Nome do Projeto
Observatório Regional da Construção Civil no Extremo Sul
Ênfase
Extensão
Data inicial - Data final
01/11/2021 - 31/10/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Engenharias
Eixo Temático (Principal - Afim)
Tecnologia e Produção / Trabalho
Linha de Extensão
Desenvolvimento regional
Resumo
Trata-se de uma iniciativa para alinhar o setor da construção civil da região Sul do Estado do Rio Grande do Sul, em especial de edificações, às melhores práticas correntes que redundem em aumento de produtividade e competitividade. Alguns cenários devem catalisar mudanças, nacional e internacionalmente, que demandam tais práticas como uma rotina, no entanto a heterogeneidade desse setor produtivo em termos do grau de desenvolvimento tecnológico pode obstar que os benefícios estejam ao alcance de todos. Dessa forma, a Universidade deve assumir o papel de liderança nessa mudança de paradigma, fazendo com que o conhecimento técnico e a gestão sejam vetores para a consecução desse objetivo, e, ao mesmo tempo, mitigando os riscos inerentes a qualquer mudança. A estrita cooperação com as associações de classe, conselhos profissionais, o Sinduscon e o próprio poder público torna-se fundamental para o sucesso deste projeto de extensão, cuja metodologia deve abranger os mais diversos atores desse setor produtivo, sob a expectativa de conduzir os trabalhos com a satisfação e a confiança das partes interessadas.

Objetivo Geral

Criar um sistema estruturado para analisar dados e, a partir disso, gerar informações capazes de redundar em conhecimentos e inovações em prol da competitividade das empresas ligadas ao setor da construção civil voltada a edificações, para ratificar a transformação socioambiental da Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul em linha com tendências nacionais e internacionais.

Justificativa

A Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul, que representa o Extremo Sul do país, enquadra-se na Região Estadual Funcional de Planejamento dita RF5, composta por 22 munícipios: Amaral Ferrador, Arroio Grande, Arroio do Padre, Canguçu, Capão do Leão, Cerrito, Chuí, Herval, Jaguarão, Morro Redondo, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, Santana da Boa Vista, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Tavares e Turuçu. Destaque para o munícipio de Pelotas, com densidade demográfica entre 100 e 500 hab/km2, em detrimento da média de 10 a 50 hab/km2 para a região, embora o município de Rio Grande concentre uma das maiores arrecadações de ICMS do todo o Estado. Juntos, esses dois municípios formam também o eixo com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), considerado alto (entre 0,700 e 0,799), apesar de o componente educação desse índice resultar mediano, restando à maioria da região um desempenho baixo no que diz respeito a esse quesito. Isso tem um impacto significativo sobre a atividade da construção civil, em termos de índices de produtividade e grau de inovação, dado o elevado número de operários (mais de 10.000) e de estabelecimentos (mais de 1.000) ligados ao setor, conforme dados recentes do Ministério da Economia, apenas no município de Pelotas. Tal pujança se deve, em parte, à predominância das atividades agropecuária e extrativista, assim como das indústrias ligadas a elas, além do setor de serviços, que movimentam a economia do município. Naturalmente, boa parte dessa riqueza encontra o setor imobiliário como destino para investimento, uma vez que a demanda é grande por habitações: estudo recente revelou que cerca de 30% dos munícipes de Pelotas vivem em áreas de urbanização precária, ao passo que dados do último censo do IBGE mostram existência de 6 aglomerações subnormais: Santa Bárbara do Norte e do Sul, Estrada do Engenho, Ilha da Páscoa – Rota do Sol, Leito da Via Férrea – Vila Peres 22 de Maio e Anglo-Balsa. Em conjunto, essas ocupações registram quase 1.000 domicílios, com população superior a 3.000 habitantes. Em Rio Grande, a situação é ainda crítica: apesar de igual número de aglomerações subnormais – Getúlio Vargas, Mangueira, Santa Tereza, Henrique Pancada, Dom Bosquinho e Roberto Socoowski – foram contabilizados quase 1.500 domicílios com população aproximada de 5.000 habitantes. Algo comum entre todos os municípios da Região Sul, constata-se que essa atividade de construção civil não tem sido exercida por empresas que representem grandes grupos com atuação nacional, o que ainda favorece práticas por vezes obsoletas, com baixa produtividade, e competição restrita, de modo a explicar o cenário social supracitado. Isso faz jus à atuação da Universidade como um vetor para a disseminação do conhecimento e transferência de técnicas e tecnologias modernas, reduzindo o risco e antecipando tendências para empresas locais com atuação em construção civil, de modo a beneficiar os recursos humanos que atuam em toda a cadeia do setor, com incremento na qualificação profissional, e benefício à comunidade em geral a partir de produtos com melhor desempenho, capazes de atender às demandas em particular de cada município da região. Para tanto, faz-se necessário coletar dados, em estrita cooperação com as associações de classe, os conselhos profissionais, o SindusCon e o próprio poder público, para elaborar cenários e planos de ação capazes, inclusive, de direcionar políticas públicas para o alcance das metas ora preconizadas. Assim, o Observatório Regional da Construção Civil no Extremo Sul (ORCCES) que nasce a partir de projeto de extensão do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pelotas almeja desempenhar esse papel, mobilizando boa parte do seu corpo docente e discente para inserir de vez o conhecimento acadêmico como alavanca para a competitividade e desenvolvimento dessas organizações que se constituem como instrumento para transformação socioambiental.

