Nome do Projeto
MICRORGANISMOS ISOLADOS NO SETOR DE PÓS-OPERATÓRIO DE PEQUENOS ANIMAIS DO HOSPITAL DE CLÍNICAS VETERINÁRIAS DA UFPel
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
09/12/2022 - 01/08/2023
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
No ambiente hospitalar de atenção à saúde humana e veterinária, estão presentes agentes microbianos disseminados pelo ar, água e nas superfícies inanimadas e os mesmos podem colonizar os pacientes e todos os integrantes que exercem suas atividades nestes locais (Santos et al., 2012). Estes microrganismos são potencialmente causadores de infecções nosocomiais e elevam a morbidade e mortalidade em pacientes pós-cirúrgicos, imunodeprimidos, endocrinopatas, queimados e aqueles submetidos a cuidados de terapia intensiva. Infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) constitui evento adverso relacionado à elevação do tempo de internamento e custos com assistência (PADRÃO et al., 2010; BRASIL, 2013). Como agravante, dentre os microrganismos mais comuns, as bactérias que acarretam infecções hospitalares (IH) são frequentemente resistentes a múltiplos antibióticos, tornando-se um sério e crescente problema de saúde pública. A resistência aos antimicrobianos é um dos maiores desafios para a saúde pública (GUIMARÃES et al., 2011; SANTOS et al.,2012; BRASIL, 2019). Os antimicrobianos estão entre os fármacos mais prescritos para os pacientes em cuidados intensivos e são determinantes no prognóstico, objetivam erradicar a infecção de forma segura e minimizar o desenvolvimento de resistência bacteriana (BOOTHE, 2015). Entretanto, é relevante conhecer os fatores que contribuem para sua ocorrência, identificar os microrganismos e traçar o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos no ambiente hospitalar (ZORZIN et al., 2017). O controle da contaminação hospitalar é fundamental e requer medidas de prevenção e proteção do paciente e dos profissionais por meio do uso equipamentos de proteção individual (EPI), limpeza, desinfecção e esterilização das superfícies e equipamentos, descarte apropriado de resíduos hospitalares e, principalmente, a padronização destas atividades (BRASIL, 2019). A escolha adequada dos agentes desinfetantes e a seleção e capacitação dos profissionais responsáveis pela limpeza é essencial para o controle de infecções (ANDRADE et al., 2000; BRASIL, 2013). A água utilizada e associada aos germicidas conforme recomendações dos fabricantes também são imprescindíveis no processo de limpeza, uma vez que os padrões microbiológicos e físico-químicos da água, diluições dos produtos e o tempo de contato com as superfícies, interferem diretamente na qualidade da descontaminação/desinfecção (BRASIL, 2010; BRASIL, 2013). A incidência da IH não está bem estabelecida na Medicina Veterinária, principalmente devido à falta de dados estatísticos e escassez de Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (SANTOS et al., 2012; ARIAS et al., 2013). Reconhecer as causas da exposição e o diagnóstico etiológico são fundamentais para estabelecer medidas de prevenção (ZORZIN et al., 2017). Uma grande variedade de gêneros bacterianos presentes em hospitais veterinários foi isolada de superfícies inanimadas fixas, com maior prevalência de Staphylococcus coagulase negativa, Micrococcus sp, Staphylococcus aureus, Pseudomonas sp., Enterococcus sp., Escherichia coli, Enterobacter agglomerans, Arcanobacterium pyogenes e Proteus sp (MOREIRA et al., 2018; SANTOS et al., 2010). Um estudo sobre contaminação de Staphylococcus ambiental em um novo hospital veterinário evidenciou que embora Staphylococcus aureus (SA) e Staphylococcus pseudintermedius (SP) sejam considerados patógenos oportunistas para humanos e animais, respectivamente, é possível a transmissão e infecção entre espécies. Cepas resistentes à meticilina desses patógenos são causas de infecções associadas à saúde humana e veterinária (HUNTER et al., 2021).

Objetivo Geral

Isolar e identificar os microrganismos patogênicos presentes no ambiente pós-operatório do Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da Faculdade de Veterinária da UFPel, antes e após a desinfecção de rotina e correlacionar com a casuística de infecção cirúrgica em pacientes internados neste setor no período do estudo.

