única para a ampla e complexa gama de desafios relacionados à aprendizagem em matemática no contexto acadêmico. Almeja-se, isto sim, que este projeto represente mais um esforço, entre tantos outros que vem sendo desenvolvidos pela UFPel, no sentido de propor melhores condições de permanência e progresso dos graduandos através de ações consistentes e interligadas de ensino, pesquisa e extensão. Nesta perspectiva, entende-se que o tema da autorregulação da aprendizagem, considerado um marco na psicologia educacional, tem muito a contribuir com a formação dos estudantes participantes.

Metodologia

Pretende-se oferecer diversas atividades ligadas a Aprendizagem Autorregulada, tais como criação de grupos de estudos com estudantes de licenciatura interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre o tema e o oferecimento de oficinas e palestras que visam experimentar e refletir sobre o uso de estratégias de aprendizagem em matemática. Todas as atividades serão permeadas por temas essenciais no processo autorregulatório, tais como o estabelecimento de objetivos de aprendizagem, o planejamento de estudos, automonitoramento da aprendizagem, autovaliação da aprendizagem, a gestão do tempo disponível, a organização e transformação da informação, a atenção e a concentração na tarefa, procrastinação, o ambiente de estudo, procura por ajuda e estratégias autoprejudiciais. Em períodos nos quais não for possível a realização de atividades presenciais, as mesmas ocorrerão na modalidade remota utilizando a ferramenta de webconferência da UFPel.
A carga horária de cada atividade será computada de acordo com a frequência dos participantes, sendo exigida pelo menos 75% de assiduidade na referida atividade para que o estudante tenha direito ao comprovante de participação. Havendo mais inscritos do que vagas para determinada atividade, as vagas serão preenchidas de acordo com a ordem de inscrição (com prioridade para os estudantes de licenciatura em matemática, física e química nas ações de ensino).

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se, com este projeto, proporcionar aos estudantes participantes o contato com o constructo da Aprendizagem Autorregulada. Mais precisamente, almeja-se alcançar as seguintes metas e resultados: 1) possibilitar aos graduandos da UFPel um espaço para refletir sobre o seu próprio processo de aprendizagem e, através de uma postura ativa e crítica, alcancem melhores desempenhos em suas aprendizagens; 2) Possibilitar aos estudantes dos cursos de licenciatura da UFPel, especialmente cursos da área dura, experimentar e desenvolver novas estratégias de aprendizagem para que possam, se julgarem adequado, promover a autorregulação da aprendizagem em seus futuros alunos; 3) Possibilitar aos estudantes da rede básica de ensino (níveis fundamental e médio) melhores condições de aprendizagem e uma aproximação destes com a Universidade, através de ações de extensão; 4) Contribuir com pesquisas na área de psicologia educacional acerca do tema da Aprendizagem Autorregulada, especialmente no que se refere à formação de professores.
Espera-se que, através da plena consciência da importância de uma aprendizagem estratégica e autorregulada, os estudantes poderão usufruir de diversos benefícios, tanto no âmbito da educação formal quanto nos demais contextos da vida cotidiana, nos quais uma visão crítica e reflexiva acerca do estabelecimento de objetivos, planejamento, execução, monitoramento e autoavaliação se mostram cada vez mais fundamentais para superar os desafios educacionais e profissionais do século XXI. Pretende-se aplicar questionários e/ou entrevistas com os participantes ao longo das atividades como forma de avaliar as atividades desenvolvidas.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALEXANDRE OLIVEIRA JORGE
ALINE DE SOUZA MUNIZ
AMANDA PRANKE
BEATRIZ DOS SANTOS GOMES
BETANIA DOMINGUES FURTADO
CAMILA PINTO AIRES
CARLA DENISE ROCHA DA SILVA
CARLA GIOVANA GONCALVES MALGUEIRO
CARLOS EDUARDO DE MIRANDA BELLOMO
CRISTIAN TORRES AMARAL
Cláudio José Braga de Bittencourt
CÍCERO NACHTIGALL16
DANIELLE BARTZ SODRE
DION GUSTAVO OXLEY LEITE
EDUARDA HARTWIG CENTENO
ELENICE DA SILVA SOBRINHO
ELIARA RODRIGUES DORNELES BRISOLARA
ELLEN SHAIANE TREICHEL MULLER
FELIPE GONCALVES DE SOUZA
GABRIEL DOKI KONIG DE MELLO
GEICIELE RAATZ HARTWIG
GUSTAVO OLIVEIRA MOREIRA
GUSTAVO WEIRICH CORREA
KAREN KLUG KRUGER
LAUREN STARKE GELLER
LETICIA BARROS DIAS SOARES
LUCAS BARRETO BARBOSA
LYON BIERHALS DA SILVEIRA
MAIARA DUARTE TAVARES
MATHEUS NOGUEIRA LOPES
NELITIANE SOARES DOS SANTOS
OTAVIO TREICHA DUARTE
RODRIGO OLIVEIRA MOREIRA
SUELEN VIEIRA DA ROSA
VICTOR CEZAR DIAS RECONDO
VITOR SAQUETE RODRIGUES
YASMIN HÖRNKE SOARES

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