Metodologia

Alguns cenários atuais determinam o modus operandi do presente projeto, embora constantes atualizações sejam previstas, na forma de inclusão de ações, de modo a mantê-lo em linha com o dinamismo que configura a evolução constante da sociedade moderna. O primeiro motor para as mudanças vislumbradas ao setor da construção advém do Acordo de Paris: o Brasil assumiu metas ambiciosas de reduzir a emissão de gases atribuídos ao efeito estufa em 37%, até 2025, em comparação aos níveis de 2006. A construção civil tem papel importante nessas emissões, tanto que a França firmou compromisso para tornar compulsório, a partir de 2022, que edifícios públicos sejam construídos com, pelo menos, 50% de materiais considerados sustentáveis. Em adição, a chamada Norma de Desempenho (NBR 15.575:2013) se estabeleceu como importante instrumento para garantir qualidade no ambiente construído, fruto do Programa Brasileiro de Qualidade na Produção do Habitat (PBQP-H) e em linha com o Código de Defesa de Consumidor, uma vez que estabelece responsabilidade solidária entre projetistas, construtores e usuários das edificações para manutenção de desempenhos mínimos ao longo da sua vida útil relativamente à requisitos de segurança e habitabilidade. Por fim, os operários da construção ganham pouco e produzem menos ainda, resultando em custo por metro quadrado da construção equivalente ao dos EUA, cujo país remunera dez vezes mais seus operários, em média, os quais produzem cerca de cinco vezes mais do que os brasileiros. Apesar de algumas construtoras perseguirem uma profissionalização de seus colaboradores, a terceirização de etapas construtivas é evidente e, em geral, assumida por empresas de pequeno porte, geralmente tão atrasadas quanto seus proprietários. Soma-se a isso o emprego de técnicas construtivas artesanais e a rotatividade das equipes, pela qual se prede boa parte do aprendizado, além da reduzida digitalização – menos de 10% das construtoras brasileiras aderiram ao BIM (Building Information Modeling) – para se caracterizar os desafios para a construção civil, tanto no cenário nacional quanto no regional. É nesse contexto que ganham força os compromissos cunhados como ESG (Environmental, Social, and Governance). Portanto, as atividades deste projeto de extensão concentram-se em:
(i) estruturar a coleta de dados das atividades das principais empresas ligadas à construção de edifícios nos municípios que constituem a Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul, de modo perene, para o mapeamento da produtividade e a geração das curvas de aprendizado em todas as etapas da construção, incluindo o pós-obra, de modo a diagnosticar soluções mais adequadas a cada caso em função do respectivo nível de desenvolvimento de partida. A coleta de dados se embasa em indicadores chave de desempenho (KPI), de modo que as informações obtidas sejam direcionadas para a criação de um sistema de gestão integrada (SGI) para auxiliar a tomada de decisões;
(ii) estimular e adaptar a digitalização nas empresas, desde a etapa projetual, a partir do uso de ferramentas que materializem o processo BIM aliadas às técnicas de planejamento adequadas, sob o viés da produção enxuta, quando cabível, fornecendo para tanto o treinamento específico disponibilizado pela empresa júnior do curso de engenharia civil da UFPel, a Vértice Jr;
(iii) orientar as empresas para a escolha de materiais e processos construtivos que respeitem os requisitos de desempenho, bem como reduzam os impactos ambientais a partir da análise dos respectivos ciclos de vida, dentro da expectativa de custo-alvo e dos prazos estabelecidos pelo planejamento estratégico de cada empreendimento;
(iv) formar grupos de trabalho para oferecer treinamentos, em local adequado, se possível em parceria com o sistema S (SESI, SESC, SENAI, SENAC e SEBRAE) e com o SindusCon, às empresas de pequeno porte e seus colaboradores, de modo a sistematizar as ações relativas ao advento de técnicas e tecnologias construtivas mais produtivas e sustentáveis, dado o diagnóstico para cada caso;
(v) monitorar o processo de geração de valores perante o público-alvo dos empreendimentos em geral, bem como a redução de gargalos no processo produtivo e riscos aos colaboradores no ambiente de trabalho, a fim de erradicar ou minimizar o acúmulo de passivos, geralmente na forma de processos judiciais de naturezas diversas;
(vi) internalizar à Universidade os desafios técnicos e tecnológicos que ainda não disponham de soluções consolidadas no mercado, para desencadear pesquisas que levem ao desenvolvimento de novas técnicas, processos e produtos, sempre que possível custeadas pelos agentes do setor para o alcance da escala mais próxima à real, com observação às possibilidades para proteção intelectual, de modo a reduzir riscos aos interessados, potencializar o ensino, inclusive em nível de pós-graduação profissional, e incrementar sua infraestrutura para manutenção desse ciclo;
(viii) estimular a criação de startups, em parceria com a Conectar, incubadora de empresas da UFPel, para materializar a introdução no mercado das eventuais novas técnicas, processos e/ou produtos desenvolvidos a partir deste projeto de extensão, de modo a permitir que a inovação esteja ao alcance das empresas interessadas, para o benefício da sociedade em geral; e
(ix) manter canais permanentes para a disseminação dos resultados obtidos, ressalvado o direito ao sigilo sobre a identidade dos envolvidos, caso manifestem tal interesse, a fim de aumentar a visibilidade do projeto, sua abrangência e possíveis desdobramentos para a formação de opinião e políticas públicas correlacionadas ao setor da construção civil regional.

