Nome do Projeto
Avaliação cinética toracolombar em equinos
Ênfase
Pesquisa
Data inicial - Data final
01/07/2023 - 30/12/2025
Unidade de Origem
Coordenador Atual
Área CNPq
Ciências Agrárias
Resumo
O objetivo do trabalho será avaliar a cinética toracolombar em equinos submetidos a dinâmica quantitativa funcional, durante movimentos específicos de andaduras, volta sobre patas e esbarradas, com distintas encilhas. Para isso, serão avaliados 30 equinos da raça Crioula hígidos, pertencentes a centros de treinamentos equestres do Rio Grande do Sul. Os animais serão distribuídos em três grupos, sendo o grupo 1 encilhados com sela e manta gel, grupo 2 sela e xergão, 3 basto e manta gel. As análises de cinética toracolombar serão realizadas com auxílio do sistema F-Scan através da medição de pontos de pressão gerados diretamente nessa região com uma manta específica (Tekscan Conformat saddle pressure mat®) que será assentada sob a manta gel e xergão. A pressão será mensurada no movimento de passo, trote, canter, volta sobre patas e esbarrada e as variáveis analisadas serão: área de contato (cm2), pressão de contato (KPa), força (N), pico de contato de pressão (KPa), pico de força (N), caudal, cranial, lateral esquerda e lateral direita. Já a avaliação quantitativa funcional será obtida através da utilização do software Quintic Vídeo Analysis®, através da mensuração dos ângulos articulares em membros torácicos e pélvicos, por meio do uso dos marcadores reflexivos acoplados em pontos anatômicos específicos nos equinos, que serão filmados em movimentos de andaduras (passo, trote e cânter), volta sobre patas e esbarradas.

Objetivo Geral

Avaliar a cinética toracolombar em equinos submetidos a cinemática, com distintas encilhas, durante movimentos específicos de andaduras, volta sobre patas e esbarradas.

Justificativa

A coluna vertebral dos equinos é responsável por propiciar os movimentos de dorso flexão, ventro flexão, latero flexão e rotação axial. Para realização desses movimentos, os grupos musculares, epaxiais e hipaxiais, atuam de forma eficiente, atendendo a necessidade específica do andamento (FANTINI & PALHARES, 2011). Dor na coluna e disfunção são causas comuns de baixo desempenho em cavalos (JEFFCOTT 1980, ZIMMERMAN et al., 2011a,b), e podem ter como principais causas, patologias óssea toracolombar primária (GILLEN et al., 2009; GIRODROUX et al., 2009; MEEHAN et al., 2009; ZIMMERMAN et al., 2011 a,b), dores musculares desenvolvidas secundariamente a claudicação, treinamento incorreto, cavaleiro menos experiente, sela incorreta para o cavalo e/ou cavaleiro. Uma sela mal ajustada pode causar desconforto e dor ao animal, além de prejudicar o desenvolvimento muscular e a biomecânica da coluna e dos membros (HARMAN 1999; MACKECHNIE-GUIRE et al., 2019). Além disso, as lombalgias constituem de 4 a 20% das causas de claudicação em equinos atletas, valor elevado quando comparado com as diversas patologias do sistema musculoesquelético, levando ainda em consideração a baixa porcentagem de diagnóstico (ALVES et al., 2007; MARTINS, 2013).
Devido a grande preocupação com a coluna dos equinos e com as alterações que a falta de conhecimento pode acarretar na biomecânica desses animais, deu-se início ao estudo da cinética e cinemática, por meio de equipamentos específicos (BELOCK et al., 2012; GREVE & DYSON, 2013; BYE & LEWIS, 2020; DITTMANN, et al., 2021). A cinética toracolombar é uma técnica que fornece dados da situação montada, com o cavalo em movimento ou estático, baseando-se na utilização de um tapete eletrônico que molda-se ao contorno da coluna do animal e registra o componente de força gerado perpendicularmente à sua superfície, permitindo a identificação de áreas de alta pressão no dorso do equino, e fornecendo uma maneira objetiva de mensurar a força aplicada à coluna de cavalos, através da sela ou de qualquer ferramenta utilizada para encilha (PEHAM et al., 2010). Além disso, visa diferenciar e identificar possíveis irregularidades na distribuição das forças, que possam afetar negativamente a performance atlética e saúde dos equinos (NOBLE et al., 2010; NAEEM et al., 2020). Já a cinemática descreve os movimentos (CLAYTON, 2004; BACK & CLAYTON, 2013), através de filmagens, tornando-se de extrema importância, entendendo que tanto a claudicação poderá afetar diretamente o movimento da coluna vertebral, quanto as dores toracolombares, ou até mesmo o uso de selas inadequadas, podem resultar em diminuição da amplitude de movimento e flexibilidade da coluna, juntamente com rigidez muscular (GOMES ÁLVAREZ, 2007; BACK E CLAYTON, 2013), que pode ser manifestado com uma redução no desempenho do cavalo.
O reconhecimento precoce de oscilações assimétricas de carga à coluna dos equinos, pode proporcionar oportunidade para minimizar lesões envolvendo a região toracolombar, como mioalgia, atrofia muscular e queda do desempenho (DYSON et al., 2015). Com isso, o objetivo do presente estudo será determinar a cinética toracolombar em equinos submetidos cinemática, durante movimentos específicos de andaduras, volta sobre patas e esbarradas, com distintas encilhas.

