Nome do Projeto
GASTOS COM A SAÚDE DAS CRIANÇAS EM DIFERENTES CENÁRIOS ECONÔMICOS E INVESTIMENTOS PARENTAIS NO CAPITAL HUMANO DOS FILHOS
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
05/04/2023 - 28/02/2024
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências da Saúde
Resumo
O investimento parental no capital humano dos filhos é de vital importância já nos primeiros anos de vida, de modo que influencia diretamente os resultados que virão a ser obtidos durante a fase adulta. Sabendo que o capital humano é composto pelos capitais saúde e educação (e também pelas habilidades), tornase de extrema importância entender suas relações e possíveis determinantes. Evidências mostram que características socioeconômicas e demográficas, bem como aquelas relacionadas ao próprio estado de saúde, afetam a forma como as famílias gastam em saúde. Já a ocorrência de problemas de saúde durante os primeiros anos de vida pode gerar impacto tanto no investimento em saúde destas crianças quanto no investimento em educação, devido a necessidade de ajuste na alocação dos recursos do orçamento familiar. Desta forma, utilizando as informações obtidas nas Coortes de Nascimentos de Pelotas dos anos de 2004 e 2015, pretende-se analisar os determinantes dos gastos com saúde das crianças, em dois cenários econômicos distintos, e como possíveis problemas de saúde das crianças nos primeiros anos de vida acabam impactando os investimentos parentais tanto na saúde quanto na educação destas crianças, de modo a entender a interrelação entre estas variáveis neste cenário.

Objetivo Geral

 Identificar quais fatores são determinantes para os gastos privados em
saúde e como estes se comportam em cenários econômicos distintos;
 Entender como problemas de saúde nos primeiros anos de vida podem
influenciar os pais em sua alocação de recursos entre saúde e educação.

Justificativa

Um tema bastante importante da Economia da Saúde – área
multidisciplinar que estuda a gestão eficiente dos recursos destinados aos
serviços de saúde - é a análise dos fatores que exercem influência sobre os
gastos privados com saúde. Esta perspectiva tornou-se ainda mais importante a
partir dos anos 70 quando pode-se observar um significante aumento nos gastos
em saúde como proporção do PIB na maioria dos países desenvolvidos,
desencadeando uma série de trabalhos que buscaram identificar os
determinantes destes gastos (DI MATTEO; DI MATTEO, 1998; DI MATTEO,
2005).
Nos Estados Unidos o gasto per capita com a saúde em 2019 foi cerca de
dez vezes maior do que em 1980, e a fração do PIB norte americano gasta com
saúde variou de 8,7 para 16,8% - correspondendo a um aumento de 93% no
período. Já no Brasil, o nível do gasto per capita mostra-se relativamente
pequeno (comparado com economias de níveis de renda similares), tendo sido
alocados 9,5% do PIB do país em saúde no ano 2018, e, apesar de menos de
um terço da população estar coberta por plano de saúde (segundo dados da
PNS), a participação dos gastos privados ficou em torno de 58% dos gastos
totais em saúde, evidenciando uma extrema desigualdade social.
Ainda, importante ressaltar a mudança do cenário econômico brasileiro
entre os anos de 2004 e 2015 – os quais serão analisados. Neste intervalo, o
país apresentava melhoria sustentada de seus indicadores até haver uma
reversão no ano de 2015. As linhas de pobreza e extrema pobreza servem como
um exemplo visto que apresentavam decréscimo contínuo exatamente no
período de 2004 a 2014, e retornaram a subir em 2015 (ROCHA, 2019).
Parte deste trabalho, portanto, visa identificar quais fatores, entre
socioeconômicos, demográficos e ligados a própria saúde, exercem influência
nos gastos com a saúde tomando como base os dados das Coortes de 2004 e
de 2015 realizadas na cidade de Pelotas/RS, Brasil. Estes estudos com coleta
de dados, realizadas pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade
Federal de Pelotas, tiveram como objetivo avaliar mudanças nos padrões sociais
e epidemiológicos da saúde, e possíveis consequências de situações e
características do início da vida que poderão ser analisadas posteriormente.
Igualmente importante nesta fronteira que une as áreas da Economia e as
da Saúde está o tema do capital humano, o qual já existe consenso entre
economistas sobre a necessidade de incremento no seu estoque nos anos
iniciais de vida com intuito de aumentar o bem-estar dos indivíduos e estimular
o crescimento econômico (YI et. al., 2015). Contudo, não há consenso em
relação ao tema quando se trata de como os pais investem no Capital Humano
dos seus filhos quando existem dotações diferentes, onde uma linha sugere que
estes reforçam os hiatos e aumentam a desigualdade (BECKER; TOMES, 1976;
BEHRMAN; ROSENZWEIG; TAUBMAN, 1994; ROSENZWEIG; ZHANG, 2009),
e outra que os pais compensam este hiato e diminuem a desigualdade
(BEHRMAN; POLLAK; TAUBMAN, 1982; PITT; ROSENZWEIG; HASSAN,
1990). Estudo realizado com gêmeos chineses encontrou uma relação
compensatória nos gastos, onde os pais acabavam investindo mais na saúde de
crianças que apresentaram problema de saúde visando diminuir esta diferença
entre os irmãos, contudo, acabavam diminuindo o investimento na educação
destes (YI et. al., 2015).
Com isto, uma segunda etapa deste trabalho, pretende analisar o impacto
dos problemas que as crianças possam vir a ter em sua saúde nos anos iniciais
de vida (0 a 4 anos) nos investimentos posteriores realizados pelos pais no
capital humano destas crianças, mais precisamente na saúde e na educação.
Para esta etapa serão utilizados dados da Coorte de nascimento de Pelotas/RS
de 2015.
Os resultados do estudo poderão oferecer uma análise do impacto das
variáveis relacionadas aos gastos com saúde em diferentes cenários
econômicos e permitirão analisar o efeito provocado por problemas de saúde nos
primeiros anos de vida no investimento realizado pelos pais no capital humano
dos filhos, verificando assim se estão ocorrendo investimentos compensatórios
ou de reforço e inferindo sobre a desigualdade na expectativa futura de estoque
de capital humano.

