Nome do Projeto
Bidirecionalidade da associação entre sibilância e obesidade na adolescência e início da vida adulta: Coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Brasil
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
23/09/2021 - 28/02/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A asma é uma doença heterogênea caracterizada por inflamação crônica da via aérea, com presença de sintomas respiratórios recorrentes e broncorreatividade, que podem variar de intensidade ao longo do tempo. Devido à dificuldade no controle da doença e o alto custo aos sistemas de saúde pública, é necessária a compreensão dos fatores que podem contribuir para o aparecimento ou manutenção da asma. Assim, nos últimos anos, vem sendo relatado na literatura científica uma possível associação entre asma e obesidade. A obesidade é uma doença crônica de origem multifatorial, considerada um problema de saúde global e que vem crescendo ao longo dos últimos anos. Observa-se que os indivíduos asmáticos obesos tendem a apresentar um pior controle da doença, manifestando uma maior carga dos sintomas, interferindo na qualidade de vida e limitando as atividades diárias. Apesar de estudos longitudinais indicarem que possivelmente a obesidade precede a asma, a direção causal dessa associação ainda é incerta, ou seja, não é possível inferir se a asma contribui para o desenvolvimento da obesidade ou a obesidade contribui para o aparecimento da asma. Compreender a direcionalidade torna-se necessário para entender melhor a relação entre essas doenças, visto que esta associação pode ser influenciada por fatores como fenótipos, condições socioeconômicas e estilo de vida. Nesse contexto, este projeto visa explorar a associação entre asma e obesidade, utilizando os dados da coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, em um acompanhamento longitudinal de 11 anos durante a adolescência até o início da vida adulta dos participantes, com foco principal na bidirecionalidade da associação e nas trajetórias da obesidade e sibilância no mesmo período

Objetivo Geral

- Explorar a associação bidirecional entre sibilância e obesidade no período
da adolescência até o início da vida adulta por meio dos dados da Coorte de
Nascimentos de 1993, Pelotas, Brasil;
- Modelar as trajetórias conjuntas de sibilância e obesidade ao longo da
adolescência e início da vida adulta, na Coorte de Nascimentos de 1993, Pelotas,
Brasil;
- Realizar uma revisão sistemática sobre bidirecionalidade entre asma e
obesidade.

