Nome do Projeto
Uso de progesterona em gestantes da coorte de nascimentos de Pelotas de 2015
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
22/10/2021 - 28/02/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A progesterona é um hormônio que reduz as contrações do útero e tem papel importante na manutenção da gravidez. A mesma vem sendo utilizada na prevenção do parto prematuro (Dodd et al., 2006). Trata-se de um hormônio esteroide essencial para a regulação da função reprodutiva. Seu uso foi aprovado para várias indicações, incluindo o tratamento de ciclos menstruais anovulatórios, tecnologia de reprodução assistida, contracepção durante a lactação e, quando combinada com estrogênio, para a prevenção da hiperplasia endometrial na terapia hormonal pós-menopausa (Vogel et al., 2018). Para prevenir o parto prematuro, a progesterona atua mantendo a quiescência uterina na segunda metade da gestação, proporcionando o relaxamento da musculatura lisa, diminuindo a ação uterotônica da ocitocina, alterando a expressão dos receptores de estrogênio no miométrio e potencializando a ação dos beta-adrenérgicos sobre seus receptores uterinos. Acrescentam-se a estas, a diminuição do cálcio livre intracelular, bem como sua ação imunossupressora, bloqueando a atividade dos linfócitos T, e uma provável participação sobre o amadurecimento cervical. Talvez o efeito mais significativo sobre as células miometriais seja sua ação inibitória na síntese de proteínas intracitoplasmáticas, responsáveis pela propagação coordenada da contração uterina (Yoshizaki et al., 2012). A progesterona faz parte dos protocolos e diretrizes nacionais para prevenção da prematuridade. De acordo com o Manual Técnico de Gestação de Alto Risco elaborado pelo Ministério da Saúde, gestantes com alto risco para parto prematuro, ou seja, parto prematuro anterior, submetidas a cerclagem cervical e portadoras de malformações uterinas com risco de parto prematuro, devem receber 100mg de progesterona por via vaginal diariamente a partir de 24 e até 34 semanas de gestação. Para aquelas que apresentarem comprimento cervical ≤ 1,5cm em ultrassonografia transvaginal realizada entre 20 e 25 semanas, independentemente de fatores de risco presentes, deve ser considerado o uso de 200mg de progesterona vaginal diariamente até pelo menos 34 semanas (BRASIL 2010). Vários estudos vêm demonstrando que a administração profilática de progesterona em mulheres que apresentam um comprimento cervical curto reduz a incidência de parto prematuro (Bittar et al., 2007; Dodd et al., 2013; Hassan et al., 2011). A progesterona está associada a uma redução estatisticamente significativa no risco de morbidade neonatal e uma menor frequência de nascimento prematuro precoce, menor admissão e/ou menor tempo de internação na UTI neonatal (da Fonseca et al., 2020). Fonseca et al conduziram um ensaio europeu em mulheres com um comprimento cervical muito curto (15 mm ou menos) que demonstrou um risco menor de nascimento prematuro naquelas tratadas com progesterona micronizada de uso vaginal, 200 mg por dia, do que naquelas que foram tratadas com um placebo. A redução geral do nascimento antes de 34 semanas foi de 44% (19,2% vs. 34,4%; risco relativo [RR]=0,56; IC95%=0,36-0,86) (da Fonseca et al., 2020). Sobre os efeitos colaterais maternos da terapia com progesterona, os conhecidos e descritos na literatura incluem dor de cabeça, sensibilidade mamária, náusea, tosse e irritação local se administrada por via intramuscular (Yoshizaki et al., 2012). Estudos epidemiológicos não encontraram relação significativa entre progesterona natural administrada clinicamente e malformações congênitas (Bittar et al., 2010).

Objetivo Geral

Objetivo geral: Descrever o uso de progesterona em gestantes da coorte de nascimentos
de Pelotas de 2015.

