Nome do Projeto
Segurança da criança no cuidado de enfermagem prestado na hospitalização
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
04/07/2022 - 30/09/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
A segurança do paciente consiste na redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário vinculado ao cuidado de saúde, ou seja, a ausência de dano evitável. Os incidentes são os episódios ou situações que poderiam ter resultado ou resultaram em dano desnecessário à saúde e, evento adverso, os acidentes que resultam em dano à saúde (WEGNER et al., 2017). Nesse contexto, ter acesso à assistência de qualidade implica na segurança da assistência (ANVISA, 2017). Portanto, para compreender melhor como ocorre na prática da hospitalização infantil o cuidado de enfertmagem, com base na segurança da criança, será desenvolvido um estudo qualitativo, em uma unidade de internação pediátrica de um Hospital escola, cujos participantes serão os profissionais da equipe de enfermagem que atuam no local. Para a coleta de dados, será realizada uma entrevista embasada em um roteiro predefinido contendo questões relacionadas à caracterização dos participantes, bem como sobre a sua perspectiva acerca da segurança no cuidado da criança hospitalizada e o conhecimento e uso de protocolos implementados na hospitalização infantil.Os dados coletados serão submetidos ao programa WebQDA para organização e após será efetuada a análise temática segundo os passos descritos por Braun et al. (2019). Para a interpretação dos dados será utilizada a teoria de Jean Watson (GEORGE, 2000). A análise temática visa reconhecer e analisar padrões em dados qualitativos, seguindo seis fases: 1) Familiarização com os dados; 2) Codificação; 3) Busca de temas; 4) Revisão de temas; 5) Definição e nomeação dos temas; 6) Redação final (BRAUN et al., 2019). Para Watson o cuidado é a essência da enfermagem, evidenciando a troca entre enfermeira e paciente. Neste contexto, o cuidado pode ajudar a pessoa a ter controle e autonomia para promover modificações na sua saúde (GEORGE, 2000). A Teoria do Cuidado Transpessoal expõe 10 (dez) fatores de cuidado, os quais são a fundação para o cuidado transpessoal na visão holística de Watson. Apresentam o ser humano como um todo biológico social e espiritual unido, o qual não pode ser segmentado, e dando atenção ao profissional de enfermagem como ser humano. Nessa interação paciente/profissional, é que se dá o processo de cuidado, essência primordial da enfermagem (SILVA et al., 2010). Os fatores são: 1) formação de um sistema de valores humanístico-altruísta; 2) estimulação da fé-esperança; 3) cultivo da sensibilidade para si e para os outros; 4) estabelecimento de um relacionamento de ajuda-confiança; 5) promoção e aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos; 6) uso sistemático do método científico de solução de problemas para tomar decisões; 7) promoção do ensino-aprendizagem interpessoal; 8) provisão de um ambiente mental, físico, sociocultural e espiritual sustentador, protetor e/ou corretivo; 9) auxílio com a gratificação das necessidades humanas; 10) aceitação das forças existenciais e fenomenológicas (SILVA et al., 2010). Portanto, com base nesses fatores buscará conhecer-se como ocorre o processo de segurança da criança no cuidado prestado pela equipe de enfermagem no hospital a partir dos 10 fatores explicados na teoria de Watson.

Objetivo Geral

Investigar a segurança da criança no cuidado prestado pela equipe de enfermagem no hospital.

