Diversos órgãos e instituições, sejam locais, nacionais ou internacionais, abordam de forma crescente os impactos da desigualdade de gênero, inclusive no meio científico, e a relevância deste tema. Por exemplo, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu como um dos Objetivos do Milênio a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres. A iniciativa busca incentivar a organização de campanhas para estimular e encorajar jovens e mulheres a buscarem seus desenvolvimentos socioeconômico, por meio da educação e do trabalho. Por outro lado, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), mundialmente as mulheres representam apenas 28% dos pesquisadores, e apenas 3% dos ganhadores do prêmio Nobel.[1]
Um relatório produzido pela editora científica internacional Elsevier, intitulado “Gender in the Global Research Landscape”[2] aponta que o Brasil é o país mais desigual quando se trata de gênero na ciência, superando os Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. No mesmo sentido, pesquisas nacionais apontam estatísticas que mostram como a maioria das mulheres não consegue visualizar a sua própria presença em certas áreas do conhecimento, uma vez que o número de outras mulheres que atuam nessas áreas é escasso e elas são, de forma geral, menos reconhecidas que os homens.[3] Essa desigualdade é ainda mais acentuada quando observadas as áreas das ciências exatas, engenharias e computação.
Vale mencionar que essa desigualdade pode se manifestar de diferentes formas. A discriminação de gênero pode ser caracterizada pela sub-representação feminina em algumas áreas do conhecimento, como as mencionadas anteriormente (exclusão horizontal), mas também entre postos mais prestigiosos da carreira conforme o nível de ascensão (exclusão vertical).[4]
Uma das maneiras para tentar amenizar este problema é a promoção de ações que oportunizem a interação de mulheres pesquisadoras e jovens ainda estudantes - possibilitando não apenas o contato, mas também o reconhecimento da atuação de mulheres na área, e que propiciem o empoderamento das estudantes e profissionais participantes quanto a sua capacidade e poder de escolha. Por exemplo, o uso da estratégia de mesas redondas é capaz de estabelecer discussões e reflexões entre os participantes, relacionando temas vinculados ao cotidiano universitário. Estas reflexões além de enriquecerem a construção do conhecimento, são capazes de despertar nos participantes a consciência sobre a atuação da mulher na ciência, bem como traçar as perspectivas para um futuro com equidade de gênero em todas as áreas de atuação.
Tendo isso em vista, pesquisadoras da Universidade Federal de Pelotas integram à iniciativa mundial da IUPAC, o Café Global das Mulheres (Global Women’s Breakfast) para promover o evento “Quebrando barreiras na ciência em instituições federais brasileiras”. Vale ressaltar que estas mesmas pesquisadoras organizam um evento do GWB pelo segundo ano consecutivo, sendo o primeiro deles intitulado “Debatendo Diversidade na Química em Instituições de Ensino Superior Gaúchas”.