Justificativa

O setor de pós operatório do Hospital Veterinário da Faculdade de Veterinária é o local onde os animais ficam internados para recuperação pós operatória, por período variado. Muitos pacientes requerem uso empírico de antimicrobianos mesmo em procedimentos de baixa complexidade, devido a ausência de informações referentes ao índice de contaminação local, comprometendo a recuperação dos animais e contribuindo para o uso indiscriminado de antibióticos bem como a resistência bacteriana destes.

Metodologia

A execução do projeto iniciará em dezembro de 2022, período em que serão coletadas amostras para análise microbiológica obtidas da água, ar e superfícies, exclusivamente no setor de internação pós-operatório do HCV-UFPel.
As coletas serão realizadas uma vez por semana, toda quarta-feira, durante 30 dias, em duas etapas diárias, a primeira no início da manhã, antecedendo a limpeza do ambiente e a segunda imediatamente após a finalização.
As superfícies analisadas incluirão assoalhos de uma baia de internamento, uma mesa de curativo, maçaneta interna da porta, ar ambiente e um ponto do piso do ambiente.
Para as coletas das superfícies será aplicada a técnica de American Public Health Association adaptada (1998), método no qual serão utilizados swabs estéreis contendo meios de armazenamento em tubo até o momento da inoculação. Serão colocados moldes estéreis sobre a superfície em estudo de 25 cm2 para limitação da área de coleta, em seguida, um swab estéril para cada superfície será friccionado 20 vezes no sentido da direita para a esquerda e, após, de cima para baixo e reposicionados na embalagem com meio.
Para avaliação da contaminação do ar ambiente, será empregada a técnica de sedimentação simples em placa, preconizada pela APHA (1998), onde será exposto uma placa de Petry com meio de cultura Ágar Sangue e outra com Ágar Sabouraud abertas, dispostas na mesa de curativos às 8 horas da manhã permanecendo por 15 minutos.
Os swabs e as placas de Petry serão encaminhados para o Departamento de Microbiologia e Parasitologia, no Instituto de Biologia da UFPel, e submetidas a cultura bacteriana e fúngica em meios apropriados.
As colônias isoladas serão purificadas por meio do esgotamento por estrias (RIBEIRO & SOARES, 2002) e posteriormente incubadas por 72 horas em um ambiente controlado. Na sequência, serão transferidas para meios específicos e identificadas.
Os resultados obtidos das culturas serão dispostos em duas planilhas em Excel, na primeira referente às amostras prévias a limpeza e na segunda as amostras coletadas após a higienização ambiental, distribuídas por classe de bactérias e fungos com respectivo local isolado.
Estes resultados serão confrontados com aqueles obtidos das culturas e antibiogramas requeridos na rotina, dos pacientes internados que apresentarem infecção pós cirúrgica no período do experimento.

Indicadores, Metas e Resultados

Após a execução deste projeto, espera-se que os resultados contribuam na rotina do HCV-UFPel, por meio dos dados obtidos, permitindo:
1) Elencar os principais fatores de riscos causadores de contaminações;
2) Fornecer subsídios para solucionar os fatores de riscos;
3) Fornecer dados para elaboração de protocolos de desinfecção e limpeza;
4) Contribuir na prevenção de infecções hospitalares;
5) Minimizar a disseminação de bactérias resistentes;
6) Evitar o uso indiscriminado de antibióticos;
7) Propor a criação de Procedimentos Operacionais Padrão (POP’s);
8) Propor a criação de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar no HCV-UFPel.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
AUGUSTO DUARTE BROD
CAMILA LUCAS DOS SANTOS BARROS
DANIELA ISABEL BRAYER PEREIRA1
FABRICIO DE VARGAS ARIGONY BRAGA1
HENRIQUE ZARNOTT RAATZ
ISABELLA RODRIGUES DE ANDRADE
JEFERSON LUIZ SILVA DE SOUZA
JOSAINE CRISTINA DA SILVA RAPPETI1
JÚLIA SILVEIRA VIANNA
MARIANA DUARTE PEREIRA
MARTIELO IVAN GEHRCKE1
MICAL CIPRIANO FELIPE
PATRICIA SILVA VIVES3

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