Justificativa

A questão da segurança na assistência de saúde é uma preocupação mundial, visando a identificação de estratégias que favoreçam evitar os riscos ao paciente (ANVISA, 2017). O avanço nos conhecimentos científicos possibilitou o fornecimento de cuidados mais complexos à saúde, com equipamentos e procedimentos médicos cada vez mais sofisticados. Essa complexidade tornou o cuidado mais efetivo, mas também potencialmente mais perigoso (BRASIL, 2014). Nesse sentido, diversas estratégias começaram a ser implementadas mundialmente, a partir da Aliança Mundial para Segurança do Paciente, visando ampliar a segurança ao paciente, tais como: campanhas de higienização das mãos, cirurgia segura, evitar erros na administração de medicamentos, entre outros (BRASIL, 2014).
Os processos de cuidado inseguro são provenientes de lacunas na organização, na cooperação, na realização, na avaliação e no monitoramento das intervenções (GAITA; FONTANA, 2018). Logo, a segurança do paciente é uma preocupação no cuidado em saúde, devendo-se oferecer contribuições para as especificidades na atenção à saúde das pessoas, sobretudo na pediatria (WEGNER et al., 2017).
A qualidade da comunicação na saúde é fundamental para a promoção da segurança do paciente. No âmbito da hospitalização infantil, existem especificidades significativas que afetam esse processo, tais como, a capacidade de compreensão da criança, o desejo do acompanhante/familiar de envolver-se e a variedade dos processos assistenciais resgatando a relevância de que a comunicação entre todos os envolvidos seja objetiva, eficiente e eficaz para o seguimento do cuidado (BIASIBETTI et al., 2019).
A comunicação eficiente é uma das metas internacionais essenciais para a prevenção de danos evitáveis ao paciente, podendo-se dar de maneira verbal e não-verbal, sendo um instrumento terapêutico indispensável para o cuidado. A comunicação eficaz se baseia em uma linguagem clarificada, organizada e com técnicas corretas de comunicação, objetivando a promoção da cultura de segurança do paciente (BIASIBETTI et al., 2019).
A segurança do paciente necessita da adesão de estratégias que tencionam evitar a ocorrência de eventos adversos que podem ser prevenidos e, quando não for viável, reduzir suas consequências para o paciente. Essa abordagem sugere a adoção de uma cultura de segurança, em que os erros podem ser identificados e evitados, promovendo uma prática assistencial mais segura. Desse modo, a segurança tornou-se componente primordial da qualidade do cuidado (PERES et al., 2018).
Para reduzir os incidentes que podem acarretar em eventos adversos, é fundamental a sensibilização dos cuidadores, que deve começar no processo de formação. Nos cursos técnicos, na graduação em enfermagem e na pós-graduação, a abordagem de conhecimentos e capacidades a respeito da cultura de segurança do paciente, direcionadas para os saberes técnico e/ou como instrumento gerencial, é uma potência para o envolvimento do indivíduo nessa cultura (GAITA; FONTANA, 2018).
Ademais, é importante atentar para a forma com que o trabalho do cuidado é desenvolvido, se os profissionais se encontram satisfeitos, se há uma divisão adequada de tarefas entre os profissionais evitando a sobrecarga, que pode interferir na segurança da assistência prestada. De acordo com Garcia, Pinto e Canille (2020) o engajamento no trabalho influencia a qualidade do cuidado, sendo importante segurança do paciente e para a saúde da equipe de enfermagem. Nesse contexto, torna-se relevante investigar a segurança da criança no cuidado prestado pela equipe de enfermagem no hospital. Para tanto, elaborou-se a questão de pesquisa: como a segurança da criança é implementada no cuidado prestado pela equipe de enfermagem no hospital?

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa qualitativa cuja interpretação dos resultados será embasada na Teoria do Cuidado Transpessoal de Jean Watson. A pesquisa qualitativa responde a perguntas bastante específicas, já que ela trabalha com um contexto que não é capaz ou não poderia ser qualificado, ou seja, ela se ocupa com os significados, as razões, os interesses, as crenças, a moral e as atitudes (DESLANDES; GOMES; MINAYO, 2012).
As teorias compõem-se de preposições e conceitos, sendo que as teorias de enfermagem favorecem a organização do conhecimento e a sistematização da assistência, constituindo-se em uma forma de coletar dados, explicar e prescrever cuidados (GEORGE, 2000). A teoria do cuidado Transpessoal de Watson propõe uma interferência consciente nos cuidados, melhorando a cura e a integridade. Não desconsidera a ciência convencional ou práticas de enfermagem modernas, contudo as complementa. Favorece a proteção da saúde e busca meios para defender, melhorar e conservar a dignidade, humanidade, integridade e harmonia interior de uma pessoa (SILVA; VALENTE; BITENCOURT; BRITO, 2010). Nesse sentido, a referida teoria converge com o tema deste estudo, pois favorecerá a compreensão acerca da segurança da criança no cuidado prestado pela equipe de enfermagem na hospitalização.
A pesquisa será executada em uma unidade de internação pediátrica de um hospital escola de um município da região sul do Rio Grande do Sul. Os participantes da pesquisa serão os profissionais das equipes de enfermagem da referida unidade que trabalham nos turnos manhã, tarde e noite. Estima-se a participação de 15 profissionais, adotando-se a saturação como critério para delimitar o número de participantes. A saturação ocorre quando não surgem novos elementos com a ampliação de participantes, então a adição de novas informações não é necessária, pois não alterará os resultados da pesquisa (NASCIMENTO et al., 2018).
A pesquisa seguirá em concordância com os preceitos éticos contidos na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional do Ministério da Saúde, na Resolução 564/2017 do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, na Resolução 510 que dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais (BRASIL, 2016). Além disso, será respeitada também a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais número 13.709 que dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive por meios digitais, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e privacidade (BRASIL, 2018).
Em concordância com o que é preconizado para pesquisas que envolvem seres humanos, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido será entregue, o qual terá duas vias, uma ficará de posse do participante e outra do pesquisador. Os participantes serão informados a respeito dos objetivos do estudo, anonimato, voluntariedade, direito à desistência durante o processo de entrevista e o acesso aos resultados da pesquisa.
O risco para o(a) participante do estudo se refere a entrevista gravada, que poderá provocar desconforto ao rememorar experiências traumáticas por meio dos relatos de vivências e para minimizar o risco as perguntas poderão ser respondidas na totalidade ou em parte, sem prejuízo para o participante, que pode também declinar de sua participação e/ou solicitar encaminhamento por outra mídia social de sua escolha.
Procedimento para coleta de dados

