Nome do Projeto
Efeito da administração de omeprazol associado a anti-inflamatório não esteroidal em equinos
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/06/2022 - 01/11/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
O estômago dos equinos têm particularidades anatômicas e fisiológicas que combinadas com fatores predisponentes, facilitam a ocorrência de gastropatias. Os mecanismos de lesão na mucosa gástrica iniciam basicamente pelo desequilíbrio entre os fatores protetivos intrínsecos (prostaglandinas, secreção de muco, irrigação sanguínea) e os fatores agressivos intrínsecos, como a produção de ácido clorídrico, que altera os mecanismos de defesa da mucosa gástrica, resultando em inflamação, erosão e formação de úlceras (RANZALES & ALVES, 2013). Estresse, alterações na dieta, exercício e uso de anti-inflamatórios não esterioidais (AINES) estão associadas ao aparecimento dessas lesões (CAMACHO-LUNA et al, 2018). Na rotina clínica, medicamentos AINES estão entre os fármacos mais utilizados em uma variedade de doenças agudas ou crônicas, pelas suas propriedades anti-inflamatórias, antipiréticas e antiendotóxicas que resultam da inibição da enzima ciclooxigenase (COX). No entanto, o bloqueio dessa enzima inibe a síntese de prostaglandina que resulta na diminuição do fluxo sanguíneo da mucosa, diminuição da produção de muco e aumento da secreção ácido clorídrico, induzindo úlcera gástrica em várias espécies, especialmente quando usados em altas doses ou por períodos prolongados (PEDERSEN et al., 2017; BUCHANAN & ANDREWS, 2013). A gastroscopia é o único método atualmente disponível para diagnóstico definitivo de úlcera gástrica e o tratamento farmacológico é baseado principalmente no uso de inibidores de bomba de prótons, representado pelo omeprazol (CAMACHO-LUNA et al, 2018). Mais recentemente, estudos demonstraram que a administração concomitante de omeprazol aumenta o risco de toxicidade gastrointestinal induzida por fenilbutazona em relação a administração de fenilbutazona isolada (Ricord et al., 2020). Além disso, em humanos, o tratamento com inibidores de bomba de prótons estra associado a mudanças na microbiota intestinal e aumento do risco de infecções entéricas por Clostridioides difficile, Salmonella spp. , Shiguella ou Campylobacter spp (IMHANN et al., 2016). Em cavalos as informações sobre esse efeito ainda são escassas. Cerri e colaboradores em 2021 observaram que a administração de omeprazol em equinos durante 7 dias consecutivos não induziu mudanças significativas na composição da microbiota fecal ou glandular gástrica, no entanto, certos gêneros microbianos tornaram-se mais predominantes na mucosa gástrica.

Objetivo Geral

Avaliar o efeito do tratamento com omeprazol associado a fenilbutazona e firocoxibe em equinos na formação de úlceras gástricas e seu efeito na microbiota intestinal.

Justificativa

A síndrome da úlcera gástrica em equinos tem relação com o uso de AINES pela inibição de
enzimas que regulam os mecanismos protetores gástricos intrínsecos. Assim, por serem
fármacos com indicação nas mais variadas alterações agudas e crônicas em equinos,
muitas vezes com necessidade de duração de tratamento prolongado, o uso em associação
com omeprazol será avaliado em relação aos efeitos gastrointestinais.