Justificativa

A asma é uma doença crônica das vias aéreas que ocasiona considerável
morbidade na população, durante o período da infância e adolescência (BITSKO;
EVERHART; RUBIN, 2014; PAVORD et al., 2017). O controle ineficiente da asma
ainda é comumente observado, de modo a gerar altos custos aos sistemas de saúde
e interferir na qualidade de vida dos indivíduos asmáticos, tornando-se um problema
de saúde pública global (PAVORD et al., 2017).
No documento sobre estratégias globais para manejo e prevenção da asma,
a GINA reitera a relevância das investigações científicas em relação à associação
entre asma e obesidade, partindo do pressuposto que os indivíduos asmáticos obesos
tendem a apresentar um pior controle da doença, manifestando uma carga maior dos
sintomas (GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA, 2021); sendo assim, os indivíduos
asmáticos obesos necessitam de uma abordagem individualizada baseada em
diretrizes de prática clínica, compreendendo como a asma e obesidade podem
interagir (GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA, 2021; PIZZICHINI et al., 2020).
Nos últimos anos, houve um aumento da literatura científica sobre a
associação entre asma e obesidade (LANG, 2019; LANG et al., 2011; LANG; FENG;
LIMA, 2009; VISNESS et al., 2010). Assim, observa-se que estudos transversais
mencionam que obesidade está associada à asma (BRABÄCK; HJERN;
RASMUSSEN, 2005; LANG et al., 2012; LU et al., 2016; WEINMAYR et al., 2014),
porém este delineamento de estudo não permite delimitar a relação causal da
associação, visto que a presença ou não de obesidade e da asma podem variar com
o tempo. Assim, para verificar a direção da associação e/ou gerar hipóteses de
causalidade, são necessários estudos longitudinais.
Ainda, ao observar a literatura científica sobre a plausibilidade biológica da
associação entre asma e obesidade encontra-se que características relacionadas à
obesidade, como a presença de genes específicos (VILLENEUVE; GUILLEMINAULT,
2020) e mediadores pró-inflamatórios do tecido adiposo (HOLGUIN et al., 2011)
podem ocasionar asma; em contrapartida, características dos indivíduos asmáticos
como a hiper-reatividade brônquica (CHINN; JARVIS; BURNEY, 2002) e o uso de
corticoides orais também podem ocasionar obesidade (O’NEILL et al., 2015); além
disto, essas associações podem ser influenciadas por condições socioeconômicas e
estilo de vida (LANG, 2019; VILLENEUVE; GUILLEMINAULT, 2020). Assim, estudar
a bidirecionalidade da associação entre asma e obesidade em diferentes populações,
torna-se necessário para esclarecer a relação entre as doenças.
No Brasil, alguns estudos de base populacional acompanham a ocorrência de
obesidade e asma durante a vida, como as coortes de nascimentos de Pelotas, na
região sul do país (GONÇALVES et al., 2017; HALLAL et al., 2018; HORTA et al.,
2015; SANTOS et al., 2014); a prevalência de obesidade no início da vida adulta em
duas das coortes de Pelotas, foi de 4,8% (IC95%: 4,1;5,6) aos 18 e 19 anos na coorte
de 82, e na coorte de 1993, aos 18 anos, foi de 9,1% (IC95%: 8,2; 10,0). Ao
verificarmos o período da adolescência e início da idade adulta na coorte de 1993, a
prevalência de obesidade aos 11 anos foi de 6,0% (IC95%: 5,3; 6,7) aumentando 1,53
vezes (IC95%: 1,36; 1,71) dos 11 aos 18 anos. Já entre os 18 e 22 anos, a prevalência
de obesidade aumentou 1,87 vezes (IC 95%: 1,71; 2,04), atingindo, aos 22 anos,
16,9% (IC 95%: 15,7; 18,1) (DE CARVALHO et al., 2021).
Na mesma população, Noal e colaboradores (2012), encontraram uma
prevalência de sibilância nos últimos 12 meses de 13,5% (IC 95%: 12,5%; 14,5%) aos
11 anos e 12,1% (IC95%: 11,1%; 13,1%) aos 15 anos, com incidência de 7,5% durante
o período. Nesse estudo, o RR de sibilância persistente nos indivíduos obesos aos 11
anos foi de 1,82 (IC 95%:1,30; 2,54) e a prevalência de sibilância aos 15 anos foi 50%
maior nos adolescentes obesos comparado aos eutróficos (RR: 1,53; IC 95%: 1,14;
2,05) (NOAL et al., 2012). Posteriormente, Menezes e colaboradores (2018),
analisaram as medidas de adiposidade corporal e a associação com sibilância aos 22
anos e observaram uma associação longitudinal positiva. A prevalência de sibilância
aos 22 anos foi de 10,6% (IC 95%: 9,6; 11,6), sendo que aqueles indivíduos com IMC≥
30 kg/m2 aos 18 e 22 anos tiveram 2,0 vezes (IC 95%: 1,32; 3,03) maior chance de
desenvolver sibilância nos últimos 12 meses aos 22 anos, assim como, aqueles
indivíduos pertencentes ao tercil mais alto de percentual de massa gorda total em
ambos os acompanhamentos tiveram 1,58 vezes (IC 95%:1,14; 2,20) maior chance
de desenvolver sibilância aos 22 anos (MENEZES et al., 2018).
Nesse contexto, torna-se relevante investigar a associação entre asma e
obesidade na coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Brasil, para responder o
questionamento acerca da direção causal da associação entre as mesmas, assim
como, definir as trajetórias de obesidade e de asma durante a adolescência e início
da vida adulta.

Metodologia

Trata-se de um estudo de coorte de nascimentos, de base populacional e
âmbito prospectivo. Serão utilizados os dados da coorte de nascimentos de 1993,
coletados em Pelotas, Brasil. Os dados utilizados serão provenientes dos
acompanhamentos realizados aos 11, 15, 18 e 22 anos dos participantes.

Indicadores, Metas e Resultados

ARTIGOS PLANEJADOS

Artigo original 1 – Trajetórias de sibilância e obesidade na adolescência e no início
da vida adulta na coorte de nascimentos de 1993, Pelotas, Brasil.
Artigo original 2 – Associação bidirecional entre sibilância e índice de massa corporal
na adolescência e início da vida adulta: Coorte de nascimentos de 1993, Pelotas,
Brasil.
Artigo de revisão 3 – Relação causal entre obesidade e asma: Uma revisão
sistemática

HIPÓTESES

- A obesidade e a presença de sibilância nos últimos 12 meses apresentarão
uma associação longitudinal positiva;
- Aqueles indivíduos com obesidade em um determinado acompanhamento
terão um maior risco de apresentarem sibilância nos últimos 12 meses no próximo
acompanhamento do estudo comparados aos indivíduos não obesos;
- A presença de sibilância nos últimos 12 meses em um determinado
acompanhamento também aumentará o risco de se tornar obeso no próximo
acompanhamento, quando comparados aos indivíduos sem sibilância;
- Haverá grupos que terão trajetórias semelhantes de ocorrência das doenças,
considerando os dois parâmetros (sibilância nos últimos 12 meses e obesidade).

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANA MARIA BAPTISTA MENEZES1
NÍCOLAS KICKHOFEL WEISSHAHN
PAULA DUARTE DE OLIVEIRA

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