Indicadores, Metas e Resultados

Em curto prazo: (a) identificar os aspectos inerentes à competitividade local para criar estratégia para acesso e automatização na coleta das informações, a fim de construir bases individuais para a tomada de decisões. Espera-se que isso ocorra ainda no primeiro ano do projeto, de início nos municípios com maior densidade demográfica da região – a saber, Pelotas e Rio Grande – e, na sequência, nos demais municípios da Região Sul;
No médio prazo: (b) transformar as informações em conhecimento e, sempre que possível, em tecnologia, capaz de aumentar a produtividade e a competitividade do setor na região, além de ratificar nos envolvidos a consciência para transformação socioambiental em consonância com as tendências nacionais e internacionais. Espera-se que isso ocorra a partir do segundo ano do projeto, com aumento expressivo no número de publicações, técnicas e acadêmicas, bem como de patentes, modelos de utilidade e/ou programas computacionais (softwares ou aplicativos), além de startups que possam se relacionem com o mercado, desde o local até nacional;
A longo prazo: (c) consolidar a Universidade como elemento chave na obtenção e disseminação dos resultados de forma imparcial e precisa, de modo a contribuir para a tomada de decisão e a formação de empresários, para a formação de profissionais da construção civil aptos a desafios e para a elaboração de políticas públicas setoriais com base na realidade da região. Espera-se que isso corra na metade final do projeto, com a criação de curso de pós-graduação profissional para relação permanente com o setor da construção civil na Região Sul e ampliação dos impactos positivos assim vislumbrados para a sociedade em geral.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALINE TABARELLI2
BERNARDO BUBOLZ BOHM
HEBERT LUIS ROSSETTO1
HENRIQUE OTTO COELHO2
Lizandro Cardoso Lopes

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