Metodologia

O presente estudo apresenta delineamento de coorte prospectiva onde
foram incluídos todos os nascidos vivos de mães residentes na zona urbana da
cidade de Pelotas/RS. O primeiro contato ocorreu através de abordagem de
equipe qualificada de entrevistadores nos hospitais logo após o parto, onde as
mães foram convidadas a participarem do estudo. Serão utilizadas neste
trabalho as Coortes de nascimentos de Pelotas dos anos de 2004 e 2015, com
seus devidos acompanhamentos. Os métodos para coleta de dados empregados
em ambas as coortes foram os mesmos. Detalhes sobre procedimentos e
metodologia aplicadas nestas coortes estão disponíveis em artigos próprios
(SANTOS et. al., 2011; HALLAL et. al., 2018), e os questionários aplicados
disponíveis no link: http://www.epidemio-ufpel.org.br/site/content/estudos/index.php.

Indicadores, Metas e Resultados

HIPÓTESES

 Características socioeconômicas como renda e escolaridade,
juntamente com características demográficas como a idade da mãe afetam
positivamente os gastos privados com a saúde, independente do cenário
econômico nacional;
 A chefe da família ser mulher apresentará uma relação direta com o
gasto em saúde dos filhos, independente do cenário econômico nacional;
 Famílias mais ricas terão um maior gasto em saúde, mas com menor
proporção da renda total, independente do cenário econômico nacional;
 O cenário econômico desfavorável em 2015 (comparado com 2004)
diminuirá os gastos privados em saúde, especialmente nas famílias dos menores
níveis de renda;
 Problemas de saúde nos primeiros anos de vida ocasionarão maiores
gastos em saúde aos 6-7 anos de idade da criança;
 Os problemas de saúde das crianças nos primeiros anos de vida farão
com que o investimento em educação seja reduzido, de forma que o gasto com
saúde e o investimento em educação tenham caráter compensatório aos 6-7
anos de idade da criança.

ARTIGOS PROPOSTOS

Artigo 1: Determinantes dos gastos privados em saúde voltados às crianças e
sua relação com o cenário econômico do país - uma análise das Coortes de
Nascimentos de Pelotas/RS de 2004 e 2015.
Artigo 2 (revisão da literatura): Investimentos parentais em capital humano
durante a infância.
Artigo 3: Efeitos dos problemas de saúde no início da vida nos investimentos
parentais em saúde e educação nas crianças da Coorte de Nascimentos de
Pelotas/RS de 2015 aos 6-7 anos de idade.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDREA HOMSI DAMASO1
CESAR AUGUSTO OVIEDO TEJADA
MARCELO TORRES DA SILVA

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