Metodologia

O estudo será realizado em centro de treinamento na região sul do Rio Grande do Sul. Serão utilizados 30 equinos da raça Crioula, com idade média de 7 ± 3 anos, que passarão por uma avaliação clínica, previamente ao estudo, para garantir sua integridade física e homogeneidade da amostra.
A mensuração da altura dos animais e seus cavaleiros será realizada com o auxílio de um hipômetro e o peso aferido através de fita de peso e de balança digital, respectivamente (1,42 ± 0,03 cm e 429 ± 25kg de média).
Os animais serão distribuídos em três grupos, grupo 1 serão encilhados com sela e manta gel (n=13), no grupo 2 com sela e xergão (n=7), no grupo 3 com basto (fig.4) e manta gel (n=10).
Os animais serão distribuídos em três grupos, grupo 1 serão encilhados com sela e manta gel (n=13), no grupo 2 com sela e xergão (n=7), no grupo 3 com basto e manta gel (n=10).
Cinética
Os animais dos 3 grupos e seus cavaleiros realizarão aquecimento de 10 minutos previamente ao início do estudo, logo após, serão submetidos a um teste de equitação padronizado, com as rédeas paralelas e soltas, em uma área de 7x3m da pista de treinamento dos locais das coletas.
As análises serão realizadas com auxílio do sistema F-Scan, através da medição de pontos de pressão gerados diretamente no dorso dos animais com um tapete de pressão eletrônico (Tekscan Conformat saddle pressure mat), que será colocado abaixo da manta gel e do xergão (GUNST et al., 2019), o mesmo será posicionado no dorso do cavalo de tal forma que a linha média do tapete da sela será colocada com precisão sobre a linha média da coluna. As informações serão passadas por meio de wireless diretamente para um software (CONFORMat Research 7.60) em tempo real, simultaneamente as coletas.
As dimensões do Tekscan Comformat são de 571,5mm por 627,4mm e o painel do sensor é de 471,4mm2. O tapete contém 1027 sensores com densidade de 0,5 sensores por cm2, com capacidade para medir até 34kPa. O equipamento é conectado a um notebook via internet sem fio através de um transmissor e a taxa de amostragem será de 100Hz. O sensor ficará localizado dentro de uma manta de algodão e será calibrado antes de iniciar a coleta de dados com informações do cavaleiro, como peso e altura.
As variáveis analisadas serão as médias da área de contato (cm2), pressão (KPa), força (N), pico de pressão (KPa), pico de força (N), divididas nas regiões caudal, cranial, lateral esquerda e lateral direita, nos movimentos de passo, trote e cânter no percurso de tráfego definido previamente.
Cinemática
Serão acoplados marcadores reflexivos em pontos anatômicos específicos nos equinos, que serão filmados em movimentos de andaduras (passo, trote e cânter), volta sobre patas e esbarradas. A análise quantitativa objetiva dinâmica do movimento consiste na verificação da homogeneidade do movimento com utilização do software Quintic Vídeo Analysis, através da mensuração dos ângulos articulares, por meio do uso dos marcadores colocados nas articulações dos membros torácicos, pélvicos, coluna e cabeça (CLAYTON et al., 1989; SYMONS et al., 2014). Com esse sistema será possível identificar variações quantitativas e assimetrias nos movimentos dos animais não percebidas a olho nú.
Serão realizadas mensurações lineares e angulares morfológicas (cm) com o animal inicialmente em estação sob uma área regular, através da fotografia capturada. Quando na execução dos movimentos biomecânicos, serão mensuradas as variáveis a seguir:
- Ângulo de protração dos membros pélvicos (°), determinado por uma linha vertical em relação ao ponto mais caudal do membro antes da execução do movimento, inferindo na amplitude das ações angulares posteriores;
- Protração, retração e ROM dos membros torácicos (°), para avaliação da amplitude de movimentos que esses segmentos promovem durante a andadura;
- Ângulos e velocidade angular das articulações lombosacra, coxofemoral, femurotibiopatelar e társicas nos momentos de suspensão e apoio (° e °/s, respectivamente).
Estatística
A comparação das variáveis dependentes e independentes foi obtida através da análise de variância com 2 fatores. Foi realizado o desdobramento da interação pela análise de variância. E a comparação múltipla foi realizada através do teste de Bonferroni. Todas as análises foram realizadas pelo software estatístico SPSS20.0, para todos os testes, considerou-se o nível de significância de P < 0,05.

Indicadores, Metas e Resultados

Resultados esperados
Espera-se elucidar as diferenças entre as principais encilhas utilizadas no cavalo da raça Crioula, assim como identificar se as mesmas são benéficas para os animais. Pretende-se entender a influência de diferentes tipos de encilhas na biomecânica de movimentos específicos de equinos. Além disso, almeja-se avaliar movimentos de volta sobre patas e esbarradas e o que eles causam na região toracolombar.
Indicadores e metas esperados
Com este estudo pretende-se elucidar a influência da encilha na biomecânica dos equinos, além de identificar as diferenças entre os tipos de encilhas. Através desse estudo, espera-se a publicação de dois artigos em periódicos com alto fator de impacto.

Equipe do Projeto

NomeCH SemanalData inicialData final
BRUNO DE BORBA FERNANDES
CAROLINA BICCA NOGUEZ MARTINS
CHARLES FERREIRA MARTINS4
EULER VARGAS HARDT
FABIO RAPHAEL PASCOTI BRUHN1
FERNANDO MADRUGA BARBOSA
GINO LUIGI BONILLA LEMOS PIZZI
GUILHERME MARKUS
HELENA ROSA DA SILVA
KARINA HOLZ
LETICIA DE JESUS SANTOS
Leila Regina Oliveira de Borba
PRISCILA FONSECA RIBEIRO
Éverton Augusto Kowalski

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