Nome do Projeto
ANÁLISE DA ADESÃO VACINAL DE PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL E CIRROSE EM AMBULATÓRIO ESPECIALIZADO NO MUNICÍPIO DE PELOTAS, RS.
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
31/01/2023 - 31/01/2026
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O ambulatório de gastroenterologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) atende um grande número de pacientes com doenças crônicas e atualmente possuímos ambulatórios especializados para atendimento de pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII) e Cirrose hepática. A DII consiste em um grande grupo formado por duas doenças: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Sua etiologia ainda não é bem esclarecida, porém, diante das últimas evidências, acredita-se que haja um importante componente imunitário no seu processo de origem e evolução¹. Pacientes com Doença Inflamatória Intestinal apresentam alto risco de infecção devido à má nutrição, resposta imune inata anormal e hospitalização, tendo o seu manejo evoluído significativamente nas últimas décadas com o aumento do uso de medicamentos imunossupressores e biológicos. Essas terapias foram associadas a um melhor prognóstico e qualidade de vida para portadores de DII, no entanto, através de seus próprios mecanismos de ação podem tornar o organismo mais suscetível a infecções ou a complicações destas². Todos os pacientes recentemente diagnosticados com DII devem ter sua sorologia vacinal e estado de imunocomprometimento estudados minuciosamente. Se o paciente for imunocomprometido, poderá receber as seguintes vacinas: difteria e tétano (dT), poliomielite inativada, coqueluche (pertussis acelular), hepatite A e B. pneumococo, papilomavírus humano (HPV) e Influenza. Algumas vacinas não deverão ser administradas, por exemplo a vacina de sarampo, caxumba e rubéola (MMR) estão expressamente contraindicadas. Se o paciente não estiver imunocomprometido, as vacinas de vírus vivos serão adicionadas com base no calendário de vacinação de cada país e com base no risco comportamental e profissional do paciente³. Além destas, a vacina da COVID-19 é considerada segura para esse grupo de indivíduos, o qual deve ser priorizado na fila de imunização. A cirrose, por sua vez, trata-se do estágio final da fibrose hepática caracterizada pela distorção da arquitetura hepática, condição esta normalmente secundária ao abuso de álcool, hepatites virais crônicas (pelo vírus B ou C), entre outras causas⁴. Pacientes com doença hepática avançada possuem reconhecidas deficiências na imunidade inata e humoral. Embora na literatura tenha-se principalmente focado em mecanismos que levam a infecções bacterianas graves, essas deficiências também predispõem a uma variedade de doenças virais e/ou fúngicas relacionadas⁵. A vacinação completa, embora tenha extrema importância em toda a população, assume um papel ainda maior nesses grupos de indivíduos. A vacinação ideal é aquela realizada no momento do diagnóstico da doença e/ou antes do início da terapia imunossupressora, no caso da DII. Apesar da existência de protocolos nacionais e internacionais de vacinação, nem sempre estes são seguidos ou orientados de maneira clara ao paciente. Esse estudo, portanto, objetiva avaliar a adesão vacinal nesse grupo de indivíduos (pacientes cirróticos e com DII) e, na falta dela, buscar identificar as suas razões e particularidades.

Objetivo Geral

Avaliar a adesão vacinal de um grupo de indivíduos diagnosticados com Doença
Inflamatória Intestinal e/ou Cirrose em acompanhamento ambulatorial na cidade de
Pelotas, RS

Justificativa

Com base nos dados atuais disponíveis, os medicamentos imunossupressores
utilizados no tratamento para a DII parecem diminuir a capacidade do sistema
imunológico de montar uma resposta robusta a várias vacinas. Diante deste cenário,
vários autores sugerem que a concentração de HBsAb nesses pacientes deve ser
maior, com títulos superiores a 100 mU/mL considerados protetores³. As vacinas
inativadas são bem toleradas e seguras para todos os pacientes com DII,
independentemente de seu estado imunológico6. Portanto, deve-se vacinar o indivíduo
assim que possível mas, em um cenário ideal, as vacinas devem ser administradas um
mês antes de iniciar uma terapia de imunossupressão4.
Se o paciente não estiver imunocomprometido, as vacinas de vírus vivos serão
adicionadas com base no calendário de vacinação de cada país e com base no risco
comportamental e profissional do paciente³. Este não é um consenso na literatura, visto
que na Europa as vacinas vivas são totalmente contraindicadas na vigência de terapia
imunossupressora, enquanto nos Estados Unidos as terapias com baixas doses de
metotrexato ou tiopurinas não são consideradas contraindicação absoluta para a
aplicação da vacina contra o Herpes Zóster6. A vacina do sarampo, caxumba e rubéola
(MMR), por se tratar de vírus vivos atenuados, deve ser administrada ao menos 6 semanas antes de o indivíduo iniciar um regime imunossupressor caso este não
apresente história documentada de proteção contra essas doenças4.
O fígado, devido ao seu alto grau de vascularização e sistema capilar revestido
com células imunitárias, desempenha um papel importante no sistema imunológico e
doenças do fígado podem resultar em diminuição opsonização, atividade celular
reticuloendotelial e mobilização de neutrófilos com aumento da translocação bacteriana.
Na doença hepática alcoólica em particular, as células dendríticas hepáticas podem
ficar comprometidas, impactando sua resposta mediada por células para determinadas
infecções virais7.
Nas últimas duas décadas, tem havido evidências crescentes sugerindo doença
hepática grave em pacientes com doença crônica do fígado pré-existente que
desenvolvem superinfecção com HBV. No entanto, A Pesquisa Nacional de Entrevistas
em Saúde dos Estados Unidos relatou que a cobertura vacinal do HBV no país foi de
27,4% em adultos com doenças crônicas do fígado e mostrou que os adultos que não
possuem local habitual para obter cuidados de saúde têm menores taxas de cobertura
vacinal independentemente dos seus seguros de saúde7. Este dado demonstra a
necessidade de se ampliar a divulgação dos benefícios das imunizações,
especialmente considerando que a vacinação de rotina em pacientes com cirrose é
muitas vezes abaixo do ideal8.
Disfunções na imunidade inata e humoral podem explicar em parte as
complicações graves de COVID-19 observadas em pacientes com cirrose
descompensada e contribui para o respostas imunológicas prejudicadas observadas
com vacinas5. As vacinas disponíveis para SARS-CoV-2, incluindo a vacina de RNA. mensageiro (mRNA) e a vacina de vetor de adenovírus incompetente para replicação,
são seguras para administrar a pacientes com doença hepática crônica. Embora a
imunogenicidade das vacinas seja incerta nessa população, o potencial para COVID-19
grave provavelmente supera as incertezas9.
Em relação a imunização contra Influenza e pacientes com doenças crônicas do
fígado, a prevenção por meio das vacinas parece ser a estratégia mais eficaz dada a
probabilidade deste grupo apresentar sintomas atípicos provenientes da infecção pelo
vírus10. Em recente estudo austríaco, embora taxas mais altas de vacinação contra
Influenza tenham sido relatadas entre algumas populações específicas - tal como
pacientes com doenças reumáticas ou malignas - o medo de efeitos colaterais ou
agravamento da doença primária continua sendo um dos obstáculos mais intrigantes
para aumentar a aderência vacinal. Por outro lado, a maioria dos pacientes julgava-se
com maior risco de infecção por gripe, indicando que a adesão vacinal pode ser
significativamente ampliada se os fatores disruptivos forem devidamente abordados

