Nome do Projeto
Influência do reforço positivo em éguas no período puerperal no relacionamento égua-potro-humano
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/08/2021 - 31/03/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
Independente da razão para manter um cavalo, a necessidade de um bom relacionamento entre o homem e o animal é crucial. Aprender como estabelecer um relacionamento funcional é imprescindível, e uma grande parte disso vem da compreensão de como os cavalos aprendem. A teoria de aprendizagem, o porquê e como os animais aprendem, é um aspeto importante da ciência de equitação, e nos últimos anos tem sido cada vez mais adicionado aos programas veterinários eqüinos desde que o conhecimento desses assuntos tem se mostrado útil, tanto no aumento da eficiência clínica e redução de lesões. No estudo original de 2005 conduzido por Henry et al., a teoria de aprendizagem da relacionamento égua-potro foi investigada e sua utilidade no treinamento com humanos-potros foi testada experimentalmente. Em vez de outros processos de manipulação de neonatos que envolve um grande investimento de tempo, os autores mostraram um método relativamente rápido e prático de influenciar o treinamento do potro, sem tocar no potro, mas usando a égua como modelo através do qual ensinar o potro, um método considerado com potencial significativo para o treinamento do potro. No presente estudo, pretendemos abordar a aplicabilidade de tal método em cavalos de Puro Sangue Inglês destinados para a indústria de corrida, em lugares de diferentes sistemas de manejo. Através de um investimento mínimo de tempo nos primeiros 5 dias após o parto, investigamos o uso de reforço positivo para impactar indiretamente os comportamentos dos potros até pelo menos o primeiro ano de vida. Comportamentos, treinamento, durabilidade e generalização da aprendizagem do potro serão testados para confirmar a tendência em vários sistemas de manejo. Dependendo nos resultados, a incorporação dessa técnica pode efetuar a maneira que criamos potros, valorizando como nos usamos o tempo curto durante a fase neonatal do potro. Assim incorporando teoria de aprendizagem vai fazer que nos enxergamos o cavalo de uma forma mais completa, que, por sua vez, levará a uma melhor compreensão do paciente equino, diminuirá o estresse do animal associado com manuseio difícil, diminuir as reações de medo conhecidas por causar acidentes, e aumentar a eficiência clinica das interações humano-equino. Além disso, o presente estudo vai nos permitir a melhorada do entendimento no corpo científico na área de teoria de aprendizagem equino aplicado.

Objetivo Geral

O projeto tem como objetivo estudar o relacionamento entre a égua e seu potro, e a influência indireta que ela pode ter no relacionamento entre potro e humano, nos cavalos da raça Puro Sangue Inglês.

Objetivos específicos
- Avaliar o efeito e duração do reforço positivo aplicado na égua;
- Avaliar a influência da égua no comportamento do potro;
- Avaliar o processo de aprendizagem do potro funciona durante o início da vida e assim como do processo de aprendizado do potro.

Justificativa

A presente proposta é uma solicitação de prorrogação do projeto cadastrado no Sistema antigo de cadastros de Projetos de Pesquisa da UFPel, cadastrado no COCEPE sob o número 10578.
A solicitação da prorrogação deve-se ao fato da dificuldade de acompanhamento dos partos de éguas da raça Puro-Sangue Inglês, devido a pandemia por Covid-19. Assim solicitamos a prorrogação por mais 2 anos, a fim de conseguir cumprir o número de animais descritos no delineamento experimental descrito no projeto.
Justificativa Inicial do Projeto:
O fato que ainda existe muitos acidentes e medo no equino domestico nos mostra que temos muito ainda para aprender e aplicar no manejo do cavalo. O estudo original foi o primeiro exemplo de usar um procedimento simples através do esforço positivo, usando a égua como modelo de facilitação social para influenciar o comportamento e manejo subsequente do potro (Henry et al., 2005). Outros estudos já saírem confirmando o uso da égua como modelo de influenciar o comportamento do potro em situações de medo (Christensen, 2016), e assim o uso da égua como modelo em treinamento do potro é considerada de grande potencial (Rørvang et al., 2018). Até o presente momento não existem estudos aplicados a equinos da raça puro sangue inglês (PSI). Por esse motivo queremos avaliar essa técnica em vários sistemas em haras diferentes para avaliar a generalização dos resultados obtidos no estudo original, e assim, aumentar o seu valor no corpo científico. Esso estudo vai servir como uma forma de entender melhor o relacionamento natural entre a égua e seu potro, e como nos como treinadores podemos utilizar esse fenômeno natural para melhorar nosso relacionamento os cavalos que temos em nosso cuidado, a fim que nossos animais podem ser treinados de uma base mais amplo na ciência de equitação (por exemplo, usando a teoria de aprendizagem) e, assim ter um melhor qualidade de vida e um treinamento mais valoroso para nossos esforços. O bem-estar do animal é sempre relevante nos estudos biológicos. O comportamento natural é tão ligado com o bem-estar do animal, e assim um estudo priorizando comportamento natural vai ser cada vez mais importante para nossa aprendizagem veterinária. Dependendo nos resultados, o impacto para utilizar uma parte o a técnica toda dessa maneira pode afetar o bem-estar animal para equinos de criação muito aqui no Brasil e no mundo todo.