Justificativa

A prematuridade é uma das principais causas de morbidade e mortalidade neonatal e,
apesar do progresso dos cuidados em obstetrícia, a incidência de parto prematuro continua
em crescimento e está em torno de 12% no Brasil. A prematuridade espontânea, cuja
etiologia pode ser multifatorial ou desconhecida, é responsável por cerca de 75% dos casos;
já a prematuridade eletiva, em que a gestação é interrompida devido a intercorrências
materno-fetais, corresponde a 25% dos casos (da Fonseca et al., 2003).
Sabe-se que a gravidez se mantém graças aos níveis de progesterona. Apesar de os
estudos iniciais nas décadas de 1960 a 1980 demonstrarem resultados variáveis (da
Fonseca et al., 2009), nos últimos anos, as evidências científicas têm demonstrado que o
uso ante natal da progesterona sintética ou natural pode evitar o parto prematuro em
gestantes com antecedente de parto prematuro espontâneo e na presença de comprimento
cervical curto (Cetingoz et al., 2011; Fonseca et al., 2007; Meis et al., 2003).
Através dessas evidências científicas ao longo dos últimos anos, a progesterona tem sido
recomendada para prevenção de parto prematuro por diretrizes nacionais e internacionais
(Brasil, 2010), contempla a relação municipal de medicamentos essenciais (REMUME) e tem
sido dispensada pelas secretarias municipais de forma gratuita.
Considerando a relevância do conhecimento sobre as medidas preventivas para a não
ocorrência de trabalho de parto prematuro, muitas dúvidas ainda permeiam o uso da
progesterona e seus efeitos. Torna-se necessário entender os padrões e fatores associados
ao uso da progesterona durante a gravidez, particularmente referente ao trimestre de uso e
sua relação com histórico obstétrico prévio. A Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2015
(C2015), incluindo quase a totalidade dos nascimentos que ocorreram durante um ano em
uma cidade de porte médio, fornecerá uma boa estimativa da prevalência de uso da
progesterona na população de gestantes.
Pretende-se com esse estudo, descrever o uso de progesterona em gestantes da C2015,
identificando o motivo de uso, as características associadas ao uso de progesterona, as
indicações de uso que não foram cumpridas e as informações relacionadas a história
obstétrica e socioeconômica dessas gestantes.

Metodologia

Delineamento
O presente estudo faz parte da coorte de nascimentos de Pelotas do ano de 2015 e
envolverá um estudo transversal, aninhado a essa coorte, utilizando os dados coletados
durante o estudo perinatal.
Financiamento
do pré-natal
36
O estudo transversal se faz pertinente neste estudo, pois os dados coletados permitem
estimar prevalências necessárias para responder aos objetivos do estudo. Uma vez que os
dados já foram coletados, não haverá custos para execução do projeto e o tempo será
utilizado para a análise dos dados e redação de um artigo científico. A coorte de 2015 foi a
quarta coorte de nascidos vivos da cidade de Pelotas, RS. Os anos de 1982, 1993 e 2004
são marcados pelo início das outras três coortes de nascimentos já existentes. Com um
intervalo temporal de 11 anos, em relação à coorte anterior, a coorte de 2015 possui como
diferencial o acompanhamento desde o período pré-natal. Com intuito de avaliar com
detalhes as condições pré-natais maternas, a coorte teve início durante a gestação,
buscando uma melhor compreensão das relações entre exposições intrauterinas e do início
da vida e a saúde materna e infantil.
7.2 População alvo
A população-alvo deste estudo inclui todas as mulheres residentes na zona urbana da cidade
de Pelotas-RS com parto realizado no ano de 2015 nas maternidades da cidade.
7.3 Critérios de inclusão
Serão consideradas elegíveis todas as gestantes com parto realizado no ano de 2015 nas
maternidades da cidade de Pelotas, RS, incluindo gestações múltiplas e gestantes com
natimortos.
7.4 Critérios de exclusão
Serão excluídas do estudo as gestantes residentes em outros municípios ou que tiveram
data de parto fora do período de interesse, que não possuírem dados sobre o uso de
progesterona, ou sobre a idade gestacional.

Indicadores, Metas e Resultados

HIPÓTESES

5.1. A prevalência de uso de progesterona nas gestantes da coorte 2015 foi em torno de
12%.
5.2. A prevalência de uso de progesterona foi maior em: gestantes de 20-29 anos, de cor da
pele preta (Schaaf et al., 2013; Oliveira et al., 2018), com menor renda (Hanif et al., 2020) e
com menor escolaridade (Thompson et al., 2006).
5.3. Dentre as gestantes em uso de progesterona, em média, 40% terão tido parto prematuro
(Cetingoz et al., 2011).
5.4. A maioria das gestantes que fizeram uso de progesterona foi por história de parto
prematuro prévio (Fonseca et al., 2007; Mercer et al., 1999).
5.5. A maioria das gestantes que utilizaram progesterona no primeiro e segundo trimestre,
terão conseguido levar a gestação até pelo menos a 28ª semana. Quanto às gestantes que
fizeram uso no terceiro trimestre, mais de 60% terão tido o parto antes da 28ª semana
(Denney et al., 2008).
5.6. A maioria das gestantes que usaram progesterona, terão feito seu pré-natal no SUS.
5.7. Em torno de 8% das gestantes da coorte não terão cumprido a indicação de uso de
progesterona, mesmo se encaixando no protocolo.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREA HOMSI DAMASO2
Camila Corrêa Colvara

Página gerada em 03/07/2022 05:34:26 (consulta levou 0.054585s)