Metodologia

A população do estudo será formada por pacientes que consultam no
Ambulatório de Gastroenterologia e Hepatologia da UFPel no intervalo da realização da
pesquisa, e que possuem o diagnóstico pré-estabelecido de Doença Inflamatória
Intestinal e/ou Cirrose.
A coleta de dados se dará através da aplicação de questionários que visam
identificar o perfil epidemiológico do paciente, além de perguntas direcionadas sobre o
seu estado vacinal atual e pregresso (Anexo 3). A aplicação dos questionários será
realizada pelo corpo discente incluído na pesquisa, sob supervisão dos médicos
gastroenterologistas do ambulatório. Caso o participante não saiba responder alguma
pergunta do questionário, esta será ⁄avaliada através da revisão de seus prontuários
pelo profissional responsável por aquela entrevista. Dados contidos na carteira de
vacinação das participantes serão revisados no momento da entrevista. Após os resultados obtidos da análise quantitativa dos dados, pretende-se
realizar uma orientação educacional para a população que frequentar o ambulatório
durante o período de 6 meses. A intervenção se dará com a entrega de carteiras de
vacinação confeccionadas para o estudo (Anexo 4), contendo informações direcionadas
para os participantes da pesquisa e informativos que demonstrem a relevância da
vacinação neste grupo alvo. Essa entrega ocorrerá juntamente com o reforço verbal da
equipe (médicos, residentes e/ou alunos participantes da pesquisa) quanto aos
benefícios da imunização, além do fornecimento de receita médica para apresentação
no local de vacinação.
Para a análise estatística dos dados obtidos, variáveis dicotômicas serão
descritas como número e percentual, e variáveis quantitativas como média,
desvio-padrão, mediana e intervalo interquartil. Comparações serão realizadas
empregando-se teste t para variáveis de distribuição Gaussiana e teste de Wilcoxon
para distribuição não-Gaussiana para as variáveis contínuas, e qui-quadrado e exato de
Fisher para variáveis qualitativas. O modelo de regressão logística será realizado para
avaliar o possível efeito de outros fatores adicionais.
O nível de significância será de 5%. O banco de dados e as análises estatísticas
serão realizados através do programa estatístico SPSS Statistics 22 (Statistical
Package for Social Sciences-Professional Statistics TM).

Indicadores, Metas e Resultados

Educação dos pacientes em relação a importância da vacinação
Melhora da aderência da vacinação nos pacientes orientados pelo projeto
Diminuição da Incidência de Infecções oportunistas

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ALESSANDRA PEREIRA DE SOUZA
Augusto Astolfi Basile
CAMILA SCHUBERT TRINDADE
Camila Luiza Lagni
DANIEL ANGELO BERNIN
DANIELA DE OLIVEIRA NAVA
DANIELLE REGINA PIMENTEL
DIEGO FERREIRA GONZALEZ
EDUARDO PETER FURTADO
EDUARDO ZANATTA KAPP
ELZA CRISTINA MIRANDA DA CUNHA BUENO2
FELIPE GONCALVES REZENDE ROCHA DE OLIVEIRA
GABRIELA MOREIRA DE ANDRADE
GUSTAVO GOMES ORUGIAN SANTOS
GUSTAVO ISHIKAWA MIYAMOTO
HAYANA LUIZA RUZZA ALTENHOFEN
HENRIQUE SOUTO DE SOUZA
JEFERSON DE SOUZA REINALDO
JOAO VICTOR FREITAS SOARES
JULIA MARTINS LACERDA
JULIA RAUPP VILELA
LINCOLN REIS CALIXTO
LUIZA RECH MEDEIROS RODRIGUES
Letícia Schwerz Weinert
Lucas Enderle de Moura
PEDRO HENRIQUE EVANGELISTA MARTINEZ
VICTOR MELO ISMERIO
VINNI ALVARENGA LIMA
VITOR DIAS FURTADO
VITOR TEIXEIRA COUTO DE ALBUQUERQUE CODOGNOTTO

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