Nome do Projeto
Compatibilidade de estratégias de controle químico e biológico da cigarrinha-do-milho, inseto-vetor das doenças do complexo de enfezamentos: bases para o manejo sustentável deste patossistema
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
17/04/2023 - 30/11/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
A cigarrinha do milho Daulbulus maidis tem preferência pelos estádios iniciais da cultura do milho, e apresenta capacidade de migração e dispersão muito alta, com autonomia de voo de mais de três horas, podendo ser carregadas por correntes de vento, chegando a alcançar 30 km de distância em voos ativos e mais de 500 km em voos passivos. Se a população de cigarrinhas migrantes apresentar indivíduos infectivos, ela pode se dispersar causando um surto na lavoura ou na região geográfica, fazendo com que estratégias de amostragem e monitoramento tornem-se importantes ferramentas afim de atender aos preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para posterior escolha das táticas de controle disponíveis. Quanto as táticas de controle, predominantemente têm-se utilizado o controle químico. Entretanto, apenas a utilização de inseticidas para o controle do inseto-vetor na pós-emergência da cultura não tem sido suficiente para a redução dos danos ocasionados. Além disso, a utilização errônea desse método de controle pode ocasionar em diversos problemas sobre organismos benéficos, bem como, acelerar o processo de evolução da resistência da cigarrinha-do-milho aos inseticidas disponíveis. Dessa forma, torna-se necessário a adoção da utilização integrada de outras estratégias de manejo.Dentre as estratégias de manejo disponíveis o controle biológico ganha destaque, principalmente com microbiológicos à base de fungos entomopatogênicos [Isaria fumosorosea Wize (Hypocreales: Cordycipitaceae) e Beauveria bassiana (Balsamo-Crivelli) Vuillemin (Hypocreales: Clavicipitaceae)]. Em geral, a integração desses agentes biológicos e agrotóxicos (principalmente inseticidas e fungicidas) em misturas-de-tanque tem-se tornado cada vez mais relevantes. Visto que, a integração de fungos entomopatogênicos e agrotóxicos podem melhorar a eficácia de controle do artrópode-praga e, vários mecanismos têm sido sugeridos para esta interação. Sendo assim, o objetivo do presente projeto é avaliar a compatibilidade dos isolados IBCB 66 e Simbi BB 15 de Beauveria bassiana e ESALQ-1296 de Isaria fumosorosea, registrados para o manejo de D. maidis no Brasil, com agrotóxicos empregados na fase inicial do milho para o manejo de insetos-praga, plantas daninhas e doenças da cultura.

Objetivo Geral

O presente projeto tem como objetivo avaliar a compatibilidade dos isolados IBCB 66 e Simbi BB 15 de Beauveria bassiana e ESALQ-1296 de Isaria fumosorosea, registrados para o manejo de D. maidis no Brasil, com agrotóxicos empregados na fase inicial do milho para o manejo de insetos-praga, plantas daninhas e doenças da cultura.