Metodologia

O modelo experimental prevê a utilização de 24 animais (n = 24) mestiços, que serão distribuídos
em 4 grupos de tratamento com 6 equinos cada. Cada grupo será composto por 2 animais com
idade inferior a 2 anos e 4 animais com idades entre 2- 4 anos, da mesma forma padronizados na
distribuição de gêneros, sendo alocados 3 machos e 3 fêmeas por grupo. Durante o experimento,
todos os equinos serão mantidos em pastagem e suplementados com ração comercial peletizada e
água ad libitum.
Previamente ao início do tratamento, os animais serão submetidos a exame clínico, avaliação
hematológica, exame coproparasitológico e gastroscopia. Os grupos serão determinados de acordo
com o tratamento:
- Grupo firocoxib (G1): Firocoxibe (0,1mg/kg) em pasta, SID, VO, 30 minutos antes de fornecimento
de ração, por 14 dias.
- Grupo firocoxibe + omeprazol (G2): Firocoxibe (0,1mg/kg) em pasta, SID, VO + omeprazol (4
mg/kg), em pellets, SID, VO, por 14 dias. Será realizado o intervalo entre as doses de 30 minutos e a
ração só será fornecida após 30 minutos do último tratamento.
Grupo fenilbutazona (G3): Fenilbutazona (4.4 mg/kg), SID, IV, 30 minutos antes do fornecimento
de ração, por 14 dias.
Grupo fenilbutazona +omeprazol (G4): Fenilbutazona (4.4 mg/kg), SID, IV + omeprazol (4 mg/kg),
em pellets, SID, VO, por 14 dias. Será realizado o intervalo entre as doses de 30 minutos e a ração
só será fornecida após 30 minutos do último tratamento.
As seguintes avaliações serão realizadas nos dias D0, D7, D14 e D21:
- Avaliação hematológica: será coletado sangue por punção da veia jugular externa com uso de
sistema Vacutainer. 1 tubo com EDTA para hemograma e 1 tubo sem anticoagulante para obtenção
de soro para análise bioquímica das enzimas AST, GGT, FA, albumina, ureia e creatinina que serão
processadas no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária da UFPel.
- Ultrassonografia abdominal: será realizada avaliação da janela duodenal pelo método FLASH
conforme descrito por Busoni et al. (2011), utilizando o aparelho de ultrassom equipado com
transdutor convexo de 3,5 MHz.
- Gastroscopia: com o animal submetido a jejum prévio de 12 horas, em estação e sedado, o exame
será realizado utilizando um videoendoscópio de 3,3m de comprimento, que será introduzido por
uma das narinas e avançado pelo meato ventral em direção à abertura esofágica, dorsal às
cartilagens aritenóides, percorrendo o esôfago até o estômago para avaliação completa das regiões
aglandular e glandular (SLOVIS, 2004). As imagens serão gravadas pelo equipamento para posterior
análise e pontuação em ficha individual conforme descrito por Sykes et al., 2015.
- Avaliação do grau de dor por etograma e classificação conforme escala Grimace de acordo com
Dalla Costa et al. (2010).
- Análises fecais: serão coletadas amostras de fezes (aproximadamente 100g) diretamente da
ampola retal para as seguintes avaliações:
1. pH fecal: será determinado imediatamente após a coleta, utilizando-se uma proporção e 30g de
fezes que será diluída e homogeneizada em 30 mL de água destilada. Após homogeinizada, a
solução será filtrada com gaze e funil de vidro coletando-se o volume de aproximadamente 20 mL
de amostra a qual será medida usando um pH digital (MAIA et al., 2017).
2. escore fecal: a consistência fecal será avaliada, registrada em imagens e classificada em escores,
em escala de 1 a 4 (1 = fezes ressecadas; 2= fezes normais com cíbalas arredondadas de
consistência firme; 3 = fezes amolecidas ou pastosas; 4 = diarreicas) (MAIA et al., 2017)
3. Análise de microbiota: aproximadamente 4 gramas serão armazenadas em tubo falcon de 50ml
e imediatamente congeladas em freezer -80ºC para posterior avaliação da microbiota intestinal.
Ao fim do tratamento, todos os animais que apresentarem lesões terão o tratamento com
omeprazol continuado e serão acompanhados por gastroscopia semanalmente até a remissão
completa das úlceras.
- Protocolo anestésico para os exames gastroscópicos:
Será realizada sedação com xilazina 0,5mg/kg IV associada com butorfanol 0,01 mg/ kg IV.

Indicadores, Metas e Resultados

Com este estudo, esperamos demonstrar os efeitos do uso precoce de
omeprazol concomitante ao uso de AINES amplamente utilizados na rotina
clínica em equinos. Os dados gerados pelo trabalho possibilitará a melhor
compreensão sobre as alterações gástricas induzidas por esta classe de
medicamentos, além de suporte técnico científico para profissionais da área.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BRUNA DA ROSA CURCIO1
CARLOS EDUARDO WAYNE NOGUEIRA3
ELIZA MOREIRA PIEMOLINI
ESTHER MELLO DIAS DA COSTA
GABRIELA CAMILLO
GABRIELA CASTRO DA SILVA
GABRIELA MAROCCO RAPHAELLI
GIOVANA MANCILLA PIVATO
ISADORA PAZ OLIVEIRA DOS SANTOS
JAYNE DA ROSA PEDROZO
LEANDRO AMERICO RAFAEL1
MANOELA FÁTIMA PACHECO
MARCOS EDUARDO NETO
MARGARIDA AIRES DA SILVA
MARIANA ANDRADE MOUSQUER
MILENA MIOLO ANTUNES
NATHALIA MASKE FISS
NATÁLIA BUCHHORN DE FREITAS
PALOMA BEATRIZ JOANOL DALLMANN
RAFAELA AMESTOY DE OLIVEIRA
RAFAELA BASTOS DA SILVA
RAFAELA PINTO DE SOUZA
RAPHAEL AZEVEDO FIORETTI
ROBERTA WILBORN
TALITA VITORIA OLIVEIRA FABOSSA
THAIS FEIJO GOMES

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