Metodologia

- Animais: Serão utilizadas 43 éguas recém paridos, divididas em 2 grupos experimentais, sendo: 1) 16 éguas saudáveis, as quais serão utilizadas como Grupo Controle e; 2) 27 éguas saudáveis, que foram submetidos a tratamento experimental (grooming).

- Locais de estudo: O experimento será desenvolvido em três criatórios de equinos da raça Puro Sangue Inglês (PSI). Éguas demonstrando sinais de parir estão mantidos durante a noite em cocheiras, e soltos no campo durante a dia. Depois de parir éguas e potros saudáveis estão mantidos exclusivamente no campo deste o primeiro dia, entrando nas cocheiras somente para alimentação duas vezes per dia, ou quando estiver necessidade veterinária.

- Desenho Experimental: As éguas do grupo experimental serão submetidas a 5 sessões de interação positiva (grooming) nos 5 dias seguintes ao parto bem-sucedido de cada égua. Para evitar a interrupção dos laços materno-jovens (Waring, 2003), a primeira sessão ocorreu pelo menos 12 horas (12-20 horas) após o parto. Todas as sessões experimentais ocorreram após a introdução da alimentação normal da égua, na cocheira familiar. Depois de entrar na cocheira a égua será amarrada usando o cabrestro dela na parede, com os potros livres para interagir com suas mães sem contensão nenhum. Por aproximadamente 1.5 minutos a experimentadora ficará imóvel perto da cabeça da égua, e depois começará a escovar a égua com uma escova macio por aproximadamente 13.5 minutos, por um total de 15 minutos com a égua per sessão. A égua ganhara uma recompensa alimentar após da primeira e a última sessão. Nenhum manejo ou contato voluntariamente procurado nem dirigido ao potro pelo experimentador. Todos os comportamentos seriam observados e anotados da égua e do potro através de uma filmagem usando uma maquina fotográfica localizada na ou fora da limitação da cocheira. Isso concluiria a experimentação com a égua. Éguas do grupo controle e da experimentação não receberam nenhuma interação parecido (escovação) com humanos durante esse período de estudo, além dos procedimentos de rotina (descritos acima), bem como contato veterinário conforme necessário.

