Nome do Projeto
Principais barreiras e locais de prática de atividade física no Brasil durante a pandemia de Covid-19
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
18/01/2022 - 28/02/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
No final de 2019, na China, foi identificado em pacientes com síndrome aguda respiratória grave, o vírus SARS-CoV-2 (Covid-19). Em poucos meses o vírus havia se disseminado pelo mundo e causado milhares de mortes, sendo declarado pela Organização Mundial da Saúde o início da pandemia Covid-19. Em setembro de 2021 mais de 4.7 milhões de mortes foram causadas pela Covid-19, sendo aproximadamente 12% delas no Brasil. Outra pandemia muito presente na atualidade é a de inatividade física, que é fator de risco para diversas doenças não-transmissíveis, como doença coronariana, acidente vascular cerebral, alguns tipos de câncer, diabetes, demência, além de ser uma das maiores causas de mortes no mundo. A importância deste tema é tão notória, que a Organização Mundial da Saúde oferece recomendações de prática, e já organizou um plano de combate global a inatividade física até o ano de 2030. A relação entre atividade física e a pandemia Covid-19 é um tema com destaque atual com impacto na saúde global. Estudos recentes relataram uma diminuição nos níveis de atividade física durante a pandemia, o que pode agravar os problemas causados pela Covid19, pois a literatura apresenta evidências de que níveis mais altos de atividade física estão relacionados com menor risco de morte e de infecção grave por Covid-19. Para melhor compreender os determinantes da atividade física durante a pandemia, tomamos como objetivo do presente estudo investigar as barreiras e ambientes mais frequentes para a prática de atividade física durante a pandemia, além de verificar como estes desfechos se comportam conforme exposições sociodemográficas. O projeto utiliza os dados coletados na 4ª etapa do estudo Epicovid19-BR, que teve como objetivo investigar a saúde da população brasileira durante a pandemia Covid-19. Os participantes e residências foram aleatoriamente selecionados nas 133 cidades satélites, e totalizaram 250 entrevistas por cidade. As coletas foram feitas em colaboração com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todas a variáveis foram coletadas e forma de questionário, que foi aplicado por entrevistadores devidamente capacitados para padronização da coleta.

Objetivo Geral

Avaliar as principais barreiras e locais de prática de atividade física em uma amostra da
população brasileira seis meses após o início da pandemia de Covid-19.

Justificativa

Dados da OMS de 2011, referentes a 88,9% da população global, estimaram uma
prevalência de 31,1% (IC 95% 30,9–31,2) de adultos inativos (HALLAL, Pedro C. et al., 2012).
Também com adultos, em 2016 foi reportada uma prevalência de 27·5% (IC 95% 25,0–32,2) de
inativos, sem diferença significativa em comparação com dados de 2001. Apesar dos grandes
problemas gerados pela epidemia da inatividade física, infelizmente há lacuna de estudos com
dados populacionais atualizados, dificultando a vigilância e o planejamento de estratégias de
controle adequadas para o combate da inatividade física.
Bu e colaboradores, durante a pandemia de Covid-19, com uma amostra de 35.915
adultos ingleses, investigaram por meio de questionário online a trajetória de atividade física
entre os períodos de março e agosto de 2020. Foi reportado que 62.4% da amostra apresentou
pouca variação na trajetória, 28,6% diminuiu a quantidade de atividade física, e apenas 9%
aumentou os níveis de atividade física (BU et al., 2021). Os autores também relataram a
associação entre a trajetória de atividade física e idade, gênero, escolaridade, renda, situação
profissional, saúde, e destacaram a heterogeneidade das mudanças durante a pandemia, o
que demonstra uma necessidade de investigar o comportamento da atividade física em
diferentes grupos sociodemográficos e populações durante a pandemia Covid-19.
Utilizando a tecnologia de acelerometria dos smartphones durante a pandemia, porém
com uma amostra substancialmente maior (n = 455.404), Tison e colaboradores demonstram,
em um olhar global que, no período de coleta entre Janeiro e Junho de 2020, houve o declínio
dos níveis de atividade física causado pela Covid-19 (TISON et al., 2020).
Caputo e colaboradores, em sua revisão sobre os níveis de atividade física durante a
pandemia da Covid-19, analisaram 41 artigos com populações de mais de 13 países
(CAPUTO; REICHERT, 2020). Seus achados apontaram um declínio global nos níveis de
atividade física durante a pandemia, ao mesmo tempo que expõem a necessidade de novos
estudos que aprofundem a investigação sobre as associações entre atividade física e a
pandemia de Covid-19.
Um estudo mais recente estimou que pessoas inativas têm 2,26 vezes mais chance de
serem hospitalizadas e 2,49 vezes maior de morrer em consequência da Covid-19(SALLIS et
al., 2021). Nesse mesmo sentido, para investigar a relação entre atividade física e Covid-19,
Rowlands e colaboradores analisaram 82.253 dados de acelerometria coletados no UK, e
concluíram que o tempo de atividade física vigorosa e total estão associados a menor chance
de Covid-19 severa (ROWLANDS et al., 2021).

Metodologia

DELINEAMENTO

O estudo é de delineamento transversal. Ele auxiliará no preenchimento da lacuna de
conhecimento que é a escassez de dados de atividade física em grandes amostras durante a
pandemia de Covid-19. Todos os dados foram coletados na 4ª etapa da pesquisa Epicovid19-
BR entre os dias 27 e 30 de agosto de 2020.

ESTUDO EPICOVID19-BR

A pesquisa Epicovid19-BR é um estudo em saúde de nível nacional para investigar a
pandemia Covid-19 e a saúde da população durante este fenômeno. O estudo foi pioneiro em
investigar diversos períodos da pandemia, com coletas presenciais, em uma amostra
populacional situada no Brasil, um país de tamanho continental.
O referido estudo foi coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da
Universidade Federal de Pelotas nas fases 1 (Maio/2020), 2 (Junho/2020) e 3 (Junho/2020) e 4
(Agosto/2020), e pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo na
etapa 5 (Janeiro-Março/2021). O EPICOVID19-BR tinha como objetivos: (1) Estimar a
prevalência de infecções por Covid-19 no Brasil (2) Investigar quais os sintomas mais comuns
relatados pelos indivíduos positivos; (3) Analisar tendência entre as fases da pesquisa; (4)
medir a aderência às medidas de isolamento social; (5) Formar modelos matemáticos que
estimem a necessidade de equipamentos hospitalares; (6) Analisar parâmetros de saúde da
população; (7) Auxiliar no desenho de novas estratégias de controle da pandemia.

POPULAÇÃO-ALVO

A população-alvo do estudo é a população brasileira residente na zona urbana. O estudo
tem como critérios de inclusão residir na zona urbana das 133 cidades sentinelas. Apesar de
não haver restrição de idade no estudo base, para fins de análise, serão incluídos apenas
sujeitos com idade igual ou maior que 5 anos completos.

Indicadores, Metas e Resultados

HIPÓTESES

 A prevalência de sujeitos que não praticam atividade física no lazer será superior
a 45%
 Menos de 30% das barreiras reportadas terão relação direta com a pandemia
(incômodo do uso de máscara na prática, medo de aglomerar, academias
fechadas).
 Maior renda e escolaridade estarão associados a práticas de atividade física em
casa.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
PEDRO RODRIGUES CURI HALLAL2
RICARDO DOS SANTOS ALT

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