Para a coleta de dados, será realizada uma entrevista embasada em um roteiro predefinido, que combina perguntas abertas e fechadas, em que o participante tem a oportunidade de discorrer sobre o tema proposto. O roteiro conterá questões relacionadas à caracterização dos participantes, bem como sobre a sua perspectiva acerca da segurança no cuidado da criança hospitalizada e o conhecimento e uso de protocolos implementados na hospitalização infantil.

Interpretação dos dados

Os dados coletados serão submetidos ao programa WebQDA para organização e após será efetuada a análise temática segundo os passos descritos por Braun et al. (2019). Para a interpretação dos dados será utilizada a teoria de Jean Watson (GEORGE, 2000).
O WebQDA é um software para sustentar a análise de dados qualitativos em um ambiente colaborativo e partilhado. Os pesquisadores utilizam WebQDA em diversas situações, que necessitam examinar dados qualitativos, individual ou colaborativamente, sincronizados ou assíncronas (WEBQDA, 2017).
A análise temática visa reconhecer e analisar padrões em dados qualitativos, seguindo seis fases: 1) Familiarização com os dados; 2) Codificação; 3) Busca de temas; 4) Revisão de temas; 5) Definição e nomeação dos temas; 6) Redação final (BRAUN et al., 2019).
Para Watson o cuidado é a essência da enfermagem, evidenciando a troca entre enfermeira e paciente. Neste contexto, o cuidado pode ajudar a pessoa a ter controle e autonomia para promover modificações na sua saúde (GEORGE, 2000). A Teoria do Cuidado Transpessoal expõe 10 (dez) fatores de cuidado, os quais são a fundação para o cuidado transpessoal na visão holística de Watson. Apresentam o ser humano como um todo biológico social e espiritual unido, o qual não pode ser segmentado, e dando atenção ao profissional de enfermagem como ser humano. Nessa interação paciente/profissional, é que se dá o processo de cuidado, essência primordial da enfermagem (SILVA et al., 2010).
Os fatores são: 1) formação de um sistema de valores humanístico-altruísta; 2) estimulação da fé-esperança; 3) cultivo da sensibilidade para si e para os outros; 4) estabelecimento de um relacionamento de ajuda-confiança; 5) promoção e aceitação da expressão de sentimentos positivos e negativos; 6) uso sistemático do método científico de solução de problemas para tomar decisões; 7) promoção do ensino-aprendizagem interpessoal; 8) provisão de um ambiente mental, físico, sociocultural e espiritual sustentador, protetor e/ou corretivo; 9) auxílio com a gratificação das necessidades humanas; 10) aceitação das forças existenciais e fenomenológicas (SILVA et al., 2010).
Portanto, com base nesses fatores buscará conhecer-se como ocorre o processo de segurança da criança no cuidado prestado pela equipe de enfermagem no hospital a partir dos 10 fatores explicados na teoria de Watson.

Indicadores, Metas e Resultados

Espera-se conhecer a perspectiva da equipe de enfermagem sobre a segurança do cuidado da criança hospitalizada, identificar o conhecimento e o uso de protocolos de segurança e a relização de registros no prontuário acerca do cuidado prestado, e assim poder elaborar estratégias de capacitação nas lacunas identificadas no processo de cuidado da criança, bem como possíveis protocolos operacionais padrão para ampliar a segurança na assistência à criança hospitalizada.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
JADE ORNELAS DE OLIVEIRA
PEDRO TRINDADE VELASQUES
RUTH IRMGARD BARTSCHI GABATZ5
VITORIA DE ALMEIDA FERREIRA
VIVIANE MARTEN MILBRATH2

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