Justificativa

A cultura do milho (Zea mays L.) é considerada uma das mais importantes no Brasil, visto que apresenta significativa expressão econômica, com duas épocas preferenciais de cultivo (safra e safrinha), em uma área de aproximadamente 14 milhões de hectares produz mais de 100 milhões de toneladas de grãos. Entretanto, um dos fatores que têm afetado significativamente a produção do milho são as elevadas densidades populacionais da cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis (DeLong & Wolcott, 1923) (Hemiptera: Cicadellidae). O inseto é especialista em milho, ou seja, tem preferência por se alimentar em plantas da espécie Zea mays, e não apresenta outro hospedeiro no qual seu ciclo de vida se completa em todas as suas fases, desde ovo, passando pelos 4 ou 5 estágios ninfais até a fase adulta (Waquil et al., 1999). A cigarrinha adulta se abriga, preferencialmente, nas folhas do cartucho do milho, onde ficam protegidas e se alimentam inserindo seu aparelho bucal no tecido da planta (Waquil et al., 1999).
Os danos ocasionados por esse inseto em decorrência de sua alimentação (sucção de seiva e injeção de toxinas) somente são significativos em altas infestações, sendo o principal impacto decorrente da transmissão de microrganismos patogênicos às plantas, tais como bactérias da classe dos molicutes e vírus causadores de doenças do complexo do enfezamento (Ribeiro & Canale, 2021). Em genótipos suscetíveis, a incidência das doenças do complexo de enfezamentos pode reduzir a produtividade do milho em mais de 90% (Toffanelli & Bedendo, 2002).
A cigarrinha tem preferência pelos estádios iniciais da cultura do milho, e apresenta capacidade de migração e dispersão muito alta, com autonomia de voo de mais de três horas, podendo ser carregadas por correntes de vento, chegando a alcançar 30 km de distância em voos ativos e mais de 500 km em voos passivos (Oliveira et al., 2013). Se a população de cigarrinhas migrantes apresentar indivíduos infectivos, ela pode se dispersar causando um surto na lavoura ou na região geográfica (Ribeiro & Canale, 2021), fazendo com que estratégias de amostragem e monitoramento tornem-se importantes ferramentas afim de atender aos preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para posterior escolha das táticas de controle disponíveis.
Quanto as táticas de controle, predominantemente têm-se utilizado o controle químico. Entretanto, apenas a utilização de inseticidas para o controle do inseto-vetor na pós-emergência da cultura não tem sido suficiente para a redução dos danos ocasionados. Além disso, a utilização errônea desse método de controle pode ocasionar em diversos problemas sobre organismos benéficos, bem como, acelerar o processo de evolução da resistência da cigarrinha-do-milho aos inseticidas disponíveis. Dessa forma, torna-se necessário a adoção da utilização integrada de outras estratégias de manejo.
Dentre as estratégias de manejo disponíveis o controle biológico ganha destaque, principalmente com microbiológicos à base de fungos entomopatogênicos [Isaria fumosorosea Wize (Hypocreales: Cordycipitaceae) e Beauveria bassiana (Balsamo-Crivelli) Vuillemin (Hypocreales: Clavicipitaceae)]. Em geral, a integração desses agentes biológicos e agrotóxicos (principalmente inseticidas e fungicidas) em misturas-de-tanque tem-se tornado cada vez mais relevantes. Visto que, a integração de fungos entomopatogênicos e agrotóxicos podem melhorar a eficácia de controle do artrópode-praga e, vários mecanismos têm sido sugeridos para esta interação. Por exemplo, os inseticidas podem estar agindo como um estressor ao enfraquecer a cutícula do inseto, reduzindo a mobilidade da praga, rompendo a remoção de conídios fúngicos por meio do comportamento de limpeza, fazendo com que o inseto seja mais vulnerável a entrada dos entomopatógenos fúngicos (Khun et al., 2020). Além disso, a mistura de agroquímicos no tanque de pulverização é uma prática usual entre agricultores brasileiros (Gazziero, 2015).
No entanto, os biopesticidas, adjuvantes e agrotóxicos devem ser avaliados quanto à compatibilidade antes do uso em uma mistura em tanque. Desse modo, afim de definir uma tática de controle eficiente, o objetivo do presente projeto é avaliar a compatibilidade dos isolados IBCB 66 e Simbi BB 15 de Beauveria bassiana e ESALQ-1296 de Isaria fumosorosea, registrados para o manejo de D. maidis no Brasil, com agrotóxicos empregados na fase inicial do milho para o manejo de insetos-praga, plantas daninhas e doenças da cultura.

Metodologia

Avaliação da compatibilidade físico-química das misturas em tanque
Nestes ensaios, serão adotados os padrões técnicos especificados na norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 13875:2014 (ABNT, 2014), denominada “Agrotóxicos e afins - Avaliação de compatibilidade físico-química”, seguindo a técnica dinâmica, isto é, com agitação. Com base nesta metodologia, seguiremos a adição dos produtos com base em sua formulação. Antes da mistura, os agrotóxicos serão testados individualmente quanto às suas características de dispersão (homogeneização) na calda. As caldas serão preparadas utilizando-se água-padrão com dureza total de 20 mg/kg em equivalente de CaCO3, como veículo, de acordo com NBR 13074:2004 (ABNT, 2004), e as doses máximas registradas na bula para cada agrotóxico. A escolha das misturas de agroquímicos a serem estudados ocorrerá em virtude da frequência de utilização nas lavouras de milho, comprovada mediante relatórios de pulverização.
O aspecto da calda será avaliado visualmente segundo a presença (P) ou ausência (A) dos seguintes parâmetros: homogeneidade, floculação, sedimentação, separação de fases, formação de grumos por peneira com abertura nominal de 149 m, conforme NBR NM ISO 3310-1:2010 (ABNT, 2010), separação de óleo, formação de cristais, creme e espuma. O pH da calda será aferido por meio de pHmetro digital de bancada com precisão relativa de 0,05%.