- Testes com o potro: Quatro testes foram realizados nos potros controle e experimental, a fim de fornecer evidências de influências curtas (2 semanas), médias (1 mês) e / ou longo prazo (1 ano +) de manejo precoce das éguas. Estes testes têm como objetivo fornecer evidencia de uma motivação dos potros para interagir com os seres humanos (reação a um ser humano em pé imóvel), quanto a confiança dos potros em humanos em diferentes situações desencadeadoras de medo (teste de aproximação, teste de tolerância, teste de abordagem). Todos os testes foram realizados pelo mesmo experimentador (feminino, cabelo loiro) que também fez o tratamento com a égua.
No dia 15 depois do nascimento do potro, a experimentadora fará o Teste 1, que é a “Teste de Reação a um Ser Humano em Pé Imóvel”, que consiste de um tempo dentro da cocheira com o potro (com sua mãe amarrada) por 5 minutos, e avaliar comportamentos e distancias da própria experimentadora, sem interação voluntaria da experimentadora. Imediatamente após o Teste 1, e quando os potros estavam a 1,5 m da experimentadora, a experimentadora vai fazer o Teste 2, que é a “Teste de Aproximação”, onde por um curto período, ela vai tranquilamente tentar a se-aproximar e tocar ao potro (vindo do seu lado), ao fim de mensurar a reação do potro como essa situação. As provas duraram 60 segundos e o contato nunca foi forçado: os potros estavam livres para evitar o experimentador. A latência necessária para se aproximar e tocar em potros, bem como as distâncias de fuga (0; 0,5; 1; 1,5; +2 m) foram registradas através da filmagem com a maquina fotográfica localizada na ou fora da limitação da cocheira.
Quando o potro estiver entre 30-45 das de vida, a experimentadora vai repetir o Teste 1, mas além disso neste período vai tentar colocar uma pequena coberta (como os de uso por baixo da sela) nas costas do potro, isso se chama Teste 3, “A Teste de Tolerância”. Se o potro aceitar, a coberta ficara 10 s nas costas e depois o potro seria oferecido uma recompensa alimentar. Estes testes foram realizados uma vez por dia durante 5 dias para testar a habituação (quando os potros tinham entre 30 e 35 dias de idade). Cada tentativa duraria ao máximo 120 segundas, e contato nunca foi forçado: os potros estavam livres para evitar o experimentador. A latência de aceitação da coberta foi cronometrada com um cronômetro e aceitação / recusa, números de tentativas e distâncias de fuga (0; 0,5; 1; 1,5; +2 m) foram registrados através da filmagem com a máquina fotográfica localizada na ou fora da limitação da cocheira.
Quando o potro estiver com 6 meses, a experimentadora vai fazer o teste 4, que é a “Teste de Aproximação e Tocar”, onde a experimentadora (a mesma deste o inicio da experimentação) vai aproximar cada potro no campo (piquete) e vai tentar tocar o potro em 6 áreas predefinidos. Esse teste vai ter o máximo 3 tentativas de aproximação per lado per potro, e os comportamentos e distancias vão ser anotados através da filmagem com a máquina fotográfica localizada fora do campo. Depois com 12 meses, esse teste vai ser repetido por última com um experimentador desconhecido pelos potros, para testar generalização.


Indicadores, Metas e Resultados

- No âmbito científico, produzir informações técnico-científicas que permitam o entendimento da aplicação do reforço positivo na raça PSI, em haras ativos;
- Aperfeiçoar a utilização destes métodos de abordagem como ferramenta simples e útil na cuida da espécie equina, que pode ser implementado em ambientes pequenas ou grandes;
- Fornecer aos criadores de equinos uma ferramenta para auxiliar na treinagem de manejo dos potros, de forma precoce;
- Minimizar as perdas temporais, financeiras, e fisiologias associados com acidentes devido ao medo do cavalo durante manejo;
- Proporcionar aos alunos de graduação inseridos no projeto a interação pesquisa-ensino, valorizando o treinamento de práticas a campo e técnicas de laboratório;
- No âmbito da formação de recursos humanos, inserir no projeto alunos do programa de residência multiprofissional e em área profissional da saúde da área de equinos, alunos de mestrado e doutorado do programa de veterinária da UFPel.
- Consolidar o Grupo de Pesquisa em Medicina de Equinos (ClinEq) nas áreas de pesquisa e treinamento de recursos humanos;
- Aprofundar os estudos referentes à linha de pesquisa em comportamento equina baseada em dados específicos da região.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDRESSA GARCIA MOTTA
BRUNA DA ROSA CURCIO5
CARLOS EDUARDO WAYNE NOGUEIRA1
GABRIELA CASTRO DA SILVA
GABRIELA MAROCCO RAPHAELLI
GIOVANA MANCILLA PIVATO
ISADORA PAZ OLIVEIRA DOS SANTOS
JAYNE DA ROSA PEDROZO
MANOELA FÁTIMA PACHECO
MARGARIDA AIRES DA SILVA
NATÁLIA BUCHHORN DE FREITAS
PALOMA BEATRIZ JOANOL DALLMANN
RAFAELA AMESTOY DE OLIVEIRA
RAFAELA BASTOS DA SILVA
RAFAELA PINTO DE SOUZA
TATIANE LEITE ALMEIDA

Recursos Arrecadados

FonteValorAdministrador
PROAP - CAPESR$ 5.000,00Coordenador

Plano de Aplicação de Despesas

DescriçãoValor
339030 - Material de ConsumoR$ 2.500,00
339018 - Auxílio Financeiro a EstudantesR$ 2.500,00

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