Testes in vitro de compatibilidade de formulações dos fungos entomopatogênicos (I. fumosorosea e B. bassiana) misturados no tanque de pulverização com inseticidas, herbicidas, fungicidas e adjuvantes
O método de teste a ser utilizado neste bioensaios será baseado nas diretrizes para testar os efeitos adversos de pesticidas em fungos enteropatogênicos, proposta pela International Organization for Biological Control (IOBC) (Coremans-Pelseneer, 1994). Para a avaliação do crescimento vegetativo micelial, os agrotóxicos, nas doses recomendadas para o manejo de D. maidis, serão adicionados ao meio de cultura à base de batata, dextrose e ágar (BDA) pouco antes de ocorrer a solidificação. O meio preparado será vertido em placas de Petry (9 cm de diâmetro) num volume de 15 mL e resfriados. O tratamento controle será o meio de cultura sem a adição dos agroquímicos.
Após, um pequeno tampão (5 mm de diâmetro) dos fungos enteropatogênicos incubado no escuro em placas a 25 ºC, será inserido no centro das placas com BDA preparadas com ou sem a adição dos tratamentos. Para cada nível de tratamento serão utilizadas 10 repetições, sendo cada repetição constituída por uma placa.
Após 7 e 14 dias, a área de crescimento vegetativo será mensurada com a utilização de um analisador de imagem (Nikon NIS Elements BR 2.30). A porcentagem da inibição do crescimento vegetativo será calculada usando a seguinte equação:
I(%) = C – H / C × 100
Onde: I é a porcentagem de inibição de crescimento / esporulação / germinação de conídios, C é a porcentagem de crescimento / esporulação / germinação de conídios do fungo no controle e H é a porcentagem de crescimento / esporulação / germinação de conídios do fungo nos tratamentos.
Após a avaliação do crescimento vegetativo, será realizada a análise de esporulação, onde dois discos (8 mm de diâmetro) serão retirados de cada tratamento. O disco será transferido para um frasco de vidro contendo 4 mL de água destilada esterilizada com Tween 80 (0,1%) e dispersa usando um vórtice a 2800 rpm por 20 s. Uma quantidade de 50 µL de suspensão será colocada em um hemocitômetro, e os conídios serão contados usando um analisador de imagem (Nikon NIS Elements BR 2.30), cada tratamento consistirá em dez repetições.
Para a avaliação da germinação de conídios, uma suspensão de esporos das culturas dos fungos enteropatogênicos serão utilizadas. Uma quantidade de 100 µL da suspensão será adicionado a 5 mL do meio de cultura, representando a testemunha (sem adição dos tratamentos) e com a adição dos tratamentos (inseticidas, herbicidas, fungicidas e adjuvantes). Após o período de incubação a germinação e não germinação em cada placa serão quantificados em microscópio óptico (400x).
Para a classificação do nível de inibição, a seguinte forma será utilizada: 1 = inofensivo (< 25%); 2 = ligeiramente prejudicial (25–35%); 3 = moderadamente prejudicial (36–50%); 4 = prejudicial (> 50%).

Bioensaios de toxicidade letal da mistura de agroquímicos no tanque de pulverização sobre D. maidis
Para a avaliação da eficiência da integração do controle biológico e químico misturados no tanque de pulverização sobre a cigarrinha-do-milho, serão utilizados os tratamentos que não apresentarem incompatibilidades físico-químicas.
Para isso, cada tratamento, será constituído por 20 plantas de milho. Os tratamentos serão pulverizados em estádio vegetativo V3-V4, utilizando um pulverizador manual Guarany® Ultrajet 500 mL, até o ponto de escorrimento nas folhas. No tratamento controle as plantas serão pulverizadas com água destilada.
Os efeitos dos tratamentos testados serão avaliados através do contato tarsal de D. maidis em folhas de milho tratadas, seguindo a metodologia descrita por Rakes et al. (2021), com adaptações para a espécie em estudo. Estes bioensaios serão conduzidos em laboratório sob condições controladas (Temperatura: 25±1º C; UR: 70±10%; Fotofase: 14: 10 [L:D] h). Para tanto, folhas de milho de cada grupo tratado serão removidas das plantas e, lâminas foliares de 7,0 x 1,5 cm serão cortadas com tesoura. Duas lâminas de folhas, dos respectivos tratamentos, serão inseridas em 1,5 mL de ágar a 1%, dispensado no fundo de um tubo de vidro de fundo chato (8.0 x 1,5 cm), para manter a turgidez da folha. Após a solidificação do ágar, 25 insetos adultos de D. maidis serão inseridos no tubo. As taxas de mortalidade serão verificadas às 0,33, 0,66, 1, 1,33, 1,66, 2, 4, 6, 8, 24, 48, 72 e 96 horas após aplicação dos tratamentos (HAAT), para posterior verificação do tempo letal 50 e 90.

Indicadores, Metas e Resultados

O controle químico tem indiscutível importância como tática de manejo de D. maidis na cultura do milho, aliado a este, o controle biológico com a utilização de fungos enteropatogênicos tem-se mostrado um mercado promissor de insumos no Brasil. Assim sendo, como principais resultados e impactos esperados com a proposta deste projeto de pesquisa, temos:
- Elucidar as possíveis alterações físicas e químicas que podem ocorrer quando diferentes agroquímicos são misturados no tanque de pulverização, para que possamos ampliar o conhecimento nesse campo de estudo, trazendo resultados práticos e de quais misturas se mostram eficientes.
- Identificar a compatibilidade das misturas de agroquímicos no tanque de pulverização aliando ao controle biológico com fungos entomopatogênicos, que permitirá a redução de população de D. maidis, menor ressurgência e possibilidade de evolução da resistência

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
ANDERSON DIONEI GRUTZMACHER1
DANIEL BERNARDI1
Leandro do Prado Ribeiro
MATHEUS RAKES
MAÍRA CHAGAS MORAIS
Mireli Trombin de Souza

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